Os posts em que falamos de n贸s, das nossas vidas e do que nos mais nos toca intimamente.

→ 03/02/2012 @23:48

ACTA e n贸s (II)

Man with Dog, 1953 鈥 Francis Bacon

No dia em que se publicar uma nova Hist贸ria da Internet 茅 poss铆vel que 脿 consci锚ncia democr谩tica de Kader Arif, 56 anos, franc锚s nascido na Arg茅lia, seja concedida um lugar de destaque.

Kader Arif, relator do Parlamento Europeu designado para o ACTA, demitiu-se em protesto pela forma como tem sido conduzido o processo de elabora莽茫o do acordo.

E disse porqu锚.

Condeno todo o processo que levou 脿 assinatura deste acordo禄, afirmou aos jornalistas. 芦Sem consulta da sociedade c铆vel, falta de transpar锚ncia desde o in铆cio das negocia莽玫es, atrasos repetidos da assinatura do texto sem qualquer explica莽茫o, rejei莽茫o das recomenda莽玫es do Parlamento dadas em v谩rias resolu莽玫es da nossa assembleia禄.

As negocia莽玫es do acordo ACTA foram feitas com grande secretismo 鈥 芦茅 normal que as negocia莽玫es sejam confidenciais禄, justifica-se a Comiss茫o Europeia. 芦De outra forma, como se negoceia?

O 芦neg贸cio禄 da confidencialidade correu bem, na verdade. Pouqu铆ssimas palavras foram lidas nos jornais tradicionais, pelo menos durante a gesta莽茫o do acordo. Nem uma refer锚ncia nas televis玫es, a n茫o ser para mostrar, h谩 poucos dias, um grupo de 芦indignados禄 com m谩scaras de Guy Fawkes protestando na Pol贸nia.

22 dos 27 pa铆ses membros da Uni茫o Europeia subscreveram o ACTA.

Portugal foi um deles, mas pouco mais sabemos do que isto: 芦algu茅m禄, a mando de 芦algu茅m禄, colocou a sua assinatura, em nome do povo portugu锚s e 脿 revelia deste, dando o seu aval a um acordo visto por milh玫es como uma criminosa delimita莽茫o da liberdade dos cidad茫os e do seu direito 脿 privacidade 鈥 um bom 芦neg贸cio禄, sem d煤vida.

 

Uma for莽a policial

Infelizmente para as ind煤strias comerciais que apoiam de corpo e alma esta iniciativa e da qual s茫o as principais benefici谩rias, um documento 鈥 o rascunho de um cap铆tulo do acordo intitulado 芦Fiscaliza莽茫o na Internet禄 鈥 apareceu a Fevereiro de 2010 na rede e estragou a alma do neg贸cio.

Uma das propostas nesses documentos do acordo ACTA continha a responsabiliza莽茫o criminal dos ISP (Internet Service Providers) pelos downloads e uploads dos seus clientes.

Para evitar um processo em tribunal movido pelas grandes editoras ou est煤dios de Hollywood por 芦distribuir conte煤do protegido por direitos de autor de forma ilegal禄, segundo o texto, o ISP teria de demonstrar ter tomado medidas para prevenir 芦o abuso禄. Um exemplo das medidas propostas para essa pol铆tica de preven莽茫o seria 芦cortar o fornecimento do acesso 脿 Web daqueles que repetissem a ofensa禄, semelhante 脿 pol铆tica de 芦resposta gradual禄 francesa.

Embora elementos ligados ao ACTA garantam que 芦cada pa铆s atuar谩 de acordo com a pr贸pria legisla莽茫o e que a solu莽茫o da resposta gradual 茅 apenas uma das possibilidades禄, 茅 imposs铆vel n茫o pensar nestas medidas como mais uma tentativa de controlar a Web.

Com o ACTA, o fornecedor de acesso 脿 Web poder谩 ser transformado num corpo policial que vigia os movimentos dos pr贸prios clientes. Essa for莽a policial responder谩 perante as grandes multinacionais do entretenimento, n茫o perante os cidad茫os.

 

Uma utopia chamada Internet

John Perry Barlow

O reconhecimento da Internet como um meio de comunica莽茫o 芦revolucion谩rio禄 capaz de afetar a pr贸pria estrutura da sociedade j谩 fora previsto h谩 muito tempo pelos seus pr贸prios fundadores.

