Arquivos mensais: Março 2010

→ 31/03/2010 @19:55

Pronto, já percebi que vocês são amantes de Física

Professora muito sexy

→ 31/03/2010 @18:57

Alice no País das Ervilhas

Dos três filmes que vi em 3D – Up, Avatar e Alice no País das Maravilhas – só gostei verdadeiramente de como esta tecnologia foi usada pela Pixar, pois esteve ao serviço da história e da narrativa.

Ainda estou para ver o que estas três dimensões acrescentam a um filme: ver borboletas a voar diante do meu nariz pode ser engraçado à primeira vez, mas depressa se torna numa distracção desnecessária. Além disso, não gosto de como aqueles óculos escuros interferem com a minha percepção da cor. Não gosto da sensação de ver um actor de carne e osso surgir no ecrã como se tivesse sido recortado e colado por cima. Por último, vejo-me obrigado a dispensar quase por completo as legendas, pois flutuam diante do ecrã como um elemento estranho ao filme.

Nem foi pelo 3D que o filme Alice no País das Maravilhas não me aqueceu nem arrefeceu. Aquilo é um filme da Disney realizado pelo Tim Burton e não um filme de Tim Burton – é o resultado de uma tarefa encomendada a um homem talentoso e visionário e não de um acidente feliz em que a visão artística triunfa sobre fórmulas pré-fabricadas de contar histórias como aconteceu, por exemplo, com o segundo Batman, produzido pelo próprio realizador. Talvez seja este o principal problema e o que acaba por encerrar o assunto, pelo menos para mim.

Longe estão os tempos em que Burton deixava os produtores de cabelos no ar por causa das suas loucuras e excentricidades. Esta Alice no País das Maravilhas não surpreende nem deslumbra, é um deixa-andar colorido e tridimensional, divertido por causa de Helena Bonham Carter a fazer de Rainha Vermelha e dos efeitos especiais, mas sem alma nem brilho, como se o espírito de Tim Burton se tivesse dissolvido no chá agridoce que Johnny Depp despeja no bule como um Willy Wanka com chapéu novo e armação de louco.

→ 31/03/2010 @1:27

Post para quem gosta de Física

Charlize Theron

→ 30/03/2010 @19:49

Ufa, afinal o mundo não acabou

Depois de algumas avarias e de um longo período de testes, ontem foi mesmo a valer. E afinal o mundo não acabou sugado por um buraco negro, como receavam os catastrofistas.

A experiência que poderá mudar a forma como conhecemos e descrevemos o Universo foi um sucesso: o grande acelerador de partículas do CERN – Laboratório Europeu de Física de Partículas –, a máquina mais complexa alguma vez construída pelo Homem, produziu no seu anel subterrâneo de 27 quilómetros de circunferência centenas de milhões de colisões de feixes de protões a 99,9 por cento da velocidade da luz. Destas colisões, um milhão contém informação válida que os físicos poderão tratar nos próximos dois ou três anos.

Nunca uma máquina foi capaz de gerar tanta energia. Por isso se diz que a experiência é como produzir um Big Bang em miniatura: a quantidade de energia produzida naquelas condições de densidade equivale à que foi produzida nos primeiros microsegundos de existência do Universo.

Que procuram os cientistas de tão importante? Uma misteriosa partícula elementar que ainda ninguém sabe muito bem o que é e como funciona, o bosão de Higgs, assim baptizado porque a sua existência foi prevista, em 1964, pelo físico britânico Peter Higgs.

A existência desta partícula foi prevista em teoria pelo físico Peter Higgs, mas ainda não a pudemos «ver» em acção – e é por isso que esta experiência é tão importante para os físicos: pela primeira vez, podemos não só confirmar a sua existência como perceber de que forma esta partícula interage com a matéria.

Para ter uma ideia de como é importante esta experiência no acelerador de partículas, imagine-se uma espécie de seres inteligentes vivendo num planeta como o nosso mas que não possui o sentido da visão. Como poderia explicar o calor agradável que recebe todos os dias? Um físico poderia inventar fórmulas e equações para explicar o calor gerado e prever que só poderia dever-se à existência de uma fonte de calor com determinadas características.

