O mundo dos geeks. Computadores, Brinquedos, Wallpapers, Internet, Publicidades, Blogues

→ 19/05/2013 @18:28

Está bem abelha

A pu­bli­ci­dade no blo­gue serve es­sen­ci­al­mente para pa­gar as des­pe­sas com o Bitaites – 600 eu­ros por ano, se que­rem sa­ber, pa­gam o que de me­lhor se apro­xima de um ser­vi­dor de­di­cado sem ter re­al­mente um ser­vi­dor dedicado.

Mas sou tão pi­cui­nhas com a pu­bli­ci­dade que aqui co­loco como sou com o pró­prio blo­gue, pelo que quando sur­giu a pos­si­bi­li­dade de co­lo­car este qua­dra­di­nho aqui ao lado (não na pá­gina prin­ci­pal, mas na pá­gina in­di­vi­dual dos ar­ti­gos) pro­mo­vendo um ser­viço de alo­ja­mento on­line por­tu­guês, o Abelhas.pt, de­cidi experimentá-lo a ver se fa­zia sen­tido tê-lo aqui.

Abelhas.pt

Uma coisa posso desde já di­zer: pa­ra­béns a quem criou a ima­gem deste ser­viço. Conseguiram fa­zer com que uma abe­lha pa­reça tão sim­pá­tica e ino­fen­siva como uma ce­go­nha e, tal como esta, com ca­pa­ci­dade para car­re­gar «be­bés» de um lado para o outro.

Neste caso, os «be­bés» são aquilo que qui­ser­mos: pro­gra­mas, do­cu­men­tos, pas­tas, mú­si­cas, fo­tos, por aí fora, com a res­pon­sa­bi­li­dade le­gal do que de­ci­dir­mos co­lo­car (e par­ti­lhar na col­meia) a ser in­tei­ra­mente as­su­mida por nós.

O pro­cesso de ins­cri­ção no site é sim­ples: es­cre­ver o email, nome de uti­li­za­dor e palavra-chave de acesso, e se­guir em frente. O pró­ximo passo é acei­tar os ter­mos do ser­viço – e as­sim fiz.

Mas aten­ção a este passo por­que, em baixo, pedem-me que se­le­ci­one a op­ção de «dar o meu con­sen­ti­mento para que os meus da­dos pes­so­ais se­jam pro­ces­sa­dos pela base de da­dos se­gura de en­de­re­ços da Internet com a fi­na­li­dade de en­ca­mi­nhar ma­te­ri­ais in­for­ma­ti­vos ou co­mer­ci­ais.»

Está bem abe­lha – nem pen­sar! A op­ção não é obri­ga­tó­ria para usu­fruir do ser­viço, por­tanto aconselho-vos a desmarcá-la e se­guir em frente, a não ser que gos­tem muito de re­ce­ber «anún­cios ami­gá­veis por cor­reio ele­tró­nico». A mi­nha pasta de spam está cheia des­ses ami­gui­nhos.

Feito isto, só pre­ci­sa­mos de con­fir­mar a nossa ade­são atra­vés do link en­vi­ado para o email com que nos inscrevemos.

Tal como o Dropbox, o Abelhas é um ser­viço de ar­ma­ze­na­mento de fi­chei­ros on­line – a di­fe­rença cru­cial é o es­paço ili­mi­tado de ar­ma­ze­na­mento ofe­re­cido e a pos­si­bi­li­dade de fa­zer par­ti­lhas sem restrições.

Os fi­chei­ros que lá co­lo­car­mos po­dem es­tar aces­sí­veis a to­dos os ou­tros – uti­li­za­do­res da col­meia ou não; se qui­ser­mos pre­ser­var a pri­va­ci­dade, po­dem ser ace­di­dos por um nú­mero res­trito de pes­soas à nossa es­co­lha — neste caso, só te­mos de de­fi­nir uma se­gunda palavra-chave de acesso para esse grupo res­trito. Não há qual­quer res­tri­ção para o tipo de fi­chei­ros que po­de­mos colocar.

