Um botão de donativos no teu blogue para cobrir as despesas na batalha legal contra os inquisidores da Ensitel? Imagino que isso te deve ter deixado os cabelos em pé – como naquela foto na tua imagem de cabeçalho.
Uma tipa independente e orgulhosa como tu, pedir publicamente ajuda e sujeitar-se à opinião dos imbecis que já começaram a adivinhar o ordenado chorudo que deve ter a gestora de blogues do Sapo e a escandalizarem-se porque a ricaça já tem a lata de pedinchar?
Porra, as coisas que eu leio no Twitter – tu és mesmo gestora de blogues do Sapo? O nome tem muita pinta, mas estava convencido de que eras muito mais do que isso.
Enfim, tens de admitir que essa merda impressiona: Gestora. Blogues. Sapo. Parece uma conta de somar.
É incrível como esta gente ainda se deixa iludir pela pomposidade de certas designações profissionais: por exemplo, as funcionárias das escolas eram conhecidas por continas contínuas; agora são auxiliares da acção educativa assistentes operacionais – caramba, com um nome destes devem ter tido um aumento de ordenado brutal. Se calhar já devem ganhar mais do que tu.
Jonas: nunca permitas que alguém te chame bruxa: és gestora de uma vassoura com um sistema de auto-propulsão, ouviste?
Agora a sério: é um preço terrível de pagar, esta exposição. Esse preço não há botão de donativos que o pague. Quando se trata de pedir uma acção concreta e se essa acção envolver dinheiro, existirão sempre os filósofos da banha da cobra dispostos a vender a tua integridade por uns míseros 140 caracteres.
Peço que não te deixes abalar pela voz daqueles que ocuparam a timeline do Twitter para se auto-promover como paladinos da justiça e do combate à pouca-vergonha e que agora desconfiam do teu pedido de ajuda com a mesma consistência saloia com que, horas antes, defenderam a tua liberdade. Esses são aqueles que amanhã estarão provavelmente a comprar um telemóvel na Ensitel. Nunca contaram.
Não te conheço bem, mas sei o suficiente para te ver como uma gaja de coragem – notei no teu último post um enorme cansaço, e sei que provavelmente deves estar pelos cabelos. Li os teus posts/takes, quando os publicaste, e depois da intimidação da Ensitel reli-os para me certificar de que não tinhas metido água. (Eu sei, desculpa)
Há duas ou três expressões nesses textos mais intensas – mas qualquer pessoa com dois dedos de testa vê que são reflexo de um estado de espírito provocado pelo comportamento de uma empresa e uma decisão judicial que consideraste injusta (zanga, impotência, frustração). Intenção deliberada de difamar? Desafio qualquer um a mostrar-me uma frase onde essa intenção exista.
Tu conheces este blogue muito bem e sabes como detesto os difamadores irresponsáveis da blogosfera – nos posts e nos comentários. Sabes que se alguma vez este espaço de liberdade for ameaçado, atribuirei parte da responsabilidade aos covardes que atacam sob anonimato.
A Ensitel, na sua infinita tacanhice, vai para os tribunais tentar convencer um juiz de que fazes parte do grupo dos covardes irresponsáveis – e este é o maior perigo. Por isso é importante copiar o teu texto e espalhá-lo pelos blogues todos – não como uma atitude de rebeldia adolescente ou como quem veste uma t-shirt do Che Guevera, mas para preservar uma prova: a da tua inocência.
Há duas formas pelas quais uma empresa pode classificar algo como difamatório: quando é confrontada com a mentira ou quando é confrontada com a verdade.
Portanto não baixes a bolinha. Não cedas ao cansaço. Não te deixes afogar na maré pestilenta de trolls que inundaram o teu blogue. Os dias pacatos no Jonasnuts voltarão e serão precisamente esses dias que te mostrarão que tu e os teus nunca estiveram sozinhos nesta luta.