Arquivos anuais: 2005

→ 19/12/2005 @14:19

Algodão doce

Há sempre um momento na nossa vida em que pensamos que as nuvens são feitas de algodão. Will Cotton, pintor nova-iorquino de 41 anos, reteve essa impressão da infância e, já adulto, juntou-lhe a nudez de belas mulheres.

Gosto da pintura dele: espécie de viagem de Alice no País das Maravilhas mas sem a Alice – porque nós, homens, ocupámos-lhe o lugar, despachámos o Gato para dentro das botas, atirámos as botas para longe e virámos o Tempo a nosso favor. Às vezes, a melhor pintura vê-se de olhos fechados.

→ 13/12/2005 @22:30

Guardar preferências do Firefox

Muitas pessoas me escreveram a querer saber uma forma de guardar as preferências do Firefox sem precisar de voltar a personalizar o browser depois de uma reinstalação do sistema operativo, por exemplo.

É fácil guardar o Firefox (temas, extensões, bookmarks e outras personalizações) e o próprio Thunderbird (incluindo todos os e-mails e os filtros anti-spam que fomos definindo): basta mover a pasta de perfil dos respectivos programas para uma outra partição ou uma drive USB, por exemplo.

A primeira coisa a fazer é, para quem não sabe ainda, localizar essas pastas. São pastas ocultas. Em muitos casos pode ser necessário dizer ao Windows para deixar de esconder esse tipo de pastas e ficheiros.
Seguimos pelo Painel de Controlo, Opções de Pasta [Folder Options], escolhemos o separador Ver [View] e, na lista, desmarcamos a opção que refere Mostrar ficheiros e pastas ocultas [Show hidden files and folders].
Agora é muito fácil localizar as pastas de perfil do Firefox e Thunderbird em Document and SettingsUtilizadorDados da Aplicação [Application Data]MozillaFirefoxProfiles
seguindo-se uma pasta com um nome aleatório.

Dentro desta última pasta estão todos os ficheiros responsáveis pela personalização que fazemos no Firefox. São esses que vamos copiar para outra pasta.
Agora é necessário criar a pasta onde vamos guardar o novo perfil do Firefox: tanto pode ser uma partição como uma drive USB. A título de exemplo, chamo à nova pasta Perfil Firefox.
Depois de criar essa pasta, basta copiar para lá todos os ficheiros no caminhoDocument and SettingsNome de UtilizadorDados da Aplicação (etc).
Como é que se faz para que o Firefox passe a reconhecer a pasta que criou como o seu novo perfil? É simples.
Vamos ao Menu Iniciar, Executar [Run] e escrevemos
firefox –p
de forma a chamar o Gestor de perfil [Profile Manager] do Firefox.

O que se segue é simples.
Escolhemos a opção Create Profile, carregamos em Next, damos o nome que quisermos ao novo perfil e, em Choose Folder, escolhemos a tal pasta Perfil Firefox que criámos anteriormente. Resta carregar em Finish, seleccionar o perfil criado e correr o Firefox. Se as definições criadas continuam todas bem, já sabemos o que fazer da próxima vez que reinstalarmos o sistema operativo: executamos o comando firefox –p depois da instalação, escolhemos a pasta de perfil que guardámos em local (partição) seguro e arrancamos com o programa. Todas as nossas definições – incluindo temas, bookmarks, extensões, cookies e palavras-chave que o Firefox memorizou – encontram-se tal e qual como as deixámos.

O procedimento para o Thunderbird é exactamente igual ao do Firefox, com a diferença de que o perfil se encontra localizado em Documents and Settings, por aí fora, mas numa pasta chamada Thunderbird. Aí, existe a tal outra pasta com um nome esquisito e, dentro desta, todas as definições do programa – incluindo e-mails.
Com este método, nem sequer precisamos de voltar a escrever o nome de servidores POP ou SMTP ou, sequer, palavras-chave de acesso: está tudo na pasta de perfil que guardámos.

Para chamar o gestor de perfil do Thunderbird, o comando é
thunderbird -p

→ 09/12/2005 @19:53

A Love Supreme

[John Coltrane: A Love Supreme: Part I. Acknowledgement] Grande tema do meu músico de jazz preferido: A Love Supreme é uma longa oração a Deus tão serena como um suave pôr-do-sol em campos de algodão. A composição divide-se em quatro partes e é uma das mais aclamadas e reconhecidas do mestre. Oiçam a primeira.