É pos­sí­vel blo­quear ou des­blo­quear ma­te­rial adulto, blo­quear uti­li­za­do­res, fa­zer pes­qui­sas na col­meia e des­car­re­gar um pro­grama – a Box, que tam­bém fun­ci­ona como um pe­queno player de mú­sica – para fa­zer­mos o upload a par­tir do am­bi­ente de tra­ba­lho: basta ar­ras­tar os fi­chei­ros ou as pas­tas para a ja­nela prin­ci­pal. Se não que­re­mos par­ti­lhar um de­ter­mi­nado upload, en­vi­a­mos para a pasta Privado — tudo muito sim­ples de usar e fá­cil de en­ten­der, e em português.

O es­paço de ar­ma­ze­na­mento é ili­mi­tado para as con­tas gra­tui­tas, mas só po­de­mos des­car­re­gar 10GB por se­mana. O ser­viço pre­tende dis­po­ni­bi­li­zar em breve duas no­vas con­tas pa­gas, Conta de PrataConta de Ouro, atra­vés das quais já será pos­sí­vel au­men­tar este li­mite. Um sis­tema de pon­tu­a­ção – re­ce­be­mos pon­tos sem­pre que ou­tros des­car­re­gam os nos­sos fi­chei­ros, por exem­plo – fun­ci­ona como cré­dito que va­mos acu­mu­lando e po­de­mos tro­car pelo acesso às fun­ções pre­mium.

Quanto a mim, as van­ta­gens da conta gra­tuita servem-me per­fei­ta­mente. Gosto de o usar e, para já, prefiro-o ao Dropbox — por isso, mantém-se o qua­dra­di­nho pu­bli­ci­tá­rio. Se qui­se­rem ex­pe­ri­men­tar, digam-me o que acha­ram e se para vo­cês va­leu a pena.

→ 19/05/2013 @16:04

Queen meets Sonic the Hedgehog


Informação adi­ci­o­nal: o se­nhor que canta, toca gui­tarra, faz esta co­ver e re­a­liza o ví­deo é Bear McCreary, o au­tor da banda so­nora de «The Walking Dead» — no­ta­ram um zom­bie ali no meio? Para quem jo­gou tan­tas ho­ras o Sonic na ve­lhi­nha con­sola de 16bit, isto é divertido…

→ 14/05/2013 @20:00

O site é um labirinto para jogar

É uma ex­pe­ri­ên­cia, diz a Google, mas aposto que tem po­ten­cial para se tor­nar um fe­nó­meno vi­ral (ou le­var uns quan­tos a ins­ta­lar o brow­ser Chrome).

É uma es­pé­cie de jogo de la­bi­rinto no qual con­du­zi­mos uma bola e va­mos «co­mendo» uma sé­rie de pe­que­nas sa­fi­ras (chamemos-lhe as­sim) num de­ter­mi­nado es­paço de tempo. O ob­je­tivo é fa­zer o maior nú­mero pos­sí­vel de pontos.

O que di­fe­ren­cia este jogo de la­bi­rin­tos é o facto de po­der ser jo­gado em qual­quer site. Ou seja, o «la­bi­rinto» é for­mado a par­tir de um sí­tio que es­pe­ci­fi­que­mos como, por exem­plo (e eu sei que isto não é uma es­co­lha ób­via), aqui o blo­gui­nhas Bitaites.

Labirinto Bitaites

Pode ser jo­gado di­re­ta­mente no PC – é ne­ces­sá­rio ter o Google Chrome, claro – ou a par­tir de um smartphone com pelo me­nos o Android 4.0 ou o iOS 5.0 instalados.

O po­ten­cial geek desta brin­ca­deira é enorme, se qui­se­rem ex­pe­ri­men­tar. E eu pas­sei de­ma­si­a­das ho­ras da mi­nha in­fân­cia a jo­gar Sonic para fi­car in­di­fe­rente a jo­gos de la­bi­rin­tos, se­jam eles quais fo­rem. O ex­ce­lente Ubunted dá-nos mais por­me­no­res e ex­pli­ca­ções, mas se pre­fe­ri­rem ex­pe­ri­men­tar a brin­ca­deira agora é só cli­car.

