Arquivos mensais: Outubro 2006

→ 31/10/2006 @19:18

O laptop de David Cronenberg

→ 31/10/2006 @18:06

O vídeo de Gary

Gary Brolsma, então com 19 anos, tornou-se, de um dia para o outro, um fenómeno na Internet. E, ao princípio, detestou. O pacato norte-americano de New Jersey refugiou-se em casa, fugiu aos telefonemas, deixou de ir à escola por causa das bocas e recusou pedidos de entrevista do New York Times e da NBC.

Que fez ele assim de tão especial para se ter tornado uma nova celebridade instantânea? Bem, fez um vídeo. Usou a webcam para filmar um playback humorístico de uma canção pop foleira: Dragostea Din Tei, gravada por um grupo romeno, os O-Zone. O vídeo foi originalmente distribuído a algumas pessoas da família e alguns colegas, à laia de simples brincadeira, mas alastrou-se à velocidade da luz. Em pouco tempo o filme de Gary chegou ao site Newsgrounds, especializado em animações Flash e em vídeos sacados da televisão ou enviados pelos cibernautas.
E pronto. Assim se tornou Gary uma superstar da Web: em poucas semanas o desempenho do rapaz conseguiu mais de um milhão de page views. O vídeo chegou mesmo a passar nos canais VH1 e na própria CNN. Os amigos e colegas de Gary foram entrevistados para falar dele. Até a sua professora, Susan Sommer, recordou o seu mediático aluno ao New York Times. E o pobre Gary, que só tinha feito aquilo por brincadeira, ia morrendo de vergonha.

Acabou por perdê-la quando se apercebeu do fantástico sucesso que estava a ter. Em Setembro deste ano, um novo vídeo foi colocado no Newgrounds e YouTube, ao mesmo tempo que abria e promovia o seu próprio site, NewNuma. Esta mudança na atitude de Gary surpreendeu toda a gente, mas o próprio justificou-a com a pressão das pessoas que viram o vídeo original.
O novo vídeo foi produzido pela Experience Studios, de Seatle, e é protagonizado por Gary e a sua banda, Nowadays. Muitos dizem que perdeu a graça e a espontaneidade do original.

→ 31/10/2006 @10:27

Ai clica-me

→ 31/10/2006 @2:46

Firefox Versus IE7

A guerra dos browsers opôs desde 1995 até 2000 a Netscape à Microsoft.
A Netscape começou com uma quota de 80% e foi diminuindo até que, em 2001, atingiu o seu mínimo – 5% a 10%. Para a história ficou a fragilidade financeira da empresa e o abuso da posição de fornecedor de Sistema Operativo por parte da Microsoft que lhe permitiu incluir o Internet Explorer em todos os novos computadores. [Nota do Marco: consultar Porque Detesto o Internet Explorer, 22-03-2005]
A guerra parecia terminada até que é lançado, em 2002, o Mozilla 1.0. O Mozilla 1.0 era baseado no Netscape mas tinha passado a ser um projecto totalmente de Software Livre/Aberto (SL/A).
Confesso que a partir de um determinado momento pensei que seria difícil ao Mozilla/Firefox recuperar devido à habituação dos utilizadores ao IE. O projecto seguiu, contudo, uma via de inovação e foi ganhando progressivamente espaço ao seu concorrente. Segundo as estatísticas do W3 Schools, o Firefox ganhou desde o início do ano de 2006 cerca de 3,8% de mercado. Entenda-se, mercado conquistado directamente ao browser da Microsoft.
A análise ao Internet Explorer 7 já foi apresentada no Bits & Bytes, tendo sido destacado que se aproxima do Firefox em termos de algumas das suas funcionalidades. Apesar de ainda não ter tido ocasião de o testar, parece consensual que a Microsoft fez um bom trabalho – especialmente na área mais crítica para o IE que era, até então, a segurança.
Quanto ao Firefox 2.0 para Linux, já testei e fiquei convencido da vantagem em fazer a actualização. É certo que, tal como diz Mitchell Baker – CEO da Mozilla – as diferenças são subtis. Mas acredito que são nos pequenos pormenores que as aplicações se distinguem.

