Arquivos mensais: Agosto 2009

→ 23/08/2009 @17:56

Alberto João Jardim, o patusco

José Sócrates chegou hoje à Madeira – a primeira visita do primeiro-ministro à Festa da Liberdade do PS local – e Alberto João Jardim tratou imediatamente de lhe montar uma comissão de boas-vindas.

O querido líder da Madeira montou o estaminé político na praça das Palmeiras, no centro da cidade Vila Baleira, no Porto Santo, adornou o ambiente bota-abaixo do comício com muitos e entusiásticos apoiantes, despejou-lhes mais umas valentes quantidades de música pimba e, por fim, soltou a língua com o sentido de Estado que lhe é peculiar.

Jardim lembrou «as desgraças» do governo de Sócrates («maltratou professores, juízes, militares, forças de segurança e jornalistas»), perguntou à plateia se queria votar no político que «vos mentiu e enganou» , pois «disse que não ia aumentar impostos e aumentou, destruiu as pequenas e médias empresas, e aumentou o desemprego e os pobres» e, por fim, acusou o primeiro-ministro de já nem sequer respeitar a ideologia do seu partido: «A única coisa programática que apresentou até agora foi o casamento homossexual».
«Não tenho nada contra as opções sexuais de cada um» – avisou Jardim, num momento raro de sobriedade democrática – «mas tenho respeito pelos valores da Pátria portuguesa e isto» (o casamento homossexual) «não é o meu Portugal!» E recebeu a ovação da tarde.

Conclui-se do raciocínio de Jardim que os homossexuais portugueses, além de paneleiros, são também anti-patriotas, pois o Portugal de Jardim é constituído exclusivamente por garanhões heterossexuais com pelo nas ventas e panças.

O que ainda surpreende no patusco Jardim é a enorme capacidade em mostrar algumas das mais degradantes características do ser humano – e sentir orgulho em fazê-lo. Não foi este Jardim que em Julho achou que o Comunismo (outra forma de paneleiragem) devia ser proibido?

→ 23/08/2009 @16:04

Grécia: a calamidade

Fogos em Atenas

Fogos em Atenas

Fogos em Atenas

O fogo está a 15 quilómetros de Atenas e continua incontrolável. A frente do incêndio tem um perímetro de 80 quilómetros e avançou durante esta noite calcinando zonas arborizadas e habitações, obrigando à evacuação de hospitais e acampamentos de crianças em vários locais. Algumas pessoas afirmaram aos jornalistas que, em algumas zonas dos subúrbios da capital, as chamas estão a apenas 200 metros de distância. [Fotos: Louisa Gouliamaki]


Fogos em Atenas

Voluntários combatendo as chamas em Marathon, 10 quilómetros a norte de Atenas. O incêndio nas florestas a norte da capital está a ter dimensões muito preocupantes. A Grécia já pediu ajuda à França e Itália, e hoje chegam ao país dois canadaires italianos e um francês.

Os incêndios de Verão são uma calamidade na Grécia: em Agosto de 2007, provocaram 77 mortos e destruíram mais de 250 000 hectares na zona do Peloponeso e na ilha de Eubée. [Foto: Orestis Panagiotou]


Fogos em Atenas

Os 10.000 residentes de Agios Stefanos, 23 quilómetros a norte de Atenas, receberam ordem para deixar as suas casas depois das chamas terem chegado de manhã a zonas residenciais.

Doze aviões e nove helicópteros estão a apoiar os 400 bombeiros envolvidos no combate às chamas, que já consumiram cerca de 12.000 hectares e levaram as autoridades a declarar o estado de emergência na grande Atenas. [Foto: Nikolas Giakoumidis]

→ 22/08/2009 @12:57

Segregações

Mulheres em Israel refrescam-se

Mulheres ultra-ortodoxas judias e respectivos filhos aproveitam o bom tempo para se refrescar junto ao mar que banha a praia de Herzlya, a norte de Telavive. A praia está reservada apenas às mulheres, pois durante os meses de Verão, por razões religiosas, os homens são separados das mulheres e partilham a praia alternadamente: num dia vão eles, no outro vão elas. Nunca se refrescam e divertem ao mesmo tempo. [Foto: Tara Todras]

→ 21/08/2009 @18:56

Obesidade americana

Obesidade americana

Obesidade não é formosura. Uma mulher com excesso de peso visita a Feira Agrícola de Montgomery, em Maryland (EUA). O sistema médico americano gasta cerca de 150 mil milhões de dólares (104, 6 mil milhões de euros) no tratamento de problemas de saúde causados pela obesidade – o dobro do que gasta com o cancro, segundo números revelados pela secretária de Saúde Kathleen Sebelius. Dois terços dos adultos (e uma em cada cinco crianças) são obesos e potenciais candidatos a ter problemas de coração, cancro e diabetes.

