Arquivos mensais: Setembro 2009

→ 30/09/2009 @0:36

A comunicação ao país de Cavaco Silva

R.P. McMurphy explica aos companheiros o discurso de Cavaco Silva

McMurphy tentando explicar à enfermeira Ratched o discurso de Cavaco Silva


Viram a aguardada comunicação ao país do Presidente da República? Eu vi. Também dá para ler, embora não tenha o mesmo efeito dramático. Por exemplo, quando a meio da mensagem Cavaco Silva fez uma pausa para beber água, veio-me imediatamente à cabeça uma cena do filme “Voando sobre um ninho de cucos”, lembram-se, quando todos se perfilam diante da enfermeira Ratched para recolher, em copinhos de plástico, a ração diária de medicamentos?

Imaginei Cavaco nessa fila ao lado do Jack Nicholson. O Jack comemora vitórias que não vê, Cavaco denuncia escutas que não ouve; o Jack é um líder que toda a gente toma por doido; Cavaco é um doido que toda a gente toma por líder. O cavaquismo parece ter chegado à sua fase napoleónica e eu começo a ficar seriamente preocupado.

→ 29/09/2009 @17:39

A princesa Leia, trinta anos depois

Carrie Fisher

Os fãs da coboiada espacial A Guerra das Estrelas sabem muito bem quem é a actriz Carrie Fisher. Muitos suspiraram perante a visão da sua bela princesa Leia em biquíni no pequeno harém daquele monstro-buda chamado Jabba The Hutt. Trinta e tal anos depois, nesta foto, esse símbolo sexual dos nerds está mais parecido com a ex-deputada Odete Santos do que com a princesinha que embeveceu o coração do mercenário Han Solo.

Que a nossa camarada Odete seria capaz de meter o Jabba, o Darth Vader e o Imperador nos eixos só com a força das suas convicções, não tenho a mínima dúvida. Ainda assim, espero que os fãs de A Guerra das Estrelas consigam recuperar do choque. Sim, os nerds também envelhecem.

→ 29/09/2009 @12:29

Mafalda e a vida inteligente

Mafalda, de Quino

→ 25/09/2009 @15:16

Os novos pais

Rinoceronte bebé

Um rinoceronte fémea bebé adormece entre os seus novos «pais», tratadores no Zoo de Muenster, na Alemanha. Os tratadores tiveram de adoptar a cria, rejeitada pela mãe. O rinoceronte nasceu a 20 deste mês. [Foto: Clemens Bilan]

→ 25/09/2009 @11:53

Corrompi a ordem do Universo

Hoje de manhã resolvo apanhar um táxi no Cais do Sodré. Chego adiantado em relação a uma senhora e, sem pensar muito no assunto, digo-lhe para passar à frente. Não queria transmitir-lhe a impressão de que tinha feito uma corrida para chegar primeiro à fila. Estavam dois táxis na paragem, pelo que nem foi um acto especialmente cavalheiresco: o carro seguinte seria sempre meu.

Entro no segundo táxi. Para onde vou? «Marquês de Pombal, à entrada da Duque de Loulé, mas faça-me um favor, suba pelo Alecrim e vire à direita, pelas Taipas». O motorista, homem de meia-idade, pálido, soturno, a pele repleta de mini-crateras provocadas pelas borbulhas que o bombardearam na adolescência, não arranca de imediato com o carro. Primeiro suspira: «Isto de ser prestável aos outros é que não pode ser». E só então mete a primeira, depois a segunda, como se estivesse a sacudir a maneta.

«Como?» – O meu detector de cromos já tinha começado a assobiar. «Você é que chegou primeiro à fila», continuou ele. – «Não devia ter dado passagem à senhora!»

O azedume na voz deixou-me o sangue a ferver. «Mas qual é o seu problema?», perguntei.

«Você sabe para onde vai a senhora? Eu não. O meu colega da frente também não sabe para onde você vai. Não acho bem que tenha feito isto, porque depois acaba sempre por prejudicar alguém.»

Ah! Dinheiro, já percebi. Ao dar passagem à senhora, condenei-o a uma corrida curta e fraca. É óbvio que sou um filho da mãe que só quer lixar-lhe a vida. «Oiça, eu não tenho de ser responsável por isso – nunca me passou pela cabeça. Você nunca deixa uma mulher passar à sua frente por uma razão qualquer?»

«Deixo. No autocarro! Mas só quando há lugares disponíveis. Se tem só um lugar sentado, é meu».

