
Foto: Al Magnus (Claire de Lune)
Música: Claude Debussy (Et la Lune descend sur le Temple qui Fut)

Foto: Al Magnus (Claire de Lune)
Música: Claude Debussy (Et la Lune descend sur le Temple qui Fut)
Um verdadeiro amante de Pro Evolution Soccer – o melhor simulador de futebol do mundo – sabe que, por estas alturas, é preciso estar atento à saída de Winning Eleven, a versão japonesa do jogo, neste caso a versão 10.
É com o Winning Eleven que podemos conhecer, em primeira mão, as alterações e melhorias que vão aparecer na versão internacional, o nosso Pro Evolution Soccer. Portanto, jogar o Winning Eleven 10 é como fazer a antecipação – em seis meses – do que será a próxima versão do Pro Evolution Soccer, a 6.
Eu já joguei o Winning Eleven 10.
As alterações são mais subtis, mais perceptíveis para quem joga do que para quem vê. Por exemplo, um aspecto impressionante é a forma como controlamos em absoluto os movimentos e passes dos jogadores. Pelo que consegui ver, acabaram-se os passos transviados sem sabermos bem porquê: se queremos que faça um determinado passe, ele faz.
Outro aspecto diferente que notei é que os árbitros já não são tão permissivos: más notícias para os caceteiros do modo online, pois agora uma entrada mais ríspida já não leva uma advertência amigável do árbitro mas um cartão amarelo.
O cansaço nos jogadores é visível até na forma como os avançados têm mais dificuldade em escapar ao fora de jogo. Nota-se bem que alguns avançados já não recuperam posições com rapidez, deixando-se ficar à mama, em fora de jogo, e obrigando quem conduz a bola a esperar que o colega acorde.
Outro aspecto fantástico tem a ver com a marcação de livres. Estão a ver aquela situação do jogo real em que uma equipa está a perder 1-0 a dez minutos do fim e o jogador marca a falta o mais rapidamente possível? Carregando ao mesmo tempo nas teclas R1 e L1, ainda os defesas da equipa adversária estão a correr para retomar posições e já nós estamos a marcar a falta. Pormenor fantástico de realismo.
As fintas – como poderão ver neste vídeo – estão mais aprimoradas. Dado que a resposta do boneco aos nossos comandos se encontra muito melhorada, é muito mais fácil fintar (atenção: fácil, para quem tem jeito, pois quem tem dificuldades continuará a tê-las).
O jogo é mais arcade, mas é sempre assim nas versões japonesas. Quando chegar cá sob o título ProEvolution Soccer 6, é mais que certo que estas alterações de que vos falei permaneçam. Acreditem: o jogo tem uma fluidez que nenhum Fífia 2007 conseguirá alcançar.
Em Dezembro de 1982, Charlie Haden convidou Carla Bley e um excelente grupo de músicos de jazz para gravar um disco com versões jazzísticas de canções revolucionárias: da Guerra Civil Espanhola à intervenção norte-americana em El Salvador, da revolução dos cravos em Portugal aos movimentos de resistência contra a ditadura Pinochet, no Chile. No caso da revolução do 25 de Abril, a escolha, óbvia, recaiu em Grândola Vila Morena, que Zeca Afonso lançara em 1971 no disco Cantigas de Maio.
A militância esquerdista de Charlie Haden já era bem conhecida. Em 1968, tinha composto Song for Che – óbvia referência a Che Guevera – e, oito anos antes, ao lado do trompetista Don Cherry, participara no histórico Free Jazz, sob a batuta de Ornette Coleman.
Haden terá seguido os ensinamentos de outro grande contrabaixista de jazz, Charlie Mingus, que criou um tema – Fables of Faubus – ridicularizando o governador racista do Alabama e transmitindo a ideia de que o jazz também podia servir para marcar uma posição crítica, e política, na sociedade.
O título deste disco – Ballad of the Fallen – foi retirado do poema Milonga para un Fuzilado, encontrado junto ao corpo de um estudante morto num massacre na Universidade de San Salvador conduzido pela Guarda Nacional e sob o alto patrocínio das forças militares dos Estados Unidos: Não me perguntes quem eu sou/ou se me conheceste/Os sonhos que tive/crescerão, apesar de eu não estar mais aqui/Não estou vivo, mas a minha vida continua/porque outros continuarão a luta/novas rosas desabrocharão/e, no nome de todas estas coisas/tu encontrarás o meu.
Os músicos
Carla Bley toca piano e escreve os arranjos. Todos os membros da banda são, de uma forma ou de outra, activistas políticos: o trompetista Don Cherry (toca num instrumento de plástico, formato pequeno), o baterista Paul Motian (companheiro de Haden num quarteto de Keith Jarret), Dewey Redman (saxofonista tenor, ex-membro do grupo de Elvin Jones, baterista de Coltrane), Sharon Freeman (trompa), Mick Goodrik (guitarra), Jack Jeffers (tuba), Michael Mantler (trompete), Jim Pepper (sax/flauta), Steve Slagle (sax soprano, clarinete/flauta) e o trombonista Gary Valente, habitual companheiro musical de Carla Bley.
As músicas
Grândola Vila Morena
incluindo Introduction to People e The People United Will Never Be Defeated

Six Chix, de Rina Piccolo
A Pecola colocou o dedo na ferida no post que se segue: ai se existisse um botãozinho azul nas mulheres que os homens pudessem premir… Do género: Orgasmo? Yes, You Can. Just Press Play.
