Arquivos mensais: Outubro 2007

→ 31/10/2007 @5:34

Juras que não tens um parafuso a menos?

Adenda para os visitantes brasileiros: diz-se ‘o gajo tem um parafuso a menos’ quando se pretende afirmar que alguém não regula bem da cabeça. A expressão ‘não regula bem da cabeça’ significa que o gajo sobre cujos ombros a tal cabeça assenta deve ter vindo do Júlio de Matos. ‘Parece que veio do Júlio de Matos’ ou, na sua forma mais agressiva, ‘Vai mas é pró Júlio de Matos, pá’ significa mais ou menos o mesmo. O que é o Júlio de Matos, perguntam vocês? Um hospital psiquiátrico em Lisboa! Moral desta adenda: Portugal não é só Filipão, cara.

→ 30/10/2007 @23:14

Este post é só para ti, brella filha

Pois é, filhota

depois de ouvir várias vezes por dia a Rihanna a cantar aquela música na MTV ‘cause não-sei-quantas this is my umbrella, brella brella, he he he

estás a ver, a parte em que repete até à exaustão he he he, he he he, como se fosse música molha-tolos, he he he, ‘cause não-sei-quantas my umbrella, he he he, he he he, compreendes, dá-me cabo dos nervos, desculpa filhota, adoro-te incondicionalmente mas hoje

vou faltar à tua pré-adolescência, detestas que critique os teus ídolos, mas aquele he he he, he he he, não-sei-quantas do umbrella dela, que nem sei se abre ou se fecha, para mim está encravado e está encravado na mesma nota, he he he, he he he

é como acordar e tropeçar com o dedo grande do pé na ponta da cadeira, é fatella fatella fatella

nunca cheguei a perceber o que faz ella com o raio do umbrella de manhã à noite, sim, filhota, ela é muito brella eu sei, tens posters drella no quarto eu sei, uma brella mulher, tudo bem, dizes tu, shut up and drive pai pai pai

mas aquele brella brella ressoa-me na tola como martelinhos do São João do Porto em noites de enxaqueca, e ontem tive uma tão grande que fui à farmácia à cata de aspirinas e o raio do taxista cantava brella brella brella, pronto, desabafei, não vou dizer a ninguém que tu achas o Justin Timberlake um brello cantor.

Mas amo-te.

→ 30/10/2007 @19:52

Asus Xonar D2: Review

Foi já em Março deste ano, em Hannover, na famosa feira de informática Cebit, que a Asus fez a primeira demonstração pública das capacidades de uma nova placa – não se tratava de uma gráfica, como seria de esperar, mas de uma placa de som. A Asus abria as hostilidades com a Creative, senhora quase absoluta do mercado.
Na ocasião poucos dados foram divulgados sobre esta nova placa, excepto a designação – Xonar – e uma promessa, a de lançar um modelo com componentes de topo e uma excepcional qualidade de som.

Asus Fundada em 1989, a ASUSTeK rapidamente se tornou numa das mais importantes empresas do mercado, produzindo placas gráficas, monitores, PDAs e portáteis, entre outros. Foi com a comercialização de motherboards que a Asus se transformou num gigante: em 2004, o número de vendas deste tipo de equipamento foi superior ao valor combinado dos seus três mais próximos concorrentes.
Actualmente possui contratos para produção de componentes para diversos equipamentos, como as Playstation 2 e 3, Apple iPod e MacBook, Alienware, HP e Compaq.
Como é habitual em qualquer empresa destas dimensões, dar o passo para um novo mercado, o das placas de som, era apenas uma questão de tempo. As capacidades da empresa nesta área já tinham sido demonstradas com modelos externos lançados mais recentemente em algumas motherboards. Mas não será fácil para a Asus triunfar, pois a concorrência é muito forte.

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→ 30/10/2007 @16:29

Marte, marcianos e pânico na América

A 30 de Outubro de 1938, Orson Welles deixava a América em pânico por causa de uma emissão de rádio baseada num livro de HG Wells e onde se contava a invasão marciana do planeta Terra. Como hoje faz exactamente 69 anos que esse episódio ocorreu, decidi repescar este post. E podem fazer o download da histórica emissão, também.

