Arquivos mensais: Julho 2007

→ 31/07/2007 @19:59

Desafio dos posts pedidos

Caros visitantes: mostrem-me que podem influenciar este blogue sugerindo-me um tema para escrever aqui no Bitaites. A caixa dos comentários está à vossa disposição. Qualquer tema vale. Não há restrições. Estou curioso em saber o que sairá dessas vossas cabeças. Vá, não se acanhem. Estou à vossa disposição.

→ 31/07/2007 @11:31

Não acendi um cigarro

Vou deixar de fumar!

Imagem: Jason Steall

Escrevi este post durante uma tentativa para deixar de fumar que acabou por não dar em nada. Mas nestas férias estou a mentalizar-me para tentar outra vez a partir do dia 1 de Agosto. 1 de Agosto? Merda, é já amanhã. Estou feito.

Ando um susceptível de merda. Não me podem dizer nada. Estou impossível de aturar.
Esta neura toda porque tenho vontade de fumar um cigarro. E os cigarros também têm vontade de me fumar a mim. Há exactamente dois dias, quatro horas e 35 minutos que andamos nisto. Eles aos pulinhos no maço e a dizer “Estou aqui, estou aqui, escolhe-me a mim†e eu a fingir que não os oiço.
Esclareço que não deixei de fumar. Deixar de fumar é uma cagada. A sério. Nunca tentem deixar de fumar: é demasiado fácil. Nunca pensem nesses termos porque assim é mais fácil ceder à tentação e inventar desculpas. Somos uns agarrados; logo, tornámo-nos especialistas em dar tanga aos outros e a nós próprios.
Deixar de fumar é o objectivo típico do fumador que pensa que a solução é apagar o cigarro.
A verdadeira solução é não voltar a acendê-lo.
Acende-se um cigarro e estamos feitos, pois falhámos. Podemos apagá-lo a seguir, arrependidos, podemos apagar mais cinco nesse mesmo dia ou no seguinte: o mais provável é regressar ao velho hábito de apagar vinte cigarros por dia.
- Tá calado! Só voltas a fumar vinte cigarros se fores parvo.
- Quem és tu? Que fazes no meu ombro?
- Sou a tua consciência, pá. A parte que se diverte, pelo menos. Tás a ver aqueles bonequinhos nos desenhos animados que representam a consciência boa e a má? Bem, eles existem, sabes? Eu tenho uns corninhos na cabeça, visto-me de vermelho e sou um gajo fixe. Se continuas a dar cabo dos teus nervos por causa da merda do tabaco espeto-te o ombro com esta coisa que eu tenho aqui que parece um garfo.
- Isso não é um garfo. Chama-se…
- Se acendesses um cigarro já te lembravas do nome.
- Não me interessa. Escusas de tentar-me! Eu não fumo!
- Recusas-te a fumar com medo de cair outra vez no vício? Isso revela falta de inteligência, desculpa lá. Que raio! Olha para ti: estás à beira de um ataque de nervos. Fuma um cigarrito só para te acalmares. Só um! Estudos científicos comprovam que a ideia de deixar de fumar torna-se mais agradável e menos angustiante enquanto se fuma um cigarro.
- Eu não quero ouvir-te mais. Exijo a presença da minha consciência boa! Isto assim é demasiado cansativo!
- Estou aqui.
- Tu? Mas para quê o fato e a gravata? E essa pastinha de executivo? Pensei que vinhas vestido com uma daquelas coisas brancas…
- Não têm bolso para o telemóvel. Ora diga-me lá então qual é o problema?
- Não há problema nenhum. Só queria que aquele se calasse.
- Sim, claro. Bem. Permita-me então que refira o seu exemplo como simplesmente admirável. Fumar faz mal à saúde! Basta ler as mensagens escritas nos maços de tabaco. Você deve saber quais são.
- Sei, claro. Boas razões para se deixar de fumar.
- Sem dúvida! Uma pessoa abre o maço, tira o cigarro, acende-o – e o cigarro depois do café sabe tão bem, não é? Ui – até fico arrepiado só de pensar nisso! Um café bem forte e aquela primeira passa… E depois o segundo cigarrinho, aquele que se acende a ler o jornal? Também é fantástico. Bem, na verdade, são pequenos prazeres na vida que aquelas mensagens tentam destruir – e com eficácia, reconheço!
- Oiça. Não sei se esta é a melhor maneira de me ajudar.
- Um momento, por favor. Caro colega representante do Mal, não o vejo aqui no ombro; não se foi embora pois não?
- Não, doutor. Estou aqui sentado na clavícula do gajo!
- Pois está! Por acaso não tem lume? Deixei o isqueiro no carro.
- Tenho, claro. Aqui está.
- Obrigado. Ah… que bem que sabe. Estava mesmo com vontade de fumar. Ainda bem que não somos como certos e determinados idiotas que pensam que deixar de fumar é a garantia para uma vida eterna! O gajo do andar de cima inventou umas quantas regras para se ganhar a eternidade e, que eu saiba, “Proibido Fumar†não era uma delas!
- Sim. Se ao menos estes tipos tentassem reduzir… Mas não! Cortam logo tudo de uma vez! Fundamentalistas!
- Espero que o extremista de merda não se importe que lhe deite a cinza pro ombro.
- Ele depois assopra! Deixou de fumar, agora já tem mais fôlego!
- Grande fanático. Em vez de pensar em sexo, pensa nos cigarros. Isso é pouco natural, não é? Pensa-se num cigarro depois do sexo, não durante. É um caso perdido, este gajo.
- Achas que ele vai conseguir fazer posts de jeito?
- Sem um cigarrito? Duvido. O mais certo é o blogue ir à vida.

