Arquivos mensais: Janeiro 2006

→ 30/01/2006 @0:27

Isto fez um ano (e foi agora mesmo, pá!)

Segunda-feira, 30 de Janeiro. Quis o acaso que as datas de aniversário do blogger e do blogue coincidissem. Sei que o primeiro post é de 1 de Fevereiro, mas iniciei o Bitaites precisamente há um ano, com a escolha do primeiro template e a escrita dos primeiros artigos. Nunca pensei que o blogue pudesse atrair tanta gente. Queria agradecer, do fundo do coração, a todos aqueles que, ao longo deste ano…
- Olha lá, mas agora vais fazer um discurso?
- Hã?
- Estou a perguntar se, em vez de um post, vais fazer um discurso.
- Não é nada disso. Hoje o blogue faz anos e só quero…
- Qual blogue?
- Este. O meu. O Bitaites.
- Porreiro. E vais dar uma seca ao pessoal por causa disso?
- Não é seca nenhuma, pá, é costume…
- É costume quando um blogue faz anos largar-se tantos foguetes?
- Claro, mas com certeza, não há mal nenhum.
- Estás para aí a fazer um discurso todo sorridente, parece que vais candidatar-te a miss Universo.
- O quê?
- Aposto que a seguir vais dizer que desejas a paz no Mundo e essas tretas.
- Não estava a pensar nisso. E qual é o problema, se disser?
- Não digas, é conversa de larila. Começas assim, qualquer dia já estás a dizer aos teus leitores que ficas bem em bikini. Já não basta este azulinho amaricado no layout e ainda te pões com discursos melosos e sentimentais. Um gajo do Benfica que tem um blogue com as cores do FC Porto. Traidor! Que vais fazer agora? Meter os links a verde? Um leãozinho ali em cima? Mal por mal, prefiro a tua tromba! Viste o jogo ontem?
- Vi, mas fechei os olhos muitas vezes. Sou um gajo impressionável.
- Esses jogadores para mim eram todos dispensados. Dispensados!
- Quero lá saber disso agora! O Bitaites faz anos, eu também!
- Que se lixe o Bitaites! Achas que estou com cabeça para comemorar depois daquela vergonha no estádio da Luz? Sabes o que é aturar os lagartos o dia todo a mandar bocas e a rir-se da minha cara?
- Sim, mas olha, o meu blogue faz anos. Por isso, se não te importas…
- Xi, pá, que merda é aquela ali na sidebar?
- Qual merda?
- Aquela coisa que diz 224 mil visitas e tal.
- Isso, meu caro, é o número de visitantes únicos deste blogue. Nada mau!
- 224 mil? Aposto que começaste o contador nos 223 mil.
- Não comecei nada!
- Só para enganar o pessoal.
- Não é nada!
- É como o Benfica ontem. Começou a ganhar mas foi só pra enganar o pessoal. Cabrões!
- Nada disso!
- Tu não és de fiar.
- Tá calado!
- Um gajo do Benfica com um blogue azul não é de confiança.
- Vai chatear outro.
- Se fosse por mim fechava esta merda hoje. Traidor! Insensível! A falar de aniversários e comemorações depois do dia de ontem! O Sporting ganhou ao Benfica, nevou no Alentejo, pá, pensa bem, quem diria que essas coisas podiam acontecer em pleno século XXI? Não achas que o mundo anda um bocadinho estranho ultimamente?
- Não é bem assim. O FC Porto empatou com o Rio Ave.

→ 27/01/2006 @23:05

O planeta extra-solar mais parecido com a Terra

Na imagem: representação artística do novo planeta (ESO)

