
Existem várias formas de lidar com a pirataria, algumas das quais ultrajantes (vejam este exemplo dos nazis da RIAA). Este tipo de atitude tem como consequência afastar os livres pensadores da luta anti-pirataria, como se pode verificar com a decisão de um grupo de estudantes de direito liderado pelo próprio professor de travar um combate contra a RIAA nos tribunais. Razão: um dos estudantes fez o download de sete canções durante a adolescência e a organização exige do rapaz e da família uma indemnização de 1 milhão de dólares. Note-se que o valor das canções pirateadas não ultrapassa os 7 dólares no iTunes. (Ler história completa).
Há quem procure combater a pirataria com outro tipo de abordagem mais honesta e humana, como se vê pela mensagem que o programa USB Overdrive X deixou:
O seu código de registo é pirateado. Não podemos impedir os hackers de gerar códigos, por isso vamos aceitar o seu registo à mesma. No entanto, há uma coisa que deve saber: desta vez não está a roubar dinheiro aos tipos grandalhões. Está a roubar de pessoas que contam com a sua honestidade para ganhar a vida.
Ao invés de perseguir os infractores como um cão-de-fila, o responsável pelo software – Alessandro Levi Montalcini – decidiu mostrar-se como pessoa e apelar à consciência de quem se encontra do outro lado. Não sei se está a dar resultado – espero sinceramente que sim – mas sempre é preferível este tipo de abordagem. Visto originalmente no blogue The Pirate’s Dilemma































18 comentários
Muito sinceramente, não sei quem é pior: as pessoas que criam e/ou divulgam os cracks e serials, quem os usa ou quem desenvolve software ditatorial/fechado. É quase «venha o diabo e escolha»
ps: vem vindo de novo à “postagem” (esta palavra causa-me dores agoniantes só de pensar nela) frequente.
Concordo Bruno, aliás, quem usa software proprietário está a alimentar criminosos no mercado da pirataria e ladrões que roubam dados através de spyware/malware de forma a vender a empresas/ outros ladrões!
“Obrigar” o hacker a clicar num botão que diz “shame on me” é o mais original de tudo
.
Acho que estão a ser demasiado extremistas contra o software proprietário. Proprietário e open-source devem sempre coexistir, trata-se de dar escolha aos utilizadores. Além de que é perfeitamente legítimo alguém querer viver do software que produz, e logo por esse motivo torna-lo fechado e comercial.
Note-se que eu sou defensor do open-source, mas isso não obriga a que automaticamente ataque o closed-source. O extremismo é o que mais tem afectado o movimento.
Quanto à pirataria, ela vai sempre existir e a melhor maneira das empresas lidarem com ela é precisamente aceitar isso e preocuparem-se em oferecer um produto melhor para quem realmente o compra e deixar mais limitado quem o “saca da net”. Porque as medidas anti-pirataria actuais (como DRM e afins) só prejudicam quem compra o produto, o que fomenta o recurso à pirataria.
@rogeriopvl
Dizer que dictatorware e software livre devem poder coexistir é o mesmo que dizer que ditaduras e democracias devem poder coexistir. Se a segunda não deve acontecer, a primeira também não!
Uau que analogia mais sem jeito! Esse mundo idílico de que o software deve ser todo open-source e toda a gente o usa livremente e de graça, estaria muito próximo do comunismo. E é o comunismo que costuma estar ligado a ditaduras…
Tal como diz o rogeriopvl tanto o software proprietário, tal como o open-source podem e devem coexistir. Não permitir que alguém crie um software útil e tire daí lucros, é inconcebível. Isso também não impede alguém de criar um software com o mesmo fim open-source.
Hj está na moda dizer mal do windows e do seu império do mal e tomar o windows como o exemplo de como o software proprietário é um prisão, blah blah blah, metam o linux que é livre, blah blah blah, se todos usassem linux tudo era uma maravilha, blah blah blah, unicórnios e arco-íris.
Mas software proprietário não é só isso, como podes ver pelo exemplo do post acima. Pensas que o gajo que desenvolveu o programa se alimenta do ideiais do open-source?