→ 21/02/2013 @17:42

A maior fotografia do mundo

A maior fotografia do mundo

Três dias a fo­to­gra­far, três fo­tó­gra­fos, três me­ses a pro­ces­sar a in­for­ma­ção das 48 mil fo­tos ti­ra­das. Resultado: uma gi­gan­tesca fo­to­gra­fia pa­no­râ­mica, uma vista de 360 graus a par­tir do topo da BT Tower – o dé­cimo edi­fí­cio mais alto de Londres – com 320 gi­ga­pi­xeis. Caso fosse im­pressa, ocu­pa­ria uma área de 94 por 24 me­tros. A maior foto do mundo.

→ 12/02/2013 @3:04

A proposta de lei Entre Aspas

Gemini

O pro­grama «Perdidos e Achados» da SIC re­cor­dou um grupo que ob­teve su­cesso em Portugal em me­a­dos da dé­cada de 70 e foi o pri­meiro a ga­nhar um disco de ouro aqui nesta terra onde Camões per­deu um olho e não sei como é que não per­deu ainda as duas orelhas.

O ál­bum «Pensando em Ti», dos Gemini, lan­çado em 1976, ven­deu mais de 130 mil có­pias – ne­nhuma de­las pri­vada, obviamente.

O co­fun­da­dor do grupo foi o can­tor Tozé Brito, atual ad­mi­nis­tra­dor da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA). Neste blo­gue e em mui­tos ou­tros, o se­nhor Tozé Brito não é re­cor­dado pe­las ines­ti­má­veis con­tri­bui­ções da­das à mú­sica por­tu­guesa, mas por es­tar as­so­ci­ado à Lei da Cópia Privada.

Esta re­vi­são da pro­posta de Lei da Cópia Privada – lan­çada um ano de­pois de uma pro­posta se­me­lhante ter sido der­ro­tada por to­dos nós – é tão cri­mi­no­sa­mente ab­surda que co­me­çou por ser dis­cu­tida à so­capa por po­lí­ti­cos e «ami­gos dos ar­tis­tas» até o as­sunto re­ben­tar nas re­des sociais.

Tal como no ano pas­sado, as pes­soas vol­ta­ram a fa­zer uma ba­ru­lheira su­fi­ci­en­te­mente rui­dosa para aba­far os tro­va­do­res da can­tiga do bandido.

A pro­posta es­ta­be­lece que por cada có­pia para uso pri­vado que fa­ze­mos de uma obra que já com­prá­mos, os ar­tis­tas de­vem ser com­pen­sa­dos.  Se por exem­plo co­pi­a­res para um lei­tor de MP3 mú­si­cas de um CD que com­praste, de­ves pa­gar di­rei­tos de au­tor que an­te­ri­or­mente já ti­nhas pago na com­pra desse CD. Pagas duas ve­zes. Porque sim. Porque sim.

 

Cavaleiros da Rábula Redonda

Os pro­po­nen­tes desta pro­posta não con­se­guem dis­tin­guir a di­fe­rença en­tre a mú­sica como pro­duto e a mú­sica como arte. Não só se apre­sen­tam tec­no­lo­gi­ca­mente ig­no­ran­tes como se mos­tram cul­tu­ral­mente deficitários.

Eles acham que a mú­sica é ape­nas uma coisa que está den­tro de um CD e se vende às pes­soas. Tão con­ven­ci­dos fi­ca­ram de que a mú­sica é ape­nas um ne­gó­cio que são agora in­ca­pa­zes de per­ce­ber a di­fe­rença en­tre o teu de­ver de com­prar o CD e o teu di­reito de ou­vir a música.

Tendo por base esta con­ce­ção mer­can­ti­lista da arte, os Cavaleiros da Rábula Redonda da SPA, ele­men­tos do PSD e de­mais «ami­gos dos di­rei­tos dos ar­tis­tas» pre­ten­dem ta­xar todo e qual­quer dis­po­si­tivo de ar­ma­ze­na­mento pas­sí­vel de ser uti­li­zado para a có­pia pri­vada – dos te­le­mó­veis aos dis­cos rígidos.

É-lhes in­di­fe­rente que mi­lha­res de pes­soas com­prem dis­cos para ar­ma­ze­nar fo­tos, ví­deos, mú­si­cas ou seja qual for o con­teúdo que ti­ve­rem pro­du­zido: no tempo de­les as coi­sas não se pas­sa­vam as­sim, ha­via uma dis­tin­ção clara en­tre can­to­res de ca­baré e can­to­res de ba­nheira, en­tre o Frank dos si­na­tras e o Chico dos chi­ne­los, por isso não acre­di­tam que a tec­no­lo­gia nos te­nha pos­si­bi­li­tado a opor­tu­ni­dade de pro­du­zir­mos con­teúdo e o par­ti­lhar­mos fa­cil­mente com mi­lhões de pessoas.