Desisto. Não estou suficientemente bem-disposto para puxar pelo tipo, nem tão mal-disposto que prefira confrontá-lo a sério: encolho os ombros, ponho os olhos no jornal e ignoro o resto do discurso. Na rádio, um Marco Paulo brasileiro canta, entre violinos pegajosos, Só encontra a fêlicidadi quem entrega seu côração.

Ui, o dia de hoje está a começar bem.

→ 25/09/2009 @2:44

Sócrates não é fixe – é porreiro, pá!

Soares e Sócrates

Gosto de um político determinado que cumprimenta outra pessoa com um Porreiro, pá, porreiro, mesmo tendo em conta que esse porreiro pá de Sócrates, captado pelos microfones e imortalizado pelos Gato Fedorento, tenha sido dirigido a Durão Barroso.

Atendendo ao papel de Barroso como cicerone na vergonhosa cimeira das Lajes que antecedeu o ataque americano ao Iraque, também era gajo para lançar ao actual presidente da Comissão Europeia uma saudação semelhante: Porreiro, pá, porreiro… Bela merda de serviço que tu fizeste como parolo de cerimónias do Bush em nome de Portugal, foi mesmo porreiro, pá – estão a ver, acrescentava ao Porreiro pá mais institucional de Sócrates um manguito humanista como só um gajo de esquerda sabe dar. E dispensava o abraço, foda-se.

Mas pronto, eu sou um tipo perfeito; Sócrates, como estão fartos de saber, encontra-se neste momento a 750 milhas náuticas da perfeição. Há malta que se farta de soprar ventos desfavoráveis, a ver se o tipo encalha de vez: como diz o Pedro Couto e Santos (autor do blogue português mais antigo em actividade, vénia), multiplicam-lhe os erros por 100 e dividem-lhe os méritos por 200. Dizem que o homem não tem grande jeito para fazer prédios. Que é um falso engenheiro. Fala de uma forma um bocadinho afectada, como se achasse uma maçada ter de aturar jornalistas ou adversários políticos, o que pode tornar-se um tanto irritante. E abusa um bocadinho das acções de propaganda (por acaso até abusa).

Dizem também muita pulhice, mas desta vez opto por não dar voz aos inúmeros justiceiros que preferem as caixas de comentários ou os jornais à barra dos tribunais. Sócrates, esse ditador incorrigível, recorre à Justiça para se defender de quem o calunia – é preciso ter muita lata.

Infelizmente o meu problema não é Sócrates, mas Manuela Ferreira Leite.

A questão é muito simples, sabem? Não quero esse cavaquismo beato no Governo do meu país. Assusta-me a possibilidade de ver Portugal de novo sob o domínio seco e granítico desta dupla Leite/Cavaco – esta parelha de betão armado, este duo Odemira sem cultura ou espirituosidade, abençoado pela manápula sofista do Pacheco Pereira.

Se não se importam, prefiro continuar a ter como primeiro-ministro este falso engenheiro, asfixiador-mor da Democracia, tirano dos professores, gajo irritante de voz afectada e tudo o mais que lhe queiram chamar (mas não o farão, pelo menos neste blogue). Desta vez, voto PS.

→ 24/09/2009 @23:26

A arte do prego

Vlad Artazov

Vlad Artazov

Tem uma enorme imaginação, este fotógrafo nascido na República Checa. Ao usar simples pregos para nos contar histórias passadas em mundos tão próprios, Vlad Artazov convida-nos também a usar a nossa imaginação e colocar nestes objectos um pouco das nossas vidas ou do que fomos observando nas vidas de outros. No que me diz respeito, consegue-o, pois deixou-me encantado e divertido – um feito notável, tendo em conta que o último contacto que tive com pregos envolveu um dedo da mão e não foi especialmente agradável.

Ele fotografa muito, e bem, como podem verificar aqui, mas o que marca a diferença em relação a tudo o resto é a sua série Nails’ Life. Deliciem-se nesta página com 38 fotografias.

Vlad Artazov

Fiquei tão impressionado com a originalidade deste projecto que fui ao sítio O Citador sacar duas citações sobre Arte para aumentar o grau de inteligência e sagacidade intelectual deste post.

A primeira tocou-me profundamente e tenho a certeza de que emocionaria também Vlad Artazov: «O talento desenvolve-se no amor que pomos no que fazemos. Talvez até a essência da arte seja o amor pelo que se faz, o amor pelo próprio trabalho» (Máximo Gorki).

E também gostei muito desta: «A arte não é uma tentativa de reconciliar a existência com a sua própria visão; não passa de uma tentativa de criar o seu próprio universo neste mundo» (Katherine Mansfield).

Dizer NÃO à taxa