Arquivos mensais: Agosto 2006

→ 31/08/2006 @18:22

E a culpa é vossa, meninas

Um colega levou o filhote ao local de trabalho. Uma criança de colo linda e simpática.
De imediato todas as mulheres se levantaram, rodeando o miúdo de sorrisos embevecidos, festinhas, beijinhos, gracinhas e pinotes. Depois elas admiram-se que um gajo cresça e sonhe em continuar a ser rodeado pelo mesmo tipo de atenções. Complexo de Édipo, qual quê! O que a gente tem é o complexo do Harém.
Já vos disse que a culpa é vossa, meninas? ;-)

→ 30/08/2006 @3:15

Uma questão de perspectiva II

O que me faz mais confusão nem sequer é a imensidão do Universo e a escala monstruosa das estrelas. O que me lixa é tentar perceber porque razão, sendo tão pequeninos e insignificantes, somos os únicos capazes de compreender toda esta vastidão. Deve existir um propósito oculto nisto tudo.

Talvez exista uma razão mais óbvia para a nossa insignificância: o máximo que podemos rebentar é o nosso próprio planeta. Somos capazes de lhe destruir o equilíbrio ecológico, mas não podemos destruir o Sol.

É incrível como uma bola infernal feita principalmente de hidrogénio e hélio pode ter mais juízo e ser mais constante que nós. Em cinco biliões de anos de vida nunca nos faltou um único dia: esteve sempre ali, a brilhar no Céu e a aquecer o planeta. Tivesse o Sol um milionésimo da nossa natureza agressiva e instável, e nunca teria existido vida na Terra.

Isto tudo porque acabei de ler um livro de Stanislav Lem – um grande escritor de ficção científica e um dos meus preferidos. A obra – Fiasco – conta a história do primeiro contacto entre os terrestres e uma distante civilização alienígena.

Ao contrário do que é habitual neste tipo de histórias, porém, somos nós a civilização mais avançada. Somos nós que enviamos os nossos OVNIS para estabelecer contacto. Os alienígenas, já dominando a energia nuclear, envolvidos em situações permanentes de guerra e conflito, recusam o contacto. Julgando-se ameaçados, convencidos de que serão invadidos, atacam a nave terrestre de surpresa.

O sistema de defesa terrestre é tão avançado que o devastador ataque nuclear lançado pelos Quintanos – assim baptizados por viveram no quinto planeta do seu Sistema Solar – é sentido apenas como um pequeno beliscão na poderosa estrutura da nave.

Mas o ataque ofende de tal forma o orgulho humano que o comandante da nave decide chantagear os alienígenas: aceitam contactar ou então sofrerão uma retaliação. Como os Quintanos vivem num permanente estado de guerra há mais de cem anos no seu próprio plenata, não têm já capacidade para confiar em mais ninguém.

O comandante decide então destruir a Lua do planeta, não de forma a provocar uma catástrofe – mas apenas com a potência e o engenho suficientes para partir o satélite em vários bocados que se manteriam ligados uns aos outros pela força da gravidade, mantendo, assim, uma certa estabilidade. É precisamente quando esta operação é levada a cabo que os quintanos resolvem atacar, desviando alguns dos mísseis terrestres da sua rota e subvertendo todos os cálculos iniciais.

O resultado é uma catástrofe em larga escala, com pedaços da Lua do tamanho de montanhas caindo sobre o planeta e os mares a revolverem-se em monstruosos tsunamis, provocando milhões de mortos nas zonas costeiras e alterações climáticas que poderão mesmo extinguir a vida.

É a pergunta de Stanislav Lem: de que nos serve a inteligência se formos sempre macacos com fatos de astronauta?