Apesar de assíduo leitor do bitaites, só agora me registei para vir cá manifestar a minha solidariedade com os posts do @rogeriopvl e do @Caldo Verde!
Nem o Marco escreveria melhor
Um abraço
Andam sempre a falar mal dos Mugabes e do regime chinês, mas quando é com os computadores já defendem os coitadinhos dos senhores que precisam de ganhar a vida. Querem dinheiro? Ganhem-no justamente!
Então como é que se ganha dinheiro justamente?
Ser programador não é ganhar dinheiro justamente?
Enfim… se os fanboys são um bocado obcecados pela apple, tu és a cara da obsessão pelo open source!
Ponhamos as coisas desta maneira:
Eu faço um software proprietário – Microsoft. Tu gostas compras… não gostas, fazes tu um melhor e distribuis gratuitamente ou como quiseres!
Mas não me podes condenar a mim por ter feito uma coisa e vendê-la, ou podes?
Ou a BMW tem que divulgar os segredos dos carros deles? Para que no futuro todos tenhamos um carro melhor, feito em casa, ou por um construtor único sem fins lucrativos…
Para ti ganhar dinheiro justamente deve ser na agricultura, ou como empregado fabril!
Enfim… acho que precisas de olhar à tua volta e ter noção do mundo dos negócios que está à tua volta! Hoje em dia vale tudo para ganhar dinheiro… E esta nem é das piores profissões com certeza!
Digo-te mais:
Dou muito mais valor aos que programam, e ganham o pão deles à custa dos programas que fazem e vendem, do que aos teus colegas do Planet Geek, que vivem à custa de blogs, e de maneiras de tirar lucros e rendas nos Blogs!
Como disse alguém bastante mais inteligente que nós, à uns anos atrás:
“O segredo da criatividade é saber como esconder as fontes”
Não quero dizer que não concorde com o filosofia do open-source! Pelo contrário! Apoio, e dou muito valor… Mas não vamos dizer “Amen” a tudo o que o Stallman diz, e chamar os nomes todos ao Bill Gates!
Vamos dar mérito a ambos, por vitórias distintas.
Pensa nisto
(subscribe only)
António, alguma vez paraste para analisar tudo o que pensas e o que os outros dizem? Sobre este assunto em particular, já o faço à mais de um ano, a pouco meses de fazer dois anos. Farto-me de ler e questionar as coisas, para ver se são verdade ou mentira, se têm ou não sentido, e a cada dia que passa o software fechado faz cada vez menos sentido para mim. Mas isso talvez se deva ao facto de eu dar valor a umas coisas chamadas liberdade, transparência e honestidade, entre outras. Conheces?
Da próxima vez que disseres o Mugabe ou alguém como ele é um tirano, pensa na tirania digital que te sujeitas todos os dias e talvez aí comeces a aperceber-te que, só por agora ser assim, não torna o dictatorware moral e eticamente correcto.
ps: do meu ponto de vista, ganhar dinheiro justamente, meu acéfalo, é ganhá-lo sem roubar os direitos dos outros e sem os fechar, seja em que sector for.
Não vou gastar o meu tempo contigo que não mereces… mas pode ser que elucide ou esclareça alguém que leia estas palavras.
Tu teimas em comparar o software fechado com o Mugabe, mas o que tem uma coisa a ver com a outra?
Eu faço um programa espectacular, perco um ou dois anos da minha vida – sem ganhar dinheiro, e talvez ainda a pagar a outros – a desenvolver um software. E depois, só porque tudo tem de ser livre, e todos temos o direito de saber tudo, tenho que disponibilizar o código que eu e a minha equipa desenvolvemos! Ou seja, basicamente vou mandar o meu trabalho ao ar, porque a partir daí o programa fica livre e ninguém paga por ele. E eu vou tirar o meu rendimento de onde? – Da publicidade que meto no site? Vou ganhar dinheiro de clickes, que podem ou não dar?!
Estava na altura de abrires os olhos e veres que há duas mentalidades distintas a adoptar! Uma que vende o software, e pouco ou nada abre sobre ele – Microsoft -; e outra que distribui as coisas livremente, e que depois ganha por outro lado -Mozzila, Google, Algumas distros de linux que ganham com a assistência, etc
Mas cada um é livre de escolher onde se mete! Eu concordo com a política deles, compro e pronto. É uma decisão minha. Pago, porque quero o produto deles, que eles desenvolveram.
