Arquivos mensais: Maio 2008

→ 31/05/2008 @3:57

Podes ficar deitadinha, Scarlett, mas não cantes

Scarlett Johansson

A Scarlett Johansson é uma presença recorrente em muitos blogues de gajos. Tal como fazemos com acontecimentos importantes da nossa vida, também é vulgar perguntarmos Então, pá, e tu onde estavas quando viste a Scarlett pela primeira vez?

Eu cá lembro-me bem: estava sentado e muito sossegadinho à espera de ver o belíssimo Lost in Translation, de Sofia Copolla, quando logo na abertura do filme me foi mostrado um grande plano de um rabo enfiado numas púdicas e antiquadas cuecas de gola alta. Não era apenas um belo rabo, era um rabo preguiçoso, indulgente, sonhador, um rabo, digamos, expressivo.

Se ela virou símbolo sexual a culpa foi portanto da Sofia, da genial Sofia, que deu ao rabo da Scarlett personalidade ainda antes de lhe dar um rosto.

E assim ficámos tão impressionados com as qualidades dramáticas daquele rabo que, ao longo do filme, de todos os filmes que se seguiram, procurámos o cu da Scarlett como se fosse um monólogo do Al Pacino. Da nossa menina nunca esperamos menos do que uma representação digna de um Óscar. E mesmo que um cantinho muito escondido do nosso cérebro nos diga que de vez em quando abusa das boquinhas de broche ou dos sorrisos à Mata Hari labrega, estamos sempre dispostos a perdoar-lhe tudo.

Tudo – excepto gravar um álbum com dez canções de Tom Waits e perturbar o catálogo do mestre da rouquidão poética e da copofonia filosófica com a voz mais vulgar e sonolenta de que tenho memória de ouvir, sobretudo se pensar que aquela voz que me aborrece até à exaustão é soprada pela mesma boquinha que tanto me quer espevitar até à exaustão.

Disse ela aos jornalistas que o seu «maior medo» era Tom Waits detestar o disco. «Mas amigos que o conhecem fizeram-me saber que ficou muito satisfeito».

Eu percebo bem a resposta do Tom. Ficou satisfeito, mas não disse com o quê. Se a Scarlett estivesse deitada a meu lado na caminha cantando-me uma canção do Tom Waits ao ouvido, eu ficava muito, muito satisfeito – e também não seria necessário dizer com o quê.

Pronto, oiçam vocês uma das cançõezinhas de Anywhere I Lay My Head.

→ 30/05/2008 @19:40

Singela homenagem à lingerie feminina (*)


(*) Desde ontem que o Bitaites está com um bug no sistema. As minhas desculpas.

→ 30/05/2008 @19:11

Magnificência 3D

Eis um site maravilhoso para quem gosta de arte 3D. Não o digo apenas pela bela colecção de trabalhos de Radolav Zilinsky, mas também pela forma como este talentoso ilustrador disponibiliza as suas criações em imagens de grande formato. Basta carregar no ícone de zoom junto à imagem para ter acesso ao seu tamanho gigante. Quem procura imagens para as transformar em wallpapers, é visita obrigatória. Além disto, o site de Zilinsky inclui trabalhos de animação e tutoriais onde se ensinam excelentes truques aos interessados em 3D. Muito bom.

Arte 3D

→ 30/05/2008 @16:22

Designações esféricas

Depois do debate de ontem na SIC, chegou o momento de separar as águas na blogosfera. Fiquem pois desde já a saber que existem vários tipos de blogosfera:

temos, em primeiro lugar, a pachecosfera (‘A blogosfera sou eu’),

depois a pachachosfera (gajas nuas),

a geekosfera I (sem o Paulo Querido), a geekosfera II (com o Paulo Querido), a geekosfera III (a minha, ou seja, ‘Quero lá saber das guerrinhas de merda no egoGildot’),

a iPhonosfera, a fotosfera, a guitoesfera (‘Como ganhar dinheiro com o seu blogue’), a pitosfera e a moitosfera (obrigado, Rui), a masturbosfera e a coçosfera (amplamente disseminadas nas várias… enfim, geometrias políticas), a dos cromos da bolosfera (obrigado, Bruno) e outras designações esféricas e esotéricas que me forem sendo sugeridas aqui ou, então, via (obrigado, Rui) twittosfera.

Se pensam que o assunto só interessa a bloggers, considerem este episódio.

→ 30/05/2008 @4:10

É verdade, esqueci-me da borboletosfera

Estella Warren

→ 30/05/2008 @1:11

O debate na SIC sobre a Internet e os blogues

A escolha editorial do programa de debates da SIC «Aqui e Agora» sobre Fraudes na Internet, foi previsível.

Ao apresentar a Web como um «mundo novo», quando os males ou os bens que a Rede contém são reflexo de um mundo velho e sobejamente conhecido, ou seja, reflexo das nossas escolhas, inquinou o sentido do debate e transformou uma maravilhosa ferramenta de trabalho, partilha, cultura, comunicação e informação em algo de ameaçador.

Tendo em conta que muitos dos telespectadores do programa ainda não tiveram um contacto mais profundo e conhecedor com a Web, imagine-se os estragos que um ângulo de abordagem destes provoca na percepção das pessoas do que é «este mundo das internetes».

O que ainda não consigo perceber é se a perspectiva deste debate se deve à ignorância, ao sensacionalismo ou ao medo de perder a hegemonia da comunicação, ou seja, dito de uma forma que todos possam compreender: medo de ficar sem o guito.

