→ 13/08/2009 @15:52

Os malefícios do Twitter

O Google e o Twitter

Há dias alguém contou uma piada e todos rimos, excepto um.  Este ergueu os olhos do computador e disse LOL em voz alta, um LOL sorridente e sincero. Claro que o homem não passa a vida a dizer LOL sempre que lhe contam uma anedota, mas daquela vez o riso saiu-lhe assim, como se a realidade online onde passa demasiado tempo tivesse já a mesma dimensão da realidade exterior aos computadores e às redes sociais.

Existem muitas piadas onde se brinca com termos típicos dos fóruns de discussão, do desamparado IRC e do Twitter, aplicando-os em situações inesperadas: há tempos tropecei numa montagem na Web em que se mostrava Cristo na cruz, já moribundo, a dizer BRB (Be Right Back) e um soldado romano respondendo LOL.

Estes tiques típicos de quem passa demasiado tempo online em ferramentas de redes sociais como o Twitter podem ser meramente anedóticos, mas fazem pensar sobre a forma como o nosso cérebro percepcionará a realidade no futuro e de como nos relacionaremos com a informação e as próprias pessoas.

Somos compelidos a reagir no imediato à torrente de dados que nos chega de todos os lados, mas ninguém garante que esses dados transmitam conhecimento.

Condicionados a pensar que a informação é conhecimento e que «filtrar» é o mesmo que «processar», convencemo-nos de que ao escolher uma informação e ao rejeitar outra estamos a formar uma opinião quando, na maior parte das vezes, tais escolhas, ditadas pela ditadura da informação instantânea, são imediatas, superficiais e só revelam o nosso preconceito.

Existe outro problema: um estudo de um grupo de investigadores do Brain and Creativity Institute da University of South California, dirigido pelo neurocientista português António Damásio, afirma que redes sociais como o Twitter prejudicam o sentimento de empatia, sobretudo nos jovens.

O estudo – citado no portal Jornalismo Porto.Net – questiona sobre até que ponto a rápida sucessão de acontecimentos impede a experiência completa das emoções e que implicações esta lacuna pode ter na moralidade individual. Basta ver os julgamentos sumários que se verificam na zona de comentários dos jornais online para se perceber o risco que estamos a correr. Basta ver como é pouco saudável depender em demasia de relações estabelecidas na Web quando estas são, em grande parte, superficiais, efémeras, moldadas pelas circunstâncias e facilmente descartáveis.

Entrevistado pelo mesmo portal, o neurologista do Hospital de São João, Pedro Abreu, considera que “o ser humano poderá não ter tempo suficiente para reflectir e efectuar julgamentos morais correctos, quando expostos a notícias sequenciais como o Feed ou o Twitter”. Tendo isto em conta, Pedro Abreu sugere que um dos desafios do estudo de António Damásio “será perceber como esta descoberta poderá explicar os aspectos sociais positivos e negativos que sabemos existirem nestas redes e qual o seu impacto real no comportamento moral final dos indivíduos quando expostos a estes estímulos”. Link

15 comentários

  • 1
    Mestre Slip
    com Firefox 3.5.2 Firefox 3.5.2 em Windows XP Windows XP
    13 de Agosto de 2009 - 17:00 | Link permamente

    Sem dúvida, o preço a pagar pela ultra-sónica locomotiva da evolução tecnológica. Eu também tenho as minhas nóias cibernautas, mas bolas, as coisas estão a atingir proporções assustadoras. Só de pensar que por esses “olá cinco” fora se fazem amizades com um click do rato. Uma pessoa tem 1000 e não sei quantos amigos na lista de contactos, mas se for preciso nunca os viu ao vivo. Isso assusta-me. E preocupa-me. Que mundo será este para as gerações futuras?

    Tu, Marco, que és pai, deves já ter pensado nisto. :?

  • 2
    com Internet Explorer 8.0 Internet Explorer 8.0 em Windows Vista Windows Vista
    13 de Agosto de 2009 - 17:02 | Link permamente

    Marco Santos,
    «Basta ver os julgamentos sumários que se verificam na zona de comentários dos jornais online» e a imbecilidade da maioria deles. Os comentários no CM são um bom exemplo.
    o ser humano poderá não ter tempo suficiente para reflectir e efectuar julgamentos morais correctos, quando expostos a notícias sequenciais como o Feed ou o Twitter – Nem é capaz de assimilar a informação das várias centenas de ‘amigos virtuais’ que decidiu seguir, como tem de limitar o seu raciocínio aos asquerosos 140 caracteres, facto que não lhe permitirá expor ideias com clareza ou lógica. É um mundo de bocas e do bota-abaixo, que é fácil de traduzir em poucas palavras.
    Lamento, mas tenho profunda embirração com o Twitter

  • 3
    com Internet Explorer 7.0 Internet Explorer 7.0 em Windows Vista Windows Vista
    13 de Agosto de 2009 - 19:39 | Link permamente

    Recorrendo a uma das possibilidades que a imagem revela, sou partidário da ideia que o “Twitter is a waste of time”.

