→ 02/08/2012 @21:27

Entropia

Não sei se o ita­li­ano Fulvio di Piazza for­jou os seus pin­céis nos fo­gos do Monte da Condenação, lu­gar do es­pí­rito ma­ligno de O Senhor dos Anéis, ou an­dou a ver mais no­ti­ciá­rios do que devia.

O seu mundo sur­re­a­lista de cin­zas e cha­mas inspira-se nas ideias de Jeremy Rifkin (eco­no­mista) e Ted Howard (au­tor): em 1981, os dois pu­bli­ca­ram um li­vro – Entropy: A New World View – no qual ana­li­sa­vam as es­tru­tu­ras eco­nó­mi­cas e so­ci­ais à luz da Segunda Lei da Termodinâmica.

De uma ma­neira muito sim­pli­fi­cada, a Segunda Lei da Termodinâmica de­ter­mina que qual­quer sis­tema iso­lado ter­mi­ca­mente tende a atin­gir um va­lor má­ximo de en­tro­pia. Entropia, em ter­mos co­muns, sig­ni­fica de­sor­dem. Em fí­sica, é uma me­dida de gran­deza ter­mo­di­nâ­mica que nos per­mite co­nhe­cer a quan­ti­dade de ener­gia que se perde num dado sis­tema a uma de­ter­mi­nada temperatura.

Rifkin e Howard acre­di­tam que o des­per­dí­cio de re­cur­sos da Terra con­du­zirá ine­vi­ta­vel­mente à des­trui­ção da ci­vi­li­za­ção. A única forma de es­ca­par­mos à «en­tro­pia» (perda e de­sor­dem) é apos­tar em ener­gias re­no­vá­veis — as que vêm do Sol, do vento, das ma­rés — e di­mi­nuir o des­per­dí­cio e a ganância.

Tão im­pres­si­o­nado fi­cou Fulvio di Piazza com a lei­tura da­quele li­vro que o aponta como a prin­ci­pal fonte de ins­pi­ra­ção desta in­cri­vel­mente de­ta­lhada sé­rie de pin­tu­ras a óleo a que cha­mou Ashes to Ashes.

E as­sim nos mos­tra um mundo de fogo e cin­zas, «res­tos de ma­té­ria con­su­mida pelo fogo, mas tam­bém o iní­cio de um novo ci­clo. A po­ten­ci­a­li­dade da re­no­va­ção para além do fim dos dias. Se o mundo ar­der por com­pleto, tal­vez se erga a pro­vi­den­cial Fénix.» (Declarações re­ti­ra­das da­qui)

 

4 comentários

  1. André — 02/08/2012 @22:31 (3 comentários)

    ima­gens in­crí­veis e um tema tão in­te­res­sante e con­tro­verso que nos leva a pen­sar na im­pos­si­bi­li­dade do con­ceito ge­ne­ra­li­zado de “cres­ci­mento sustentável”…

    e re­la­ti­va­mente à Segunda Lei da Termodinâmica, é me­lhor não sim­pli­fi­car, deixo aqui um ar­tigo mt in­te­res­sante, já com al­guma idade, mas bas­tante ac­tual: http://jddomingos.ist.utl.pt/AmbienteDesenvolvime

  2. Ola’

    Ou no fundo a apos­tar nos dra­gões ou nos qua­tro pi­la­res da nossa mi­to­lo­gia ocidental.

    Olé,

    Nuno

    ps: So’ sei isto desde a se­mana pas­sada, mdr.

  3. Cavalcanti — 03/08/2012 @14:52 (54 comentários)

    Excelente ar­tigo, Marco. Como sem­pre, apre­ci­ando com gosto seus ar­ti­gos. ;)

    Só re­lem­brando à to­dos nós que a Segunda Lei da Termodinâmica diz, em ter­mos ge­rais, é que não há fluxo de ca­lor, de modo es­pon­tâ­neo, de um corpo de me­nor tem­pe­ra­tura para ou­tro de maior tem­pe­ra­tura. Na ver­dade, quem in­cu­tiu à nós o con­ceito (em tempo: er­rô­neo) que en­tro­pia im­plica grau de de­sor­dem em um sis­tema não-isolado foi um ci­da­dão cha­mado Duane Gish (Institute for Creation Research) que — por in­crí­vel que pa­reça — é Ph.D. Entropia e de­sor­dem es­tão cor­re­la­ci­o­na­dos, po­rém exis­tem ca­sos em que, quanto maior for a en­tro­pia — como no caso da or­de­na­ção de mo­lé­cu­las por ta­ma­nho, des­pre­zando seus in­ters­tí­cios, por exem­plo — maior é a or­dem do sistema.

    Abraços cor­di­ais.

    • Muito obri­gado pela pe­quena li­ção, Cavalcanti. :)