Arquivos mensais: Novembro 2009

→ 30/11/2009 @14:01

O desastre de Bhopal, 25 anos depois

O desastre de Bhopal, 25 anos depois

Foto: Saurabh Das

A 3 de Dezembro de 1984, deu-se um acidente catastrófico em Bhopal, na Índia: 40 toneladas de gases tóxicos (isocianato de metila) foram libertados. Nessa noite, morreram cerca de 3000 pessoas, a maioria trabalhadores da fábrica.

Nos anos seguintes, morreram mais 15000.

A empresa responsável pela fábrica de pesticidas – a Union Carbide, americana – recusou-se durante muito tempo a fornecer detalhes sobre a composição química dos gases libertados, impedindo os médicos de tratar adequadamente os indivíduos expostos.

25 anos depois, os efeitos deste crime permanecem nas novas gerações: as grávidas expostas ao gás deram à luz crianças com anomalias físicas e mentais. O responsável pela fábrica encontra-se nos EUA e os pedidos de extradição para a Índia foram sistematicamente recusados.

Nota: o Nuno Figueiredo mandou-me um email chamando-me a atenção para uma série de fotos sobre o 25º aniversário do acidente em Bhopal publicada no sítio The Big Picture: imperdíveis, como sempre. Link

→ 30/11/2009 @2:18

A Gripe A bateu-me à porta (e parece que entrou)

A minha filha tem Gripe A. Ainda não temos a certeza absoluta, mas estamos bem informados dos sintomas típicos: dores musculares, ardor nos olhos, dores de cabeça, tonturas, cólicas e, finalmente, diarreia. Todos estes sintomas já os observámos nela, em poucas horas.

Amanhã de manhã vamos ao Centro de Saúde tirar a prova dos nove, mas já planeamos a nossa vida em função de dois objectivos: curar a filhota o mais depressa possível, não deixá-la sozinha em circunstância nenhuma e ficarmos preparados para adoecer a seguir.

Manter a calma e agir como se fosse uma gripe normal, é o que estamos a fazer.

A minha filha está preocupada por causa de todas as histórias que já ouviu, mas ela é saudável. E a gripe A é apenas uma gripe que tem a mania que é boa. É convencida, julga-se melhor do que as outras.

Claro que lhe vamos dar uma lição. Ouviste, filhota?

→ 28/11/2009 @19:49

O fotógrafo-viajante

Ed Ou

Ed Ou

É espantoso o que este fotógrafo já viveu aos 22 anos: o seu primeiro grande trabalho foi cobrir o conflito entre Israel e o Hezbollah no sul do Líbano, em 2006.

Ed tinha 19 anos, estava no segundo ano da Universidade e instalara-se no Médio Oriente para estudar Árabe e Relações Internacionais.

Tão bem se saiu que começou a trabalhar com a Reuters e a Associated Press. Publica regularmente no New York Times, Los Angeles Times, Time Magazine e o Guardian, entre outras grandes publicações.

Foi considerado um dos fotógrafos emergentes de 2008 e é inegável, vendo o seu portefólio, o tremendo repórter fotográfico em que se transformou. Aos 22 anos, já viu e viveu mais do que a maioria de nós.

Ed Ou

As fotos na sua página pessoal mostram-nos reportagens feitas quando acompanhou o conflito na Somália, a vida das crianças-soldado no Uganda, os incêndios na Califórnia, a moda em Nova Iorque, as convulsões no Médio Oriente e as vítimas da radiação nuclear no Cazaquistão (esta impressionante série de fotos pode ser vista em alta resolução no sítio The Big Picture).

Este fotógrafo já conhece meio-mundo – o próprio se define como um ser «culturalmente ambíguo», metade canadense, metade tailandês – e leva sempre consigo o passaporte e a câmara fotográfica, seja qual for o sítio onde estiver.

A sua vida é estar preparado, «em poucos segundos», para esperar pelo próximo avião, comboio, autocarro ou barco que o leve a qualquer parte do planeta onde a notícia não seja um mero conjunto de factos. Tornou-se instantaneamente um dos meus repórteres fotográficos preferidos.

→ 27/11/2009 @14:47

Hipopótamos contra crocodilo

Hipopótamos contra crocodilo

Hipopótamos contra crocodilo

Hipopótamos contra crocodilo

Hipopótamos contra crocodilo

Hipopótamos contra crocodilo

Václav Šilha, nascido na Checoslováquia há 46 anos, muitos dos quais a fotografar a vida selvagem em várias partes do mundo, teve a sorte de fotografar o mais bizarro acontecimento que testemunhou em toda a sua carreira.

