
Dias desses, a havê-los, teriam que ser para coisas que não se pudessem repetir, ou que não se pudessem repetir sem colocar em causa a nossa forma de vida. Como o Dia Mundial do Apara-me a Barba, Querida
Hoje comemoramos três dias mundiais. Que bom! Três dias num. Três dias são setenta e duas horas vividas em vinte e quatro. Ganhámos dois dias de vida. Ao menos não é dia de comprar flores: esses são os piores, os dias mundiais com as flores agregadas. Verdadeiro terror para quem, como os homens, sofrendo daquela crónica amnésia de datas, se esquece do ramo. Discussão pela certa, berros histéricos, acusações de negligência, ataques à masculinidade na ameaça de traição. Um dia ouvi uma frase: eu sou como uma flor, se não tratarem de mim, murcho. Uma ameaça. Se não tratares de mim, tenho que encontrar alguém que o faça. E arranjou. Fugiu para a cama de outro. Verdade. Tudo terá começado num qualquer dia mundial com flores.
Não gosto de dias mundiais. Mesmo. Esta coisa de nos juntarmos na comemoração do que quer que seja não é só um disparate, é hipócrita. Esta sensação de irmandade envergonha-me, deprime-me mas, acima de tudo, revolta-me.
Os dias mundiais são invenções femininas. É típico das mulheres fixarem o tempo, pará-lo. As mulheres não gostam da vida que se vive no momento. Gostam de perpetuar. Gostam da eternidade e de eternizar. Gostam de juras eternas. Gostam do “para sempre”. As mulheres são dementes. Neuróticas. É isso: os dias mundiais são fruto de neuroses femininas.
Os dias mundiais são claramente femininos no objecto, comemoram merdas que não lembram nem ao menino Jesus. Dia Mundial da Poesia? Dia Internacional contra a Discriminação Racial? Dia Mundial da Floresta? Coisas femininas. A poesia é feminina. A ideia de amor e outras tretas. Típico. Lutar contra a discriminação racial também. Necessidade de protecção materna. E a plantação de árvores só serve para fugirem às responsabilidades conjugais de fazer filhos. Escreve um livro, tem um filho, planta uma árvore. Elas ficam-se por esta. Estamos a ser dominados e nem damos por isso. Qualquer dia obrigam-nos a cozinhar.
Dias mundiais, a havê-los, teriam que ser para coisas que não se pudessem repetir, ou que não se pudessem repetir sem colocar em causa a nossa forma de vida. Percebem? Deviam servir para coisas que só se pudessem fazer num dia. Dia Mundial do Topless, da Lingerie Exposta, do Sexo Descomprometido, da Facada no Matrimónio. Mas não, banaliza-se. Quando se comemoram estes dias irritantes está-se a comemorar o Dia da Posição de Missionário. Banal. Como tudo o que sai da cabeça feminina.
Então hoje temos que ler poesia? Então hoje não podemos acusar os pretos e os árabes de todo o mal do mundo? Como é que se pode explicar o estado do Mundo sem termos responsáveis? Plantar mais uma árvore para arder no Verão? Foda-se. Ainda bem que juntaram os três num. Amanhã já passou.