Arquivos mensais: Outubro 2009

→ 31/10/2009 @13:31

Graças a Deus ainda temos a Eva

Eva Mendes

→ 31/10/2009 @2:29

As agências de comunicação não percebem nada

Quero partilhar convosco mais um exemplo do tipo de abordagem que as agências de comunicação fazem aos bloggers. Insisto em falar destes assuntos na esperança de que o post seja lido e parem de me chatear com propostas vazias e inúteis.

Através do meu formulário de contacto, recebi há três dias o seguinte email: «O meu nome é (…) e trabalho na agência de comunicação e publicidade Ogilvy, em Lisboa. Neste momento estamos a trabalhar num novo projecto e gostaríamos de lhe enviar informação. Para tal necessitamos que nos envie o seu contacto, email e (ou) telefone para futuro envio de informação».

Dado que a pessoa se identificou como pertencendo a uma grande agência, dei-me ao trabalho de responder da seguinte forma: «Olá (…). Tenho duas questões a fazer-lhe: 1. Que tipo de informações pretende enviar-me e por que razão supõe que enquanto blogger do Bitaites estou interessado? 2. Quais as contrapartidas que me dão, caso aceite publicar essas informações?»

Não acredito que vá obter uma resposta satisfatória a estas questões.

Pretender contrapartidas a acções de promoção continua a ser uma situação imprevista para as agências, no que diz respeito aos bloggers.

A típica abordagem é partir do princípio de que ser contactado por uma agência provoca uma sensação de tal reconhecimento que deverei sentir-me grato por ser resgatado à minha insignificância.

Sendo assim, é natural que me peçam o e-mail ou o número de telefone para receber informações sobre as quais nada sei.

Deste ponto de vista, a abordagem das agências aos bloggers não é muito diferente da abordagem de um spammer, que comenta e visita o que não leu nem conhece, usando fórmulas de comunicação pré-fabricadas e baseando o seu critério de escolha na notoriedade que um blogue recebe do Google.

Um blogger não é um veículo que qualquer um pode conduzir, é uma presença que caminha pelos seus próprios pés.

Não sei se valerá a pena insistir que um blogue não é um jornal e um blogger não é um jornalista. Que um post não é um press-release e que o blogger é muito picuinhas em relação à informação que coloca. Mesmo que seja sacada em lugares longínquos, o blogger tem de a sentir como sua – é por isso que a publica. Quando não está a opinar, o blogger copia e apropria-se da informação e, por fim, agradece à fonte com a moeda corrente da blogosfera: o link.

Ao contrário dos jornalistas, forçados pelas regras da profissão a venerar os substantivos, o blogger abusa dos adjectivos nos textos que publica – não os receia, pois convive com eles de forma descomplexada; o press-release é uma fotocópia a cores da realidade, mas o blogger aspira a mais, desenha-a à vista, define-a segundo os seus próprios tons, e às vezes são cinzentos, depois empenha-se, emprenha-se, nasce e faz nascer, expõe-se, mostra-se frágil e forte, inteligente e estúpido, míope ou perspicaz. O blogger, em suma, é uma pessoa e, tal como todas as pessoas, tem orgulho próprio, é susceptível em relação ao seu blogue e detesta sentir-se usado.

Caros senhores das agências: antes de fazerem qualquer proposta, mostrem que conhecem o trabalho que o blogger faz. Se têm informação que sabem que vai interessar, partilhem-na. Se querem publicidade, paguem-na. Não se esqueçam, contudo, que no desvairado e irresistível mundo dos blogues devem partir sempre de uma abordagem contrária à conhecida frase dos filmes de O Padrinho: aqui começa por ser just personal, nothing business.

→ 31/10/2009 @0:45

À espera do drama

Um belo post de Derek Sivers:

a propósito de uma palestra de Kurt Vonnegut em Nova Iorque, recorda o que o escritor e humanista afirmou sobre o que então considerava a excessiva necessidade de drama nas nossas vidas – drama no sentido novelesco e não teatral, suponho.

Dizia Vonnegut que estamos condicionados a pensar que algum dia viveremos a nossa vida como nas fantásticas histórias que ouvimos desde «o início dos tempos». E o problema, prosseguia Vonnegut, é pensar que a nossa vida será um dia semelhante a essas histórias, condicionando expectativas em relação à nossa felicidade (ou miséria).

