Arquivos mensais: Agosto 2008

→ 29/08/2008 @20:03

Este post é uma caralh*da

Há anos que acompanho o seu blogue e embora tenha notado amadurecimento e maior controlo dos impulsos primitivos (aka palavrões) continua fiel à sua pessoa (…) Mário Andrade, numa simpática referência ao meu desmesurado ego blogger

Não sei o que tem esta malta contra os palavrões. Há situações da nossa vida em que o uso de um palavrão é a única forma de manter a sanidade mental e proporcionar uma correcta descrição dos acontecimentos. Se o caso é mesmo grave – entalar um dedo na porta, ler comentários nos jornais online ou ouvir dirigentes de futebol – temos ainda à disposição um ponto de exclamação destinado a enfatizar o nosso estado de espírito.

Mas é preciso cuidado com a forma como usamos os pontos de exclamação – esta questão é mais importante para mim do que evitar escrever palavrões nos blogues. Um ponto de exclamação é suficiente para criar ênfase; três ou quatro a seguir à mesma palavra já equivale a mandar perdigotos para o ar enquanto se conversa. Não sei qual é o vosso grau de tolerância em relação aos perdigotos alheios, mas numa discussão sobre futebol é uma nojice do caralho.

Aliás, não deixa de ser engraçado pensar no que poderia acontecer se uma discussão mais acalorada entre um sportinguista, um benfiquista e um portista fosse travada durante o almoço e, por coincidência (estou certo disso), todos eles fossem fanáticos e tivessem o péssimo hábito de falar com a boca cheia. «Passa-me aí o toucinho», poderia dizer o benfiquista ao portista no intervalo da discussão. «Mais ainda? Mas o gajo já te passou o toucinho todo enquanto falava da final da Supertaça que perdeu», poderia comentar o sportinguista.

Não sei se estão a ver. O nosso futebol é um cozido à portuguesa. Dúzias e dúzias de pedacinhos de couve, presunto, chouriço, cenoura, batata, toucinho, bacon, entrecosto, chispe e nabo a voar de um lado para o outro da mesa à medida que todos gritam e limpam os beiços a guardanapos do jornal A Bola: o quadro perfeito da qualidade do futebol português e da argumentação dos seus adeptos.

Por outro lado, há situações em que é humanamente impossível escapar ao palavrão. Os que já esmagaram uma pobre unha do pé contra a perna da mesa sabem muito bem do que estou a falar. Aposto que nesse momento crítico da vossa existência não berraram «Ai, matéria fecal!». Os que vivem sob a influência da força gravitacional do Planeta Terra preferem narrar tais acontecimentos com palavras mais apropriadas – por isso é que se chamam palavrões. Os palavrões são as palavras mais caras que conheço: dizem-se em voz alta, sem rodeios, geralmente são sinceras, têm significado e até podem surgir no momento certo – nem um segundo a mais ou a menos. Ninguém grita: «Pá, vai mas é para o órgão da copulação masculina que te penetre!»

Também é possível dizer asneiras sem fazer uso de um único palavrão, claro. Os exemplos são demasiados e muito fáceis de encontrar, basta ligar a televisão à hora dos telejornais. Aliás, o dilema da caralhada é também um factor que separa um opinion maker como o Moita Flores de um blogger. O Moita Flores pode dizer as caralhadas que quiser – desde que não use a palavra propriamente dita.

→ 28/08/2008 @17:34

Espreguicei-me a 1 de Agosto e ainda não acabei

Agosto é o mês em que quase abandono o blogue, os computadores e a Internet. Tem sido sempre assim: por mais que prometa manter um ritmo decente de actualizações, acabo por negligenciar as minhas «obrigações» e passar o tempo a fazer outras coisas.
Ah, mas estes dias de ronha blogosférica estão quase a acabar! A partir de Setembro, o blogue regressa ao ritmo habitual. Abraços e beijinhos.

→ 26/08/2008 @18:52

Windows na sua melhor versão de sempre

Windows para bimbos

→ 26/08/2008 @3:36

Assédio sexual? Não, proliferação da pior espécie.

Uma publicitária russa que processou o patrão por assédio sexual perdeu o caso em tribunal depois de o juiz ter determinado que os patrões têm a obrigação de cortejar o «staff» feminino para garantir a sobrevivência da raça humana.

A queixosa – não identificada na notícia – é uma mulher de 22 anos de São Petersburgo. Perante o juiz, alegou ter sido afastada do emprego por se recusar a ter «relações íntimas» com o seu patrão, um homem de 47 anos. Se tivesse ganho, teria sido a terceira mulher na história da Rússia a ganhar um processo por assédio sexual.