Num documento intitulado 芦Uma Breve Hist贸ria da Internet禄, Vinton G. Cerf e alguns dos respons谩veis pela sua cria莽茫o viam a rede como uma revolu莽茫o no mundo dos computadores e das comunica莽玫es 鈥 algo que nunca antes tinha acontecido em t茫o grandes dimens玫es.

A inven莽茫o do tel茅grafo, telefone, r谩dio e computador lan莽aram as bases para esta integra莽茫o de capacidades sem precedentes. A Internet 茅, ao mesmo tempo, uma aptid茫o para emiss茫o a n铆vel mundial, um mecanismo de dissemina莽茫o da informa莽茫o e um meio atrav茅s do qual 茅 poss铆vel a colabora莽茫o e intera莽茫o entre os indiv铆duos, sem olhar 脿 sua localiza莽茫o geogr谩fica禄, escreveram.

O criador da World Wide Web, Tim Berners-Lee, j谩 referiu v谩rias vezes este sonho primordial da Internet: 芦Um espa莽o universal de informa莽茫o禄, escreveu em Realising the Full Potential of the Web, de 1997; 芦a universalidade 茅 essencial 脿 Web: esta perder谩 o seu poder se existirem certo tipo de coisas em rela莽茫o 脿s quais n贸s n茫o pudermos estabelecer uma liga莽茫o. O que a Web deve ser 茅 um meio de comunica莽茫o entre pessoas: comunica莽茫o atrav茅s do conhecimento partilhado禄.

Tentativas de controlo sobre a Internet, como o Telecommunications Reform Act, de 1996, j谩 tinham levado a declara莽玫es 鈥榣ibert谩rias鈥 que dever茫o ter deixado os representantes das ind煤strias do copyright de cabelos em p茅.

No mesmo ano em que o Telecommunications Reform Act era discutido e aprovado – permitindo a cavalheiros como Rupert Murdoch a constru莽茫o de um imp茅rio multim茅dia 鈥, John Perry Barlow proclamou a ut贸pica Declara莽茫o de Independ锚ncia do Ciberespa莽o.

Na declara莽茫o de Barlow, o ciberespa莽o era um 芦mundo diferente禄 onde todos podiam entrar sem privil茅gios ou preconceitos concedidos pela ra莽a, poder econ贸mico, for莽a militar ou local de nascimento, um mundo onde existia total liberdade de express茫o e em que tudo o que era criado podia ser reproduzido e distribu铆do de forma infinita, sem qualquer custo.

Juntamente com Mitch Kapor, fundador da Lotus, John Perry Barlow viria a criar a Electronic Frontier Foundation com o objetivo de lutar por essa vis茫o id铆lica da Internet.

Com a utopia de Barlow e a a莽茫o fiscalizadora do ACTA, duas vis玫es opostas da Internet est茫o em confronto: a que defende a rede como um mecanismo global de partilha e a que deseja transform谩-la num mecanismo global de repress茫o. Ler mais »

→ 02/02/2012 @16:35

Doente e injusti莽ado

Desde ontem que tenho estado de molho, com gripe e febre. N茫o me lembrava da 煤ltima vez que tinha tido 38 graus. Ali谩s, j谩 nem lembrava o que era usar um term贸metro.

Como podem imaginar, ter febre 茅 sempre um acontecimento muito importante na vida de um homem. Nem sei se lhe devia chamar febre; vener谩vel febre parece-me mais apropriado.

Infelizmente, certas mulheres aproveitam a ocasi茫o para desvalorizar o nosso estado deplor谩vel, chamando-nos 芦mariquinhas禄 ou 芦piegas禄. Uma certa pessoa do sexo feminino cujo nome agora prefiro n茫o nomear chegou a dizer, cheia de segundas inten莽玫es, 芦trinta e oito graus, ui, isso em voc锚s 茅 mesmo terr铆vel禄.

O portador dessa coisa vener谩vel鈥 e acho que estou a ser muito razo谩vel 鈥 deve ser digno de culto, n茫o de sarcasmo. A sua pobre condi莽茫o deve ser respeitada e o portador deve ser apaparicado de manh茫 脿 noite.