Quem não concorda, arranja outras coisas, também está correcto.
Mas não podemos escolher uma face à outra. São duas mentalidades distintas, e não podemos dizer que uma é espectacular, e havia de ser tudo livre no mundo… e a outra são os piores, porque não abrem mão de nada!
Quando vires o Luís de Matos, ou o David Copperfield, pede-lhe para te ensinar os truques todos. Diz-lhe que não gostas de coisas fechadas, e que as coisas têm piada é se todos soubermos os “segredos” uns dos outros.
E que um ganha pão decente, é não me roubar e fechar os direitos! E eu tenho direito a saber os truques que eles perdeu meses ou anos a estudar! Porque eu vivo numa sociedade em que tudo é transparente!
Acorda Bruno…
António, então diz-me como é que as pessoas da comunidade livre fazem dinheiro com as soluções abertas que desenvolvem e como é que os tipos dos freewares ganham a vida?
Sai de casa e toma contacto com o mundo. Numa dessas saídas (que já te parecem fazer falta à muito), aproveita e vai a uma biblioteca, lê todos os livros de história que conseguires e depois diz-me porque é que a livre partilha de conhecimento teve uma influência tão grande na evolução física, cultural, social e tecnológica humana. Depois, vê se é só coincidência que, quando se tentou fechar o conhecimento, houve um abrandamento – nalguns casos, estagnação – da evolução tecnológica e um retrocesso cultural e social.
E nunca te esqueças que o conhecimento que usas hoje levou muitas horas a descobrir à uns tempos. Vais partilhar os lucros, se é que os terás, porque uma aplicação fechada dá-te tantas garantias de lucro como uma aberta, do teu dictatorware com quem perdeu horas, dias e anos a chegar ao conhecimento que hoje usas? Não me parece que o faças. Pareces ser demasiado fascizóide para o fazer. Não és diferente dos mapunhetas que achavam que, só por terem clubes de vídeo nos dias que correm, iam ter lucros
@Bruno Miguel
Eu percebo perfeitamente o teu ponto de vista, já passei por ele, mas acredita não é o mais correcto, se é que existe algum 100% correcto, porque isto no fundo são gostos, cada um usa o que lhe apetece. Se apetecer comprar compra, se apetece sacar saca, se apetece usar livre e aberto usa.
As empresas nunca vão usar certos softwares livres porque precisam de garantias. O seu negócio depende dessas garantias que determinado software tem para oferecer.
Lembro-me de ter lido um artigo em inglês onde um individuo que apoiava o software-livre perguntou ao seu patrão (empresa) porque motivo não usavam Mysql e PHP/Python/Rails em vez das tecnologias .NET. Ele simplesmente respondeu:
- “Because if something fails, there’s no one to sue.”
A realidade é esta. Porque o grátis (leia-se livre) pode sair caro (falando a nível de empresas claro, porque a nível pessoal penso que traz bastantes vantagens).
Parece-me bem mais importante gastar energias a contribuir para o software livre do que andar constantemente a discutir e apontar o dedo ao software proprietário e Microsoft.
O software livre está de boa saúde não precisa de fanatismos
@rogeriopvl de facto essa é a realidade, as empresas não gostam de arriscar, preferem jogar pelo seguro.
É pena que essa seja a realidade, pois num mercado (em crise) e tão competitivo como o actual a inovação é algo prioritário. O software livre está cada vez mais preparado para chegar ao mainstream. Talvez 2009 seja o ano do salto.
Nem mais @rogeriopvl
No ano passado tive a oportunidade de ir fazer formação em autómatos à Bresimar, empresa de Aveiro.
E o Eng. que nos deu a formação disse-nos exactamente o mesmo!
Toda a gente gosta do linux, mas o prolema é mesmo esse. Se der erro, ou se o software falhar num momento crítico, ninguém vai ligar para o programador da Nova Zelândia com o nick xptzo26 para lhe pedir satisfações.
Não vou acrescentar mais nada que está tudo dito!
Vocês falam como se não existisse suporte técnico para software livre. Existe e há muita gente a facturar com ele.