Dado que não pas­sa­mos de uns ama­do­res in­ca­pa­zes de pro­du­zir nada de re­le­vante, o de­par­ta­mento pre­cog da SPA parte do prin­cí­pio de que, mais tarde ou mais cedo, tais dis­po­si­ti­vos se­rão usa­dos para co­piar con­teú­dos pro­te­gi­dos por di­rei­tos de au­tor. Dos au­to­res que re­pre­sen­tam — uma mi­no­ria, portanto.

E se es­tas duas pre­mis­sas de lou­cos não fo­rem su­fi­ci­en­tes para ven­der a causa num mundo onde, não obs­tante a exis­tên­cia da SPA, al­guma ló­gica e bom senso ainda so­bre­vi­vem, usa-se a re­ceita da ve­lha cas­sete pi­rata e mete-se a to­car a can­ção do ban­dido mas desta vez com uma ver­são or­ques­trada para a Banda Sinfónica da Polícia de Segurança Pública.

Quando a re­ceita ori­gi­nal não re­sulta, associa-se a pi­ra­ta­ria à có­pia pri­vada, mistura-se tudo muito bem e serve-se às pes­soas como se não fosse um bolo co­berto de merda seca.

 

Pensando em Ti

Pensando em ti

O pro­grama «Perdidos e Achados» ajudou-me a per­ce­ber a gé­nese de pro­je­tos como o grupo Gemini. De como pode ser ex­tre­ma­mente van­ta­josa essa ideia de que a mú­sica é ape­nas uma coisa que se mete den­tro de ou­tra coisa e se vende às pes­soas como se fos­sem pão­zi­nhos quen­tes da pa­da­ria do se­nhor Antunes.

Em me­a­dos da dé­cada de 70, o grupo su­eco Abba era um fe­nó­meno mun­dial de ven­das. Sabendo que na­que­les tem­pos do pós-25 de Abril a rá­dio só pas­sava can­ções re­vo­lu­ci­o­ná­rias, Tozé Brito e Mike Sergeant lembraram-se de que po­diam criar um grupo se­me­lhante aos Abba e di­ver­tir as pes­soas em vez de as ma­çar com po­li­ti­qui­ces. Juntaram-se para for­mar um grupo e con­vi­da­ram duas ra­pa­ri­gas – uma mo­rena e ou­tra aloi­rada – para que a as­so­ci­a­ção fi­casse completa.

Tozé Brito não co­piou a le­tra ou a mú­sica dos Abba, ape­nas co­piou a fór­mula que os le­vou ao su­cesso. Percebo agora que ele veja a có­pia como um in­ves­ti­mento eco­nó­mico de grande po­ten­ci­a­li­dade. Como afirma Mike Sargeant na re­por­ta­gem, «que­ría­mos fa­zer uma coisa tipo Abba – en­tre as­pas».

A Lei da Cópia Privada é uma lei en­tre as­pas de­fen­dida por ar­tis­tas que pos­si­vel­mente tam­bém fa­zem mú­sica en­tre aspas.

E ima­gino que pe­rante quem re­a­firma que nada tem a pa­gar por uma có­pia de algo que já com­prou ou quem de­fende o di­reito à pro­du­ção de con­teúdo pró­prio no disco rí­gido sem pa­gar ta­xas a uma so­ci­e­dade que não o re­pre­senta, Tozé Brito e de­mais ami­gos pos­sam le­van­tar qua­tro de­di­nhos ex­pe­ri­en­tes e ma­lan­dros: «Pois pois, có­pias – có­pias… en­tre as­pas!».

Por isso, ca­ros de­fen­so­res da pro­posta de lei da Cópia Privada, #PL118, se nos pró­xi­mos dias ou se­ma­nas acusar-vos de que­re­rem rou­bar para be­ne­fí­cio da Sociedade Portuguesa de Autores e de­mais as­so­ci­a­ções li­ga­das à pan­di­lha do copy­right, tal não sig­ni­fica que es­teja a chamar-vos ve­lhos de­cré­pi­tos, ig­no­ran­tes, ga­nan­ci­o­sos ou ladrões.

