JANELAS PARA O MUNDO › 19/05 Uma cervejinha para a chanceler (Michaela Rehle)

6 fotos, 6 mulheres

São seis fo­tos ines­que­cí­veis que têm em co­mum o facto de te­rem sido ti­ra­das por mu­lhe­res ou, quando não foi o caso, te­rem uma mu­lher como prin­ci­pal pro­ta­go­nista.
Da mu­lher que en­fren­tou as ba­las para fo­to­gra­far uma guerra à que en­fren­tou a fú­ria de um com­pa­nheiro ciu­mento, as fo­tos do­cu­men­tam mo­men­tos bi­zar­ros, trá­gi­cos, in­qui­e­tan­tes, de vá­rias épo­cas e mun­dos, ima­gens di­fí­ceis de di­ge­rir, se ca­lhar, mas to­das marcantes.

Ver o post »

Chem­trails: a conspiração que paira sobre nós

Obélix era um bravo gau­lês com um único re­ceio: que o Céu lhe caísse so­bre a ca­beça. Os «bra­vos» do sé­culo XXI olham para os aviões e re­ceiam que os ras­tos de con­den­sa­ção for­ma­dos pelo va­por de água se­jam, na re­a­li­dade, subs­tân­cias quí­mi­cas fei­tas para en­ve­ne­nar a po­pu­la­ção e torná-la de­pen­dente de [in­se­rir or­ga­ni­za­ção ma­qui­a­vé­lica neste es­paço].
Haverá fumo sem fogo? A res­posta é óbvia.

Ver o post »

Norbert Stein e o jazz patafísico

Norbert Stein é o her­deiro de Alfred Jarry no jazz.
Com o sa­xo­fo­nista e com­po­si­tor ale­mão a Patafísica do au­tor de «Ubu Roi» transforma-se numa Patamúsica de alto ga­ba­rito. O seu pro­jeto tem mais um, e bri­lhante, epi­só­dio: o disco «Pata on the Cadillac». Nele per­du­ram os va­po­res de ab­sinto do tempo do dra­ma­turgo e po­eta em que se ins­pira, bem como o mesmo gosto pelo absurdo…

Ver o post »

Sob o signo de Ballard

Volto aqui a pe­gar em J.G. Ballard e no fe­nó­meno hi­ki­ko­mori para vos fa­lar de dois no­vos lan­ça­men­tos: «Irregular Characters», de Marc Behrens, e «Mundo de Cristal, Máquina da Selva», de HHY & Beast Box.
Dois do­cu­men­tos bal­lar­di­a­nos que mos­tram como os nos­sos es­pa­ços têm min­guado e es­ta­mos cada vez mais a mo­rar den­tro das nos­sas ca­be­ças. Vivos, mas mortos…

Ver o post »

A noite em que julgámos ter descoberto ET’s

Quando o as­tró­nomo Jerry Ehman, vo­lun­tá­rio do SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence), no­tou a sequên­cia 6EQUJ5 nos da­dos re­co­lhi­dos pelo te­les­có­pio, fi­cou tão im­pres­si­o­nado que tra­çou uma li­nha ver­me­lha à volta dos nú­me­ros e, ao lado, es­cre­veu: «Uau!» (Wow!)
Ehman ti­nha boas ra­zões para tanta co­mo­ção: 6EQUJ5 po­dia sig­ni­fi­car que ex­tra­ter­res­tres es­ta­vam a enviar-nos uma mensagem.

Ver o post »
→ 19/05/2013 @0:16

A pílula do dia seguinte

Provavelmente mui­tos de vós já o vi­ram – afi­nal, o ví­deo é um fe­nó­meno vi­ral, já ul­tra­pas­sou um mi­lhão de vi­su­a­li­za­ções no YouTube – mas da­dos os úl­ti­mos acon­te­ci­men­tos e o tipo de idi­o­tas que o post Paneleirossauros ine­vi­ta­vel­mente atrairá, re­solvi dei­xar aqui o link para que essa gente te­nha al­guma coisa com que se en­tre­ter en­quanto tenta per­ce­ber por que ra­zão não con­se­gue co­men­tar no Bitaites.

