Inventa celebridades improváveis, celebridades de ocasião e dá a conhecer gente talentosa que construiu uma carreira fora da rede. Existe uma Net antes do YouTube e outra depois do YouTube.
A 14 de Fevereiro de 2005, o domÃnio YouTube.com foi registado por três jovens: Chad Hurley (nascido nos Estados Unidos em 1976), Steve Chen (na Ilha da Formosa, em 1979) e Jawed Karim (na então República Federal da Alemanha, em 1979). Trabalhavam na PayPal, empresa especializada em transacções financeiras online, antes de fundar o YouTube. Agora, com pouco mais de 30 anos, são milionários.
23 de Abril de 2005 é outra data a recordar: nesse dia o co-fundador Jawed Karim fez o upload do primeiro vÃdeo no YouTube: Me at the Zoo, filmado no Jardim Zoológico de San Diego. Aqui é possÃvel ver-se uma compilação dos 20 vÃdeos mais antigos do YouTube, começando com o de Karim. Foi há cinco anos.
Quase de um dia para o outro, entrava em funcionamento uma página web onde qualquer um podia facilmente mostrar os seus vÃdeos, originais ou copiados da televisão. Estes vÃdeos ficavam acessÃveis, com a mesma facilidade, a todas as pessoas com acesso à rede – centenas, milhares, milhões de pessoas, à medida que o sÃtio (e a própria Web) ia crescendo. Uma plateia à escala mundial.
Já existiam várias possibilidades para se verem vÃdeos online antes do YouTube, mas como explica um case-study da Universidade de Chicago, publicado em 2007, tudo era então demasiado complicado: o upload dos vÃdeos era uma chatice, vê-los exigia a paciência que o internauta nunca tem: nenhum sÃtio permitia o armazenamento viável dos vÃdeos; para os ver, era preciso esperar que o download fosse feito; não existia forma de organizar os vÃdeos por conteúdo ou qualquer tipo de interacção com o utilizador. O YouTube atacou esses pontos fracos, e venceu.
No Verão de 2006, era já um dos sÃtios com maior taxa de crescimento e o quinto mais popular em termos absolutos, segundo dados da Alexa, empresa que analisa o tráfego e a informação na Web. Nesse ano, já eram vistos, em média, 100 milhões de vÃdeos por dia, com 65 mil a serem enviados a cada 24 horas. O número de visitantes únicos, em 2006, era de 63 milhões por mês; em 2009, 375 milhões. Um artigo publicado pela Trefis, comunidade online de analistas financeiros e de mercado, prevê que o YouTube atingirá os 700 milhões de visitantes únicos em 2016.
Grande parte do dinheiro vem da publicidade, mas a sustentabilidade, a longo prazo, de um modelo de negócio baseado quase exclusivamente em receitas publicitárias, levanta ainda dúvidas a muita gente. Ainda assim, o sucesso do YouTube tornara-o muito apetecÃvel.
A 9 de Outubro de 2006, outro gigante nascido num pequeno espaço convertido em escritório – a Google – manifestou a intenção de comprar o YouTube. Preço: 1,65 mil milhões de dólares, cerca de 1,2 mil milhões de euros. O negócio foi fechado a 13 de Novembro.
O YouTube criou celebridades improváveis, celebridades de ocasião e até gente talentosa que construiu uma carreira fora da rede, como aconteceu com a cantora portuguesa Ana Free.
Não interessa, sequer, ser um caso de talento ou originalidade: basta causar impacto, ser visto e falado. Um adolescente indonésio que gosta de mostrar vÃdeos de si próprio a fazer karaoke é uma celebridade no YouTube por cantar pessimamente e não por ter uma boa voz. O YouTube é o paraÃso dos cromos.
O sÃtio também serve para encontrar gente talentosa que de outra forma teria dificuldade em dar-se a conhecer.
O último exemplo notável de como o YouTube é o canal para todos os sonhos e possibilidades aconteceu ao publicitário uruguaio Fepe Alvarez: com um orçamento de 200 euros (mais uns trocos), muito talento e imaginação, fez uma curta-metragem chamada Ataque de Pânico, mostrando robôs gigantes e naves espaciais invadindo a cidade de Montevideu.
Alvarez contou à BBC que enviou o vÃdeo para o YouTube numa segunda-feira. Na quinta, o seu correio electrónico já estava «cheio de propostas de estúdios de Hollywood: uma loucura». Não se sabe se terá sido escolhido pelo talento cinematográfico ou por ser tão poupadinho, mas graças à sua aventura no YouTube os estúdios deram-lhe 21 milhões de dólares (quase 15,5 milhões de euros) para fazer um filme nos Estados Unidos, co-produzido por Sam Raimi, realizador das séries Evil Dead e Homem-Aranha. Tal é o poder do YouTube.
A propósito do quinto aniversário do primeiro upload, o jornal The Sun fez um apanhado dos dez vÃdeos mais vistos da história do YouTube. Aqui.































7 comentários
Acho que já não iria conseguir viver sem o Youtube. Ou melhor, conseguir até conseguia, mas não seria a mesma coisa
.
Sem dúvida um dos pontos chave das redes sociais da era 2.0.
Até admira não teres aberto uma excepção e metido por aqui um video do YouTube, para assinalar a data.
YOUTUBE ??? Nunca ouvi falar.
apenas nesta notÃcia conheci o video “cristian the lion” e ao ver aquelas imagens com os aerosmith em som de fundo, as lágrimas cairam-me pela face descontroladamente..que momento!
obrigado Marco
Mais que uma Internet antes e depois do YouTube, uma TV, um mercado publicitário, uma rádio… um Mass Media antes e depois dele. Para além do direito de autor, iletracia, fronteiras, oportunidades, etc. Nada mais é como antigamente. E o que dizer da Internet TV da Sony, que tem como atractivo a possibilidade de aceder ao YouTube? Mas isto ainda é um efeito global de um fenómeno único, chamado revolução digital, que está em andamento e ainda vai provocar muitas outras modificações no meio de vida das pessoas. O YouTube está para a TV assim como o email para os Correios ou o mp3 para as editoras musicais. Nada será como antes, amanhã…
marco, parabéns por mais um excelente artigo (ou post…)!
no entanto, fiquei confuso com aquele 13 de setembro na aquisição do youtube pela google.
na rápida pesquisa que fiz, só encontrei informação sobre 9 de outubro, mas esse 13 de setembro passou-me ao lado.
podes esclarecer, sff?
Em Outubro, o Google torna pública a intenção de comprar o YouTube. Da intenção à concretização ainda passa algum tempo. A 13 de Novembro – e não Setembro, o post estava errado aà – o negócio fica fechado.