À medida que as pessoas vão descobrindo a Internet, vão passando menos horas diante do televisor – se é esse o caso, medo do Bicho Papão e de perder o guito, então este debate esteve ao nível das tácticas FUD (Fear, uncertainty and doubt, Medo, incerteza e dúvida) usadas em primeiro lugar pela IBM para abater a competição da recém-criada Amdahl Corp e, mais tarde, copiadas com sucesso pela Microsoft.

Nada disto é novo, claro.

No livro por duas vezes já citado no Bitaites – Geração Blogue, de Giuseppe Granieri – recordam-se no primeiro capítulo os tempos em que os media tradicionais falhavam de forma catastrófica no seu papel de «únicos mediadores na dificílima tarefa de divulgar a Rede e de a abrir a um público mais vasto. Diferentes da escola e da Universidade, os media têm um tempo de acção mais adequado para relatar à velocidade das novas tecnologias, mas frequentemente não têm (ou não se permitem) o tempo, mais lento, necessário para entender fenómenos complexos.»

Granieri recorda algumas gaffes, como o caso – relatado pelo Messaggero em Janeiro de 2003 – da webcam que espiava um locutor de rádio com o computador desligado, desafiando assim as próprias leis da Física. Investigações posteriores acabariam por revelar que o presumível hacker obtivera as informações ao ouvir casualmente uma conversa do locutor de rádio que não tinha desligado bem o telefone.

«No entanto» – prossegue o especialista italiano – «mesmo sem mal-entendidos, prevaleceu a tendência jornalística para dar relevo àquilo que faz notícia: a prisão de alguns pedófilos ou as fraudes com cartões de crédito constituem decerto mais notícia do que milhões de pessoas que, silenciosamente, trocam entre si conhecimentos e modos de ver o mundo.»

Ao invocar as palavras de quem de facto entende o que se está a falar, chego à conclusão que qualquer irritação é inútil, uma perda de tempo – excepto no caso de Moita Flores.

Moita FloresMoita Flores
Duas mensagens em rodapé, mas nenhuma faz sentido (Imagem original: Ecos Imprevistos)

O homem tem o notável talento de dizer lugares-comuns com a mais absoluta das convicções. E esta é uma qualidade óptima para quem quer aparecer em televisão, como qualquer político sabe. E ele também é político. Ele é tudo e mais alguma coisa. Ser ou não ser, para Moita Flores, não é questão que se coloque. Um especialista em banalidades tem convicções sobre o caso Maddie, a polícia, os ladrões, o mar e o campo, o céu e a terra, os santos e os terroristas, as mensagens instantâneas e as comunicações encriptadas, os blogues, a Internet, o que se quiser. Acho que seria até capaz de dissertar sobre a psicologia da torneira da minha casa de banho, se isso implicasse um debate público. Obviamente, não precisava sequer de a usar. Quem viu uma torneira, viu todas.

Dizer que «a exposição pública da vida privada na Internet» (referindo-se às pitas do Hi5, as menores e as que já têm idade para ter juízo) «é uma enorme demonstração de solidão» e «quanto maior a exposição, maior a solidão» é uma frase sonante. Fica no ouvido como um refrão dos Tokio Hotel ou do Vítor Espadinha. Se Moita Flores não fosse Moita Flores, o que mesmo para ele é difícil, teria imediatamente entendido que na grande maioria dos casos não se trata de uma questão de solidão, mas sobretudo de exibicionismo.

A Internet, tal como de resto a televisão, potencia o exibicionismo. A diferença neste caso é que a Internet potencia o exibicionismo de todos, enquanto a televisão potencia o exibicionismo de Moita Flores.

→ 29/05/2008 @19:46

Adocu, o Twitter em versão claustrofóbica

Com a base de dados do Twitter a dar o berro dia sim dia sim, alternativas ao micro-blogging estão a surgir. Uma das que tomei conhecimento é um serviço chamado Adocu.
O princípio de funcionamento do Adocu é semelhante ao do Twitter, excepto no número de palavras que se podem escrever. Enquanto no Twitter esse número está limitado ao número de caracteres permitidos por mensagem (140), no Adocu só podemos escrever uma palavra. Mas não se preocupem: podemos escrever várias palavras desde que o Adocu a reconheça como uma única palavra. E como se consegue esse feito? Proibindo os utilizadores de dar espaços. Por exemplo, se no Adocu escrevermos

estamerdaestáaficarumbocadoridícula

teremos conseguido condensar meia-dúzia de palavras numa só porque, para o Adocu, uma palavra define-se por não ter espaços. Quem gosta de um bocadinho de espaço entre as palavras (uma preferência excêntrica nos dias que correm, eu sei) mais vale ficar-se mesmo pelos louváveis 140 caracteres do Twitter.
Os criadores do Adocu chamam-lhe nano-blogging – uma forma de se distanciarem do micro. Porque o micro é pequeno mas não é suficientemente pequeno. Se queremos comunicar com os outros devemos usar ainda menos palavras. Esperem! Tive uma visão. Eu vejo o futuro – está cheio de Homens Invisíveis que comunicam com zeros e uns. Lindo!
Bem, esqueçam. Isto sou eu a delirar. Uma ferramenta não anula a outra e é claro que cada vez haverá mais gente a desfrutar do prazer de comunicar com os outros através de uma escrita sem restrições. Não concorda, Professor Karamba?

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