Imagine-se então que essa espécie concebe um instrumento capaz de «ver» o Sol, descodificar essa informação de forma a ser entendida por um invisual e este possa demonstrar que o calor vem de um objecto celeste chamado estrela que possui um número de características físicas suficientes para podermos determinar-lhe a natureza.

 

A partícula de Deus

Agora imagine-se o mundo tal como o conhecemos, do mais pequeno ao maior dos objectos, do átomo às galáxias, da gravidade que nos faz cair ao chão à gravidade que move as estrelas,  da matéria que podemos observar todos os dias à matéria escura, invisível, que sabemos existir no Cosmos: a partícula capaz de dar sentido a todas as equações e fórmulas que temos usado para descrever o Universo é o bosão de Higgs. O bosão de Higgs é o elo que nos permitirá ligar a origem do Universo – o Big Bang – ao Universo actual, o mais pequeno ao maior, as diversas forças, da energia nuclear à gravitacional.

O Prémio Nobel da Física Leon Lederman, um homem conhecido pelo seu sentido de humor e o jeito em cunhar frases que ficam no ouvido, chamou-lhe «a partícula de Deus». Não o fez com o objectivo de dar uma dimensão religiosa à Física, mas para transmitir aos leigos a importância da descoberta.

«É como se fossemos cegos perante o Universo», explica-me Gaspar Barreira, presidente do LIP (Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas). «O sucesso desta experiência do CERN permitir-nos-á abrir os olhos para os 95 por cento do Universo que não podemos observar: a matéria escura, a energia escura. Poderemos ter um conhecimento sem precedentes do Universo», afirma.

Caso se chegue à conclusão de que essa partícula não existe, então os físicos terão de reformular todas as fórmulas e equações usadas para descrever o funcionamento do Universo, incluindo o seu começo à la Big Bang. «Mas essa possibilidade não me preocupa», diz Gaspar Ferreira, «pois é quando se questiona que a Ciência consegue avançar mais».

 

Epílogo

- Marco, estás a escrever o quê?
- Uma cena sobre o bosão de Higgs.
- E quem é o bonzão do Higgs?

→ 29/03/2010 @19:11

Fotografar a Terra parece tão fácil

Fotografando a Terra

Fotografando a Terra

Estas belíssimas fotos do planeta Terra não foram tiradas a bordo de uma nave espacial da NASA.

São fruto da imaginação e talento de um entusiasta do Espaço e amador inglês, Robert Harrison, que prendeu uma vulgar câmara digital a um balão de hélio, e usou um sistema de pára-quedas e GPS, semelhante ao que equipa os carros, para localizar e recuperar a máquina. A câmara estava ligada a um pequeno computador, programada para tirar fotos de cinco em cinco minutos. Orçamento: 500 libras, cerca de 556 euros.

Os pormenores desta história podem ser lidos aqui neste artigo do Daily Mail, que inclui uma infografia onde se explica bem como conseguiu este amador colocar uma simples máquina digital a tirar fotos a 35 quilómetros de altitude.

→ 29/03/2010 @14:56

Se vês a Daryl, então o problema resolveu-se

Daryl Hannah

Queria eu fazer o upload de uma imagem para o meu servidor quando o cliente FTP falhou, mostrando a fatídica mensagem: Critical error. Disk full.

Pá, não gosto disto. Não gosto que me digam estas coisas. Tenho um blogue a manter. Com rádio e tudo. E até escrevo posts.

Por uns fatídicos e delirantes segundos, a mensagem do meu software de FTP lembrou-me um porteiro de discoteca de braços cruzados a barrar-me a entrada na discoteca e a dizer: Critical error. Disk full.

Imagino-o a lançar uma saraivada de perdigotos quando soletra full. Full. Full! «Caramba», protesto eu, desejoso de publicar o post e despachar o assunto sem pachorra para grandes conversas. «Nem uma foto de uma rapariguinha bonita pode entrar? Tenho aqui uma da Daryl Hannah quando posou para a Playboy». «Nein», responde o porteiro, especado na porta 21. «Por isso é que eu disse Critical Error, pá. Critical Error. Critical.» Pronto, já percebi. É um erro crítico porque não admite excepções. Não dá abébias. É incorruptível na sua capacidade em moer-me o juízo.