  • 4
    Rui Silva
    com Google Chrome 2.0.172.39 Google Chrome 2.0.172.39 em Windows XP Windows XP
    14 de Agosto de 2009 - 10:31 | Link permamente

    O twiter é muito importante!
    1º Permite a todos os idiotas que não têm amigos ter montes de amigos…
    2º Permite que todos os idiotas que não têm capacidade para formar uma frase limitarem-se a vomitar 140 caracteres com total ausência de clareza, senso ou lógica
    3º Permite ao comum mortal ser amigo da shakira do bush de obama de michael jason que mesmo na cova ainda manda twits e até mesmo de Deus…
    4º Se alguém diz que é, é porque é mesmo essa pessoa, dado que todo o ambiente é absolutamente controlado e tudo o que lá é dito é dito com razão
    5º Permite saber coisas como por exemplo que o cão do meu amigo largou uma poia no passeio quando ele o levou a passear. Daqui extrai-se vários conceitos importantíssimos A) O twiter dá-nos informações verdadeiramente importantes, que deveriam chegar a nós num jornal de tiragem diária. B) O meu amigo, não é meu amigo nem o conheço é somente um tipo que seguia um tipo que seguia o Albert Einstein que eu também seguia. C) Esse tipo é o meu vizinho do lado mas eu não conheço porque estou no twiter, porque é um idiota ainda bem que não conheço D) O Einstein é um puto de 15 anos k odeia a ciência e só escreve baboseiras, e é um idiota E) Eu sigo idiotas e idiotas seguem-me serei eu o único não idiota?
    6) Excluem-se todos os não idiotas que deverão ser bastantes, para esses deveria existir um twitter à parte com conteúdo realmente importante. Da mesma forma que os comentários do público online estão cheios de gente que só lá vai para ser ouvida o mesmo acontece no twiter. Penso que quando o rácio entre coisas úteis e inúteis ultrapassa um certo valor os não idiotas afastam-se, daí que progressivamente o twitter tem mais lixo, e mais idiotas. Tal como os comentários do público “Um pescador cai de uma falésia” e todos os comentários são contra o governo…
    Não esquecer ainda que 140 caracteres reduzem um comentário bem construído e documentado, numa opinião vazia e abstracta… logo lixo

    Lamento a quem leu até aqui mas odeio mesmo o twiter e esse tipo de coisas online felizmente aqui encontro pessoas que partilham da mesma ideia, noutros locais davam-me um tiro. No entanto afirmo poderia de facto ser uma ferramenta muito útil

  • 5
    com Firefox 3.5.2 Firefox 3.5.2 em Windows XP Windows XP
    14 de Agosto de 2009 - 11:07 | Link permamente

    António Damásio, afirma que redes sociais como o Twitter prejudicam o sentimento de empatia, sobretudo nos jovens.

    Parece-me que estamos novamente a querer tapar o sol com a peneira. Faz-me lembrar o argumento do aumento da violência infantil estar relacionado com os jogos de computadores, Painstations, e similares… claro que pode estar sempre correlacionado (e há-de haver sempre um estudo que faça esse teste), mas existe uma montanha de outros factores que, provavelmente, até explicarão melhor o comportamento dos adolescentes, seja em termos dos tais videojogos, seja em termos de “vício” em ferramentas online como Twitter, Facebook, e afins.

