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→ 23/05/2013 @21:38

Não se deve fechar os olhos à Filosofia

Andressa Urach, vice-Miss Bumbum 2012

Quando era um ado­les­cente bor­bu­lhento e pro­ble­má­tico, a mi­nha mãe tra­ba­lhava para uma certa se­nhora es­pa­nhola que nunca per­dia uma opor­tu­ni­dade de par­ti­lhar a sua imensa sa­be­do­ria de vida. Era a pa­troa da mi­nha mãe, mas gos­tava de ex­pan­dir a au­to­ri­dade a toda a prole.

Certo dia, apercebendo-se que eu ti­nha cres­cido muito e pro­va­vel­mente já an­dava in­te­res­sado em des­ven­dar os mis­té­rios do sexo oposto, sentou-se ao meu lado com ar de quem es­tava pres­tes a par­ti­lhar um segredo.

«Quando te ca­sa­res», co­me­çou ela, ig­no­rando o meu ar ofen­dido pe­rante uma pos­si­bi­li­dade tão im­pro­vá­vel, «certifica-te de que não es­co­lhes a tua mu­lher só por­que tem um bom rabo.»

Fiquei sur­pre­en­dido com a ou­sa­dia da con­versa, o que dei­xou a ve­lhota sa­bi­chona agra­dada. «Lembra-te disto», con­ti­nuou, cheia de sor­ri­sos ma­trei­ros e cum­pli­ci­da­des, «um rabo, por muito bom que seja, acaba sem­pre por en­ve­lhe­cer. E de­pois?»

Era de­ma­si­ado novo e es­tú­pido para per­ce­ber o al­cance do que a se­nhora me aca­bara de di­zer, mas nunca mais me es­queci dessa frase.

E de­pois?, per­gun­tara ela – e com toda a ra­zão: por mais per­so­na­li­dade que o rabo de uma mu­lher possa ter – e bem sa­be­mos como os há por aí, gra­ças aos deu­ses –, não é um belo par de ná­de­gas que nos fará acei­tar os de­fei­tos de uma com­pa­nheira como se fos­sem nos­sos, e vice-versa.

Contudo, de vez em quando, a di­vi­nal Natureza coloca-nos pe­rante de­sa­fios que ame­a­çam fa­zer ruir, nem que seja por al­guns ins­tan­tes, todo o edi­fí­cio fi­lo­só­fico das nos­sas cren­ças e princípios.

Viver sem fi­lo­so­far, avisou-nos o sá­bio Descartes, é ter os olhos fe­cha­dos sem nunca os ha­ver ten­tado abrir.

Estou de acordo, mes­tre, mas exis­tem mo­men­tos em que a ma­té­ria triunfa glo­ri­o­sa­mente so­bre o es­pí­rito, os olhos de um po­bre mor­tal se es­bu­ga­lham e toda a ca­pa­ci­dade ora­tó­ria se re­sume à ma­ni­fes­ta­ção de uma única e sim­ples ora­ção: «Meu Deus, mas que ra­bi­nho mais mais mais»

e por aí fora, até à ad­je­ti­va­ção final.

→ 23/05/2013 @0:01

O antes e depois do tornado de Oklahoma

O antes e depois do tornado de Oklahoma

O blo­gue fo­to­grá­fico da MSN reu­niu uma sé­rie de fo­to­gra­fias da de­vas­ta­ção cau­sada pela pas­sa­gem de um tor­nado no mu­ni­cí­pio de Moore, em Oklahoma. As ima­gens mos­tram o an­tes e o de­pois de um tor­nado com ven­tos acima dos 320 qui­ló­me­tros por hora e clas­si­fi­cado pe­los me­te­o­ro­lo­gis­tas como um EF5, o mais forte da es­cala. Morreram 24 pes­soas, in­cluindo nove crianças.

Como as fo­tos são um pouco pe­sa­das, di­vidi o post em duas pá­gi­nas para não afe­tar o car­re­ga­mento da pá­gina prin­ci­pal. Para os que acom­pa­nham o Bitaites via feed, aqui está o link di­reto.