→ 21/08/2009 @18:00

Uma questão séria sobre as caixas do Multibanco

Pelo menos uma vez na vida já nos aconteceu. Dirigimo-nos a uma caixa do Multibanco, carregamos no botão para levantar dinheiro e deparamo-nos com a mensagem Montante ultrapassa valor autorizado.

É uma boa mensagem. Eu gosto quando o sistema bancário revela preocupação e sensibilidade perante a situação dos clientes. Podia facilmente ter feito aparecer uma mensagem do género Lamentamos mas você é um teso e dar uns risinhos de escárnio enquanto cuspia o nosso cartão.

Em vez disto, o sistema qualifica o nosso escasso ordenado como montante e o dinheiro que não temos como uma operação não autorizada. Sempre pensei que este tratamento só estaria reservado a tipos como o Belmiro de Azevedo. É bom sentir que somos todos iguais aos olhos do banco.

Mas o sistema bancário não se limita a ter em conta a nossa sensibilidade, preocupa-se realmente connosco. Ao transmitir a temível mensagem, mostra também um bonequinho em forma de monitor erguendo um dos bracinhos, em sinal de aviso. Quem te avisa amigo é, certo? E depois até faz um ar desconsolado, uma espécie de sorriso invertido que em banda desenhada significa que está prestes a chorar.

É realmente de chegar às lágrimas. Os bancos preocupam-se tanto com o nosso bem-estar que colocam o bonequinho a solidarizar-se connosco. Se não fossem as cores esverdeadas dominantes no ecrã, tomá-lo-ia por comunista. Espero que um dia a tecnologia evolua de tal forma que o multibanco seja capaz de nos dar um abraço quando não tivermos dinheiro. Talvez seja este o profundo desígnio da tecnologia: criar formas cada vez mais sofisticadas de nos dizer que estamos fodidos.

Com a crise económica e a taxa de desemprego galopante, são cada vez mais as pessoas que passam pela agradável experiência de serem consoladas pelo bonequinho do multibanco. É um fenómeno de massas, por assim dizer.

É bom sentirmo-nos compreendidos e amados, mas tenho uma crítica a fazer. As caixas de multibanco poderiam ser mais acolhedoras se tivessem em conta a nossa religiosidade. Deviam ser construídas como uma cabina privada, semelhante a um confessionário, um lugar calmo onde pudéssemos sentar-nos e enumerar os nossos pecados a partir dos extractos bancários. O bonequinho do multibanco nem precisaria de nos mandar rezar o Pai nosso que estais no céu, mas talvez nos pudesse aconselhar sobre financiamentos alternativos, taxas, consolidações ou empresas de crédito fácil. É tudo uma questão de fé.

A situação actual é que francamente não pode ser. Sempre que vejo fotos de judeus ultra-ortodoxos a dar cabeçadas no Muro das Lamentações, fico a pensar se um dia não faremos o mesmo à frente das caixas do Multibanco. Por isso, senhores políticos, temos a obrigação moral de dar às pessoas as melhores condições quando se sentem verdadeiramente desgraçadas. Eu quero um multibanco que me abrace. Eu quero um multibanco que me compreenda. Eu quero um multibanco que me abençoe, já!

→ 21/08/2009 @15:38

Esquizofrenia galopante em Portugal

Equipas de socorro na praia Maria Luísa

Uma derrocada de terras hoje de manhã na Praia Maria Luísa, em Albufeira, matou uma pessoa e deixou outras duas feridas, uma das quais com gravidade. Enquanto no local as equipas de socorro prosseguem as buscas à procura de vítimas (teme-se que existam quatro pessoas soterradas), os doutos visitantes do Público, saídos directamente do filme Voando Sobre Um Ninho de Cucos, vão comentando a notícia. Na próxima página.

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→ 21/08/2009 @13:22

Teatro de operações

Ensaios de elementos do Exército de Libertação do Povo

Ensaios de elementos do Exército de Libertação do Povo

Militares do Exército de Libertação do Povo numa tarefa que poucas vezes associamos à vida militar: estão a ensaiar para uma peça de teatro intitulada “The Road of Revival” e sobre a qual ainda pouco se sabe excepto ser parte do programa de comemorações do 60.º aniversário da fundação da República Popular da China. As fotos foram lançadas pela Associated Press, sem assinatura.

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