    Na minha adolescência não havia internet. No entanto, já havia adolescentes introvertidos, com falta de empatia, que se fechavam no quarto, a ouvir Nirvana e a achar que o mundo lá fora era uma bosta. Mas esses adolescentes, muitas vezes acusados de “bichos do mato”, continuavam a ir à escola, a conviver com os seus amigos, tinham obviamente os seus grupos de referência e, mal ou bem, foram crescendo. Hoje já adultos, alguns são mais empáticos, outros nem por isso. Quantas pessoas conhecemos nós que são um zero em empatia, em reconhecer as emoções do próximo? Não falo de simpatia, pois isso nada tem que ver com a tal empatia, referida pelo Damásio.

    um dos desafios do estudo de António Damásio “será perceber como esta descoberta poderá explicar os aspectos sociais positivos e negativos que sabemos existirem nestas redes e qual o seu impacto real no comportamento moral final dos indivíduos quando expostos a estes estímulos

    Não podia estar mais de acordo com este ponto. Até porque vai uma grande distância desde o que o indivíduo apregoa que faz até ao que faz efectivamente. Não é preciso ser neurocientista… basta pensar no nosso amigo que sabe que deve deixar de fumar, mas não deixa. Ou naquele que diz que é uma sex machine, mas só pontua uma vez por mês. Ou ainda na amiga que diz que come imenso mas, na realidade, é uma anoréctica que almoça uma ervilha. E por aí fora… No dia em que a ciência perceba o que antecede o comportamento, muita coisa irá mudar. Por enquanto, apenas vamos tendo algumas possíveis explicações

    Eu também não sou fã do Twitter, mas acho abusivo que se julgue que, de repente, a juventude vai deixar de ter empatia, que não vamos mais sentir emoções, que um amor vai durar apenas uma manhã porque o SMS acelera as várias fases de um relacionamento… enfim, tenho lido de tudo um pouco. Recordo sempre a conversa da avó: só porque as raparigas começaram a sair a noite, de repente somos todas umas grandes malucas e a juventude está perdida. Tem impacto? Claro que tem… mas também não é nada de apocalíptico.

  • 6
    com Firefox 3.5.2 Firefox 3.5.2 em Fedora 11 Fedora 11
    14 de Agosto de 2009 - 12:11 | Link permamente

    No meu tempo os amigos se reuniam na esquina. Já nos reunimos as dezenas, principalmente no verão, ali mesmo, na esquina.
    Na adolescência, de manhã íamos à praia onde ficávamos até a hora do almoço. De volta de casa, para a praia novamente até umas 6/7 da tarde. Depois casa, banho, jantar e esquina até tarde.
    Falávamos nada na mesma. Não cometíamos tantas gafes linguísticas pois bastava falar. E falando até z tem som de 2 s. Contávamos piadas. Trocávamos figurinhas (cromos) e depois, mais velhos, namoradas (os).
    Mas na base, se espremer, não saia nada daquilo. A melhor conclusão que cheguei na esquina, num dia de carnaval depois de cheirar um jato de lança-perfume, foi a de que deus não existia e que aquilo era somente uma habilidade de minha mente, que podia chegar onde eu quisesse desde que bem entorpecida.
    No resto nada valia, mas fazíamos aquilo a que nós fazemos melhor, até hoje e ao longo de nossas vidas assassinas: matávamos o tempo.
    Hoje não é a esquina mas o Twitter, uma esquina mais ampla, global, não fosse nossa aldeia mais larguinha.
    Ontem fora os convescotes, amanhã será a telepatia possível a partir da implantação de dispositivos Bluetooth em nossos cérebros, quando faremos redes sociais em nossas cabeças e “emparelharemos” nossos amigos. E depois … sei lá de depois. Já não estarei aqui pra ver.
    A merda é a mesma. Só mudam as moscas e a tecnologia. :lol:

  • 7
    com Firefox 3.5.2 Firefox 3.5.2 em Fedora 11 Fedora 11
    14 de Agosto de 2009 - 12:29 | Link permamente

    Quanto ao, a princípio, absurdo execrício de futurologia do comentário anterior, ele é um de meus objetos de estudo prediletos e chama-se BCI.

    Já escrevi um romance baseado nesta hipótese. Mas ainda não foi publicado. Imaginem: as pessoas viam as imagens, ou mesmo sonhavam com elas, e depois imprimiam numa impressora a cores! Tudo por uma interface I/O implantada no cérebro. Fascinante. Enquanto lá não chegamos, ficamos por aqui a nos divertir com o Twitter.

    A diferença entre um adulto e uma criança é mesmo o preço, e a complexidade, dos brinquedos, no resto são sempre iguais.

