Lady Sings the Blues

Publicado por Marco [5/Julho/2008] | Categoria: Vídeos | Sem comentários »

O grande comediante George Carlin (consultar post O homem das sete palavras) disse uma vez: «No blues não é suficiente saber que notas se devem tocar, é preciso saber por que razão essas notas precisam de ser tocadas». (ver On White People no YouTube).

Em 1957, a CBS reuniu a nata dos músicos de jazz da época para um especial de uma hora. Esse foi um dos programas que o Jazzé Duarte colocou na cassete (O dia em que massacrei José Duarte por causa do Jazz). Um dos números consistia num blues - Fine and Mellow - cantado por Billie Holiday na companhia de um impressionante grupo de músicos: Coleman Hawkins, Lester Young, Gerry Mulligan, Ben Webster, entre outros. A forma como a cantora reage aos solos diz mais sobre o jazz e o blues do que qualquer especialista possa descrever. É um momento mágico que todos podem ver graças ao YouTube. Link

O dia em que massacrei José Duarte por causa do Jazz

Publicado por Marco [5/Julho/2008] | Categoria: Pessoal | 4 comentários »

Eu amo o jazz

Há alguns anos, bastantes até, entrevistei o José Duarte.

O Jazzé Duarte, como gosta de ser chamado, é um dos grandes especialistas do jazz em Portugal. Não é o maior, porque esse sempre foi o falecido Luiz Villas-Boas, mas é o mais conhecido do grande público.

Eu estava preparado para falar com o Jazzé Duarte, mas o Jazzé Duarte não estava nada preparado para me ouvir falar.

Não sei se estão a ver, quando fui a casa dele para o entrevistar tinha acabado de descobrir o jazz e andava apaixonado por este estilo de música. Acreditem, esta fase é mais problemática do que aquela em que começa a crescer-nos borbulhas na cara. Um tipo em lua de mel com o jazz pode transformar-se num indivíduo muito obstinado e fazer coisas que só faria se tivesse perdido o juízo dentro do piano da Carla Bley - precisamente o que me aconteceu a mim.

Só para terem uma ideia: cheguei a pedir um empréstimo ao banco para comprar todos os CD que cobiçava. Quando três ou quatro dias depois a massa caiu na conta, corri as discotecas a sacar pilhas de CD como se fossem torrentes de MP3. Para mim nem era uma questão de saber quantos podia eu comprar, mas quantos conseguiria carregar sem parecer um contrabandista.

De modo que quando cheguei a casa dele e o homem me fez passar por um enorme corredor com milhares e milhares de CD e discos de jazz nas prateleiras, tive de forçar as minhas pernas a dar meia-dúzia de passos em direcção ao escritório onde a entrevista se realizaria. Quando finalmente lá cheguei, descobri novo conjunto de prateleiras contendo pelo menos uns mil e quinhentos CD.

«Estes são os meus preferidos», disse ele, radiante por me mostrar a sua biblioteca de Babel. «Por isso é que estão aqui.» Por pouco eu não dizia «Foda-se» em voz alta.

É verdade, havia outro pormenor muito significativo: naquela altura a Internet era uma miragem para a maioria das pessoas. Eu nem sequer tinha computador. Conhecer pessoalmente um tipo como o Jazzé Duarte significava ter um Google à disposição. Ele bem tentava ser entrevistado, mas o que eu fazia era escrever nomes no campo de busca que lhe via escarrapachado na testa: Miles, Coltrane, Keith Jarrett, Charlie Parker, Billie Holiday, todos esses músicos maravilhosos que acabara de descobrir e sobre os quais conhecia tão pouco. Pobre homem.

Eu sou um caso perdido, mas do Jazzé não quero que fiquem com a impressão errada: foi paciente e ter-se-á sentido rejuvenescido pelo meu entusiasmo. Ao princípio deixou-me falar e gesticular à vontade, ouvindo-me com uma expressão de Buda embevecido. Ficou ali sentado com as pernas esticadas e as mãos pousadas sobre a pança. Às tantas, cometeu um erro.