O patrão «sempre exigiu que as empregadas lhe piscassem o olho como se estivessem desesperadas em deitar-se com ele na mesa de reuniões, bastar-lhe-ia dizer uma palavra», acusou a mulher. «Falhei em não perceber que ele não estava a falar metaforicamente».

O juiz afirmou ter decidido contra a mulher «não por falta de provas», mas por considerar que o homem actuou de forma «galante, não criminal. Se não tivéssemos assédio sexual, não teríamos crianças», determinou o magistrado. Este caso ocorreu a 8 de Agosto deste ano. Notícia original

→ 25/08/2008 @23:59

Em directo do Clube de Combate

A primeira regra do Clube de Combate é: não falas sobre o Clube de Combate. A segunda regra do Clube de Combate é: não falas sobre o Clube de Combate. A terceira regra do Clube de Combate é: não falas sobre o Clube de Combate. A quarta regra do Clube de Combate é: não confundas Clube de Combate com Salteadores da Arca Perdida.

→ 25/08/2008 @19:48

A força artística da Gravidade

Li Wei

Pendurar-se num arranha-céus em nome da sua Arte? Claro que sim. Seria possível ao chinês Li Wei, 38 anos, usar o Photoshop para criar efeitos semelhantes, mas a força da gravidade é um dos principais elementos artísticos que incorpora nas suas «performances» e essa força não pode ser sentida confortavelmente sentado diante do computador.

Li Wei prefere assim experimentar as bizarras proezas que imagina. Usa cabos para se segurar e espelhos para aumentar a sensação de vertigem, mas «às vezes estou mesmo em perigo», explica. «Tenho de estar pendurado com fios de aço a grandes alturas e as pessoas ficam um bocadinho preocupadas comigo – mas eu estou bem». Basta ver algumas das fotos da sua série «Li Wei Falls To…» para ficarmos a perceber muito bem quais os perigos a que se refere.

Li Wei

Usar Photoshop implicaria também retirar a maior parte do gozo. A «performance» e a fotografia são dois processos indissociáveis na sua mente, pelo que uma não existiria sem a outra. «O processo através do qual posso expressar-me é o mais importante do que chegar à conclusão de que faço fotografia ou performance», afirma. «Eu vejo a minha arte como uma forma de criar um cenário para a fotografia e a performance perfeitas.» Wei usa símbolos perceptíveis por toda a gente para transmitir «a independência dos valores espirituais dos artistas chineses.»

Li WeiLi Wei

Já tinha dado nas vistas com a série anterior «Mirroring»: usou um espelho de quase um metro quadrado com um buraco no centro suficientemente grande para acomodar-lhe a cabeça e o pescoço, permitindo-lhe «projectar» a sua imagem nos mais variados ambientes. Os resultados destes truques com o espelho são intrigantes, bizarros, humorísticos.

Li Wei

O trabalho do homem é verdadeiramente notável – e tem tanto de acrobático como de corajoso. Diz o próprio Wei que «a primeira reacção das pessoas costuma ser de espanto. Depois riem-se. Depois sentem curiosidade: querem saber como faço eu estas coisas.» Fonte

→ 23/08/2008 @3:33

Foi outro fraco que não aguentou a pressão

Não sei como é que os campeões de sofá ainda não repararam, mas o turismo olímpico não começou em Pequim. Há quatro anos, em Atenas, um desses atletas sem «brio», «honra» e «ética» fez o quarto pior resultado na sua modalidade.  Mais um fraco «que não aguentou a pressão» e que se divertiu à custa dos nossos impostos, tendo mesmo conseguido a proeza de terminar a sua participação com um resultado inferior ao que fazia quando ainda era júnior. O seu nome? Nélson Évora.

- Pedro Sales, Zero de Conduta, Ainda a tanga do desporto olímpico

A ler este e todos os posts de Pedro Sales sobre o assunto. É sempre difícil descobrir uma voz sensata entre a turba de justiceiros da Internet, daí o link e o suspiro de alívio.

Quem produz opiniões dissonantes do coro de padeiras histéricas que habita as caixas de comentários dos jornais online arrisca-se também a «ser do contra porque sim», como de resto já li aqui a propósito do post sobre Marco Fortes. Esta é uma acusação destinada a menosprezar intelectualmente quem não alinha em linchamentos públicos. E o pior é que estas opiniões produzem de facto efeitos perversos, como o demonstram as lágrimas do velejador Gustavo Lima e a sua anunciada desistência: o homem andou a ler os comentários na Net e não está para ser chamado de «chulo». Compreensível.

Só é pena que Gustavo Lima confunda os portugueses com o pelotão de peidas indolentes que cagam gordas sentenças sobre tudo e mais alguma coisa. Portugal não é só esta gente, Gustavo; Portugal também és tu e quem te compreende.

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