→ 31/07/2007 @3:08

O que eu invento só para mostrar o rabo da Scarlett

O rabo da Scarlett

O traseiro da Scarlett Johansson é o plano de abertura do filme Lost in Translation, de Sofia Copolla. Para mim é um plano genial. Façam lá o sacrifício de olhar outra vez para o rabo. Sim, já sei, a Scarlett é boa como o milho. Mas vejam melhor. É um rabo que conta uma história. É o rabo de uma mulher enfiado numas antiquadas cuecas de gola alta semi-transparentes mas que são tão cor-de-rosa como cuequinhas de virgem. Demasiadas contradições e conflitos, não é? Basta o plano de um rabo para caracterizar um personagem – isto é cinema, pessoal.

Scarlett só nos vira o cu ao princípio do filme porque ignora a nossa babada presença masculina e a sua mente ainda é a de uma adolescente perdida na sua própria Second Life.

Não se iludam: a Sofia Copolla é mesmo genial. Mostra-nos o rabo ao princípio do filme e, ao mesmo tempo, diz-nos: «Este não é um rabo qualquer; este é um rabo cinematográfico. Não está aqui para vos dar tesão, está aqui para contar uma história». Vejam-no outra vez: é um rabo preguiçoso, indulgente, um rabo, digamos, expressivo.

Se ela se tornou um símbolo sexual a culpa é da Sofia, que cometeu a proeza de a tornar expressiva ainda antes de lhe vermos o rosto. Ficámos tão impressionados com as qualidades dramáticas daquele rabo que, ao longo do filme, de todos os filmes que se seguiram, procurámos o traseiro da Scarlett como quem espera um monólogo do Al Pacino. E não tenham dúvidas: da nossa Scarlett não esperamos menos do que uma representação digna de um Óscar. Mesmo que de vez em quando faça boquinhas de broche ou sorrisos de Mata Hari labrega.

→ 31/07/2007 @2:05

Mais Zappa em vinil

O album Hot Rats, gravado entre Agosto e Setembro de 1969 e lançado em Outubro, é conhecido principalmente por duas razões: por ser o único disco que recebeu críticas positivas de quem não gostava de Zappa e por ser um dos primeiros discos jazz/rock da história da música moderna.

Alguns fãs consideram que foi Hot Rats a ‘criar’ o jazz/rock mas, ao mesmo tempo que Zappa iniciava as gravações da sua obra-prima, Miles Davis saía do Festival de Woodstock para gravar, entre 19 e 21 de Agosto, o mítico Bitches Brew – um disco que seria lançado apenas um ano depois de Hot Rats. Em Bitches Brew, Miles rompeu com as tradições rítmicas do jazz que haviam dominado o seu percurso, introduzindo instrumentos como a guitarra e o piano eléctrico, e improvisando sobre ritmos funk. Mesmo antes de Miles e de Zappa, já outros músicos tinham aberto caminho para a fusão entre o rock e o jazz: Gary Burton e o quarteto de Charles Lloyd, por exemplo, este último incluindo na sua formação Keith Jarrett e Jack DeJohnette.