Astrónomos descobriram um planeta extra-solar mais parecido com a Terra do que qualquer outro até agora descoberto. É possível afirmar-se isto porque, até agora, só tínhamos detectado gigantes gasosos como Júpiter. Este é diferente: tem uma massa cerca de cinco vezes maior do que a Terra e, tal como o nosso planeta, uma superfície rochosa.
Mas as semelhanças acabam aqui. O planeta orbita uma estrela anã vermelha uma vez em cada dez anos. Esta estrela tem 5 vezes menos massa do que o Sol e é muito mais fria. Tendo isto em conta, calcula-se que a temperatura na superfície do novo planeta ronde os 220 graus negativos – demasiado gelado para que a água possa existir em estado líquido. Mas os astrónomos acreditam que o planeta possa ter uma fina atmosfera, ainda que a sua superfície rochosa deva estar soterrada sob um enorme manto de gelo.
É mais correcto dizer-se que o planeta agora descoberto é mais parecido com Plutão do que com o nosso.
Também está muito mais longe: a estrela à volta da qual orbita encontra-se a 20 mil anos/luz de distância, não muito longe da região central da Via Láctea, a nossa galáxia. Se conseguíssemos construir uma nave espacial que viajasse a velocidades próximas dos 300 mil quilómetros por segundo, demoraríamos, mesmo assim, mais de 20 mil anos a chegar lá. Isto é para terem uma ideia das distâncias envolvidas. Mais extraordinário é que, dada a infinita dimensão do Universo, descobrir um planeta a 20 mil anos/luz é quase como dizer adeus ao vizinho do lado. Por exemplo, a galáxia que se encontra mais perto da nossa – a vizinha Andrómeda – fica a 2 milhões de anos/luz de distância.
Ainda não foi desta que demos com um planeta com características especiais que nos levem a acreditar que a vida extraterrestre pode ser possível. A existir, esse tipo de planeta será muito, muito difícil de detectar, e mais ainda de investigar. Seja como for, nem sequer é por causa de hipotéticos homenzinhos verdes que esta descoberta é importante. Como afirmou Uffe Gråe Jørgensen, do Instituto Niels Bohr, em Copenhaga, Dinamarca, e membro da equipa de investigação, “este é o primeiro planeta a ser descoberto cujas características parecem bater certo com as teorias de formação do Sistema Solar”.
Andamos às voltas com esta teoria há muito tempo. Temos uma ideia do que poderá ter acontecido, mas não temos forma de a demonstrar inequivocamente. De uma forma geral, aceita-se que a formação de sistemas planetários resulta da acumulação de pedaços sólidos de matéria que depois acabam por formar o núcleo dos planetas. Os cientistas chamam a esses pedaços “planetesimais”.
Estes núcleos, depois de formados, podem acretar gás da nebulosa que os rodeia dando origem a gigantes gasosos como Júpiter, desde que a massa desses núcleos cumpra os “mínimos olímpicos”. Caso contrário, são rochosos.
Segundo este modelo, em órbita de estrelas anãs vermelhas, é provável a formação de planetas com massas entre a da Terra e a de Neptuno, e com órbitas que variam entre 1 a 10 vezes a distância que separa o nosso planeta do Sol (cerca de 150 milhões de quilómetros).
A presença deste novo planeta pode levar-nos a duas importantes conclusões. Primeiro: se o modelo está certo ali, é possível que bata certo no nosso Sistema Solar. Segundo: os planetas de superfície rochosa são capazes de ser mais comuns do que os gigantes gasosos.
O que nos leva outra vez à questão da vida extraterrestre. Infelizmente, ainda nos faltam umas boas centenas de milhares de anos para podermos ir bater à porta do vizinho e saber se, afinal, está alguém lá em casa.

Planet Quest: Are We Alone? | European Southern Observatory | O novo planeta (press release da NASA)

→ 27/01/2006 @0:45

Che e Mário

E a evolução do Socialismo… (visto no Obvious)

→ 26/01/2006 @23:30

Assim Falou Zappathustra

Chateado com o rumo musical do planeta MTV? Fã de Frank Zappa e incompreendido pelos teus amigos adoradores de Coldplay e outras mariquices hiper-valorizadas? Não te preocupes, pá, vieste parar ao sítio certo…

 

Frank Zappa

Este é o post mais megalómano que alguma vez escrevi. Desculpem lá.

O melhor é contar a história do princípio.

Não, não, é preferível dizer primeiro que sou um chato do caraças quando gosto de alguma música (ou filme). E vocês têm sorte porque basta carregar num botão para se livrarem do blogue. Imaginem se têm a infelicidade de se ver apanhados entre mim, a parede da sala de estar e as colunas da aparelhagem. O cerco inicia-se com as palavras de ordem: “Pá, senta-te, tens de ouvir isto…”
Olhem que nem sempre é um tormento para o pobre desgraçado. Já consegui fazer algumas conversões valentes a Frank Zappa – e nem todas foram por exaustão.