A Guerra dos Mundos, escrito em 1898, é um clássico da literatura de ficção científica (FC). O seu autor – HG Wells – já tinha publicado romances notáveis dentro do género: A Máquina do Tempo (1895), A Ilha do Dr. Moreau (1895) e O Homem Invisível (1897), mas foi a história de uma invasão de Marcianos que fez dele um pioneiro da FC (Ficção Científica). A versão original do livro – em inglês – pode ser lida nesta página.
HG Wells não descobriu a pólvora ao imaginar um planeta Marte habitado. Nos finais do século XIX tinha-se como certo que vivia no planeta vermelho uma civilização muito mais antiga e avançada que a nossa, lutando pela sobrevivência face a um clima instável e hostil e à escassez de água.

O que um erro de tradução pode fazer. O mito dos canais marcianos teve origem numa má tradução do italiano para o inglês. Tudo começou nas observações do astrónomo italiano Giovanni Schiaparelli (1835-1910). Observando Marte ao telescópio, ele reparou numa série de linhas finas que uniam áreas escuras na superfície do planeta. Schiaparelli baptizou estas linhas de canali, no sentido de canais naturais como aqueles que unem regiões alagadas. Acontece que a expressão de Schiaparelli foi traduzida para canal que, ao contrário de channel, significa canal artificial. E a maior obra de engenharia da época era precisamente o Canal do Suez.

Não admira que cientistas de renome, como o americano Percival Lowell, se tenham deixado levar pela imaginação, entusiasmando-se com o trabalho dos engenheiros marcianos. Lowell ficou apanhado pelos canais de Marte e nunca abandonou esse fascínio até à sua morte, em 1916.
Construiu um observatório com o seu próprio dinheiro e, durante quinze anos, dedicou-se a observar os canais de Schiaparelli e imaginar obras de engenharia que serviam para trazer água dos pólos e irrigar as regiões equatoriais.

Os canais de uma civilização marciana lutando pela sobrevivência foram uma realidade durante anos. Imagine-se, então, o impacto de uma novela em que se conta a invasão da Terra por parte de alienígenas de Marte agressivos e mais avançados que nós. O mais fascinante (pelo menos para mim) na novela de Wells é a forma como acaba. Tomou-me completamente de surpresa, pois nunca me passou pela cabeça que um escritor de FC, em 1898, imaginasse que os marcianos seriam vencidos por contaminação bacteriológica e não por uma qualquer acção militar heróica.

Em 1938, com melhores meios de observação, já se suspeitava ser improvável existir vida em Marte, quanto mais inteligente.
Mas tais avanços no conhecimento não impediram que um então desconhecido Orson Welles, de 23 anos, juntasse a trupe do Mercury Theatre para uma emissão radiofónica baseada no livro de HG Wells e colocasse a América em pânico.
Eram tempos difíceis. O fracasso diplomático da Inglaterra e da França tivera como consequência a entrega da Checoslováquia a Hitler. Nas vésperas da II Grande Guerra Mundial, o temor do expansionismo nazi era tão real para os americanos como os canais marcianos para Lowell. Notícias sobre a situação na Europa interrompiam constantemente a programação da rádio.
A 30 de Outubro, Welles faz a célebre dramatização radiofónica de A Guerra dos Mundos. As consequências dessa emissão criaram episódios de pânico colectivo tão clássicos como o livro em que se baseou: mais de um milhão de pessoas nos EUA foram afectadas. Muitos fugiram de casa, outros suicidaram-se, acreditando que o seu país estava a ser invadido por marcianos.
Embora não estivesse à espera que um milhão de pessoas entrasse em pânico por causa dos seus marcianos, o pequeno génio de Citizen Kane assumiria, logo em 1955, num especial da BBC que lhe foi dedicado – Orson Welles Sketchbook -, o carácter pouco inocente da dramatização. O mundo parecia ser alimentado por tudo o que saía daquela máquina, afirmou então Welles. Nesse sentido, a transmissão fora um assalto à credibilidade daquela máquina e um alerta para que as pessoas não se deixassem orientar por opiniões pré-formatadas, viessem elas ou não da rádio. [Download: a histórica emissão radiofónica de Orson Welles]

