O Portugal profundo tem aldeias que mantêm o forno comunitário.
A ideia é óbvia. Como só se coze pão uma vez por semana, porquê cada elemento da aldeia ter um forno que passa a maioria do tempo sem ser utilizado?
Estes costumes foram-se perdendo à medida que, por via da especialização das sociedades, se tornou mais barato comprar pão do que comprar o trigo, moer, fazer a massa e pôr no forno.
Outros meios mantêm o seu preço alto e muitas vezes precisam de ser partilhados. É o caso dos tractores.
A nossa sociedade tem-se tornado cada vez mais individualista, o que faz com que hoje os tractores não se partilhem, aluguem-se.
O acesso à Internet é um pouco como os tractores: aluga-se. Por outro lado, se tivermos Internet em casa, não a podemos utilizar em casa de outros.
Uma solução que foi surgindo em cidades americanas foi o surgimento de comunidades Wireless que partilhavam o acesso à Internet. Alguns faziam-no por filantropia, outros por economia. Neste caso, um grupo de pessoas que moram perto podem partilhar acesso e os custos respectivos.
Em Portugal também temos este conceito. A sua face mais visível é o Movimento Wireless Português, com 15.000 utilizadores e quase cem comunidades. No momento em que se democratiza cada vez mais o acesso, talvez fosse interessante pensar nesta alternativa e juntarmo-nos a uma comunidade Wireless.
Isto pode ser feito com garantias e segurança recorrendo a Software Livre/Aberto. De facto, existem várias aplicações SL/A que permitem controlar os acessos e disciplinar o consumo de banda. Estas aplicações funcionam principalmente sobre Linux.
Com comunidades locais fortes, será eventualmente possível um dia em Portugal fazer a interligação virtual delas. Um cibernauta que dê acesso no Porto a outros utilizadores, quando se deslocar a Lisboa pode ligar-se a uma comunidade local, inserindo o login e a password.
Wireless Comunitário não é assim pendurar-me no router do vizinho sem o seu consentimento.
Como nos tempos do forno comunitário, a componente de confiança é essencial, tal como o civismo na utilização.
Vivendo no campo, a 1 km da casa mais perto, só conseguirei partilhar a minha ligação com a coruja-da-torre que vive na minha chaminé. Com o evoluir da tecnologia, os alcances das antenas (Access Points) vão sendo maiores e a esperança permanece. Comunidade da Azóia de Baixo/Santarém, aqui vamos nós.
A imagem incluída significa que este post de Paulo Trezentos e os seguintes estarão sob licença “CC”: pode reproduzir o texto, modificá-lo e distribuí-lo.































3 comentários
Ver comunidade FON: http://www.fon.com
A questão é que a maioria (senão todos) os ISP’s portugueses, tem no contrato, clausulas que não permitem que os clientes partilhem mas ligações com 3ºs.
A minha rua já há dois anos q está toda coberta por rede wireless e tem funcionado perfeitamente. Não me consta que exista alguma ilegalidade nestas comunidades. O que sei é que somos 6 a usufruir da internet, em vivendas separadas, e os 10€ que pago por mês com direito a 24Megas com não sei quanto de downloads e essas coisas, justificam e muito o investimento inicial…