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→ 22/05/2013 @17:38

O rei e os peões

Ned Stark

Nas noi­tes de do­mingo para se­gunda te­nho uma pe­quena ro­tina noc­tí­vaga: mal acaba o epi­só­dio de Game of Thrones nos EUA, es­pero tran­qui­la­mente que os ma­far­ri­cos da dis­tri­bui­ção as­sis­tida o co­lo­quem nos an­tros de per­di­ção cul­tu­ral a que al­guns cha­mam si­tes de pirataria;

des­car­rego uma ver­são 1080p, a mais de­mo­níaca de todas;

passo a ima­gem do PC para o te­le­vi­sor, co­loco os aus­cul­ta­do­res, estendo-me no sofá cheio de de­leite, vejo o episódio;

re­gresso ao com­pu­ta­dor, corro o Subtitle Workshop, sin­cro­nizo, tra­duzo e en­vio o fi­cheiro .srt ao sí­tio Legendas Zone para a malta des­fru­tar, em Português de Portugal, da me­lhor sé­rie do gé­nero Fantástico que al­guma vez vi em te­le­vi­são. E de­pois vou dor­mir duas ho­ri­nhas, se a tra­du­ção cor­rer bem.

Tenho Meo e o ca­nal SyFy que trans­mite Game of Thrones em ex­clu­sivo para Portugal, mas a sé­rie chega com uma se­mana de atraso, salvo erro, e eu não te­nho pa­ci­ên­cia para esperar.

Viciei-me a este ponto. Sempre fui ma­lu­qui­nho por Ficção Científica e Fantástico, mas neste úl­timo gé­nero só gos­tara ver­da­dei­ra­mente dos li­vros do Tolkien, O Senhor dos Anéis: três ca­lha­ma­ços, três di­re­tas, três pequenos-almoços no café do se­nhor Agostinho, sem­pre sur­pre­en­dido por me ver acor­dar tão cedo em tempo de fé­rias quando, na ver­dade, o que eu an­dava era a de­vo­rar as noites.

Ainda li to­dos os li­vros da Ursula K. Le Guin que con­se­gui com­prar, por ela es­cre­ver mag­ni­fi­ca­mente e para me con­so­lar da or­fan­dade do Tolkien, mas fi­quei sem­pre frus­trado por nunca apa­nhar nada — em li­vros, fil­mes ou sé­ries de te­le­vi­são — à al­tura das mi­nhas expectativas.

Tudo isto ter­mi­nou mal me de­cidi a ver Game of Thrones. Sabia que a sé­rie se ba­se­ava nos li­vros de culto es­cri­tos por George R. R. Martin, era pro­du­zida pela HBO, a mesma de Six Feet Under, mas an­dava tão es­cal­dado com o gé­nero que só dois anos de­pois de es­trear em Portugal co­me­cei a ver.

Não quero re­ve­lar ab­so­lu­ta­mente nada so­bre a sé­rie por­que acre­dito que al­guns não a te­nham visto por pen­sa­rem que é ape­nas uma va­ri­a­ção mo­der­ni­zada de O Senhor dos Anéis. Não é. Não exis­tem el­fos, orcs ou hob­bits em Game of Thrones, nem um ser abs­trato ca­paz de cen­tra­li­zar todo o mal em seu re­dor; não exis­tem bons ou maus nem re­la­ções as­se­xu­a­das, mas pessoas.

Os ele­men­tos so­bre­na­tu­rais tí­pi­cos do Fantástico encontram-se pre­sen­tes na his­tó­ria, como é ób­vio, mas ao con­trá­rio de ou­tros li­vros do gé­nero que li, não es­tão lá como um mero sub­ter­fú­gio para fa­zer avan­çar a trama.

O mundo de Game of Thrones é me­di­e­val como nas his­tó­rias de ca­va­lei­ros que Cervantes ca­ri­ca­tu­rou em Dom Quixote, mas as lu­tas pelo po­der e as in­tri­gas são tão mo­der­nas como as da sé­rie Os Sopranos. O ca­va­leiro ho­nesto, hon­rado e he­roico desta his­tó­ria é, neste mundo, um ho­mem in­gé­nuo e bem-intencionado que acaba por mor­rer às mãos de quem do­mina re­al­mente este jogo – para grande sur­presa e cho­que dos fãs da série.