Vocês são de­cré­pi­tos, ig­no­ran­tes, ga­nan­ci­o­sos e la­drões, mas tudo en­tre as­pas – e no sen­tido mais Abba que pos­sam imaginar.

→ 29/01/2013 @0:18

Google, queres um soutien em cada blogue?

O Google não gosta de mamas

O blog­ger é uma for­miga. É di­fí­cil à for­miga co­mu­ni­car di­re­ta­mente com um ele­fante, mesmo que este o permita.

Uma for­miga po­dia até achar que o ele­fante ti­nha um rosto enorme, bi­zarro e inex­pres­sivo, não tendo che­gado a per­ce­ber que es­ti­vera a dirigir-se a uma unha da pata.

São de­sen­ten­di­men­tos ine­vi­tá­veis en­tre es­pé­cies e ta­ma­nhos di­fe­ren­tes. Nem que os ani­mais fa­las­sem aju­da­ria. Uma vez vi uma mon­ta­gem en­gra­çada no Facebook que ilus­trava bem o di­lema: um ele­fante ob­ser­vava o John Holmes com­ple­ta­mente nu en­quanto di­zia, meio in­tri­gado, meio di­ver­tido, «tens uma tromba tão pe­que­nina».

É a mesma coisa com o Google, o ele­fante da ana­lo­gia. Faz o fa­vor de nos re­co­nhe­cer en­quanto se­res vi­vos, mas não con­se­gue dei­xar de ob­ser­var como são tão in­sig­ni­fi­can­tes as trom­bas de cada um de nós. Bem sei que os ele­fan­tes tam­bém pos­suem umas ore­lhas enor­mes, mas es­tas são inú­teis quando são in­ca­pa­zes de escutar.

O Google é o mo­tor de busca que toda a gente utiliza.

O mo­tor de busca é tão in­trín­seco ao fun­ci­o­na­mento da pró­pria Internet que já nem pa­rece um acres­cento pos­te­rior. As no­vas ge­ra­ções olha­riam para uma Internet sem o Google da mesma forma que ge­ra­ções an­te­ri­o­res se re­cu­sam a ima­gi­nar sa­las de es­tar com te­le­vi­sões a preto e branco.

O Google de­tém o po­der da vi­si­bi­li­dade e do link – sig­ni­fica que de­tém o poder.

O Google tam­bém é uma em­presa: a Google, em­presa ame­ri­cana. E como em­presa ti­pi­ca­mente ame­ri­cana, tende a ter uma pos­tura hi­pó­crita em re­la­ção à se­xu­a­li­dade e ao que con­si­dera ser ma­te­rial ina­pro­pri­ado. Detendo o po­der da vi­si­bi­li­dade, da hi­per­li­ga­ção, do fluxo dos da­dos e do di­nheiro, pode im­por as suas re­gras a toda a gente – in­cluindo a web­mas­ters e in­ter­nau­tas eu­ro­peus, cul­tu­ral­mente me­nos da­dos a ata­ques pu­ri­ta­nos de be­ata histérica.

Sim, a Google é hipócrita.

Porque o mesmo zelo que co­loca na apli­ca­ção das suas di­re­tri­zes a blog­gersweb­mas­ters não tem cor­res­pon­dên­cia nos cri­té­rios de ava­li­a­ção do tipo de anún­cios que co­loca à dis­po­si­ção no Adsense.

 

Porno de va­lor acrescentado

Anúncios do Club Movilisto e por­ca­rias por­no­grá­fi­cas do gé­nero, que le­vam as pes­soas a for­ne­cer o seu nú­mero de te­le­mó­vel para ga­nhar um iPhone, um iPad, um carro, para sa­ber quem fo­ram numa vida pas­sada ou des­co­brir o seu quo­ci­ente de in­te­li­gên­cia (que iró­nico!), pa­ra­si­tas da Internet e das cha­ma­das de va­lor acres­cen­tado — a Google não se importa.