Mas Hot Rats permanece – para quem gosta de música de fusão – como o disco de jazz/rock por excelência e uma viragem na carreira de Zappa, conhecido até então pelas suas ‘canções esquisitas de humor duvidoso’ com os Mothers of Invention e não pelo extraordinário músico que sempre foi. Com Hot Rats, Zappa não só mostrou ao mundo as suas qualidades como guitarrista e compositor como ajudou a abrir caminho à improvisação no rock e ao chamado ‘rock progressivo’ que dominou os anos 70.

À semelhança de Sleep Dirt (ver post), esta versão de Hot Rats foi ripada do disco de vinil original e não do CD que Zappa lançou em 1987. Existem defensores da versão original e há quem prefira a versão remisturada do CD. Discussão aqui.
Os fãs de Zappa poderão ouvir uma versão diferente daquela que conhecem; os fãs do rock sinfónico ou progressivo que sempre rejeitaram Zappa e nada conhecem do seu trabalho instrumental terão a maior surpresa da sua vida quando ouvirem Hot Rats. Quanto aos que não gostam nem querem saber, paciência: enquanto o Bitaites for o Bitaites e o Marco for o Marco, a música do mestre será sempre aqui divulgada. Tomem

→ 30/07/2007 @15:03

Interno Feminino ou Morangos com Açúcar?

Lágrimas femininasUma vez que no Planet Geek temos um blogue feminino cujo principal objectivo é fazer-nos acreditar que as mulheres são todas uns anjinhos intelectuais e os homens uns diabinhos sem cérebro, vejo-me forçado a defender a honra do género com um post que ficará provavelmente sem resposta porque, acreditem, elas só têm pedalada para quem tem medo de as enfrentar.

Quando leio alguns posts do Interno Feminino aqui no Planet Geek, fico a pensar se não terei caído no meio de uma daquelas reuniões de divorciadas ressabiadas do filme Jerry Maguire.

A cabecinha explosiva do Interno Feminino – TNT – considera no seu último post que os homens, quando choram, só vertem lágrimas de crocodilo.

«E na minha opinião», conclui, «todos os crocodilos devem ser convertidos em sapatinhos e carteiras».

Justifica esta nova campanha contra os homens recordando uma «experiência» feita com um «rapazinho» que também sofria de desgostos de amor: para provar a sua tese, explica ela, desafiou-o para «um declarado embrulhanço. Passado menos de uma hora, já não havia desgosto para ninguém e, ao fim de uns dias, jurava-me amor eterno!»

Mas isto é tão… Sei lá, Morangos com Açúcar?

Na verdade – e levando a sério os disparates manipuladores desse post – só posso concluir que a autora deve ser realmente uma pessoa calorosa. Mais calorosa do que ela só mesmo um ferro de engomar. A TNT é uma verdadeira Dama de Espadas do jogo do amor. Portanto, machos, be afraid. Be very afraid, acautelem-se, porque naquele jogo ela procura fazer com que o trunfo seja sempre Espadas e não Copas.

Os posts do Interno Feminino acabam por dizer mais sobre as características de algum tipo de mulheres do que sobre as supostas fraquezas dos homens: mulheres maquiavélicas, frias, manipuladoras e calculistas, que negam ao homem o direito à espontaneidade, ao sofrimento, ao amor não correspondido, às lágrimas porque, partindo de uma experiência de laboratório com um rapazinho, «neles» é tudo fingido, efémero ou argumentativo.

É demasiada presunção, até mesmo para mulheres presunçosas.

Regresso então à pergunta que nenhuma delas tem coragem para responder: se a co-autora do Interno Feminino se considera – em inteligência e maturidade – um peixe graúdo, por que razão continua a pescar em lagos tão pequenos? Agora que provou neste post que os homens estúpidos são estúpidos e que os homens imaturos são imaturos, que tal dar o salto e provar que cresceu mais do que os putos com quem brinca aos papás e às mamãs?

→ 30/07/2007 @11:26

Bom dia!


