Não sei se o italiano Fulvio di Piazza forjou os seus pincéis nos fogos do Monte da Condenação, lugar do espírito maligno de O Senhor dos Anéis, ou andou a ver mais noticiários do que devia.
O seu mundo surrealista de cinzas e chamas inspira-se nas ideias de Jeremy Rifkin (economista) e Ted Howard (autor): em 1981, os dois publicaram um livro – Entropy: A New World View – no qual analisavam as estruturas económicas e sociais à luz da Segunda Lei da Termodinâmica.
De uma maneira muito simplificada, a Segunda Lei da Termodinâmica determina que qualquer sistema isolado termicamente tende a atingir um valor máximo de entropia. Entropia, em termos comuns, significa desordem. Em física, é uma medida de grandeza termodinâmica que nos permite conhecer a quantidade de energia que se perde num dado sistema a uma determinada temperatura.
Rifkin e Howard acreditam que o desperdício de recursos da Terra conduzirá inevitavelmente à destruição da civilização. A única forma de escaparmos à «entropia» (perda e desordem) é apostar em energias renováveis — as que vêm do Sol, do vento, das marés — e diminuir o desperdício e a ganância.
Tão impressionado ficou Fulvio di Piazza com a leitura daquele livro que o aponta como a principal fonte de inspiração desta incrivelmente detalhada série de pinturas a óleo a que chamou Ashes to Ashes.
E assim nos mostra um mundo de fogo e cinzas, «restos de matéria consumida pelo fogo, mas também o início de um novo ciclo. A potencialidade da renovação para além do fim dos dias. Se o mundo arder por completo, talvez se erga a providencial Fénix.» (Declarações retiradas daqui)














imagens incríveis e um tema tão interessante e controverso que nos leva a pensar na impossibilidade do conceito generalizado de “crescimento sustentável”…
e relativamente à Segunda Lei da Termodinâmica, é melhor não simplificar, deixo aqui um artigo mt interessante, já com alguma idade, mas bastante actual: http://jddomingos.ist.utl.pt/AmbienteDesenvolvime…
Ola’
Ou no fundo a apostar nos dragões ou nos quatro pilares da nossa mitologia ocidental.
Olé,
Nuno
ps: So’ sei isto desde a semana passada, mdr.
Excelente artigo, Marco. Como sempre, apreciando com gosto seus artigos.
Só relembrando à todos nós que a Segunda Lei da Termodinâmica diz, em termos gerais, é que não há fluxo de calor, de modo espontâneo, de um corpo de menor temperatura para outro de maior temperatura. Na verdade, quem incutiu à nós o conceito (em tempo: errôneo) que entropia implica grau de desordem em um sistema não-isolado foi um cidadão chamado Duane Gish (Institute for Creation Research) que — por incrível que pareça — é Ph.D. Entropia e desordem estão correlacionados, porém existem casos em que, quanto maior for a entropia — como no caso da ordenação de moléculas por tamanho, desprezando seus interstícios, por exemplo — maior é a ordem do sistema.
Abraços cordiais.
Muito obrigado pela pequena lição, Cavalcanti.