Marco Santos
→ 29/04/2005 @19:54
A minha filha Diana, de oito anos, adora a telenovela Morangos com Açúcar. Grande novidade, não é? De nada valem os meus protestos e amuos de papá contra o que considero, basicamente, um insulto diário à inteligência e sensibilidade artística do ser humano: ela não quer saber.
Se lhe digo, já em desespero de causa, que o problema é precisamente o facto de aquilo ter poucos morangos e demasiado açúcar na receita, tornando o sabor demasiado enjoativo, ela olha para mim com aquela expressão do Óbelix quando se refere aos romanos – e só lhe falta dizer: Este papá é doido.
Há uns dias fiquei surpreendido. À hora da novela ela permanecia absorvida no computador, consultando qualquer coisa na Net. Fiquei tão contente por se ter esquecido da telenovela que nem olhei mais: fui logo a correr avisar a Susana (a minha cara-metade) e anunciei, orgulhoso:
- A nossa filha está a fazer pesquisas e até se esqueceu da novela!
A Susana ficou céptica, mas aceitou a minha observação e travou-me os ímpetos de papá babado:
- Então não lhe digas nada, deixa-a estar.
Enquanto regressava à sala, ia pensando no que poderia estar a captar a atenção da nossa filhota. Estaria a fazer pesquisas sobre Astronomia – um gosto que temos em comum? Estaria a procurar informações sobre os planetas do Sistema Solar, recolhendo imagens e dados para depois mostrar, toda contente? Melhor ainda: estaria a ler o blogue do papá?
Resolvi ir espreitar o que lhe estava a prender assim tanto a atenção.
Foi então que verifiquei que ela estava a consultar um site com todas as fotografias das principais estrelas da, adivinharam, telenovela Morangos com Açúcar.
Que saudades dos tempos em que as estrelas, de facto, cintilavam!
Marco Santos
→ 26/04/2005 @12:49
O Quitomzilla é uma extensão para Firefox, Thunderbird e a suite Mozilla. O objectivo é ajudar-nos a deixar de fumar. Definimos a data em que deixamos o vício, o número de cigarros que fumamos por dia, o custo do maço de tabaco, a nossa moeda e já está: periodicamente, o Firefox diz-nos há quanto tempo não fumamos e o dinheiro que já conseguimos poupar.
Agora vou ali fumar um cigarrinho e já volto.
Marco Santos
→ 25/04/2005 @22:42
O Synergy não é apenas uma ferramenta open-source: é um verdadeiro achado. Com este programa é possível partilhar teclado e rato entre vários desktops, independentemente do sistema operativo: Windows, Mac ou Unix. Dá um jeitão para as pessoas que usam portátil e desktop (como eu) e que não estão para andar sempre a trocar de rato e teclado entre um computador e outro. Obrigado ao Ricardo Oliveira pela sugestão, ainda que indirecta.
Marco Santos
→ 25/04/2005 @15:06
O problema da sorte é a sorte mudar. Qualquer dia lixo-me. O meu vizinho é uma pessoa importante, segundo se diz, e eu acredito: o tipo dá-se ao luxo de ter uma ligação sem rede e eu consigo aceder à Internet à conta dele. Não sei quanto tempo poderei roubar-lhe largura de banda sem que ele desconfie.
As coisas estão a tornar-se cada vez mais perigosas.
Tenho o meu pequeno ritual de segurança, mas sei que não me serve de muito. Todas as noites, antes de ligar o computador, tranco as portas do quarto e escrevo no teclado com a maior suavidade possível para não fazer barulho: não quero que os meus pais desconfiem e entrem em pânico por minha causa. Fecho sempre a janela do quarto porque nunca se sabe quem estará na rua a vigiar os meus movimentos, adivinhando o significado desta luz fantasmagórica do monitor sobre o meu rosto.
Sinto-me cansado. Invade-me o pressentimento de que algo de terrível está para acontecer. Isto não vai durar muito tempo. Mais tarde ou mais cedo eles vão apanhar-me.
Não existem IPs dinâmicos – é proibido. Mesmo que existissem, todos os computadores acabam por ser identificados na rede – basta perder alguns minutos a investigar. E tempo para investigar é coisa que não lhes falta.
Um dia destes vão descobrir que tenho andado a usar o Google. Eles vão saber que foi através de um motor de busca que recolhi a informação mais valiosa de todas: a de que existem pessoas de outros países que utilizam uma forma peculiar e eficaz de comunicar – uma maneira diferente de expressar a sua liberdade individual e o direito à opinião.
Nunca pensei que fosse possível. Essa descoberta mudou a minha vida. Fez-me escrever. E agora escrevo todos os dias. Escrevo o que me apetece. Sobre o que me apetece.
