O Planet Geek (PG) tem um mapa Google onde podemos saber de onde blogam os seus respectivos autores. Eu até devia estar bem caladinho e não falar no assunto, pois ainda não me dei ao trabalho de enviar ao Mário Gamito as minhas coordenadas. Palpita-me que qualquer dia recebo na mailing list uma mensagem do género Ó Marco do Bitaites, então essas coordenadas, ó ganda preguiçoso?
As coordenadas enviadas por alguns dos meus companheiros no PG fizeram com que fossem parar a meio do mar. Algumas más-lÃnguas poderão dizer que esse erro só foi possÃvel por terem passado as aulas de Geografia a cobiçar discretamente o rabo da colega na carteira da frente. Acho muito bem que o tenham feito – as mulheres têm a sua própria e sublime Geografia, e geek que é geek está sempre desejoso de lhe conhecer as coordenadas. Não foi o grande geógrafo Richard Hartshorne quem definiu a Geografia como «a ciência da diferenciação de áreas»? E nós bem sabemos como as mulheres prezam um tipo que saiba diferenciar as áreas.
Ir parar a meio do mar também pode ser um acto de contracultura. Basta que um geek tenha lido o poeta John Donne («Nenhum homem é uma ilha isolada…») para que faça questão de se transformar numa – só para contrariar. Os avanços do mundo têm sido conduzidos por gajos que de vez em quando também resolvem armar-se em mete-nojo e contrariar as ideias pré-estabelecidas dos outros.
Um dos maiores mete-nojo da História foi, por exemplo, Einstein, que baralhou a nossa noção de Tempo e de Espaço; outro mete-nojo foi Heisenberg, quando demonstrou com a mecânica quântica que a nossa percepção da realidade é insuficiente para a compreender.
Tanto um como outro, nem é preciso dizê-lo, foram grandes geeks.
Reafirmo: geek que é geek engana-se nas coordenadas do mapa e fica a viver no meio do mar – mesmo que vá passar as noites a Almada ou à Covilhã. É uma forma de estar na vida. Vejam bem o nosso grande poeta Camões: ele nadou com uma mão no mar e a outra bem erguida ao céu numa desesperada e bem sucedida tentativa de salvar os preciosos papéis que viriam a constituir Os LusÃadas. Substituam Camões por um gajo a tentar salvar uma disquete e encontrarão um blogger compulsivo tentando salvar os seus preciosos posts, ou seja, tentando salvar uma parte importante da sua própria vida.
Além disso, parece-me que os portugueses ficam sempre bem no mar, mesmo quando lá vão parar por engano.































Um comentário
Aahahaah, muito bom!!