  • 8
    Maria
    com Safari 4.0.2 Safari 4.0.2 em Mac OS X 10.4.11 Mac OS X 10.4.11
    14 de Agosto de 2009 - 20:27 | Link permamente

    Não percebo a utilidade do twitter, já o mesenger uso muito para “conversar” com amigos e esclarecer dúvidas de alunos…

  • 9
    com Internet Explorer 7.0 Internet Explorer 7.0 em Windows Vista Windows Vista
    15 de Agosto de 2009 - 15:01 | Link permamente

    Uma agência de marketing norte-americana desenvolveu um estudo de análise às mensagens do Twitter e revelou que a maioria das mensagens escritas pelos utilizadores é sobre «nada»
    Bem…o Seinfeld era sobre…nada, e era um enorme sucesso :D

  • 10
    com Internet Explorer 7.0 Internet Explorer 7.0 em Windows Vista Windows Vista
    15 de Agosto de 2009 - 15:07 | Link permamente

    @Edgard Costa,

    No meu tempo os amigos se reuniam na esquina. Já nos reunimos as dezenas, principalmente no verão, ali mesmo, na esquina.
    Na adolescência, de manhã íamos à praia onde ficávamos até a hora do almoço. De volta de casa, para a praia novamente até umas 6/7 da tarde. Depois casa, banho, jantar e esquina até tarde.

    Por momentos, pensei que me tinha cruzado com um dos meus amigos de longa data, que recordava o tempo em fazíamos precisamente isso que disse.
    Se puder, espreite isto “Eu Brincava assim…” e isto “Melanomas e problemas alimentares

  • 11
    com Firefox 3.5.2 Firefox 3.5.2 em Fedora 11 Fedora 11
    15 de Agosto de 2009 - 20:06 | Link permamente

    @bluewater68

    E minha adolescência foi passada na Praça do Lido, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Para vermos que o Twitter, como a esquinas, é uma das possíveis formas de relacionamento, condicionadas pelo tempo.
    No nosso era a praia e a esquina, a matinée dominical nas discotecas dos clubes. Hoje, não saem da mesma cadeira. Brinco com os meus filhos dizendo que se eu os mandasse ficar sentados na cadeira por castigo, tanto tempo quanto ficam sentados a frente do computador, certamente que me chamariam de carrasco, algoz, verdugo, torturador! :)
    Quando tiver um tempo farei um postal semelhante ao “Eu brincava assim…” para comparamos as adolescências luso brasileiras. :)

  • 12
    com Internet Explorer 8.0 Internet Explorer 8.0 em Windows Vista Windows Vista
    15 de Agosto de 2009 - 21:33 | Link permamente

    @Edgard Costa,
    terei todo o gosto em ler :-)
    Você ainda costuma passar por esses sítios? Tudo muito diferente?
    Eu moro no Algarve, mas de vez em quando ainda passo por aquele Alto S. João para ir ao cemitério. De todas as vezes que lá passo, é sempre uma angústia enorme. Olho para aquele sítio e só vejo carros em cima do passeio. Não vejo miúdos a jogar à bola, ao berlinde, ao hóquei em campo, ao disco, aos canudos, etc. etc
    Para a cena ficar completa, só falta mesmo a música do “Cinema Paraíso”, quando ele volta à aldeia e vê como tudo tinha mudado :|

  • 13
    com Firefox 3.5.2 Firefox 3.5.2 em Fedora 11 Fedora 11
    15 de Agosto de 2009 - 22:49 | Link permamente

    @bluewater68

    Não. Já não passo mais por lá, faz anos. Já moro aqui em Sintra há 21 anos e a última vez que fui ao Brasil foi em 2.000, mas não fui ao Lido. Mas notei que tinha mudado alguma coisa em algumas fotos que vi.

    Se ver no Google Maps bem de perto, verá um grande prédio dominando a praça. É uma escola. Chama-se Roma e foi onde estudei todo o primário (ná época do 1º ao 6º ano, de 1965 a 1970, já que pulei o 2º ano). Depois até a forma de contar os anos escolares mudou. Tudo mudou. Tudo muda e é isso que faz a vida excitante. Se fosse tudo igual, sempre, nem lascaríamos a pedra ainda! :)

  • 14
    com Internet Explorer 6.0 Internet Explorer 6.0 em Windows XP Windows XP
    19 de Agosto de 2009 - 02:11 | Link permamente

    @bluewater68
    Também eu brinquei no A.S.João, já espreitei o teu blogue e deixei lá um comentário relacionado.

  • 15
    com Internet Explorer 8.0 Internet Explorer 8.0 em Windows Vista Windows Vista
    19 de Agosto de 2009 - 07:33 | Link permamente

    @betonogueira
    Já vi :-) Neste período de férias tenho estado pouco tempo à frente do PC. Mas deixo aqui o recado que vi e gostei muito do comentário, e farei resposta assim que puder

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