O problema é que, muitas vezes, esse botãozinho azul, quando premido, pode transformar-se no Ecrã Azul da Morte. Sim, rapaziada: tal como o Windows, as mulheres podem crashar sem razões aparentes. E, quando crasham, forçam-nos a carregar no botão Reset de forma a reiniciarmos a relação.
Nem falo dos casos extremos em que temos de formatar o disco rígido e reinstalar tudo outra vez: confiança, carinho, compreensão, respeito, enfim, essas coisas comezinhas que, à semelhança do software, podem ficar corrompidas e deixar de funcionar.
Mas é pena que as mulheres sejam tão complicadas porque, como sabem, o tal botãozinho até existe: chama-se clitóris. Mas não basta um gajo lançar-se sobre o clitóris como se fosse um touro. Isso está longe de ser suficiente. Mais: ouvi dizer (não posso confirmar) que o orgasmo feminino começa muito, muito antes de chegarmos à cama.
Portanto a questão é simples, pessoal: elas têm um botão, é verdade, mas insistem que a gente faça sempre as coisas de forma manual. Não há-de um gajo querer passar umas boas horas a comer tremoços e a falar da bola? Ao menos, ao marcar um golo, é como se tivesse tido um orgasmo. Não foi o ex-jogador Fernando Gomes que disse qualquer coisa assim? Se fosse uma mulher, que diria? Diria que sim, bem, não basta marcar um golo para ser como um orgasmo, a jogada toda tem de ser bonita. Mulheres? Joguem à Paciência com elas…
Sentem-se enjoados pela cobertura da TVI à morte do actor Francisco Adam (o Dino da telenovela)? Aborrecem-se com jornais que produzem capas como se fossem lenços onde secamos as nossas lágrimas? Estão zangados porque o 24Horas cobriu o funeral como se fosse mais uma reportagem de jet-set – com a diferença de que algumas pessoas posam para as câmaras a chorar, em vez de sorrir?
Não desesperem. Podia ser pior. Vai ser pior.
Daqui a uns 30 ou 40 anos, talvez mais cedo, quando um Dino do futuro, ídolo de adolescentes como este, se espetar de carro por causa da má sinalização, incompetência ao volante, irresponsabilidade ou simples azar, é possível que se façam directos da morgue para as pessoas compararem, horrorizadas e fascinadas, as diferenças entre o jovem bonito e saudável que viam na sala de jantar e a máscara de cera em que se transformou. É possível que daqui a 100 ou 200 anos se possa filmar a autópsia, com intervenções em directo de repórteres locutores e comentadores – especialistas que nos explicarão o que provocou a morte e quais os orgãos mais atingidos.
Sim, foi horrível. Tenho pena. As vezes que o vi pareceu-me ter talento para a comédia. Tinha um rosto expressivo e agradável, e o sonho de se tornar actor de teatro. Mas não consigo deixar de pensar nos milhares de miúdos cujas vidas, tão valiosas como a dele, se perdem ou arruinam para sempre em estradas portuguesas.
A morte é o condutor de um autocarro sobrelotado que nos carrega e deposita no mesmo sítio, dia após dia. Morrer é o que fazemos se nos sentamos diante do televisor sem espírito crítico, preparados para viver vidas que nunca existiram ou existirão, vidas como as de Dino, o personagem querido dos Morangos com Açúcar. De tanto projectar os nossos desejos em vidas fictícias, acabamos por nos esquecer de nos levantarmos do sofá e lutar pelas nossas.
A morte de Francisco Adam não é do domínio público – pertence aos que irão carregar a dor da perda – não enquanto a transmissão da TVI durar, mas para o resto da vida: pais, irmãos, amigos mais chegados.
A televisão não consegue retratar a realidade na sua essência: o que vemos, mesmo nas reportagens mais sérias, é uma representação, uma encenação da realidade. De nada vale termos tanto acesso à informação se andarmos todos de olhos fechados.
Em casos como este, o que vemos é uma manipulação dos sentimentos e das ansiedades mórbidas das pessoas. O costume. Como na morte de Feher, quando as televisões não tiveram, sequer, a decência de desligar as câmaras quando os jogadores do Benfica se reuniram à volta do caixão para chorar a perda de um colega e amigo.
A cobertura jornalística viverá, como sempre, das cenas dos próximos capítulos: o primeiro capítulo foi a morte do actor; o segundo, mostrar as circunstâncias em que morreu; o terceiro, a captação, até ao limite, da tristeza das pessoas, valorizando a perda que sofreram e as emoções que sentiram. Só falta um Scolari da TVI pedir-nos que coloquemos bandeiras do Dino às janelas.
Todos estes capítulos constituem a fase de preparação psicológica dos telespectadores para o grande climax da história, ou seja, a cobertura do funeral. O investimento é avultado porque não se pode defraudar a espectativa criada: há intervenções em directo, vários repórteres a falar sobre o vazio, até um helicóptero para os planos mais gerais do cortejo fúnebre como se nos quisesse transmitir a reconfortante sensação de que, por vermos os acontecimentos de cima, já somos uns deuses de sofá capazes de perceber a verdadeira dimensão das coisas.
A partir daqui vai ser sempre a descer até se chegar novamente ao estado inicial, ou seja, o do torpor e esquecimento. Entretanto, enquanto o circo desce à cidade, aposto que mais alguém vai morrer na estrada. E não vamos dar por nada, claro.