Minus IQ

Esta ver­são foi le­gen­dada em Português do Brasil por José Faccin e pode ser vista cli­cando aqui.

Que mui­tas pes­soas te­nham pen­sado que esta pí­lula para bai­xar o QI de facto exis­tia, só veio dar ra­zão à equipa cri­a­tiva que achou a brin­ca­deira per­ti­nente e atual — Tadas VidmantasRonaldas Buozis, da agên­cia Sleepthinker, ba­se­ada em Londres. A pí­lula não existe, pois, mas mas há gente que pa­rece tomá-la to­dos os dias.

→ 18/05/2013 @0:42

Paneleirossauros

Paneleirossauros

Os ig­nó­beis so­ci­a­lis­tas e blo­quis­tas vão le­var ama­nhã mais uma vez a adop­ção de cri­an­ças por duas pes­soas ho­mos­se­xu­ais do mesmo sexo que vi­vam jun­tas, ao Parlamento. Não se en­ga­nem, to­das as ma­nifs, to­dos os Grandolas Vilas Morenas, to­dos os Galambas e Dragos, to­dos os ac­tos de ter­ro­rismo de in­ter­rup­ção de mem­bros do Governo em ac­tos pú­bli­cos, têm um único ob­jec­tivo “dar cri­an­ças aos homossexuais”.

Maria Teixeira Alves, no Corta-Fitas

 

Graças à jor­na­lista Maria Teixeira Alves, aca­bei de des­co­brir que o 25 de Abril foi obra de gays.

Não acre­di­tem se os vos­sos pro­fes­so­res de História vos dis­se­rem que na­quele fa­tí­dico dia de 1974 o povo saiu à rua – em pri­meiro lu­gar, por­que são com cer­teza la­ri­las in­fil­tra­dos no sis­tema edu­ca­tivo; em se­gundo, por­que não foi o povo quem saiu à rua, fo­ram os paneleiros.

O povo é quem mais or­dena? Isso é grito de sado-masoquistas, de certeza.

As pes­soas acham que foi uma re­vo­lu­ção, mas foi uma pa­rada gay — uma cons­pi­ra­ção com o ob­je­tivo de do­mi­nar ho­mos­se­xu­al­mente este país e le­ga­li­zar a so­do­mi­za­ção de cri­an­ci­nhas recém-adotadas.

E aposto que os mi­li­ta­res que a or­ga­ni­za­ram usa­vam cu­e­cas de fio den­tal sob aque­les uni­for­mes – em cada Salgueiro Maia, não se es­que­çam, há um bai­la­rino dos Village People em po­tên­cia. Em cada re­vo­lu­ci­o­ná­rio, um ho­mo­cons­pi­ra­dor de­se­joso de en­fiar a pa­lhi­nha no rabo da revolução.

Nem quero ima­gi­nar o que a po­bre mu­lher deve ter sen­tido quando al­guém se lem­brou de me­ter um cravo no cano de uma me­tra­lha­dora – por mais que me es­force, não con­sigo ima­gi­nar nada mais gay do que isso. Ainda por cima usa­ram uma cri­ança como sím­bolo, os por­ca­lhões, o que só prova que em cada ma­ri­cas há sem­pre um pe­dó­filo a es­prei­tar por baixo das saias da Anita.

Somos to­dos fi­lhos de uma re­vo­lu­ção de ra­be­tas – isto é mesmo pior do que pen­sá­va­mos. E até Zeca Afonso, revelar-nos-á a Alves um dia, gos­tava de se dis­far­çar de loira dos Abba en­quanto can­tava o Grândola Vila Morena di­ante do espelho.

Um dia a Teixeira Alves che­gará à con­clu­são de que os di­nos­sau­ros não se ex­tin­gui­ram por causa da queda de um as­te­roide; os bi­chos co­me­ça­ram a enrabar-se uns aos ou­tros no pe­ríodo Cretáceo e, pronto, aca­ba­ram por de­sa­pa­re­cer. Qualquer bió­logo vos dirá que uma ex­tin­ção em massa co­meça sem­pre com uma apal­pa­dela no cu e só Deus sabe o que vai ser de nós, po­bres hu­ma­nos, se per­sis­tir­mos neste com­por­ta­mento. A Natureza está atenta e não per­doa os in­di­gen­tes mo­rais, diga lá o que dis­ser o pa­ni­las do Darwin.