Lembrei-me dos porteiros de discoteca por ser uma analogia óbvia, mas no meu caso nem corresponde à verdade, ou seja, nunca gostei de discotecas: música de merda, na maioria das vezes, confusão de merda, quase sempre, e um meio hostil onde as palavras têm muita dificuldade em sobreviver.

Por isso nunca tive grandes decepções com porteiros: a minha vontade de entrar numa discoteca nunca foi muita, pelo que perante uma nega podia dizer Ai que pena não se pode entrar, sem passar por desmancha-prazeres; depois era esperar que o programa alternativo fosse um bar calmo onde se pudesse conversar.

Não é fácil ser porteiro de discoteca: ouvir martelinhos digitais noite após noite é suficiente para esmagar os neurónios a qualquer pessoa. Imaginem que aquele cérebro crasha e o zelo megalómano do porteiro fica virado do avesso.

Para mim é argumento de filme de terror: uma discoteca onde o porteiro deixa entrar toda a gente, mas é muito selectivo no que respeita às pessoas que não deixa sair. Quase todas, portanto. Agora imaginem que o DJ dessa discoteca é o Ricky Martin e terão uma poderosa visão do Inferno.

Por outro lado, esta questão do disco cheio é preocupante para quem tem servidor próprio. Se mantiver o ritmo actual – emissões de rádio, fotos em alta definição, uns MP3 zipados de vez em quando, uns vídeos, enfim, vocês sabem – o que será deste blogue daqui a uns dez anos, se ainda existir?

Quais serão as suas necessidades? Precisarei – como diz, meio a sério, meio a gozar, o Miguel Silva Costa, da WebHS – de  mais 100 gigas de RAM e, no mínimo, 5 terabytes de disco?

Estará a sobrevivência deste pobre cantinho da Internet dependente apenas dos caprichos tecnológicos de um computador a dezenas de quilómetros de distância? Que seria de nós e da livre expressão da nossa individualidade se a Internet deixasse de existir? Entraríamos em depressão ou gastaríamos todas as energias descobrindo alternativas? Dilemas, dilemas.

→ 29/03/2010 @12:42

Obama vai tratar-lhes da Saúde

Barack Obama nos jardins da Casa Branca

Barack Obama nos jardins da Casa Branca (Foto: Alex Brandon/AP)

 

Popularidade: eis o principal preço que Obama está a pagar por insistir numa reforma que nem Bill Clinton conseguiu fazer passar.

Como eu já li vários artigos sobre este assunto, decidi resumir o que sei – um conhecimento superficial, como é óbvio – de forma a que todos possam ter uma ideia do tipo de reformas que Barack Obama pretende fazer e em que consiste esse tal sistema de saúde americano que necessita tão urgentemente de reformas.

Quem souber mais do que eu e desejar contribuir com sugestões ou correcções, força, só tenho a agradecer.

O total de americanos que não têm seguro de saúde foi dito pelo próprio Obama num dos seus últimos discursos no Congresso: cerca de 37 milhões de pessoas, ou seja, 14,4 por cento da população.

Os 85,6 por cento com seguro de saúde concordam com as intenções de Obama, por uma questão de princípio, mas uma considerável percentagem não admite que esta reforma venha a por em causa os seguros já existentes – e o Partido Republicano acha que é isso mesmo que vai acontecer.

Eis como funciona o actual sistema: são as empresas privadas que fornecem esses seguros. Os trabalhadores pagam uma parte desse seguro, a entidade empregadora outra parte – a mais importante. Um pressuposto fulcral a definir por quem procura emprego nos Estados Unidos é precisamente saber que tipo de seguro de saúde oferece o patrão.

O que acaba por acontecer é que as leis da concorrência de mercado são aplicadas também nesta área tão sensível. Uma grande empresa pode providenciar a um maior número de pessoas seguros a preços mais baixos do que aqueles que seriam disponibilizados por uma empresa mais pequena ou mesmo por quem faz um seguro de forma individual.