«O jazz é a melhor música do mundo», dizia eu pela décima vez nessa tarde. «Mas tenho pena de não ter tido oportunidade de ver esses músicos ao vivo. Nunca poderei ver o John Coltrane tocar, só poderei ouvi-lo.»

«O Coltrane? Bem…» Levantou-se com um sorriso matreiro e abriu as portas de um enorme armário. Vi então centenas e centenas de cassetes VHS com concertos de Coltrane, claro, de todos os outros músicos que conhecia e adorava, e de muitos mais que ainda não ouvira, quanto mais ver: Monk, Eric Dolphy, Charles Mingus, por aí fora. Poupo-vos a uma descrição mais pormenorizada da minha reacção. Digo-vos apenas que a expressão da minha cadela quando percebe que vai ser alimentada me faz sentir uma sensação de déjà-vu.

Bem, a entrevista acabou por ser feita e correu de forma excepcionalmente profissional, dadas as circunstâncias. Estava na altura de abandonar a mina do Salomão do jazz.

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Menos Gasolina

Publicado por Marco [3/Julho/2008] | Categoria: Links | 8 comentários »

Robert Ariail

A bicicleta é o transporte mais civilizado que o homem conhece. Outros meios de transporte crescem diariamente nos pesadelos que provocam. Apenas a bicicleta se mantém pura de coração. Iris Murdoch, escritor e filósofo irlandês

Quando era miúdo rezava todas as noites a Deus para que me desse uma bicicleta. Depois percebi que Deus não funciona assim, então roubei uma bicicleta e pedi-lhe perdão. Emo Philips, comediante americano

O blogue QuickRelease.TV reuniu dezenas de citações de gente conhecida falando directa ou indirectamente sobre bicicletas – Albert Einstein, Ernest Hemingway, John Kennedy, Gordon Brown, Freddie Mercury e H.G. Wells, entre muitos outros. O cartoon é da autoria do magnífico Robert Ariail, cartoonista do The State Newspaper.

Garanhão por um dia

Publicado por Marco [3/Julho/2008] | Categoria: Cromos | 5 comentários »

George Brownridge, o garanhão

O sorriso do senhor George Brownridge - o homem que satisfez 15 mulheres num único dia - é hoje uma estrela da Internet. Ninguém sabe o que deu origem à brincadeira no primeiro anúncio, mas muitos lamentam que aparentemente George tenha exigido uma rectificação e um pedido de desculpas ao jornal. Há famas que não se devem desmentir. Além disso, na foto da esquerda aparece um bocadinho mais esticado… Terá sido da coboiada?

Preciso de férias

Publicado por Marco [3/Julho/2008] | Categoria: Pessoal | 6 comentários »

Cartão postal pré-histórico

O Ubuntu não é Linux, é ainda melhor

Publicado por Marco [3/Julho/2008] | Categoria: Cenas Geek | 8 comentários »

Quando lhe disse que tinha trocado definitivamente o Windows pelo Linux, o Mário Gamito fez o seguinte comentário: «Ubuntu não é Linux, pá

Ele estava na brincadeira, mas de vez em quando gosto de levar certas brincadeiras a sério só para ver aonde me podem conduzir. Neste caso dou por mim num beco sem saída. Uma vez que o Ubuntu não é Linux, nem Windows, Mac ou qualquer outro sistema operativo conhecido, que raio de coisa é esta instalada no meu computador?

Se na base do Ubuntu se encontra o mesmo kernel usado noutras distribuições, por que razão este deve ser considerado um impostor? E onde se encontra esse mítico Linux verdadeiro? O Linux que é Linux dá para sacar da net? Será ainda distribuído em disquetes que os geeks passam uns aos outros com ar de espiões?

Talvez os geeks da velha guarda desconsiderem o Ubuntu enquanto distribuição Linux por ser tão amigável. Passaram tanto tempo associando este tipo de amabilidades à Microsoft que agora desconfiam.

