Arquivos mensais: Julho 2005

→ 31/07/2005 @2:42

Gildot

O Gildot – um Slashdot português – é unanimemente considerado como o centro nevrálgico da comunidade Linux em Portugal. Para mim, infelizmente, está desde há muito tempo transformado numa espécie de aldeia gaulesa onde todos andam à zaragata uns com os outros. As semelhanças com os livros do Astérix chegam ao ponto de o Gildot ter o seu próprio bardo que toda a gente manda calar: um tal de Toni dos Impostos (uma das vozes mais independentes e interessantes, por ironia). A comunidade só se une, mas mesmo assim de uma forma superficial, quando pretende expulsar o invasor, ou seja, os romanos doidos e imbecis que usam Windows ou outro software da Microsoft. Então reúnem-se para receber uma poção mágica (Unix) que os torna (julgam eles) mais inteligentes e iluminados do que os seus inimigos. Todos os habitantes se servem da poção para participar na batalha – à excepção de Linus Torvalds, que caiu no pote da poção mágica quando era pequenino e nunca mais precisou de beber. Seja como for, nesta analogia, o pai espiritual do Linux não aguentaria viver actualmente naquela aldeia: é demasiado trabalhador, discreto e educado.

Muitos dos frequentadores do Gildot têm valor para contribuir com algo de positivo através do seu trabalho nesta área. Alguns já o fizeram. São pessoas que poderiam influenciar, com o seu testemunho e exemplo, muitos utilizadores de software proprietário; o Software Livre/Aberto, e o próprio Linux, poderiam largamente beneficiar com uma mudança de mentalidades do utilizador comum. Esses gildotianos inteligentes e sensatos, outrora muito participativos, estão cada vez mais silenciosos. Percebe-se bem porquê: uma pessoa bem-educada e respeitadora, que goste de trocar opiniões, sente-se desmotivada em participar num fórum onde corre sérios riscos de ser insultada por um imbecil que se julga intelectualmente superior por saber umas linhas de comando catitas ou, no mínimo, de ver as suas ideias ou propostas submetidas a meras críticas destrutivas por outros imbecis completamente roídos de inveja.

Assim não vão lá.

→ 30/07/2005 @12:49

Novo planeta

Concepção artística de um novo planeta ainda sem nome próprio – catalogado apenas como 2003UB313 – deambulando pelos limites do nosso Sistema Solar, na cintura de Kuiper, ao dobro da distância de Plutão ao Sol. Este novo planeta, pelo menos tão grande como Plutão (há quem considere que possa ser duas vezes maior), é muito escuro e gelado, dada a enorme distância a que se encontra da fonte de calor e luz do nosso sistema, o Sol. Foto: NASA/JPL-Caltech

→ 29/07/2005 @15:59

Retrato de família

Family portrait, de Glenn Wogstad

→ 29/07/2005 @11:15

Cristiano Ronaldo mix

Este vídeo com os melhores malabarismos futebolísticos do nosso Cristiano Ronaldo deixa qualquer um sem palavras. O homem é o maior. Fantástico. Simplesmente fantástico.

→ 29/07/2005 @10:45

Mãe Grécia

Trojan Horse, de Jade Christina Green

→ 29/07/2005 @2:25

O assassino silencioso

Há imagens que me dão a volta ao estômago, há outras que me dão a volta ao estômago e me fazem pensar. Nunca colocarei aqui vídeos de violência gratuita. Acho que as pessoas que se babam por esse tipo de divertimento precisam de uma operação à cabeça – uma lobotomia serve. Este é diferente: trata-se de um ataque de um helicóptero Apache filmado do ponto de vista do piloto. Há uma moral da história neste vídeo: dependendo do lado do conflito em que um militar se encontra, matar alguém pode assemelhar-se a um simples jogo de PlayStation. O problema é que, na vida real, não existem restarts ou vidas infinitas.

→ 29/07/2005 @0:37

OSS 2005

Decorreu em Génova, entre 11 e 14 de Julho, a OSS 2005, primeira conferência internacional de SL/A (Software Livre/Aberto). Durante os quatro dias da conferência foi discutido o passado, o presente e, mais especialmente, o futuro do SL/A. Não obstante esperar-se que os europeus estivessem em maior número, os Estados Unidos compareceram em força. Da minha percepção, as maiores delegações eram originárias de Itália – o facto de “jogar em casa” ajuda – seguindo-se Espanha, Inglaterra, França e Estados Unidos. Como é tradicional, as várias comunicações foram agrupadas em painéis: Modelos OSS, Metodologias, Ferramentas, Métodos e Práticas, Modelos de Negócio e Administração Pública. Aqui fica um breve resumo do que mais interessante se passou.

Modelos OSS

Um conjunto de projectos europeus do FP6 (6º Programa Quadro) como o CALIBRE e o COSPA estão a desenvolver um excelente trabalho na área do estudo da organização dos projectos open-source. O COSPA inclui 15 organizações europeias que analisam a utilização de SL/A na Administração Pública. O CALIBRE é uma acção de coordenação que, entre outras preocupações, tenta formalizar e sugerir melhores formas de coordenação e comunicação entre projectos open-source europeus.

Outras participações enriquecedoras

Estiveram presentes duas organizações inesperadas: a Business Software Alliance (BSA) e a Microsoft. A BSA é uma associação de grandes multinacionais de software proprietário muito activa no lobby pró-patentes e contra o SL/A. Ambas foram muito bem recebidas. A Microsoft chegou a contribuir com uma comunicação e, apesar de ninguém ter percebido muito bem qual o assunto que abordava dentro da temática do SL/A, não deixou de ter os educados aplausos da praxe.

Escolas e Universidades

A intervenção chinesa foi particularmente interessante ao apresentar algumas restrições que hoje as escolas chinesas enfrentam na utilização das TIC. Segundo o Prof. Bao-gang Hu, apesar de não existir ainda uma cultura de SL/A na China como existe nos Estados Unidos ou na Europa, o seu surgimento é inevitável. Em Abril de 2003, a província chinesa de Xangai recebeu uma carta da Microsoft a pedir para legalizar todo o software. Se pensarmos em termos globais, num país com 116 milhões de alunos na escola primária e 98 milhões no ensino secundário, existem duas forças contrárias: o objectivo do governo de informatizar 90% das escolas até 2010 pelo menor preço possível e o de ter o software legal. A solução para conseguir estes objectivos aparentemente contrários passará pelo SL/A.

Administração pública (o-Government)

A Liguria e a Toscana são duas regiões italianas que têm em comum o facto de serem lindíssimas. Têm também em comum a circunstância de ambos os governos regionais decidirem apostar em SL/A como forma de quebrar o fosso digital e aproximarem-se dos cidadãos. Após a apresentação da utilização de SL/A nos diferentes serviços de apoio ao cidadão, o elemento da BSA fez uma intervenção a partir da audiência a contestar o facto de o governo regional não ser neutro. O orador, Angelo Buongiovanni, presidente da Rete Telematica Regionale Toscana, teve então oportunidade de explicar que os governos servem para tomar decisões; decisões políticas que influenciem positivamente a vidam dos cidadãos. Para o governo da Toscana, utilizar open-source é uma decisão política baseada em argumentos técnicos, legais e sociais. A adopção de SL/A extravasa o mero procurement de uma solução de software. Ao contrário da clássica aquisição de software, neste caso existe uma estratégia clara e estrutural que conduz a uma aproximação dos cidadãos. Mais do que e-Government, temos o o-Government. Ou seja, open-Government em todos os sentidos.

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