Existem as lu­tas e as gran­des ba­ta­lhas tí­pi­cas da época, mas é nas lu­tas e ba­ta­lhas in­te­ri­o­res dos per­so­na­gens que a his­tó­ria se foca. Ocupar o trono de ferro é o preço fi­nal deste jogo de po­der e am­bi­ção e as­tú­cia, mas cedo des­co­bri­mos que, tal como no xa­drez, reis e peões só con­se­guem avan­çar uma casa de cada vez e encontram-se, mui­tas ve­zes, fra­gi­li­za­dos – são as ou­tras pe­ças que po­dem fa­zer mais es­tra­gos e de­ci­dir o re­sul­tado. Adoro!

→ 22/05/2013 @10:46

A conspiração Angelina Jolie e o Melga Mike

Angelina Jolie — atriz bo­nita e fa­mosa, em­bai­xa­dora da boa-vontade pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados —, re­ve­lou ter feito uma du­pla mas­tec­to­mia, ou seja, re­mo­veu as mamas.

Uma de­ci­são mé­dica pes­soal par­ti­lhada pu­bli­ca­mente na se­mana pas­sada coloca-a agora no cen­tro de uma ba­ta­lha ju­di­cial nos EUA tra­vada en­tre a Associação para a Patologia Molecular e a União Americana de Liberdades Civis, e a em­presa Myriad Genetics.

E sob as acu­sa­ções de um ven­de­dor de ba­nha da co­bra sem es­crú­pu­los, Mike Adams.

Angelina Jolie

Angelina Jolie no Paquistão em mis­são hu­ma­ni­tá­ria, se­tem­bro de 2010 (Foto: Jason Tanner)

Angelina Jolie acei­tou submeter-se a uma ci­rur­gia fí­sica e psi­co­lo­gi­ca­mente de­vas­ta­dora para qual­quer mu­lher por acre­di­tar no seu va­lor pro­fi­lá­tico: tendo des­co­berto que era por­ta­dora de uma mu­ta­ção do gene BRCA1, e que essa mu­ta­ção em par­ti­cu­lar im­pli­cava o risco de de­sen­vol­ver can­cro da mama com 87 por cento de pro­ba­bi­li­dades, Jolie op­tou por eli­mi­nar o risco e cor­tar o mal pela raiz. Escreveu um ar­tigo no The New York Times, as­su­mindo e jus­ti­fi­cando a decisão.

Acontece que a pa­tente dos ge­nes BRCA1 e BRCA2 – cuja pri­meira va­ri­a­ção a atriz re­ve­lou ser por­ta­dora – é de­tida pela Myriad Genetics. Uma mu­ta­ção nes­ses ge­nes está li­gada ao de­sen­vol­vi­mento do can­cro da mama e do ová­rio, mas mui­tos la­bo­ra­tó­rios têm re­cu­sado o de­sen­vol­vi­mento de pes­qui­sas por re­cear so­frer ações pe­nais por parte da de­ten­tora da patente.

Este re­ceio funda-se em fac­tos re­ais: em 1998, a Myriad Genetics en­viou car­tas ao Laboratório de Pesquisa Genética da Universidade da Pensilvânia, ame­a­çando com um pro­cesso em tri­bu­nal caso o la­bo­ra­tó­rio per­sis­tisse nos testes.

Como re­sul­tado des­tas pres­sões, a Associação para a Patologia Molecular co­me­çou a fa­zer lóbi con­tra a exis­tên­cia e o li­cen­ci­a­mento ex­clu­sivo de pa­ten­tes de ge­nes – essa pres­são cul­mi­nou com um pro­cesso no tri­bu­nal con­tra a Myriad Genetics, ao qual se jun­tou a União Americana de Liberdades Civis, a Universidade da Pensilvânia e vá­rios in­ves­ti­ga­do­res uni­ver­si­tá­rios que apre­sen­ta­ram queixa a tí­tulo individual.

A 29 de março de 2010, a Myriad Genetics per­deu a pri­meira ba­ta­lha ju­di­cial num tri­bu­nal em Nova Iorque, mas re­cor­reu e, um ano de­pois, a 29 de Julho, o tri­bu­nal de ape­los para o cir­cuito fe­de­ral deu-lhe ra­zão. «Quando está iso­lado do corpo, o ADN pode ser pa­ten­te­ado – ar­gu­men­ta­ram os juí­zes – uma vez que a sua es­tru­tura quí­mica é di­fe­rente da exis­tente nos cro­mos­so­mas de um corpo».