Há outras explicações, claro. Uma distribuição Linux usada por tanta gente também faz com que alguns desses geeks se sintam menos especiais: em tempos mais obscuros, apenas uma elite estava capacitada a usar Linux; agora qualquer Zé do Windows consegue. Esta comichão no cérebro só desaparece se o Ubuntu deixar de ser associado ao «puro» e «inacessível» Linux.

O Gamito pode estar a brincar, mas dizer que «Ubuntu não é…» reflecte uma divisão já existente entre os utilizadores: de um lado, os nativos do Linux; do outro, os refugiados do Windows. É um conflito de gerações e mentalidades à escala geek. Mas o que se está a passar actualmente é demasiado importante para ser definido apenas pelos orgulhosos e pelos elitistas. O Ubuntu não é Linux, é ainda melhor: é Linux para todos.

Eu acho por isso que vivemos tempos fantásticos - e o facto de ter instalado drivers proprietários para que o Ubuntu funcione em pleno com a minha placa ATI não é suficiente para esmorecer o meu entusiasmo. Sou adepto do Software Livre, não sou um missionário do Software Livre. O que me importa é ver o Linux finalmente fora do gueto. Pela primeira vez sinto que existem condições para destronar o Windows. Não vai ser fácil, mas já não acho que seja impossível.

Se esta «revolução» qualitativa for feita à conta deste Ubuntu que não é Linux, que assim seja. Venha a revolução! Pode nem ser o Linux que os velhos geeks conheceram, mas também não é o medíocre Windows Vista que eu nunca desejei conhecer e que a Microsoft me impõe diariamente nas lojas de informática. O Ubuntu ajuda-nos a resistir e por enquanto isto basta-me.


Adenda: o Gamito tem uma visão diferente (e mais pessimista) do sucesso do Ubuntu. Aqui

Fora de Cena, Culturgest, Gregory Motton

Publicado por Marco [2/Julho/2008] | Categoria: Outras Artes | 1 comentário »

Gengis Entre os Pigmeus: Gregory Motton na Culturgest

Gengis Entre os Pigmeus: Gregory Motton na Culturgest (Foto: Pedro Polónio)

Certa ocasião passei duas ou três horas a ler com o Pedro, em voz alta, os textos do dramaturgo britânico Gregory Motton. Era uma forma de ele testar e aperfeiçoar a tradução que fizera e também de me mostrar um autor que não conhecia.

Nem cheguei a cansar. Fiquei apanhado pelo humor corrosivo e desenvergonhado do tipo, a forma como usa a pomposidade do discurso para denunciar o ridículo de uma personagem, o ritmo das falas, como se o próprio ritmo fosse uma personagem, se calhar o próprio Motton, escondido entre as vírgulas, um Motton gozão e provocador que se deleita a misturar caralhadas que dizem verdades com palavras caras vazias de conteúdo, desconstruindo diante de nós, enquanto nos rimos, caracteres moldados sobretudo pelo consumismo desenfreado. Concluindo: o tipo escreve bem que se farta e foi um prazer ler-lhe as palavras em voz alta.

Depois de muita luta e trabalho, um grupo de actores (Dinarte Branco, Teresa Sobral, Inês Nogueira, Teresa Tavares e o próprio Pedro, que também encena), vai apresentar-nos Gengis Entre os Pigmeus, segundo texto de uma trilogia de peças de Motton que têm em comum os mesmos temas e personagens. Ler mais aqui

A peça vai estar em cena nos dias 4, 5, 6, 8, 9 e 10 de Julho de 2008 em Lisboa, na Culturgest, integrado no programa do Festival de Almada, no Teatro Gil Vicente, em Coimbra, a 17 de Julho, e no Teatro Municipal da Guarda, a 12 de Setembro.

Esta é uma peça que eu não vou perder. Sábado Domingo às cinco da tarde estarei lá. Já reservei bilhetes. Acho que vocês também dariam o vosso tempo bem empregue se fossem ao teatro conhecer o Gregory Motton. É um tipo espectacular a escrever e tem um sentido de humor notável. Além disso, o Pedro escreveu no Bitaites durante um ano, o que foi fundamental para enriquecer o seu currículo. :wink:


Culturgest | Trilogia Gengiscão | Festival de Almada