É pre­ciso ver que os ca­sais he­te­ros­se­xu­ais tam­bém têm muita culpa no car­tó­rio: afi­nal, quem os man­dou ge­rar fi­lhos gays? Não há uma lei que proíba isso? Se não há, de­via ha­ver. Existirá al­gum ví­rus da pa­ne­lei­rice aguda que os pa­dres ainda não con­se­gui­ram iden­ti­fi­car nos la­bo­ra­tó­rios que mon­ta­ram nas sa­cris­tias? Que ter­rí­vel cons­pi­ra­ção é esta e por que ra­zão mais pes­soas nor­mais não se afli­gem como a Teixeira Alves?

Está de­ci­dido. Como me­dida pro­fi­lá­tica, pro­po­nho que do­ra­vante to­dos os pais se­jam obri­ga­dos a pro­var que não são ma­ri­cas an­tes de se­rem au­to­ri­za­dos a procriar.

→ 17/05/2013 @18:53

Foi há dois anos, foi hoje

Ragesoss

Crédito: Ragesoss

Hoje re­cebi a no­tí­cia que du­rante tanto tempo mais temi. Morreu o meu amigo Mário Rocha, o meu com­pa­nheiro de tra­ba­lho e di­ver­ti­mento desde os tem­pos do Diário de Lisboa e do Teatro Nacional D. Maria II até que as cir­cuns­tân­cias nos afastaram…

Foi há dois anos, mas só hoje tive co­ra­gem de per­gun­tar. Para mim, é como se ti­vesse acon­te­cido agora mesmo. O Mário ti­nha aca­bado de fa­zer uma diá­lise no hos­pi­tal (ima­gino que, como ha­bi­tu­al­mente, flir­tando com as en­fer­mei­ras), e ao sair so­freu um co­lapso car­díaco. Mais um, mas este o de­fi­ni­tivo: ficou-se logo ali.

Pelo me­nos um ano an­tes disso algo me pa­ra­li­sava an­tes de pe­gar no te­le­fone para sa­ber dele e com­bi­nar­mos uma saída. O gra­dual pro­cesso de de­ca­dên­cia fí­sica de­cor­rente de uma di­a­be­tes aguda, pi­o­rada por mui­tos anos de con­su­mos uís­qui­cos – gos­tava quase tanto do pro­duto es­co­cês como de mu­lhe­res –, foi-lhe des­truindo o corpo.

Das úl­ti­mas ve­zes que o vi, o Mário es­tava muito de­bi­li­tado, co­xe­ava por lhe te­rem ti­rado parte de um pé e quase não via. Já não con­se­guia tra­ba­lhar e era-lhe di­fí­cil, se­não im­pos­sí­vel, dedicar-se à sua grande pai­xão, a fo­to­gra­fia. Ficava em casa, a ou­vir Nick Cave e Cowboy Junkies.

Se an­tes fa­zía­mos gran­des noi­ta­das, cons­pi­rando até al­tas ho­ras da ma­dru­gada – os meus pri­mei­ros li­vros nas­ce­ram des­ses brain stor­mings em ba­res a meia-luz –, já ele não re­sis­tia a mais de meia-hora de tro­cas de palavras.

Por essa al­tura as coi­sas co­me­ça­vam a cor­rer mal co­migo, e de cada vez que nos en­con­trá­va­mos eu sen­tia dissiparem-se as for­ças que, muito a custo, ia con­se­guindo reu­nir para ul­tra­pas­sar as ad­ver­si­da­des. Ficava hor­ri­vel­mente de­pri­mido com o que se es­tava a pas­sar com este grande jor­na­lista e fo­tó­grafo que tam­bém es­cre­via po­e­sia e tra­du­zia pe­ças de teatro.

Era um vo­raz ou­vinte de bom rock e lia tudo o que es­ti­vesse ao seu al­cance, desde fi­lo­so­fia a li­te­ra­tura, sem­pre atento a no­vas cor­ren­tes de pen­sa­mento e a no­vas ten­dên­cias do ro­mance. Deu-me a co­nhe­cer muita coisa que me pas­sara ao lado e es­tá­va­mos cons­tan­te­mente a tro­car dis­cos e livros.