Depois do apelo para o Supremo Tribunal, que re­en­viou o caso para o cir­cuito fe­de­ral, com os mes­mos re­sul­ta­dos, os quei­xo­sos con­se­gui­ram com que os juí­zes do Supremo vol­tas­sem a ana­li­sar o caso.

 

Turbilhão de dólares

E é este o atual es­tado do pro­cesso: to­dos es­pe­ram uma de­ci­são que po­derá revelar-se cru­cial para o fu­turo da in­ves­ti­ga­ção mé­dica nesta área e, ao mesmo tempo, para a pró­pria eco­no­mia do país.

O Comité de Assuntos Legais e Direitos Humanos do Conselho da Europa e a Unesco con­si­de­ram que os ge­nes são pa­tri­mó­nio da Humanidade; no ou­tro lado da bar­ri­cada, encontra-se uma in­dús­tria de mi­lha­res de mi­lhões de dó­la­res em risco de de­sa­pa­re­cer, caso as pa­ten­tes ge­né­ti­cas se­jam con­si­de­rada ilegais.

O ar­tigo que Angelina Jolie en­viou ao The New York Times colocou-a no cen­tro deste enorme tur­bi­lhão onde voam, de um lado para o ou­tro, no­tas de dó­lar e có­pias da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Como es­creve o jor­na­lista Cláudio Cordovil no ar­tigo «As pa­ten­tes ge­né­ti­cas e a cul­tura do medo», não são de me­nos­pre­zar os efei­tos so­bre o grande pú­blico sem­pre que uma ce­le­bri­dade de­cide par­ti­lhar o que con­si­dera ser uma boa prá­tica no campo da saúde.

Os tes­tes são ca­ros – en­tre 2300 e três mil eu­ros –, mas com­par­ti­ci­pa­dos desde que o Obamacare, pro­mul­gado há três anos, es­ta­be­le­ceu que os con­tri­buin­tes de­viam pa­gar pela re­a­li­za­ção de tes­tes ge­né­ti­cos re­fe­ren­tes ao BRCA1. Além do caso ju­rí­dico em ques­tão, teme-se que o exem­plo de Jolie dê ori­gem a uma es­pé­cie de cor­rida à mas­tec­to­mia nos EUA.

A op­ção te­ra­pêu­tica de uma mu­lher tão fa­mosa foi to­mada re­cor­rendo pre­ci­sa­mente ao tra­ba­lho da Myriad Genetics, a de­ten­tora da pa­tente do teste que usou. Como re­sul­tado, as ações da em­presa ti­ve­ram um acrés­cimo de três por cento após a pu­bli­ca­ção do artigo.

A atriz ex­pli­cou que as ra­zões que a le­va­ram a tor­nar pú­blica a sua de­ci­são têm a ver com a ne­ces­si­dade de aler­tar as mu­lhe­res que pos­sam vi­ver na som­bra de um can­cro e encorajá-las, em caso de risco ele­vado, a fa­zer o teste.

Ela tem atu­al­mente 37 anos. A mãe, Marcheline Bertrand, mor­reu aos 56. Tinha can­cro do útero as­so­ci­ado ao gene que pro­voca can­cro da mama. Angelina Jolie é uma mu­lher de su­cesso com acesso à me­lhor ope­ra­ção de re­cons­tru­ção ma­má­ria que o di­nheiro pode pa­gar – as­se­gu­rando o apoio do ma­rido, como su­ce­deu, por­que não eli­mi­nar o risco e afas­tar o es­tigma de uma pe­ri­gosa do­ença que a per­se­gue há anos?

 

O guru da desinformação

Mike Adams

As te­o­rias da cons­pi­ra­ção, con­tudo, já co­me­ça­ram: Jolie está a ser acu­sada de con­luio com a Myriad Genetics para aju­dar a sal­var um ne­gó­cio multimilionário.

Os cons­pi­ra­ci­o­nis­tas de meia-tigela já as­so­ciam a atriz ao am­plo mo­vi­mento de som­bras e en­ti­da­des que pre­ten­dem do­mi­nar o mundo, dos Illuminati aos ex­tra­ter­res­tres rep­ti­li­a­nos de ou­tras ga­lá­xias. Para esta vi­são con­tri­buiu o texto es­crito por um dos mai­o­res cro­mos que esta mar­ti­ri­zada Internet já co­nhe­ceu: Mike Adams, tão fi­nan­cei­ra­mente in­te­res­sado na his­tó­ria como a pró­pria Myriad Genetics.