As mulheres podem ser muito cru茅is quando um pobre doentinho 茅 assolado por uma gripe terr铆vel que lhe deixa todos os m煤sculos do corpo a doer, incapaz de se mexer.

Depois de tanto sofrimento, acho que j谩 mere莽o um suminho de laranja.

→ 01/02/2012 @1:07

ACTA e n贸s (I)

芦O rebelde desconhecido禄 na Pra莽a da Paz Celestial, em Pequim (Foto: Jeff Widener)

Os que combatem o ACTA (acr贸nimo de Anti-Counterfeiting Trade Agreement 鈥 Acordo Comercial Anti-Contrafa莽茫o, em portugu锚s) dizem que a ratifica莽茫o pelo Parlamento Europeu do acordo permitir谩 脿s grandes corpora莽玫es da ind煤stria do copyright e das patentes policiar e censurar a Internet, ferindo mortalmente o direito 脿 privacidade e 脿 liberdade de express茫o. Tamb茅m consideram que o acordo ir谩 impedir que milhares de pessoas recebam ajuda m茅dica.

A Comiss茫o Europeia nada informa sobre a quest茫o m茅dica, mas afirma que o ACTA n茫o restringe liberdades, n茫o censura ou fecha sites nem 芦prev锚禄 desligar o acesso 脿 Net a ningu茅m; todos continuar茫o a usar as suas redes sociais como t锚m feito at茅 agora; computadores, iPad鈥檚 e iPhones n茫o ser茫o monitorizados 鈥 芦O ACTA n茫o 茅 o Big Brother禄.

Ao contr谩rio do SOPA, prossegue a Comiss茫o Europeia, este acordo 芦n茫o implica mudan莽as na legisla莽茫o dos pa铆ses que o ratificarem禄: 茅 um esfor莽o de globaliza莽茫o na luta contra o 芦crime organizado禄 que 芦rouba禄 a 芦propriedade intelectual禄 e provoca, na Europa, 芦preju铆zos anuais de oito mil milh玫es de euros禄.

As declara莽玫es reconfortantes da Comiss茫o Europeia sobre as boas inten莽玫es do Acordo Comercial Anti-Contrafa莽茫o n茫o foram capazes de convencer mais de um milh茫o e trezentas mil pessoas 鈥 o n煤mero provis贸rio de subscritores de um abaixo-assinado, t茫o global como o ACTA pretende ser, exigindo aos deputados do Parlamento Europeu a n茫o-ratifica莽茫o do acordo.

O abaixo-assinado ainda decorre: 茅 inten莽茫o da entidade organizadora 鈥 a Avaaz, 芦uma comunidade de mobiliza莽茫o online que leva a voz da sociedade civil 脿 pol铆tica global禄 鈥 chegar aos dois milh玫es de assinaturas e apresent谩-las aos legisladores da Uni茫o Europeia, em Bruxelas.

 

Uma ‘trip’ de direitos

A vida do ACTA poderia ter continuado como at茅 aqui: crescendo de forma saud谩vel e sem chamar muito a aten莽茫o para o seu tamanho.

Teve bastante tempo para germinar, este acordo. Nasceu de uma longa e penosa hist贸ria de amor pelo dinheiro. 脡 tamb茅m a hist贸ria de como os Direitos de Propriedade Intelectual (DPI) foram progressivamente ganhando mais relev芒ncia na rela莽茫o entre Estados e entre pessoas que nos deveriam representar (mas n茫o representam), prejudicando todos os outros direitos.

O ACTA 茅 uma digitaliza莽茫o desta mudan莽a, uma excresc锚ncia legislativa destinada a ter sob controlo uma rede global descentralizada, pr贸diga em partilhas e intera莽玫es n茫o comerciais, embora algumas vezes 脿 margem da Lei – 茅 esta a principal desculpa para agir.

Foi em outubro de 2007 que se iniciaram negocia莽玫es sigilosas entre Estados Unidos, Jap茫o, Su铆莽a e Uni茫o Europeia para criar um complemento ao acordo TRIPs 鈥 Agreement on Trade-Related Aspects of Intellectual Property Rights, ratificado em janeiro de 1995 e obrigat贸rio para todos os pa铆ses membros da Organiza莽茫o Mundial do Com茅rcio (OMC).