No princípio deste mês estava nas margens do rio Mara, na Tanzânia, a fotografar um grupo de hipopótamos. Um crocodilo esgueirou-se entre a multidão e aproximou-se em demasia de uma fêmea e da sua cria.

Um grupo de hipopótamos formou um círculo protector para impedir a progressão do crocodilo. «Existe um respeito mútuo entre crocodilos e hipopótamos», afirma Václav. «As lutas são raras. Eu estava à espera que o crocodilo simplesmente recuasse.»

Reagiu de uma maneira que dificilmente poderíamos imaginar num réptil daquele tamanho: entrou em pânico. Em vez de voltar para trás, tentou escapar correndo em cima dos próprios hipopótamos, como se pode ver na segunda foto desta sequência.

Seguiu-se então o que o fotógrafo descreve como «uma luta colossal. Não podia acreditar no que estava a ver: um crocodilo em pânico a trepar sobre o dorso dos animais. A ilha de hipopótamos começou então a atacá-lo, mordendo-o repetidamente».

O hipopótamo é um animal poderoso, gigantesco e temível quando se torna agressivo: é capaz de aplicar centenas de toneladas de pressão numa única mordida. Nem um crocodilo conseguiria escapar a um bando de mais de 50 hipopótamos em fúria.

«Pouco tempo depois, o corpo do crocodilo morto flutuava no rio – nunca mais o vi».

A quarta foto desta sequência foi publicada em dupla página na edição deste mês da revista BBC Wildlife. «Tive sorte. Estava no sítio certo à hora certa. Quem não teve tanta sorte foi o crocodilo.»

→ 27/11/2009 @12:26

Valentões!

Campanha de vacinação contra a gripe A no México

Foto: Eduardo Morales

O que mais gosto na fotografia não é esta expressão de quem começou a aprender a canção do ai, mas o olhar apreensivo do valentão que se encontra em segundo plano – o próximo a levar a pica.

Esta é uma imagem que serve às mil maravilhas a peculiar visão feminina segundo a qual nos portamos como miúdos, uns mariquinhas quando estamos doentes. Enfim, o que elas inventam sobre nós. Que mal há em querer todos os mimos a que temos direito quando estamos doentinhos e à espera que nos levem o pequeno-almoço à caminha?

A campanha de vacinação contra a Gripe A no México começou sete meses depois dos primeiros casos começarem a ser conhecidos – foi a partir deste país que começaram a surgir as primeiras notícias. Esta foto foi tirada ontem, no primeiro dia da campanha, mas duvido que possa ter qualquer efeito tranquilizador.

→ 26/11/2009 @3:22

Bohemian Rhapsody só para ti

Como há dois dias não tive tempo de escrever um post de homenagem ao adorado Freddie Mercury da minha filha – o vocalista dos Queen morreu a 24 de Novembro de 1991 – vou compensar agora com um vídeo alusivo feito por uma trupe muito, muito especial, descoberto depois de uma visita ao blogue do Pedro Couto e Santos.

É uma versão de Bohemian Rhapsody escandalosa, ultrajante, épica, magnífica e mais uns quantos adjectivos que vocês poderão colocar ali na caixinha de comentários. Eu gostei muito e tu, filhota, também vais adorar. Desculpado?

→ 25/11/2009 @21:39

Futebol americano em lingerie

Lingerie Football League

Lingerie Football League

Caríssimos, apresento-vos a nova coqueluche da NFL (futebol americano): a Lingerie Football League.

A ideia nasceu em 2003, quando a NFL decidiu espevitar os espectadores nos intervalos das finais da Superbowl organizando uns joguinhos rápidos onde as meninas, em roupa interior, corriam atrás da oval.

O sucesso foi tão grande que esta temporada criou-se mesmo uma liga, uma liga mais a sério, com jogos e taça de campeão, cuja principal diferença em relação às outras é a obrigatoriedade de as jogadoras alinharem em lingerie.

São equipas de sete contra sete. Os jogos duram 34 minutos, com duas partes de 17 minutos. Os jogos são transmitidos às sextas-feiras à noite, quando os norte-americanos invadem os bares para encher a barriga de cerveja e ver actuar equipas como os Miami Caliente, Dallas Desire, San Diego Seduction ou Philadelphia Passion.

As fotos não me deixam mentir: é um campeonato muito competitivo.

Agora imaginem esta ideia transposta para o nosso futebol e calculem a reacção do adepto típico a um jogo entre, vá lá, as equipas do Sport Lisboa e Boazonas e o do Futebol Clube das Podres de Boas. Aposto que a frase mais ouvida no estádio acabaria por ser Parem lá de se apalpar umas às outras e joguem à bola!

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