Além dos ma­lu­qui­nhos que têm pá­gi­nas so­bre in­va­sões de ex­tra­ter­res­tres rep­ti­li­a­nos e tra­du­zi­ram o ar­tigo ori­gi­nal de Adams no sí­tio NaturalNews com a cons­ci­ên­cia crí­tica de um pa­pa­gaio, pelo me­nos duas pu­bli­ca­ções mains­tream por­tu­gue­sas – Visão e jor­nal i – no­ti­ci­a­ram tam­bém a «conspiração».

«Mastectomia de Angelina Jolie parte de cam­pa­nha mi­li­o­ná­ria?», per­gun­tava o tí­tulo da Visão, eco­ando a te­o­ria se­gundo a qual a atriz se te­ria ven­dido à Myriad Genetics e ci­tando um ar­tigo pu­bli­cado no sí­tio NaturalNews.

«Joliegate», re­ve­lava o jor­nal i, de­se­joso de ga­nhar o Pulitzer da par­voíce. «Angelina acu­sada de se ter ven­dido a uma in­dús­tria de mi­lhões». Uma vez mais, é ci­tado o mesmo sí­tio, NaturalNews, clas­si­fi­cado em pri­meiro lu­gar no Top10 dos pi­o­res sí­tios anti-científicos da Web.

Acontece que no site em ques­tão é pos­sí­vel fazer-se muita coisa – vo­mi­tar, no meu caso, de­vido à sen­sa­ção de co­mer merda às co­lhe­ra­das sem­pre que avanço um pa­rá­grafo; o que nunca será pos­sí­vel fazer-se ali, é en­con­trar uma no­tí­cia isenta ou um pen­sa­mento racional.

Para Mike Adams, as do­en­ças são cau­sa­das pela in­dús­tria far­ma­cêu­tica com o ob­je­tivo de es­cra­vi­zar a po­pu­la­ção num ci­clo per­pé­tuo de doença-cura, doença-cura, com a cum­pli­ci­dade de toda a gente ex­ceto o pró­prio melga Mike, aque­les que se­guem o melga Mike e to­dos os ou­tros que even­tu­al­mente se­gui­rão o melga Mike.

O corpo, de­fende ele, tem um pro­cesso «na­tu­ral» de se cu­rar de qual­quer do­ença (seja o que for que na­tu­ral sig­ni­fi­que) – e tudo o que im­plica a apli­ca­ção do co­nhe­ci­mento ci­en­tí­fico é con­si­de­rado parte de uma cons­pi­ra­ção de em­pre­sas ma­qui­a­vé­li­cas. Defensor de te­ra­pêu­ti­cas «pla­cebo» como a ho­me­o­pa­tia, o melga Mike des­preza to­das as con­quis­tas da me­di­cina mo­derna desde que Pasteur es­ta­be­le­ceu os fun­da­men­tos da mi­cro­bi­o­lo­gia; é con­tra a apli­ca­ção de va­ci­nas e de toda e qual­quer te­ra­pia exis­tente para com­ba­ter o can­cro, o ví­rus da SIDA ou qual­quer ou­tra doença.

E ofe­rece «cu­ras» atra­vés de «pro­du­tos na­tu­rais» que o pró­prio vende.

É um char­la­tão — um cons­pi­ra­nóico que faz uso de qual­quer acon­te­ci­mento para par­ti­lhar a sua vi­são dis­tor­cida do mundo. E tendo em conta os mais de 300 mil fãs do NaturalNews, é um ho­mem pe­ri­goso para a Saúde Pública.

O melga Mike é tam­bém uma san­gues­suga, des­li­zando pelo corpo da no­tí­cia à pro­cura do san­gue dos famosos.

Viu o de­sa­pa­re­ci­mento de Steve Jobs como uma opor­tu­ni­dade de afir­mar que fora a qui­mi­o­te­ra­pia a matá-lo; caso ti­vesse op­tado pe­los tra­ta­men­tos «na­tu­rais» que vende, ainda es­ta­ria vivo.