Por seu turno, as seguradoras podem também negociar com médicos e hospitais preços mais baixos pelos seus serviços do que aqueles que um indivíduo consegue actuando por sua própria conta. Além disso, os seguros não cobrem todos os riscos – varia de empresa para empresa.

O que Obama pretende impedir é a situação mais mencionada quando se critica este sistema: ao perder-se o emprego, perde-se também o seguro de saúde ao preço negociado pelo patrão. Outro exemplo: uma mudança de emprego pode implicar que o novo trabalhador seja rejeitado pela empresa por ser portador de uma doença crónica rara. Também há casos em que as empresas não oferecem seguro de saúde.

A este nível, a situação torna-se catastrófica para aqueles que perdem os seus empregos – tendo em conta a recente crise económica americana que alastrou ao mundo e a vaga de desemprego que criou, fica-se a pensar o que será o destino destas pessoas se tiverem um grave problema de saúde e não tiverem dinheiro para se tratar.

 

O dilema Medicare

Para as pessoas em dificuldades, existe uma ajuda preciosa porque, ao contrário do que por vezes se possa pensar, os americanos não são abandonados nas ruas, a morrer por falta de cuidados médicos: existe um sistema chamado Medicare, que cobre os custos daqueles que não têm seguro de saúde por serem pobres. É este sistema que permite que todos os americanos com mais de 65 anos de idade não tenham de pagar um tostão pelos seus cuidados médicos.

Infelizmente – e eis aqui o principal problema do Medicare – os critérios usados para determinar quem é suficientemente pobre para receber ajuda não só variam de Estado para Estado, como também não são suficientemente flexíveis para abranger todas as pessoas em dificuldades. Por isso, o que se verifica é a existência de um importante número de pessoas que não é considerada suficientemente pobre para estar abrangida pelo Medicare mas, ao mesmo tempo, não ganha o suficiente para conseguir pagar um seguro privado.

A reforma de Obama colide, sobretudo, com as preocupações da maioria dos americanos que têm o seu sistema de saúde, estão satisfeitos com o que têm e receiam que qualquer modificação possa levar ao seu fim ou, no mínimo, a um aumento de impostos. Uma faixa importante destes americanos não está disposta a subsidiar com impostos o tratamento médico de quem está desempregado ou não é suficientemente pobre para receber ajuda da Medicare.

Num país construído à base de trabalho e iniciativa privada, há tendência para desconfiar quando o Estado se mete demasiado nas suas vidas – é essa a percepção que muitos têm da iniciativa de Obama, que consiste em aplicar uma multa para forçar todas as empresas a oferecer seguros de saúde, em troca de incentivos fiscais.

Os americanos mais conservadores e uma boa parte do eleitorado republicano receia também que a existência de um seguro de Saúde “patrocinado” pelo Estado possa levar as seguradoras privadas à falência e, como tal, à falência dos seus próprios seguros de saúde.

Não obstante estas preocupações, um facto permanece inatacável: 37 milhões de pessoas não possuem seguro de saúde – e destes, nem todos são abrangidos pelo Medicare. A crise e o desemprego fizeram com que uma parte nada negligenciável dos americanos esteja sujeito a uma catástrofe económica em caso de um problema grave de saúde.

Dado que muitos seguros também não cobrem todas as possíveis despesas, muitos milhares de americanos, salienta Obama, são obrigados a endividar-se só para poder pagar cuidados médicos.

O que Obama pretende é que todos passem a ter seguro de saúde: em primeiro lugar, nenhuma empresa seguradora pode negar-se a aceitar o seguro de alguém que o possa pagar; segundo, propõe a criação de uma opção estatal, uma espécie de cooperativa de seguros que não funcione no pressuposto do lucro e que possa concorrer com as privadas, forçando-as a baixar os preços.

O problema é que estas cooperativas têm de ser subsidiadas pelo Estado. Mesmo que Obama já tenha vindo a público garantir que esta reforma não aumentará num único centavo o défice orçamental, muitos americanos não acreditam e continuam a temer o aumento de impostos, o enfraquecimento dos seus próprios seguros de saúde e, por uma questão cultural, a interferência do Estado.

Dizer NÃO à taxa