Fotos: Virgiliu Narcis

→ 30/07/2007 @3:08

O Bitaites é um blogue Geek

Este post foi escrito há cinco meses quando, por sugestão do Marco Rodrigues, o Mário Gamito me convidou para o Planet Geek.
Fiquei indeciso entre aceitar ou não, dado que por essa altura o Bitaites se afastara da informática para reflectir melhor todos os gostos, interesses e pancadas do seu autor. Enviei então um email ao Gamito dizendo-lhe que, entre tantos blogues sobre informática, o meu era capaz de destoar por falar de assuntos fora da temática habitual do agregador e não ser suficientemente geek. ‘Não fala tanto de informática, mas é geek’ – foi a resposta do Gamito.
Esta resposta tirou-me as dúvidas e fez-me aceitar. Escrevi então este post, que recupero agora durante este período de férias em que me falta tempo para escrever, porque verifico que a evolução do Geek o está a conduzir para caminhos mais eclécticos, menos ‘nerd’ e, na concepção que o Gamito já tinha nessa altura, ‘mais geek’. A inclusão do Obvious – o meu blogue preferido desde sempre -, seria impensável num agregador de ‘nerds’, mas não num projecto ‘geek’. E vejam lá o que os visitantes do Planet Geek ficaram a ganhar com a entrada do Obvious!
Este texto poderá ser de interesse para todos os
bloggers que não falam especificamente de informática mas que se consideram merecedores de serem geeks neste planeta.

O Bitaites foi adicionado a um agregador de excelentes blogues de Tecnologia, Informática, Computadores, por aí fora, chamado Planet Geek. Isto significa que nos consideram geeks.
Esta merda deixa qualquer um à rasca sobretudo porque os três posts seguintes deste blogue nada têm a ver com assuntos que normalmente associamos aos geeks.
Se pensarmos bem, o que talvez tenha levado a malta do Planet Geek a convidar o Bitaites seja o facto de aqui se combater um preconceito generalizado: o de que um geek, por essência, é um gajo dos computadores e, como tal, tudo o que está à volta do monitor – ou seja, o mundo – não lhe interessa para nada.
Se existe uma diferença entre um geek e outro tipo qualquer é apenas na escolha do instrumento através do qual comunica com esse mundo.
Um guitarrista e compositor como o Frank Zappa (sim, ó geeks do planeta, convidaram-me, não foi, pois agora aguentem-se à bronca porque vão ouvir-me falar deste tipo muitas vezes), um génio como o Frank Zappa (aproveitei para rectificar) usará a guitarra como um instrumento para comunicar com o mundo. Ele passou a maior parte da vida enfiado numa cave transformada em estúdio de gravação, mas atingiu mais pessoas do que tipos mais sociáveis e sorridentes. Frank Zappa era, em suma, um geek. E mais vale um Zappa enfiado na cave do que 150 Steve Ballmers a dançar nas nuvens.
Quando alguma malta pensa nos maluquinhos dos computadores manifesta outro preconceito: os geeks não se interessam por mais nada a não ser por gajas e assuntos de informática. E gajas, note-se bem, só quando são fotografadas com t-shirts molhadas a dizer Linux Power ou Linux is Sexy ou qualquer slogan do género.
Naturalmente que este raciocínio é errado. A malta do Linux, por exemplo, gosta de gajas nem que elas vistam uma t-shirt com uma foto do Bill Gates. Agora ninguém os pode levar a mal se eles quiserem que a rapariga dispa a t-shirt o mais depressa possível. Não é uma questão sexual, mas filosófica.
Porque os geeks, meus caros amigos não-geeks, são tipos sérios. Interessam-se pelas coisas. Têm opiniões e sentimentos sobre os mesmos assuntos que os outros. Dizer que um geek não liga a mais nada só porque passa horas diante de um computador é tão absurdo como dizer que um tipo que se senta no sofá para ver a bola está na realidade interessado em observar o televisor a trabalhar.
Sem falsas modéstias, talvez seja aqui que entra o Bitaites: pequeno exemplo de como geeks podem fazer um blogue em que o mais importante não é tanto falar de computadores, mas do mundo que também os computadores nos permitem observar.
Adorava poder dizer-vos – e esta agora é só para geeks, ou seja, é para quase toda a gente que aqui vem – que o computador é uma nova janela para o mundo. Mas, salvo erro desde 1983, não posso. Porque Janela, em inglês, escreve-se Window.
Isto é realmente um problema, pois a Microsoft só precisaria de comprar a palavra Window e acrescentar-lhe um «s» de sua autoria para se anunciar como a suprema criadora de todos os planetas Geeks e arredores. E apesar do que possam ter ouvido por aí, é mais fácil apanhar um geek vestido de Pinguim do que com as calças na mão.

Dizer NÃO à taxa