Mal sa­bia ele que o men­tor da Apple, bu­dista, adepto das di­e­tas ma­cro­bi­o­ló­gi­cas, tão bri­lhante como tei­moso, pre­fe­rira tra­tar o can­cro do pân­creas com su­mos de fru­tas, acu­punc­tura e re­mé­dios de me­di­cina tra­di­ci­o­nal em vez da te­ra­pia con­ven­ci­o­nal, recusando-se du­rante nove me­ses a pro­cu­rar au­xí­lio mé­dico por não que­rer «que abris­sem o meu corpo, que me vi­o­las­sem dessa forma».

Quando fi­nal­mente ce­deu, por pres­são da fa­mí­lia e por não ha­ver si­nais de me­lho­rias, já era de­ma­si­ado tarde. Foi a au­sên­cia de te­ra­pêu­tica con­ven­ci­o­nal que o ma­tou, ao con­trá­rio do que de­fende Adams.

O cri­a­dor do NaturalNews ten­tou ca­pi­ta­li­zar a do­ença de ou­tro fa­moso a seu fa­vor, mas o fa­le­cido ator Patrick Swayze, que tam­bém so­fria de can­cro do pân­creas, não o per­mi­tiu: «Se al­guém ti­vesse uma cura para isto, como al­gu­mas pes­soas ju­ram ter, esse al­guém se­ria duas coi­sas: muito rico e muito fa­moso. Em caso con­trá­rio, que se cale.»

Mike não se cala, ob­vi­a­mente — e foi o seu ar­tigo, ple­na­mente re­fu­tado por David H. Gorski, pro­fes­sor de ci­rur­gia na Universidade es­ta­tal de Wayne e on­co­lo­gista es­pe­ci­a­li­zado em can­cro da mama, a prin­ci­pal fonte no­ti­ci­osa dos me­dia portugueses.

 

Sexossauro
De uma ex­tra­ter­res­tre não se po­dia es­pe­rar nada de bom e esta foto prova-o. Que pro­tu­be­rân­cias são aque­las no pes­coço da atriz?

«Para a rep­ti­li­ana Angelina Jolie», es­creve um dos mui­tos lu­ná­ti­cos que pu­lam na rede, «não existe tra­ta­mento que possa es­con­der a sua con­di­ção de ser ali­e­ní­gena rep­ti­li­ano que ma­ni­pula a cons­ci­ên­cia hu­mana. Quando a sua real forma se ma­te­ri­a­li­zar, será im­pos­sí­vel re­mo­ver suas pla­cas ós­seas de rep­ti­li­ana que já co­me­ça­ram a se ma­ni­fes­tar».

Sou obri­gado a con­cor­dar – para cer­tas coi­sas não existe tra­ta­mento pos­sí­vel. E é este tipo de sí­tio que dis­se­mina as te­o­rias de char­la­tães como Mike Adams e que os me­dia ven­dem como me­ros «de­fen­so­res das me­di­ci­nas al­ter­na­ti­vas».

A foto foi ti­rada em Veneza, a 17 de fe­ve­reiro de 2010, e mostra-nos o re­sul­tado de um face-lift. Como ex­pli­cou Ellie Levine à re­vista US Magazine, Jolie deve ter co­lo­cado «bo­tex no rosto e, pro­va­vel­mente, pes­coço, pa­ra­li­sando os mús­cu­los fa­ci­ais e fa­zendo com que mús­cu­los que não são nor­mal­mente usa­dos en­trem em ação, como forma de com­pen­sa­ção».

Uma es­trela de ci­nema que se sub­me­teu a uma ope­ra­ção plás­tica para re­tar­dar o en­ve­lhe­ci­mento? Impossível, nunca se viu nada se­me­lhante em Hollywood. Qualquer pes­soa com duas unhas bem roí­das de testa per­cebe que a fo­to­gra­fia prova a exis­tên­cia de uma cri­a­tura ex­tra­ter­res­tre ma­ligna en­tre nós.

Ellie Levine é ci­rur­gião plás­tico em Nova Iorque, é ver­dade, co­nhece as mar­cas do ofí­cio, in­cluindo as mais bi­zar­ras, mas é pos­sí­vel que o pró­prio tam­bém seja rep­ti­li­ano e es­teja a pro­te­ger a iden­ti­dade dos da sua es­pé­cie com fal­sas de­cla­ra­ções – nunca se sabe.