O TRIPs estabeleceu os padr玫es atuais de prote莽茫o da propriedade intelectual no mundo, mas as regras eram j谩 mais r铆gidas do que as que estavam em vigor em muitos pa铆ses em desenvolvimento.

Antes de o Acordo TRIPs ser adotado, as quest玫es internacionais que envolviam os direitos de propriedade intelectual eram tratadas pela Organiza莽茫o Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) e a Organiza莽茫o das Na莽玫es Unidas para a Educa莽茫o, a Ci锚ncia e a Cultura (UNESCO).

Em 1986 tudo mudou: um pequeno grupo de pa铆ses liderados pelos Estados Unidos e que inclu铆a o Jap茫o e os membros da Comunidade Econ贸mica Europeia (CEE, futura Uni茫o Europeia), conseguiu incluir os DPI nas negocia莽玫es comerciais multilaterais que dariam origem 脿 Organiza莽茫o Mundial do Com茅rcio (OMC).

 

Acima de Deus, s贸 a propriedade

Thou Shall Not Steal, de Nina Paley

O objetivo desta inclus茫o foi o de proteger as ind煤strias de alta tecnologia dos pa铆ses desenvolvidos da concorr锚ncia dos pa铆ses em desenvolvimento. Estes foram convencidos a aceitar as regras mais r铆gidas do DPI em troca de compensa莽玫es nas 谩reas agr铆colas e dos produtos t锚xteis.

O Direito da Propriedade Intelectual transformou-se numa arma de dissuas茫o importante para os pa铆ses mais ricos, uma vez que o Mecanismo de Solu莽茫o de Controv茅rsias da OMC previa a utiliza莽茫o de severas san莽玫es comerciais aos mais pobres.

O primeiro sinal de que uma mudan莽a eticamente question谩vel estava em marcha foi sentido na 谩rea da Sa煤de. O acordo TRIPs passou a obrigar todos os membros da OMC a proteger o DPI, mesmo em patentes de produtos farmac锚uticos como, por exemplo, medicamentos. Ler mais »

→ 30/01/2012 @13:22

S茅timo ano, a caminho da pr茅-adolesc锚ncia

Sete anos 茅 muito tempo para um blogue, mas n茫o 茅 nada de especial tendo em conta muitos outros que por c谩 andam h谩 mais tempo e com a mesma consist锚ncia.

Sete anivers谩rios depois, pouco tenho a acrescentar ao que j谩 escrevi anteriormente sobre o que quero para este blogue. Estou muito mais preocupado em derrotar a lei extorsion谩ria do cons贸rcio SPA/Canavilhas do que em comemorar seja o for.

Quem mant茅m uma presen莽a online tem hoje em dia poucos motivos para celebrar. A maior amea莽a 脿 liberdade de express茫o e partilha na Internet alastra-se pelo mundo como uma doen莽a infecciosa e acaba de chegar 脿 Europa: o nefasto acordo ACTA, sobre o qual tenciono escrever em breve.

Porque n茫o tenham qualquer tipo de ilus玫es: a Web transformou-se num campo de batalha e o despojo de guerra pretendido 茅 a nossa liberdade.

A atitude a tomar 茅 clara: escolher entre a aliena莽茫o e a luta.

→ 30/01/2012 @8:56

Muito importante: uma nova peti莽茫o anti-118

J谩 falei sobre o projeto de lei n掳 118/XII muitas vezes: 茅 um projeto extorsion谩rio que procura, em nome dos direitos de autor e com a falsa desculpa da pirataria, taxar os cidad茫os que comprem qualquer tipo de dispositivo de armazenamento, independentemente do uso que lhe quiserem dar. Esta lei corrupta foi concebida pelas associa莽玫es que dela v茫o beneficiar e durante a sua elabora莽茫o n茫o foi consultada nenhuma que representasse os consumidores.

脡 uma golpada t茫o inacredit谩vel, um roubo t茫o evidente e uma proposta t茫o aberrante que fico a pensar que ela s贸 foi poss铆vel porque os seus autores e mentores j谩 contavam com a nossa habitual passividade. Enganaram-se! Ainda vamos a tempo de estragar os planos 脿 Sociedade Portuguesa de Autores e aos seus amiguinhos extorsion谩rios.