Livros, so­bre­tudo. Possuía de­ze­nas de mi­lha­res, em­pi­lha­dos num quarto por todo o lado. Estão al­guns dele aqui em casa e agora sei que não os posso de­vol­ver… Olho para as lom­ba­das e vejo au­to­res como Foucault e Eco.

Tinha uma cu­ri­o­si­dade in­sa­ciá­vel pelo sexo fe­mi­nino e a fa­ci­li­dade com que se­du­zia as mu­lhe­res era um mis­té­rio para este de­sa­jei­tado nas ar­tes do amor. Sempre pes­soas fas­ci­nan­tes, be­las, in­te­li­gen­tes. Dei por mim, em al­gu­mas oca­siões, a invejá-lo.

Não es­tive com ele na úl­tima fase da sua do­ença e isso vai assombrar-me até che­gar a mi­nha vez de par­tir. Tive sem­pre re­ceio de que, no ou­tro lado do te­le­fone, sur­gisse não o Mário, mas uma voz a anunciar-me o des­fe­cho que pa­re­cia cada vez mais inevitável.

Pois acon­te­ceu e eu não fiz o que um bom amigo deve fa­zer nas ho­ras más: apoiá-lo, es­tar pre­sente, mesmo que tam­bém mal-amanhado pela vida. Nunca me per­do­a­rei tal cobardia.

→ 17/05/2013 @15:11

O rock das docas

The Fall é o punk de de­pois do punk, e tal­vez seja por isso que lhe co­lo­cam o ca­rimbo «pós». Uma sim­pli­fi­ca­ção que ig­nora al­guns fac­tos. Este, por exem­plo: se o punk era uma mú­sica de jo­vens em co­li­são com o sis­tema de en­sino, o punk pós-punk de Mark E. Smith, o vo­ca­lista, au­tor das can­ções e único mem­bro per­ma­nente deste grupo bri­tâ­nico, foi desde o co­meço – e as­sim con­ti­nuou – uma mú­sica de operários.

Mark E. Smith

Smith tra­ba­lhava nas do­cas, mas ti­nha um ape­tite in­te­lec­tual imenso. Devorava os es­cri­to­res exis­ten­ci­a­lis­tas e muito em par­ti­cu­lar Albert Camus (a quem foi bus­car o nome da banda), as­sim como a li­te­ra­tura ne­gra de um Edgar Allan Poe e um H. P. Lovecraft, e ti­nha es­pe­cial de­vo­ção pelo alu­ci­nado Philip K. Dick.

O sur­re­a­lismo nas ar­tes vi­su­ais e o neo-realismo ci­ne­ma­to­grá­fico eram ou­tras suas fon­tes de interesse.

Além disso, ga­nhara uma cons­ci­ên­cia po­lí­tica nas car­gas e des­car­gas dos na­vios: está há muito li­gado ao trots­kista Soci­a­list Workers Party.

Cedo viu no rock uma via para se ex­pres­sar ar­tis­ti­ca­mente, pelo que tro­cou a es­tiva por uma car­reira como mú­sico a par­tir de 1976, nunca es­que­cendo as suas ori­gens. Com uma tal con­vic­ção que che­gou a fa­zer uma tour­née com a ba­cia par­tida, sen­tado numa ca­deira de ro­das, até que as do­res e os efei­tos da me­di­ca­ção o im­pe­di­ram de con­ti­nuar com os concertos.

A sua con­tra­di­tó­ria aten­ção às re­a­li­da­des so­ci­ais e eco­nó­mi­cas e aos uni­ver­sos fan­ta­si­o­sos e de fic­ção ci­en­tí­fica de­ter­mi­nou o con­teúdo dos mi­lha­res de le­tras (ou, mais exa­ta­mente, de po­e­mas, pois têm re­le­vân­cia lí­rica) que já es­cre­veu: tanto canta so­bre os di­rei­tos dos tra­ba­lha­do­res, as con­sequên­cias do abuso de dro­gas e a vi­o­lên­cia dos ho­o­li­gans como so­bre o so­bre­na­tu­ral e as vi­a­gens no tempo.