→ 30/08/2006 @1:24

Virgens suicidas

Que sentido há em fazer-se explodir e matar dezenas de pessoas com a promessa de ser-se recompensado com 70 virgens no Paraíso? Quando a motivação para assassinar seres humanos inocentes tem por base razões políticas ou religiosas, até podemos compreender: a história da nossa Europa civilizada também pode contar muitos crimes cometidos com motivações semelhantes.
Agora fazer-se explodir para ter 70 virgens no paraíso? Isso não me entra na cabeça. A não ser que os bombistas suicidas sejam o tipo de gajos que eu já suspeitava: uma cambada de maricas cheios de medo das mulheres.
Porque não prometer-lhes: Irmão, se te fizeres explodir hoje, partilharás amanhã o teu leito de amor com 70 mulheres experientes e inteligentes, sem mamas de silicone, muito boas na cama e prontas a satisfazer-te todos os desejos. Porque será que não lhes prometem esse tipo de coisas? Esperem, já sei – é porque mulheres experientes e inteligentes pensam pela sua própria cabeça e nunca iriam aceitar ser escravas sexuais. Talvez até provocassem uma revolução no Paraíso. Foi o que aconteceu com a nossa Eva: os padres querem fazer-nos acreditar que pecou, mas para mim ela foi uma revolucionária.
A promessa de 70 virgens é, ao mesmo tempo, enganadora. Pensem lá bem: imaginem que o gajo explode, vai para o Paraíso e tem realmente 70 boazonas todas virgens à espera dele. Partindo do princípio de que o bombista ainda tem arcaboiço para mandar uma queca por dia, ao fim de pouco mais de três meses o seu stock de virgens está esgotado.
Que fará então o tipo? Explodirá outra vez, matando as mulheres usadas de forma a poder mandar vir mais um carregamento de virgens?
Estas promessas revelam a mentalidade desses tipos: têm cagufa das mulheres – a não ser que elas sejam virgens, inexperientes, ignorantes, preferencialmente inseguras e submissas. Têm mais medo das mulheres que do Bin Laden. Os seus livros religiosos não servem apenas para conhecer a palavra de Deus, mas também para esmagar cérebros independentes. Mas isto não é novidade nenhuma: durante séculos a Bíblia pendeu sobre as nossas cabeças (todas) como uma guilhotina moralizadora.
O melhor que se tem a fazer é iniciar alguns actos de contra-propaganda e dizer-lhes qualquer coisa como: Pá, irmão, se fores um bombista suicida vais ter 70 virgens mas serás impotente; na verdade, nem sequer podemos garantir-te de que chegarás lá com a pila inteira. Afinal de contas, acabaste de te fazer explodir, não é? Achas que no Paraíso te vão dar uma nova? As que lá temos são todas em segunda mão.

Este seu post apenas mostra a sua imbecilidade e completa ignorância em relação ao tema exposto, e como tal faria melhor em não recordar momentos tristes como este… Como muitos europeus cai no erro de julgar sem antes informar-se devidamente do que fala…e isso são erros que pagam-se caro.
Um dos grandes motivadores para estes recrutas tornarem-se bombistas é somente o facto de terem tido os familiares desfeitos em 70 pedaços por mentecaptos terroristas da sua laia, e o apelo à vingança é mais forte do que o apelo às ditas quecas no céu. Em relação aos nossos livros religiosos deveria lavar a boca antes de falar deles ou pelo menos ler para compreender.
Diz-se um homem amante da ciência mas contudo refere-se à Eva como sendo uma personagem real, uma grande revolucionária…só falta mesmo incluirem a cegonha que traz os vossos bastardos e o lobo mau no vosso “grande” livro. (…)
Gostaria de ver a sua reacção com um cinto cheio de explosivos atado à cintura…O mais certo era borrar-se todo ainda antes de apertá-lo. Maricas? Medo? isso são caracteristicas alheias a um bombista disposto a tudo para ajudar a causa… E a causa qual é? Pergunta você… Isso é uma resposta que não é digna de um infiel sem tomates como você demonstra ser. Umid Ali, comentário recuperado da anterior versão deste blogue

Adenda: Meu caro e furioso senhor Ali, se quiser destruir este blogue é favor carregar aqui. Terei sempre um completo desrespeito por todas as formas de fundamentalismo religioso, venham elas da América, de Israel, do Islão ou de Roma. Esteja à vontade para destilar o seu ódio medieval sempre que quiser. M.S.

→ 30/08/2006 @1:20

Continuidade conceptual: virgens americanas

→ 29/08/2006 @16:57

O mundo de Vladimir Kush

Vladimir Kush nasceu em Moscovo. O pai, Oleg – matemático com tendência artísticas -, apercebeu-se do talento do filho e encorajou-o desde o início. Ao mesmo tempo, e à medida que o rapaz crescia, ia-lhe dando a ler livros de Jules Verne, Jack London e Herman Melville para lhe proporcionar uma forma de viajar para além dos subúrbios cinzentos onde viviam. A galeria de Vladimir Kush está incorporada num site muito mais vasto – Visons Fine Art – onde podem ser vistas obras de outros autores contemporâneos.

→ 28/08/2006 @20:18

Volta Marco Paulo, estás perdoado

O mundo está em constante evolução: o que pareceu horrível ontem já nos parece razoável hoje. É o factor Horribella.

 

→ 28/08/2006 @1:24

Mil palavras e mais uma

Esta podia ser a fotografia de um pai babado olhando um filho acabado de nascer – é essa semelhança que a torna mais perturbadora.
Um bombeiro – Chris Fields – acabara de remover Baylee Almon dos escombros de um edifício governamental em Oklahoma quando um fotógrafo amador – Charles H. Porter IV – registou para a posteridade o horror provocado pelo atentado bombista de 1995. A criança, que festejara o primeiro aniversário no dia anterior ao ataque, não resistiu aos ferimentos e morreu poucas horas depois.
Esta foto – vencedora de um prémio Pulitzer em 1996 – é uma das centenas de imagens registadas no site AthousandAndOne. O projecto procura mostrar as melhores fotografias de todos os tempos, o tipo de imagem que não vale por mil palavras, mas por mil palavras e mais uma. Da colaboração dos visitantes resulta uma galeria muito desigual e diversificada, sem qualquer organização por temas ou critério de avaliação explicado. A foto-reportagem é o género mais abundante, mas há muito para ver.

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