Não é só no desenho desta t-shirt do sÃtio Cão Azul que se afirma que o Twitter está a matar o blogging.
Experimentem pesquisar no Google usando a expressão twitter killed blogging e encontrarão bloggers que se transferiram para o Twitter, deixando os respectivos blogues com poucas actualizações ou ao abandono.
O Twitter tem ganho a preferência destes bloggers por uma questão de conveniência: ao fim de um dia de trabalho é muito mais fácil escrever uma mensagem de 140 caracteres do que perder tempo a preparar textos mais elaborados.
O Twitter tem outra vantagem importante, pois permite aumentar a nossa própria rede de contactos e influências de uma forma simples, directa e rápida.
A popularização do Twitter como causadora da morte dos blogues já é assunto antigo. O muito citado artigo de Paul Boutin na Wired já o anunciara no ano passado, ao prever que a crescente adopção destas novas ferramentas sociais seria suficiente para fazer do blogging uma coisa anacrónica: «Twitter, Flickr, Facebook Make Blogs Look So 2004».
A blogosfera nunca precisou do Twitter para viver e morrer todos os dias – sempre esteve repleta de blogues recém-nascidos, imaturos, experientes, moribundos, mortos e enterrados nos backups das bases de dados. Os blogues são como estrelas: existem em vários tamanhos e brilhos; nem sempre os maiores são os que brilham mais; nem sempre os mais gigantescos são os mais quentes. Alguns partem como supernovas, outros incham antes de definhar, outros acabam por transformar-se em estrelas de neutrões.
A grande diferença que o Twitter estabelece neste ciclo de vida e morte dos blogues é o de se apresentar como um novo destino para quem se farta da blogosfera. Manter um blogue actualizado todos os dias ao melhor nÃvel dá muito, muito, trabalho e, nesse sentido, o Twitter é a ilha das Canárias da Web, um sÃtio porreiro e aprazÃvel onde se pode passar umas férias bem merecidas. Alguns escolhem não regressar.
Os bloggers costumavam encerrar os projectos quando descobriam que afinal não tinham pedalada para os manter a um bom nÃvel; na maior parte das vezes, despediam-se dos leitores e regressavam ao anonimato, seguiam as suas vidas.
Nessa altura ninguém se lembrou de dizer que o blogging acabaria por morrer por causa destas desistências. Actualmente os bloggers não desaparecem, transferem-se para o Twitter, felizes da vida por terem encontrado uma forma mais prática e conveniente de prosseguir a sua presença na Web sem deixar de interagir e comunicar com os outros.
Os blogues continuarão enquanto forem sentidos pelos seus autores como uma vocação, um gosto, um prazer, um acto de comunicação mais profundo, uma forma de dizer através da escrita ou da fotografia ou do desenho ou do vÃdeo, seja o que for, eu sou um indivÃduo, estou aqui e sinto que tenho alguma coisa a partilhar, as minhas ideias, histórias, convicções, sentimentos, enganos e contradições. É a dedicação do blogger que mantém a blogosfera viva, não é o seu grande número.
Há lugar para todos. Muitos conseguem usar as duas ferramentas de forma muito satisfatória. Associar a ascensão do Twitter ao declÃnio dos blogues é partir do princÃpio de que adoptamos as ferramentas apenas porque estão na moda e, por isso, podem ser abandonadas como se fossem camisolas velhas que trocamos por outras. As pessoas merecem análises menos superficiais.































25 comentários
Mais uma bela reflexão, que me leva a uma questão paralela:
– há uns tempos coloquei a seguinte questão no Twitter: “É possÃvel construir uma identidade online usando exclusivamente o twitter?”
Como sou um gajo que ninguém conhece, nenhum dos meus 66 followers, apesar de haver alguns de “peso” e que se interessam por estas coisas, me respondeu.
Creio que a complementaridade que referes é fundamental, e não sei se existe algum “grande twitteiro” que antes já não tinha um blog de referência ou, pelo menos, é uma figura pública.
Por muito que me esforce, não creio que consiga transmitir tudo aquilo que sou em 140 caracteres. É preciso errar, escrever coisas parvas que perduram, discutir com leitores que caem no meu blog por acaso e não percebem o contexto de um post que já tem 3 anos e isso não é possÃvel no twitter.