→ 28/11/2005 @17:10

Ronaldinhos

→ 28/11/2005 @15:15

Metrosexual

Estou a ficar velho. Desconhecia o significado da palavra metrosexual. Segundo os entendidos (leia-se: Bruno Fonseca), metrosexual é usado para definir uma nova espécie de homem: um tipo que gosta de mulheres mas que também gosta de se aperaltar como elas, pois frequenta assiduamente o cabeleireiro e clínicas de embelezamento, trata as madeixas do cabelo e, garantem-me, até faz depilação.
E eu a julgar que metrosexual significa um homem que costuma andar de metro e gosta de mirar as miúdas. Não faz mal. Tudo bem. A minha definição da palavra é mais correcta. Há mais gajos assim – feios e a cheirar a cavalo – do que os amaricados que usam cuequinhas de renda enfiadas no cu. Os de carruagem, sim, são verdadeiros metrosexuais. Têm manchas de suor nos sovacos e o cabelo oleoso. Respiram ruidosamente por causa do tabaco e da falta de exercício. Babam-se todos com as miúdas. São mais numerosos do que se pensa: cheira-se sempre um em cada carruagem.
Os metrosexuais de carruagem e os de cabeleireiro têm um ponto em comum: ambos enjoam – uns por causa do suor, outros por causa do perfume.
Mas nós, homens normais, continuamos em maioria.
Aproveitem enquanto dura, meninas.

P.S. – O Bruno Fonseca garantiu-me que o conteúdo deste post poderia levar as pessoas a pensar que ele é metrosexual. Posso garantir que não é. O Bruno é um gajo porreiro. “Um mãos largas!” – pelo menos é que diz a manicure.

→ 28/11/2005 @12:11

Need for Speed Most Wanted

→ 15/11/2005 @12:32

Falsa entrevista ao mestre

Ó grande mestre, na sua infinita sapiência e generosidade, pode partilhar connosco, ávidos leitores, as suas últimas descobertas na blogosfera?
Calma. Também não é preciso exagerar. Mestre é suficiente. Não gosto que me coloquem num pedestal. Quando o senhor vai à casa-de-banho não larga caganitas de mármore, não é? Eu por enquanto também não. Posso dizer-lhe que conheci um blogue – Maria da Lua – muito interessante. Por lá se contam as atribulações de uma lisboeta a viver em Londres. Eu gosto. Está escrito de forma engraçada. Adoro a forma como a autora utiliza as vírgulas. Sabe, as vírgulas estão para as frases como a bateria está para o jazz: impõem o ritmo, mas também o questionam. Aprecio também no Maria da Lua a mistura entre português e inglês nas mesmas frases: parece caótica, essa tal mistura, mas aquilo está pensado para provocar o riso ou colorir a narrativa. A propósito, gosto bastante de outro blogue – o gi-gi net.

Por causa das vírgulas, também, ó mestre?
Não, embora tenha a ver com uma questão de ritmo. A autora utiliza frases curtas e pontos finais e parágrafos como se estivesse a usar pontos de exclamação. Este estilo de post não tem tanto a ver com o jazz, mas lembra-me mais o ba-na-na-nã inicial da nona sinfonia de Beethoven. Tipo ba-na-na-nã, um post, ba-na-na-nã, dois posts. E por aí fora. Eu gosto.

Ba-na-na-nã, mestre? Poderia chamar-se Sinfonia da Banana, assim!
Depressa! Alguém que me faça cócegas para ver se eu consigo rir! É um assunto urgente!
Oiça, meu caro. A próxima vez que quiser dizer uma piadinha gasta avise-me primeiro, está bem? Aproveito para ir tomar um café ou coisa assim. Além disso, o gi-gi.net tem uma imagem de umas cerejas, não tem lá bananas nenhumas.

Conhece algum blogue que use pontos de exclamação?
Conheço alguns, mas não me agradam particularmente – a maior parte são de desporto ou política. Esticam um furioso dedo no ar quando escrevem – e isso não é bem a mesma coisa. Prefiro associar o uso do ponto de exclamação à expressão de sentimentos como a exaltação, a alegria, o deslumbramento. Infelizmente leio mais frases do género Sporting! Sporting! Soares ainda é fixe! Parte a Louçã toda! Cavaco! Cavaco! Porto! Porto! É penalti, caralho!
Já não se fazem pontos de exclamação como antigamente.

Um texto sem vírgulas é um texto sem ritmo?
Considere estas palavras de um enfant terrible da nossa literatura, o Bocage: «Ó dama por quem me aflijo/Por ventura consintais/Que eu introduza o com que mijo/No por onde vós mijais?» Dependendo da reacção da dama, o ritmo pode vir a intensificar-se.
Veja também esta moda de blogues voyers, por exemplo. Começou pelo frigorífico (as pessoas partilhando de livre vontade o futuro conteúdo dos seus estômagos) e agora já mostram mãos, boca, olhos, dedos médios, enfim, andam por ali às voltas. Deve ser por isso que existe o termo blogosfera: há blogues esféricos, redondos, quadrados, há blogues que não têm ponta por onde se pegue e há os que andam por aí às voltas. Não me admira que um dia destes surja o Blogue do Com que Mijo.

Temos tempo só para mais uma pergunta. Na sua opinião, quem é o blogger mais inteligente da blogosfera?
O Burro, claro, embora ele não tenha consciência disso.

Porquê?
Bem, porque é burro!

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