Uma cr贸nica de Pedro Esteves fornece o panorama geral. Oi莽am-na:

N茫o permitas que te roubem sem dar luta. Partilha o link para a peti莽茫o. E assina-a.

 

Entretanto, mais um conspirador com interesses obscuros

Subscritor n潞 2879 da peti莽茫o contra o projeto de lei 118/XII: Miguel Vicente Esteves Cardoso.
Subscritores at茅 agora: 5720. 脡 oficial: j谩 n茫o cabemos todos dentro do piano de Canavilhas.

→ 28/01/2012 @19:22

Sobre as amea莽as

As amea莽as, diretas ou veladas, s贸 enervam nos primeiros minutos. Enervam porque crescemos convencidos de que Portugal 茅 uma Democracia e a nossa liberdade de express茫o se encontra constitucionalmente protegida.

Existem v谩rias formas de limitar esta liberdade sem passar por d茅spota aos olhos da opini茫o p煤blica: uma delas, talvez a mais usada, 茅 tentar convencer a voz inc贸moda a calar-se. Quando n茫o se tem poder para o fazer de forma direta, procura-se faz锚-lo de forma indireta.

Nesse processo de domestica莽茫o de vozes inc贸modas n茫o se ouvem gritos ou palavras agressivas, apenas amig谩veis e polidas sugest玫es. 脌s vezes a estrat茅gia resulta, outras falha redondamente; quando resulta, nunca se chega a conhecer a origem da amea莽a 鈥 faz parte do acordo; quando falha, ficamos a saber um bocadinho mais sobre a natureza dos cavalheiros que combatemos.

A liberdade de express茫o 茅 terr铆vel de aceitar para os velhos do Restelo e os parasitas que os apoiam, sobretudo quando 茅 exercida online. Gra莽as 脿 Internet e 脿 sua extraordin谩ria voca莽茫o para diluir fronteiras, classes e g茅neros, todos podemos participar na grande conversa莽茫o, como lhe chamou o jornalista Giuseppe Granieri, e esperar que uma 煤nica voz seja ouvida por milhares.

Para que isso aconte莽a n茫o 茅 necess谩rio, sequer, o encantamento de uma voz famosa: basta que a causa seja v谩lida e justa, e muitas outras pessoas se identifiquem com as posi莽玫es defendidas.

Sem que os cretinos consigam compreender o fen贸meno, a n茫o ser quando 茅 demasiado tarde, uma voz pequena multiplica-se por milhares de outras vozes pequenas at茅 formar um coro insuport谩vel e imposs铆vel de silenciar que os mesmos cretinos acabar茫o por interpretar como 芦campanhas orquestradas禄.

E chega invariavelmente o momento em que uma pessoa 鈥 ou v谩rias, ou milhares 鈥 se v锚 for莽ada a responder 脿s amea莽as da forma mais simples que lhe 茅 poss铆vel: 芦Enganaram-se outra vez, idiotas! N茫o 茅 medo que temos, 茅 raz茫o禄.

→ 26/01/2012 @16:53

106 autores j谩 assinaram pela SPA, s贸 faltam 24,894

A Sociedade Portuguesa de Autores (SPA)聽propagandeou um abaixo-assinado no qual 芦mais de uma centena de autores e artistas exigem nova lei da C贸pia Privada禄.

脡 uma lista pouco impressionante.

Num universo de 25 mil artistas que representa, a SPA juntou 106 para assinarem esta s煤bita 芦exig锚ncia禄 por uma 芦r谩pida revis茫o禄 lei da C贸pia Privada. Desses 106, vinte fazem parte dos 贸rg茫os sociais da SPA.

Quanto aos restantes, duvido que tenham concordado com um projeto de lei que nos obrigar谩 a pagar uma taxa exorbitante por cada disco r铆gido, computador, leitor MP3, m谩quina fotogr谩fica ou telem贸vel que comprarmos.

Duvido que algum autor 鈥 脿 exce莽茫o, obviamente, dos que ganham a vida a trabalhar na SPA 鈥 aceitasse receber direitos de autor por conte煤dos que n茫o lhe pertencem.