Sempre de forma críp­tica, com jo­gos de sen­tido, pro­cu­rando mos­trar o ab­surdo dos mo­dos de vida capitalistas.

Tem uma voz e uma ma­neira de can­tar úni­cas, en­tre o de­cla­ma­tó­rio e o per­verso, ora pa­re­cendo cus­pir as pa­la­vras, ora mantendo-as na boca para lhes ava­liar a acidez.

Tornou-se num sím­bolo, sendo cons­tan­te­mente con­vi­dado para ses­sões de spo­ken word, fil­mes, sé­ries te­le­vi­si­vas e gra­va­ções de dis­cos de ou­tros gru­pos, como Mouse on Mars, Gorillaz, Coldcut e Inspiral Carpets. A in­dús­tria da mú­sica e do es­pe­tá­culo gosta às ve­zes de se mos­trar pro­gres­sista, e quando tal foi da con­ve­ni­ên­cia deste mi­li­tante ele apro­vei­tou as cir­cuns­tân­cias para es­pa­lhar a mensagem.

A mú­sica de The Fall, essa, é rit­mi­ca­mente re­pe­ti­tiva, hip­nó­tica, obsessivo-compulsiva. Há algo de funk nas li­nhas de baixo e ba­te­ria, mas a gui­tarra coloca-se de fora das tra­mas, sendo uti­li­zada como um ge­ra­dor de ruído.

Ou ama-se ou odeia-se e eu es­tou en­tre os que a ela ade­ri­ram logo desde a pri­meira au­di­ção. Pelos vis­tos, tam­bém os or­ga­ni­za­do­res do fes­ti­val Out Fest, que to­dos os anos de­corre no Barreiro. Em Outubro te­re­mos por cá Mark Edward Smith, o pro­le­tá­rio do rock, mais os seus parceiros…

→ 17/05/2013 @10:25

5 filmes que nunca mais se esquecem

Todos te­mos fil­mes que nunca mais es­que­ce­mos – às ve­zes por os achar­mos de grande qua­li­dade, ou­tras por os as­so­ci­ar­mos a mo­men­tos im­por­tan­tes da nossa vida. Ocasionalmente, pe­las duas ra­zões. Sem mais de­lon­gas, seguem-se cinco dos fil­mes que nunca es­que­ce­rei na vida — e porquê.

 

The Shining

The ShiningThe Shining

É um clás­sico de ter­ror do mes­tre Kubrik, mas du­rante uns tem­pos foi a me­lhor ma­neira que ar­ran­jei para ex­pli­car por que ra­zão o ci­nema era uma coisa muito fixe. As ca­re­tas ar­tís­ti­cas do Jack Nicholson, a mú­sica, os pla­nos, os tra­vel­lings, a mon­ta­gem, tudo isso os des­gra­ça­dos e des­gra­ça­das sen­ta­dos a meu lado te­riam de re­pa­rar, quer qui­ses­sem ou não. Rituais mas­si­vos de con­ver­são? Bons tempos!

 

Encontros Imediatos do Terceiro Grau

Encontros Imediatos do Terceiro GrauEncontros Imediatos do Terceiro Grau

O meu pri­meiro con­tacto a sé­rio com ex­tra­ter­res­tres! Como po­de­ria eu es­que­cer a cri­ança apon­tando para uma nave es­pa­cial no céu ex­cla­mando «Olha, ge­la­dos!», a con­versa sin­fó­nica com os ET’s — não fa­lando da tre­menda (di­ria: as­tro­nó­mica) dor de ca­beça com que fi­quei de­pois de sair do ci­nema? Ah, ganda Spielberg, que nessa al­tura ainda te achava o su­pras­sumo da cos­te­leta cinematográfica.

E este foi o pri­meiro filme em que fui au­to­ri­zado pe­los meus pais a ver sem su­per­vi­são. Vi-o num ci­nema no Estoril há muito de­sa­pa­re­cido, o Oxford, fa­moso por ter ca­dei­ras tão con­for­tá­veis que me­tade das pes­soas nas ses­sões da meia-noite aca­bava por adormecer.