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→ 29/10/2007 @17:41

Um televisor de 4000 euros

Preparem o dinheiro. Ou não! 4000 euros é quanto vai custar este belo brinquedo da Philips. Chama-se Aurea e é o modelo de televisor com o qual a empresa espera «revolucionar» o mercado. Aurea é um LCD de 42 polegadas que apresenta, como principal característica, a capacidade de emitir em redor do ecrã a luz ambiente da cena que está a mostrar.
Uma aposta tão grande no design diz-nos que os nossos preciosos 4000 euros compram não apenas um electrodoméstico, mas um televisor que procura ter a dignidade de um móvel.
Este modelo projecta em seu redor (na sala, no quarto, seja qual for a divisão em que for montado) a luz ambiente de um filme – espécie de sistema ‘surround’ mas aplicado à luz. A Philips encomendou ao realizador Wong Kar Wai uma curta-metragem para demonstrar as maravilhas do Aurea – o filme pode ser visto no site oficial.

→ 29/10/2007 @3:36

Cenas da bike

De bike até Cascais, ciclovia do Guincho, regresso. Costuma ser um passeio giro para se fazer, e faço-o sempre que posso, mas no dia em que tirei esta foto não parei no final da ciclovia, segui pela estrada que sobe em direcção à Malveira da Serra. Mais ou menos a meio caminho, fui obrigado a parar a bicicleta porque tinha deixado cair os pulmões. Encontrei-os ali perto, na berma da estrada.

Aproveitei então para tirar a inevitável fotografia ranhosa e observar a linda paisagem diante de mim. Para dizer a verdade, estava tão cansado que nem conseguia ver mais nada a não ser a porra das árvores e dos montes e, entre cada porra de árvore e cada porra de monte, maravilhosos sofás – muitos e muitos maravilhosos sofás. As energias que me restavam gastei-as a segurar no telemóvel: portanto este sou eu a fingir que estou na maior só para não passar por ciclista asfixiado. E viva a fotografia por telemóvel e em contraluz, que tudo mostra e nada revela.

Para que serve o raio do post? Bem, para dizer duas coisas: primeiro, pensar em fumar outra vez é como perder a minha identidade – não vejo maneira de isso acontecer. Segundo, a bela bike é o maior símbolo do que para mim é boa vida: independente, estimulante, ecológica, saudável e com uma bela esplanada no final da tarde.

→ 29/10/2007 @0:55

Deixa lá, Cruz, ainda fazes parte deste…

… Embora na maior parte das vezes não pareças.
Bem, deixo aqui a minha teoria: Rui Cruz não é um blogger, é um asteróide à deriva. Ao longo da história, todos os dinossauros foram forçados a lidar com os seus próprios asteróides: os da Terra tiveram o Baptistina; os do PrintScreen tiveram o Rui Cruz. Na Terra provocou um Inverno Nuclear sem radioactividade; no PrintScreen a temperatura não desceu tanto, mas ainda provocou uma série de pequenos calafrios. Acontece que o Cruz é um calhau persistente: não há Sol que o derreta. Vergonha que o cale. Gozo que o desmotive.

Eu gosto do Rui Cruz. Acho que o rapaz só precisa de um empurrãozinho – e não escrevo isto por imaginar que estou com ele à beira de um abismo com cinquenta metros de altura. Digo-o porque é verdade. Ele tem vontade. Ele tem querer. Ele tem perseverança. Tem todas as qualidades que um homem deve ter quando se senta numa sanita. Por isso lhe quero dedicar uma canção de Roger Waters – padrasto de uns Pink Floyd orfãos de Syd Barrett – que um dia concebeu com Ron Guessin um disco chamado Music From the Body e cujo primeiro tema, Our Song, demonstra como até um peido pode ser parte de uma obra de arte. Tudo depende de quem o dá. Rui, agora saca, senta-te e pratica…

Dizer NÃO à taxa