A imagem incluída significa que esta crónica e as seguintes estarão sob licença “CCâ€. Ou seja, que pode reproduzir o texto, modificá-lo e distribuí-lo.

→ 30/10/2006 @22:30

Uma Foto e uma Música [24]

Foto: Andrew Kuykendall
Música: Erik Satie, arr. Modern Sinfonietta (Number Three [Gymnopédie])

→ 30/10/2006 @1:15

Blogues de merda

 

 

Blogosfera, blogosfera, a quanto obrigas

A corrente de blogues temáticos iniciada com O Meu Frigo presta um enorme serviço à blogosfera nacional. Um dia, quando conseguirmos perceber o verdadeiro alcance daquele projecto, ficaremos pasmados e agradecidos.
Alguns poderão pensar que apenas uma cabeça oca poderia abrir um blogue daqueles e dar origem a uma série de outros do mesmo género – mentes maldosas, digo eu! Lamúrias de intelectuais que já não sabem o que são os pequenos prazeres da vida e se dedicam a amesquinhar o divertimento dos outros.
A verdade é que O Meu Frigo não é apenas aquilo que mostra ser: ao criar um blogue onde as pessoas fotografam e partilham o futuro conteúdo dos seus estômagos, a incontornável Gotinha deu início a um processo irreversível de conhecimento.
Porque o verdadeiro objectivo desses blogues é dar-nos a conhecer a Fisiologia do Aparelho Digestivo. Uma longa viagem que se inicia no frigorífico, passa pela boca, umbigo e termina nas sanitas. Futuros alunos interessados em estudar anatomia humana terão muito com que se entreter quando navegarem por estes blogues.
No entanto, é de lamentar que ainda não tenham surgido blogues que completem o processo: é urgente e vital que estejam online futuros projectos como A Minha Barriga, A Minha Pilinha, A Minha Coisinha Aos Saltos na Frigideira, O Meu Rabinho e, até, para utilizadores avançados, O Meu Intestino Grosso – em nome do conhecimento anatómico e da frescura intelectual, devíamos assinar um abaixo-assinado exigindo a abertura imediata desses blogues!

O último projecto saído desta enorme corrente cultural – A Minha Poia – pretende ser o culminar desta sublime e maravilhosa aventura pelo aparelho digestivo.
Contextualizando: os nutrientes digeridos são absorvidos através da parede do intestino delgado. A parte não digerida – as fibras e os restos celulares da mucosa do intestino – é levado ao intestino grosso (cólon) e mantém-se lá por um dia ou dois até as fezes serem expelidas pelo movimento do intestino grosso até à evacuação. [Fonte: Paulo N. Rocha Jr., Fisiologia do Sistema Digestivo]
O blogue A Minha Poia tenta precisamente mostrar-nos o que acontece após o período de evacuação, propondo aos visitantes que fotografem as suas próprias poias e as mostrem aos outros felizardos.
No melhor pano cai a poia, por assim dizer, e o projecto não está a ser bem conseguido. Primeiro porque o nível de adesão dos participantes tem sido baixo. E depois porque uma das fotografias que se pode ver no blogue [o contributo do nosso leitor Mário Henriques] não é original, foi sacada da Internet.
Trata-se de uma fotografia de Peter Gottwald, fotógrafo berlinense, tirada nas ruas de uma cidade não identificada mas que até podia ser portuguesa.
Parece-me mal que um trabalho desta natureza seja manchado por tanta falta de rigor. Se a poia apresentada na fotografia é a de Peter Gottwald, então trata-se de uma poia plagiada; se, por outro lado, a poia não pertence ao fotógrafo, estamos perante uma poia covarde e anónima, não sendo possível coligir quaisquer dados científicos devido a problemas de credibilidade.
Lamento profundamente que uma corrente de blogues iniciada com tão nobres propósitos seja estragada por este tipo de amadorismos. Se querem fazer merda, façam-na como deve ser, ou seja, com cheiro.

→ 29/10/2006 @13:28

Uma Foto e uma Música [23]

Foto: Alfred Eisenstaedt (Alma Mahler) | Música: Gustav Mahler (Symphony nº 5 [Adagietto])

Dizer NÃO à taxa