 

Vem e Vê — Requiem para um Massacre

Vem e vê - Requiem para um massacre

O me­lhor filme de guerra que vi na vida não foi o ex­ce­lente Apocalypse Now (Francis Coppola), Nascido Para Matar (Kubrick), Platoon (Oliver Stone) ou o mí­tico Iron Cross (Sam Peckinpah). O me­lhor de to­dos foi um filme so­vié­tico de Elem Klimov que in­fe­liz­mente mui­tos des­co­nhe­cem: Vem e Vê — Requiem Para um Massacre.

Quando o vi pela pri­meira vez foi em vés­pe­ras de ir para a tropa e é di­fí­cil des­cre­ver o im­pacto que me cau­sou. O filme é um re­lato da in­va­são da Bielorrússia pe­las tro­pas na­zis du­rante a II Guerra Mundial, e das atro­ci­da­des co­me­ti­das con­tra os al­deões e os par­ti­zans que pe­ga­ram em ar­mas para de­fen­der as ter­ras. À su­per­fí­cie, re­trata a guerra como algo obs­ceno e he­di­ondo. Mas es­te­ti­ca­mente é tão belo que, às tan­tas, a vi­o­lên­cia pa­rece ir­rom­per do filme como uma chama glo­ri­fi­ca­dora, quei­mando a face de quem está a as­sis­tir. (Trailer)

 

Asas do Desejo

Asas do Desejo

Se nunca vi­ram este filme vejam-no, por fa­vor. Belíssimo e emo­ci­o­nante, um dos meus fil­mes de ca­be­ceira. E não se dei­xem en­ga­nar pela pin­dé­rica adap­ta­ção que Hollywood fez uns anos mais tarde com o Nicholas Cage… Refiro-me ao ori­gi­nal ale­mão, fil­mado numa Berlim ainda di­vi­dida ao meio pelo Muro e re­pleta de an­jos da guarda — al­guns flu­tu­ando es­toi­ca­mente nas nos­sas cons­ci­ên­cias, ou­tros su­cum­bindo ao amor e caindo à Terra.

Em ví­deo: um «falso» te­le­disco dos Radiohead com as ima­gens deste filme extraordinário.

 

Solaris

Solaris

A his­tó­ria de uma es­ta­ção es­pa­cial or­bi­tando o pla­neta Solaris, onde o único ser vivo é um oce­ano in­te­li­gente, é a mais co­nhe­cida do es­cri­tor de fic­ção ci­en­tí­fica Stanislav Lem e foi adap­tada por Andrei Tarkovski em 1972 (não gosto muito da ver­são de Steven Soderbergh, de 2002).

A forma como esse oce­ano in­te­rage com os ci­en­tis­tas que o ten­tam es­tu­dar re­flete a vi­são de um en­con­tro com uma exis­tên­cia po­de­rosa e quase ina­tin­gí­vel, ca­paz de to­car a alma dos ci­en­tis­tas sem re­le­var qual­quer tipo de mo­ra­li­dade ou juízo hu­mano. A um dos ci­en­tis­tas faz sur­gir um amor per­dido: a mu­lher fa­le­cida há muito, agora uma ré­plica per­feita, es­pe­lho da sua pró­pria me­mó­ria, mas imor­tal e auto-consciente, do­tada de uma força e re­sis­tên­cia sobre-humanas.

Essas ré­pli­cas têm uma exis­tên­cia boa ou má? Qual a sua fi­na­li­dade? A res­posta não se en­con­tra ao al­cance dos con­cei­tos hu­ma­nos — e é essa au­sên­cia de res­posta com sen­tido mo­ral que, a pouco e pouco, vai en­lou­que­cendo toda a tripulação.

 

A vossa lista de fil­mes inesquecíveis

Reduzir esta lista a cinco fil­mes é cruel, claro – po­dia ter in­cluído o Magnolia, os dois pri­mei­ros Padrinhos, Era Uma Vez na América, A Ár­vore da Vida ou Cidade de Deus, en­tre mui­tos ou­tros – o que não fal­tam são bons fil­mes e te­mos uma caixa de co­men­tá­rios pronta a re­ce­ber mais obras para a lista dos inesquecíveis.

Sendo as­sim, meus ca­ros, di­gam lá quais os fil­mes que nunca mais con­se­gui­ram esquecer?

Página 1 de 8251234510Última »