Derek recria neste post, com graça e simplicidade, os exemplos dados por Vonnegut nessa palestra: a história da Cinderela e uma história de catástrofe tão típica dos filmes de Hollywood. Depois conclui comparando-as com a vida real.

→ 30/10/2009 @22:20

Momento publicitário altamente interessante

Momento publicitário

→ 30/10/2009 @15:24

Um relato da «sessão espírita» no Twitter

A «sessão espírita» via Twitter com a «presença» de quatro fantasmas do Jet7 celestial – Michael Jackson (músico e bailarino), William Shakespeare (dramaturgo), Kurt Cobain (músico) e River Phoenix (actor) – acabou por suceder mais ou menos à hora marcada: dez da manhã. Eis um resumo das extraordinárias revelações que a médium Jayne Wallace nos proporcionou a todos.

O actor River Phoenix, o primeiro a ser contactado, lamentou o uso de drogas e a morte devastadora que magoou a família e os amigos (morreu em 1993 com uma overdose) e, entre outras «revelações» sobre a sua preferência pela música, consultáveis em entrevistas ou biografias, afirmou ter adorado o filme «Entrevista com o Vampiro», estreado um ano depois da sua morte (River Phoenix fora contratado para a personagem do entrevistador). O actor viu o filme num balcão do Além, a médium Jayne Wallace criou a sua própria versão do Cinema Paraíso.

Seguiu-se Kurt Cobain, a alma dos Nirvana, que veio dizer que as drogas o fizeram desligar-se da música e, quando a música morreu, ele morreu também. Questionado sobre o jogo «Guitar Hero», o fantasma de Kurt aconselhou os pais a comprar guitarras eléctricas aos filhos e a afastá-los dos jogos de computador. O músico afirmou mais umas quantas banalidades vagas e inócuas sobre a sua vida terrena e foi-se embora.

Era a vez de William Shakespeare, mas a presença dele, contou Jayne, era demasiado fraca. «Há aqui mais alguém», twittou então a médium, mantendo o suspense alguns minutos. «É muito mais forte, é alguém que morreu recentemente, alguém que está à nossa espera.» Adivinharam, era Michael Jackson.

Lendo os sucessivos twitts desta sessão, fica-se com a ideia de que os mortos formaram uma fila à espera de ser convocados por Jayne Wallace: o River à frente, o Kurt atrás, depois o William e logo a seguir o Michael. Se foi este o caso, então o Michael cometeu a indelicadeza de passar à frente dos mais velhos (Shakespeare terá nascido em 1564). Estar morto não é desculpa para se ser mal-educado.

A conversa com Michael Jackson foi igualmente reveladora: «Encontrei os meus fãs espirituais e anjos da guarda estão a proteger-me», comunicou Jayne, parecendo dar a entender que, para ela, o Paraíso é um sítio onde as vedetas dão autógrafos protegidos por guarda-costas com asinhas. Infelizmente, o fantasma de Michael não chegou a responder à melhor pergunta que os fãs enviaram via Twitter: «Ó Michael, já ensinaste o Jesus a fazer o moonwalk?»

Depois de mais uma série de bonitas e comoventes mensagens que qualquer fã já leu em elogios fúnebres, a «espírita» despediu-se do Além e desligou o Twitter, não invocando Shakespeare.

O pobre William ficou assim esquecido na fila de espera dos fantasmas, onde permanecerá forever and ever and ever and ever tentando que alguém esclareça a imortal formulação To twitt, or not to twitt: that is the question.

→ 30/10/2009 @1:03

Mensagens de um louco

Imaginem o que seria escrever para várias pessoas, empresas ou partidos os emails mais loucos e estapafúrdios que possam imaginar. Como seria a reacção dos contactados? Obteriam resposta? Que tipo de resposta?

O autor deste blogue – João Pinto Costa – meteu mãos à obra e tratou de nos conseguir estas respostas. Escreve emails loucos e publica a correspondência. Tendo em conta o tipo de mensagens que o homem se lembra de enviar, o que mais surpreende é a quantidade de respostas «sérias» que mesmo assim consegue obter. Bom sentido de humor, boa ideia para um blogue.

→ 30/10/2009 @0:09

Huxley e Orwell segundo Neil Postman

Huxley Vs. Orwell

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