Gosto da instanteneidade (será assim?) do Twitter mas como é que ali vou descobrir outro Bitaites???
Did I make my self clear??
Convido-te a visitares o meu blog: http://acordem-acordem.blogspot.com/
Passa a palavra.
Obrigada.
Para variar, tens toda a razão. A t-shirt tem piada mas fica-se só por ai. Tal como dizes, a tal esfera morre e nasce dia a dia e não há twitter ou flickr ou outra coisa que tão cedo acabe com ela…
É certo tal como referes, que é muito mais fácil Twittar. E o comentário, recompensa escondida de cada blogger, vem quase de imediato. Um que sim outro que não e até outro que propaga o Twitt. Realizado. Cumpriu a sua missão. De mim falo também que tão pouco tenho escrito ultimamente lá no blog (acho que nunca o tinha chamado assim. Terá nascido uma nova força?). Mas nunca conseguirei dizer o mesmo nas parcas 140 teclas batidas…
Excelente post Marco Santos!
De facto, não consigo compreender como é possÃvel trocar o blogging por algo como o Twitter! Na minha opinão, Blog e Twitter nem sequer são comparáveis. Têm finalidades completamente diferentes. Trocar o Blog pelo Twitter, é mudar de paixão, é enveredar por outra actividade bem mais leviana e superficial.
é pá… ó Marco, é uma reflexão introspectiva?? Digo-o porque de facto vê-se mais “bitaites” no twitter do que por aqui
quem bloga por gosto não cansa e não vejo o twitter a substituir esses prazeres de blogar
Respondo à questão com uma pergunta: que substância haveria nestes comentários se fossem limitados a 140 caracteres?
Custódio: nem mais.
marco: excelente pergunta. Repete-a no Twitter, que eu faço RT
Humm para mim o twitter é mais IM do que blogue mesmo que tenha de certa forma essa vertente assim sendo eu pessoalmente sou contra essas “passagens” e não irei efectuar semelhante operação pk para mim não ha comparação entre os dois sistemas !
Então e os infindáveis links que os bloggers colocam para as suas próprias entradas – que são um óptimo motor de busca selectivo -, estão a matar ou a alimentar a blogosfera?
saudações,
António
Pois, António. Lá está. Colocar duas plataformas em confronto e uma prestes a anular a outra não faz qualquer sentido.
Pedro, sempre tiveste perÃodos de alguma inactividade no blogue – nunca precisaste do Twitter para teres uns perÃodos de repouso. Eu já te acompanho há uns quatro anos, por isso sei essas coisas
Gil, essa coisa de estarem sempre a falar de bitaites a propósito do Twitter ainda me fará fazer um post de protesto a defender os meus direitos de autor.
Bem sei que é uma frase demasiado batida desde que Mark Twain a usou mas, como creio que se aplica (com a devida adaptação), aqui vai: a notÃcia da morte dos blogues é um tanto ou quanto exagerada. Houve, e há, tanta coisa que prometeu “matar” alguma outra coisa que qualquer certeza deste género, nos dias de hoje, parece precipitado.
A televisão ia matar a rádio e não matou. Ia dar cabo do cinema e não deu (o mesmo já não se pode dizer dos preços dos bilhetes).
A internet ia massacrar tudo, desde os jornais – e estes estão a aprender a transformar-se -, à Tv, que se adapta, à rádio, que continua a reagir. O mesmo irá acontecer com os blogues. Dentro de alguns anos (5 ou 10) poderemos não ter os blogues tal como hoje os conhecemos, mas teremos, por certo, algo parecido.
Na altura do texto do Paul Boutin escrevi um post no Certamente! a convite do Paulo Querido.
As coisas confirmaram-se: o Twitter foi benéfico para os blogs por várias razões, mas eu destaco uma: ajudou a filtrar a qualidade deles. Quem é problogger continua a blogar, cada vez com maior qualidade; quem era um blogger mediocre ou iniciante, cansa agora os dedos no Twitter e nem sequer lhe interessa encher as tais bases de dados com coisas sem interesse.
Falta ainda ter em conta o fenómeno dos Thumblr’s e dos Posterous, serviços de mini-blog que estão a crescer. Isto é bonito: é a net a auto-gerir-se, a ficar orgânica, a separar o trigo do joio, a pôr as coisas no seu devido lugar. Mesmo aquelas grande vedetas que eram “grandes bloggers”.