As cen­te­nas de quei­xas exis­ten­tes con­tra esse tipo de em­pre­sas e o di­nheiro sa­cado aos in­cau­tos, po­bres di­a­bos con­fun­di­dos por um pro­cesso de can­ce­la­mento da subs­cri­ção es­crito em le­tras muito pe­que­ni­nas e re­fun­di­das na pá­gina, a forma como tais pes­soas são lu­di­bri­a­das e ex­plo­ra­das — nada disso conta.

Existem fer­ra­men­tas atra­vés das quais o blog­ger ou web­mas­ter pode blo­quear es­ses anún­cios – mas es­tes são tan­tos e tão fre­quen­tes que é quase ne­ces­sá­ria uma bri­gada de cen­so­res só para dar conta do re­cado. A isto eu chamo hi­po­cri­sia: que­rer uma Web limpa, re­pleta de sí­tios de fa­mí­lia, en­quanto ao mesmo tempo con­tri­bui para a cons­pur­car em nome do lucro.

Ninguém é for­çado a cli­car nes­ses anún­cios e a for­ne­cer o te­le­mó­vel. Também nin­guém é for­çado a abrir um exe­cu­tá­vel dis­far­çado de foto num anexo de cor­reio ele­tró­nico, mas não é a au­sên­cia de ex­tor­são ou chan­ta­gem que nos im­pede de con­de­nar mo­ral­mente os cri­a­do­res de ví­rus e tro­jans.

A Google não se im­porta com es­tas coi­sas, mas basta uma ma­mi­nha fora do sí­tio para en­trar ime­di­a­ta­mente em ação, em nome dos va­lo­res fa­mi­li­a­res de­fen­di­dos pe­los anun­ci­an­tes com que tra­ba­lha. Chega a ame­a­çar sus­pen­der a conta de quem es­creve a pa­la­vra «por­no­gra­fia» ou «hard­core» de­ma­si­a­das vezes.

Tão es­tú­pido como acu­sar um apre­ci­a­dor de vi­nhos de ser alcoólico.

Tudo o que se possa es­cre­ver so­bre sexo num blo­gue, mesmo que nada te­nha a ver com por­no­gra­fia, pode fa­zer com que o Google coce as bor­bu­lhas Disney no rosto e co­lo­que a conta Adsense de um blog­ger em risco. Tudo em nome de va­lo­res fa­mi­li­a­res – como se o sexo não fi­zesse parte da vida e não fosse tam­bém atra­vés do sexo que as fa­mí­lias se fa­zem. Não, Google, não é só uma ce­go­nha muito amorosa.

 

E se lhe jun­tas­ses Adsensatez, Google?

Os truques da Publicidade onlineDepois da morte de Michael Jackson, anún­cios a con­vi­dar à vi­su­a­li­za­ção de uma ho­me­na­gem ao can­tor sur­gi­ram na rede, com o es­quema frau­du­lento do cos­tume. Gostava de co­nhe­cer os «va­lo­res fa­mi­li­a­res» de quem apro­veita a morte de uma fi­gura pú­blica para sa­car dinheiro.

Este com­por­ta­mento em re­la­ção aos que usam Adsense lembra-me uma cena de Family Guy: Stewie des­co­bre uma re­vista Hustler e abre-a, de­li­ci­ado, por­que vai sa­ber como é uma vagina.

A des­co­berta deixa-o tão as­sus­tado que saca de uma me­tra­lha­dora, des­faz a re­vista em mil pe­da­ços e as­se­gura, com a voz ainda aos tre­me­li­ques: «Nunca mais vais po­der fa­zer mal a al­guém».

O Google Adsense tam­bém não sabe o que é uma va­gina — só vê conas.

E al­gu­mas mordem.

Usa-o quem quer, é ver­dade. Existem al­ter­na­ti­vas vá­li­das, al­gu­mas por­tu­gue­sas. Para mui­tas pes­soas, a ques­tão Adsense nunca se co­lo­cará. Mas incomoda-me que a par­tir de uma po­si­ção di­vina no mer­cado das hi­per­li­ga­ções uma em­presa im­po­nha a quem pro­duz con­teúdo da Web, atra­vés de robôs tão ce­gos como es­tú­pi­dos, uma vi­são pseudo-moralista do que é ou não aceitável.

Página 1 de 481234510Última »