Frank ZappaAdmito que aborreci muita gente. São fases! Eu enfiava-lhes Zappa pelas orelhas abaixo e eles pareciam putos a quem a mãe lhes quer fazer engolir a sopa até ao fim. Mas engoliam-na toda, sim senhor, que a boa música também não é para se desperdiçar!
Estejam descansados que agora estou melhor: se depois de uns 15 ou 20 temas seguidos aquilo não pega, então pronto, tudo bem, fico com pena do gajo mas deixo cair o assunto.
Outras vezes é diferente: não só consigo injectar-lhes Zappa no sangue como também os sujeitos (agora convertidos), desejosos de continuar a ver a Luz da guitarra do mestre, me pedem uma compilação com essas cenas tão fixes que me mostraste.
As más-línguas dizem que só me pedem cenas do Zappa numa última e derradeira tentativa de me fazer calar. Enquanto eu estou entretido a gravar aquela merda não chateio ninguém. Depois é só levar para casa e ouvir no dia de são nunca à tarde.
Felizmente ainda há gajos com bom gosto.
Um certo dia alguém com quem eu costumo conversar no café pediu-me que lhe escolhesse e gravasse num CD as melhores músicas do Frank Zappa. Eu faria a selecção que entendesse, tendo em conta, porém, que aquilo devia funcionar como introdução à música do mestre.
Percebi logo que me tinha metido num grande sarilho: como guardar num simples CD-áudio o Best-of de um músico que deitou cá para fora mais de 70 CD’s – muitos deles duplos e triplos – e quase todos eles excelentes?
E qual seria a música escolhida para iniciar o desfile?

Richard StraussEsta última questão foi fácil de resolver: não usei Zappa. Fui buscar algo igualmente grandioso: a intro ao Assim Falava Zarathustra, do Richard Strauss (Kubrick escolheu-a para 2001: Odisseia no Espaço). Depois foi só usar o Wavelab para a misturar com um diálogo retirado de um CD do Zappa (Lumpy Gravy) em que se falava que o Universo é constituído por uma BIG NOTE.
Pronto, no princípio era a música. Problema existencial resolvido.
A tal questão de seleccionar os temas foi, como previa, muito mais difícil de solucionar. Acabei então por gravar cinco CD’s – em vez de apenas um – aos quais dei o óbvio título de “Assim Falava Zappathustra: as 150 melhores músicas”.

Porque razão digo que este é um post megalómano?
Bem, porque converti o conteúdo do primeiro CD para MP3 e coloquei-o no servidor para que uma meia-dúzia de tarados o possa sacar. São 103 megas, meninos e meninas…
A mistura foi feita com uma utilização extensiva do Wavelab – quatro pistas, às vezes mais – e é toda non-stop, ou seja, com passagens. Seguem-se o alinhamento dos temas, os músicos participantes e algumas notas que considerei relevantes.

Páginas: 1 2

→ 26/01/2006 @16:13

Asya Schween

I’m Asya Schween. 24. Immersed in incarnadine-hued twilight of my mind. Alone. I read no poetry but mathematical manuscripts and the Holy Bible. I’m a good girl. I will perish. Ta-ta

Asya Schween nasceu na Rússia e está a tirar pós-graduação em Matemáticas Aplicadas numa Universidade da Califórnia do Sul. Faz auto-retratos. “Arte barata para pendurar nas paredes do quarto, coisas profundas, penetrantes, sensuais”, diz ela numa entrevista que concedeu há dois anos ao website BermanGraphics.

Mais a sério: “As fotos são reflexos do eu interior, grotescas interacções entre o meu corpo e a minha mente”. Asya não procura uma carreira como fotógrafa profissional. “Os meus pais são engenheiros, não querem ouvir falar de fotografia. Tenho um promissor, desafiante, esplêndido, magnífico e maravilhoso futuro profissional a trabalhar em Matemáticas Aplicadas”.