Marco, daqui a um ano falamos outra vez. Aqui.
Nunca acontecerá. A reinvenção e/ou opção de marcar presença através de outro sistema, é isso: opção. Qual é a diferença de visitar um blog ou o… twitter? O que conta é a presença daquela pessoa.
… e nisto, um blog é implacável na dinâmica, funcionalidade e, sobretudo substância, como alguém já disse (imagens, vÃdeos, múltipla informação, etc). Com 140 caracteres diz-se o quê? O twitter é só uma febre. Chega a ser inútil, elevando o nÃvel de inutilidade aos inúteis que o usam. Vida precisa-se.
Tal como o MMS e até a rede 3G. Enquanto novidade…
Para ser franco, considero que tenho sabido equilibrar bem a minha dedicação ao Twitter com a minha dedicação à blogosfera. Aliás, julgo até que, se não fosse o Twitter, dificilmente teria o prazer que tenho em manter o meu blogue pessoal, na medida em que tenho uma necessidade imensa de partilhar um pouco de tudo o que me vai acontecendo e vou observando… Dessa forma, o Twitter é um terreno fácil e directo para expurgar em poucos instantes uma grande porção de assuntos. Bem, mas eu sou apenas um dos que acham que os dois mundos não só não são concorrentes, como até se podem complementar.
Confesso que ainda não percebi o que é o Twitter…
@Kodiak imagina um site dedicado exclusivamente a personal messages do MSN. É apenas isso que o Twitter faz, mas fá-lo bem, com o máximo de simplicidade e capacidade de responder especificamente a uma mensagem (ou “tweet”) de um utilizador.
Da mesma maneira que antigamente o pessoal ia para o IRC mandar bitaites, pode fazê-lo agora no Twitter. Mas só tem de aturar essa pessoa quem a quiser seguir
A EA Portugal já aderiu ao Twitter, uma excelente ferramenta empresarial para anunciar em poucos segundos as novidades.
Acho que a coisa vai mais por… o Bitaites anda a falar demasiado do Twitter para o meu gosto! (crÃtica de leitor)
Acreditem que não vejo nada de especial no Twitter… é algo bem diferente (como alguém bem lembrou mais acima) é uma espécie de IM e não um blog. Só que é um IM de seguimento aberto.
Não tenho e ainda não me interessou precisamente porque pretendo uma certa reserva social on-line. Gosto de publicar conteúdos no meu blogue e gosto de receber bem os meus comentadores. Mas sempre a manter as correctas distâncias… web é impessoal. E gosto de conviver cara-a-cara ou então mais abertamente na web com os meus conhecidos -com video até- familiares, amigos, etc.
Divagando mais um pouco até.
O caro Marco Santos, há uns bons dias atrás, a respeito de uma situação fatidica, resumiu bem a sociedade on-line, talvez sem querer porque o contexto não era este mas as suas palavras são valiosas:
“É pena que tenhas compreendido demasiado tarde que a Internet só é boa para o orgulho; não faz grande coisa pela solidão.”
Esta frase diz muito do que as pessoas estão a escolher recentemente. Mandar bitaites não custa nada por SMS, twitter, chats de IMs, Hi5, etc mas se calhar fazer um telefonema a um familiar é “group”!
Depois queixam-se de estar sós… não receber amigos em casa… não ter aonde ir…
Os boms blogues dao mesmo muito trabalho a manter. Por algum motivo comecam a ser cada vez mais raros os “grandes blogues” de apenas um autor, a tendencia tem sido cada vez ter blogues colaborativos, parecendo-se cada vez mais com revistas online
@Marco
topas??
já fizeste
quanto ao “mais bitaites no twitter que por aqui”, referia-me mesmo aos updates constantes… acho que tens um rácio de 10/1 favorável ao Twitter… ou seja, twitas mais bitaites do wordpressas
Gil, eu até twitto muito pouco.
E gostava era de ter mais tempo para o blogue, para mim o blogue é que é importante, o Twitter é acessório.
Já agora, parabéns ao teu FC Porto – uma vitória na Liga inteiramente merecida (infelizmente para mim, o Benfica é uma desgraça)