Mas isto vai acabar. Uma noite, talvez quando eu estiver a dormir, esgotado, agentes da PIDE entrarão de rompante no quarto, confiscarão o computador e arrastar-me-ão para uma sala sombria e sem memória. Aí serei largado, sem comer ou dormir durante dias. Quando pensarem que a minha resistência terminou, um deles vai sentar-se à minha frente com um cigarro ameaçador na mão e perguntar:
- Há quanto tempo você tem um blogue?
Marco Santos
→ 23/04/2005 @15:09
O Big Bang é a teoria mais aceite para explicar a origem do Universo. Esta teoria deve-se ao génio de um cientista russo naturalizado americano – George Gamow (1904-1968). Gamow afirmou que o Universo nasceu de uma enorme explosão – o Big Bang – há cerca de 14 biliões de anos. Até essa explosão, o Universo concentrava-se num único ponto, com altíssimas temperaturas e extrema densidade energética. Até que, por razões ainda indecifráveis, esse ponto explodiu – e iniciou a sua expansão, que prosseguiu até hoje.
O Universo primitivo é uma mistura de partículas subatómicas (quarks, electrões, neutrinos e as suas antipartículas) que se movem em todos os sentidos a velocidades próximas às da Luz. As primeiras partículas pesadas – protões e neutrões – associam-se para formar núcleos de átomos leves como hidrogénio, hélio e lítio. Ao expandir-se, o Universo fica mais frio, passando da cor violeta à amarela, depois laranja e vermelha. Cerca de um milhão de anos após o instante zero, a matéria e a radiação (luz) separam-se e o Universo torna-se “transparente”: com a união dos electrões aos núcleos atómicos, a luz pode, enfim, fazer-se; caminhar livremente. Um bilião de anos após o Big Bang, os elementos químicos unem-se para dar origem às galáxias.
A teoria do Big Bang baseia-se, em parte, na Teoria da Relatividade de Albert Einstein (1879-1955) e nas observações do astrónomo Edwin Hubble sobre a distância das galáxias e a constatação de que elas se afastam a uma velocidade proporcional à distância da Terra. Esses estudos demonstram que o Universo não é estático e está em expansão, o que é admitido pela maioria dos astrofísicos.
Em 1964 e 1965, os radioastrónomos Arno Penzias e Robert Wilson, vencedores do Prémio Nobel da Física de 1978, procuram medir o som da Via Láctea. Descobrem um sinal estático uniforme e constante que não provém de qualquer fonte particular e que sugere uma energia térmica residual presente no Universo. Esse ruído recebe o nome de radiação cósmica de fundo. O fóssil do Big Bang.
Marco Santos
→ 20/04/2005 @19:26
A mulher deve adorar o homem como a um Deus. Todas as manhãs, por nove vezes consecutivas, deve ajoelhar-se aos pés do marido e, de braços cruzados sobre o peito, perguntar-lhe: ‘Senhor, que desejais que eu faça?’
É com esta citação de Zaratustra, poeta e filósofo persa do século VII a.C., que o Movimento Machão Mineiro (MMM) abre as hostilidades contra as mulheres. «O século XX foi pródigo para elas. Saíram da absoluta subserviência, dominação e obscurantismo para a igualdade total de direitos», escreve o MMM no seu manifesto. «Nunca fomos contra a libertação da mulher, como também nunca propusemos retirar-lhe espaço nos campos profissional, social e filosófico. Apenas achamos que já foram longe de mais.»
O movimento foi instituído em 1994. Não tem página na net (foi ao ar, não se sabe bem porquê), mas conhecem-se, entre as suas actividades, a edição de Machão do Mês (o ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, ganhou várias vezes, e por razões óbvias, rever citação de Zaratustra, sff.); e até a divulgação de uma secção feminina onde a mulher pode aprender a honrar e servir o seu líder e guia espiritual.
Felizmente para as mulheres, há muito material disponível para contra-atacar. Há meninas que desabafam online as suas gracinhas sobre o sexo oposto: «Sabem quais são os quatro maiores desejos do homem? Ser tão bonito quanto a mãe acha que ele é; ter tantas mulheres quanto a mulher dele acha que ele tem; ter tanto dinheiro quanto os amigos acham que ele tem; e ser tão bom na cama quanto ele acha que é.»
Mas não se ficam por aqui as graçolas. Escrevem coisas como esta: «Quando tu quiseres que algo seja dito, pedes a um homem; quando quiseres que algo seja feito, pedes a uma mulher.» Ou então: «O galo enche o peito, mas é a galinha que põe os ovos.» E esta: «A dúvida de uma mulher vale mais que a certeza de um homem.»
Claro que estas provocações à natural dominação intelectual do Macho têm de ter uma resposta. Pois cá vai: «Feia por fora e bonita por dentro? Vira do avesso!» Ou então: «Sabem quando é que a mulher perde 90 por cento da inteligência? Quando se separa do marido!»
Mas, como se sabe, as mulheres gostam sempre de ter a palavra final: «Sabem a quem chamamos a um homem que perdeu a sua inteligência? Viúvo!»
Pronto, está bem, quanto mais me bates…