Entrevista com Asya Schween | Berman Graphics | My Own Self

→ 25/01/2006 @12:43

Gira-discos e máquina do Tempo

Spin, de Jamin Winans, é uma curta-metragem da Double Edge Films, produtora de Denver, Colorado, Estados Unidos.
O filme, de oito minutos, obteve um enorme sucesso e foi um dos vencedores da edição 2005 do Festival Toofy Film, evento que consagra as melhores obras do cinema independente. Spin conta a história de um DJ que, através do seu gira-discos, tem o poder de reverter o Tempo da mesma forma como reverte a rotação dos discos. O protagonista de Spin, um DJ carismático chamado Hayz, passou a ser bastante conhecido e requisitado desde a sua participação no filme: além de músico, é pintor, fotógrafo e poeta, e prepara-se para lançar um álbum e um livro com as suas fotos e poesias. Tem um blogue aqui. Quem quiser ver o vídeo – e acreditem que vale a pena – pode fazê-lo na página da Double Edge. Link

→ 25/01/2006 @0:31

Requiem para um Massacre

Vem e Vê – Requiem para um Massacre, de Elem Klimov. É difícil descrever o impacto que me causou. O filme é um relato da invasão da Bielorússia pelas tropas nazis durante a II Guerra Mundial, e das atrocidades cometidas contra os aldeões e os partizans que pegaram em armas para defender as terras.

A história é contada através do olhar de um rapaz de 14 anos a quem os nazis assassinam os pais (e a juventude).

Quando o vi pela primeira vez foi em vésperas de ir para a tropa. Antes me tivesse passado pelos olhos um filme dos Monty Python. Antes tivesse visto a famosa rábula do grupo de militares a fazer ordem unida ao estilo gay. Tinha dado umas gargalhadas e adormecido melhor.

Estão a ver o personagem Alex, do filme A Laranja Mecânica, do Kubrick? Lembram-se das cenas em que ele é submetido a doses diárias e quase ininterruptas de imagens ultra-violentas ao som do adorado Beethoven? A ideia era condicionar a sua propensão para a violência por meio de sofisticadas técnicas psicológicas, igualmente violentas. Se não viram o filme, vejam-no. E, de caminho, experimentem ler a obra que lhe deu origem, escrita pelo Anthony Burguess – tão magnífica como o filme.

Falo dessa obra-prima do Kubrick porque se existe um filme apropriado para as sessões de tortura de A Laranja Mecânica é este. À superfície, retrata a guerra como algo obsceno e hediondo. Mas esteticamente é tão belo que, às tantas, a violência parece irromper do filme como uma chama glorificadora, queimando a face de quem está a assistir.

A forma como é filmado também lembra, à primeira vista, Kubrick, pois em certas sequências tive a sensação de que regressara ao labirinto gelado de The Shining – perseguidos e perseguidores, vítimas inocentes e assassinos diabólicos, filmados em longos e asfixiantes travellings, recorrendo a lentes grande-angulares para fazer aumentar a sensação de mal-estar. Mas isso é apenas uma primeira impressão: os massacres nazis são filmados por Klimov como se fossem espectáculos psicadélicos, mais realistas que a própria realidade, como fez o Coppola no Apocalypse Now.

Mas enquanto Coppola tem alma de poeta, Klimov é mais do estilo pugilista: cada cena de violência é um murro no estômago – e quanto mais bela e bem filmada está, mais insuportável se torna.

A cena final, ao som do Requiem de Mozart – Lacrimosa, nunca mais me esqueço – é o derradeiro murro no estômago: o rapaz de 14 anos protagonista do filme, Florya, envelhecido pelas atrocidades que testemunhou, tomado pelo ódio e desejo de vingança, dispara sobre um retrato de Hitler abandonado no chão pelas tropas nazis em fuga. Cada disparo faz estilhaçar um vidro que revela outro retrato, o de um Hitler cada vez mais jovem – até que, por fim, no derradeiro disparo, Florya se vê confrontado com o retrato de um bebé inocente, o próprio Hitler.

Juro que não me consigo lembrar se chegou a disparar ou não.

Página 1 de 212
Dizer NÃO à taxa