E 茅 isso que vai acontecer: mesmo que o consumidor compre um disco para guardar os seus pr贸prios filmes ou fotos, ter谩 de pagar direitos de autor 脿 SPA.

Tenho s茅rias dificuldades em acreditar que os autores aceitem uma lei que aplica o princ铆pio da culpabilidade a todas as pessoas, uma esp茅cie de inquisi莽茫o moral justificada pela gan芒ncia e n茫o por qualquer amor 脿 Cultura e muito menos aos artistas.

Sei que muitos conhecem a Internet e sabem bem que este meio de comunica莽茫o, divulga莽茫o e partilha n茫o 茅 apenas um hipermercado de downloads ilegais, 茅 tamb茅m um palco livre e gigantesco dispon铆vel a qualquer artista, profissional ou amador, registado ou n茫o na SPA, tenha ou n茫o editora.

Esta taxa vai prejudicar a Cultura e beneficiar os burocratas da Cultura, pois vai obrigar artistas fora da al莽ada da SPA a pagar pelo privil茅gio de produzir os seus pr贸prios conte煤dos. J谩 para n茫o falar de consumidores e empresas, for莽ados a pagar direitos de autor por m煤sicas que n茫o consomem nem tencionam consumir. N茫o 茅 isso que voc锚s querem.

 

Sabes o que assinaste, Jos茅 M谩rio Branco?

Um dos grandes nomes da m煤sica portuguesa 鈥 Jos茅 M谩rio Branco 鈥 confessa neste v铆deo a dificuldade em lidar com a quest茫o dos direitos de autor; fala nas suas can莽玫es como se fossem filhos, filhos que se criam, crescem e depois v茫o 脿 sua vida, livres.

Homem de convic莽玫es, chega mesmo a equiparar o direito de autor 脿 propriedade privada. Diz todas estas coisas numa entrevista 脿 RTP2.

You need to install or upgrade Flash Player to view this content, install or upgrade by clicking here.

(Obrigado ao Marcos Marado, que descobriu o v铆deo.)

Jos茅 M谩rio Branco tamb茅m assinou o abaixo-assinado da SPA. E a menos que o pr贸prio Jos茅 M谩rio Branco mo desminta, eu n茫o acredito que este homem aprovasse, sequer, uma taxa 脿 c贸pia privada, quando mais um projeto de lei est煤pido e ganancioso que prejudicar谩 financeiramente tantos portugueses nestes tempos de troikas e baldrocas.

Que falinhas mansas ter谩s usado para cravar a assinatura de um homem livre, SPA? Insistes em usar o truque dos piratas para enganar as pessoas?

Qual foi a pergunta que colocaste aos autores: posso colocar o teu nome numa lista de apoio 脿 lei da C贸pia Privada ou posso colocar o teu nome numa lista anti-pirataria?

Adenda: a SPA acrescentou mais autores. Agora s茫o 156, 茅 poss铆vel que a agrega莽茫o prossiga. Irrelevante. Como podem verificar a seguir, tenho j谩 uma boa raz茫o para suspeitar da honestidade com que foi elaborada.


 

Atualiza莽茫o: as trafulhices da SPA

Sem o conhecimento do pr贸prio, Ant贸nio Pinho Vargas foi inclu铆do na lista de autores apoiantes do projeto-lei da C贸pia Privada. H谩 mais autores contra esta proposta, mas at茅 agora t锚m recusado assumir publicamente as suas posi莽玫es. At茅 agora…

Eis o printscreen da p谩gina do Facebook do m煤sico, tirado pelo Andr茅 Duarte.

Eis outro caso: Alexandre Soares.

E assim ficamos com uma ideia muito precisa do tipo de organiza莽茫o com que estamos a lidar e dos truques que est谩 disposta a fazer para 芦proteger os interesses dos artistas禄.

N茫o 茅 surpreendente que revela莽玫es semelhantes venham a ocorrer em breve: uma organiza莽茫o que apoia um processo de extors茫o em nome dos direitos de autor n茫o ter谩 problemas em extorquir assinaturas pelas mesmas raz玫es. Uma pr谩tica t茫o velha como a can莽茫o da Abelha Maia.

Dizer N脙O 脿 taxa