Um es­te­reó­tipo do louco é aquele que o de­fine como uma pes­soa que se julga Napoleão – mal sa­bía­mos que Napoleão sem­pre foi um ex­tra­ter­res­tre rep­ti­li­ano e to­dos aque­les lou­cos, coi­ta­dos, têm an­dado enganados.

A forma como Napoleão co­lo­cava a mão­zi­nha no bolso, há que dizê-lo, sem­pre pa­re­ceu sus­peita: não es­ta­ria a es­con­der uma ma­ná­pula ex­tra­ter­res­tre? A sorte do im­pe­ra­dor foi não ter exis­tido Internet nes­ses tem­pos lon­gín­quos, pois a farsa do usur­pa­dor te­ria sido logo des­mas­ca­rada e nem os mar­tí­rios do in­verno russo te­ria che­gado a conhecer.

Napoleão teve sorte por ter vi­vido of­fline, mas não Angelina Jolie.

→ 19/05/2013 @0:16

A pílula do dia seguinte

Provavelmente mui­tos de vós já o vi­ram – afi­nal, o ví­deo é um fe­nó­meno vi­ral, já ul­tra­pas­sou um mi­lhão de vi­su­a­li­za­ções no YouTube – mas da­dos os úl­ti­mos acon­te­ci­men­tos e o tipo de idi­o­tas que o post Paneleirossauros ine­vi­ta­vel­mente atrairá, re­solvi dei­xar aqui o link para que essa gente te­nha al­guma coisa com que se en­tre­ter en­quanto tenta per­ce­ber por que ra­zão não con­se­gue co­men­tar no Bitaites.

Minus IQ

Esta ver­são foi le­gen­dada em Português do Brasil por José Faccin e pode ser vista cli­cando aqui.

Que mui­tas pes­soas te­nham pen­sado que esta pí­lula para bai­xar o QI de facto exis­tia, só veio dar ra­zão à equipa cri­a­tiva que achou a brin­ca­deira per­ti­nente e atual — Tadas VidmantasRonaldas Buozis, da agên­cia Sleepthinker, ba­se­ada em Londres. A pí­lula não existe, pois, mas há gente que pa­rece tomá-la to­dos os dias.

→ 18/05/2013 @0:42

Paneleirossauros

Paneleirossauros

Os ig­nó­beis so­ci­a­lis­tas e blo­quis­tas vão le­var ama­nhã mais uma vez a adop­ção de cri­an­ças por duas pes­soas ho­mos­se­xu­ais do mesmo sexo que vi­vam jun­tas, ao Parlamento. Não se en­ga­nem, to­das as ma­nifs, to­dos os Grandolas Vilas Morenas, to­dos os Galambas e Dragos, to­dos os ac­tos de ter­ro­rismo de in­ter­rup­ção de mem­bros do Governo em ac­tos pú­bli­cos, têm um único ob­jec­tivo “dar cri­an­ças aos homossexuais”.

Maria Teixeira Alves, no Corta-Fitas

 

Graças à jor­na­lista Maria Teixeira Alves, aca­bei de des­co­brir que o 25 de Abril foi obra de gays.

Não acre­di­tem se os pro­fes­so­res de História vos dis­se­rem que na­quele fa­tí­dico dia de 1974 o povo saiu à rua – em pri­meiro lu­gar, por­que são com cer­teza la­ri­las in­fil­tra­dos no sis­tema edu­ca­tivo; em se­gundo, por­que não foi o povo quem saiu à rua, fo­ram os paneleiros.

O povo é quem mais or­dena? Isso é grito de sado-masoquistas, de certeza.

As pes­soas acham que foi uma re­vo­lu­ção, mas foi uma pa­rada gay — uma cons­pi­ra­ção com o ob­je­tivo de do­mi­nar ho­mos­se­xu­al­mente este país e le­ga­li­zar a so­do­mi­za­ção de cri­an­ci­nhas recém-adotadas.

E aposto que os mi­li­ta­res que a or­ga­ni­za­ram usa­vam cu­e­cas de fio den­tal sob aque­les uni­for­mes – em cada Salgueiro Maia, não se es­que­çam, há um bai­la­rino dos Village People em po­tên­cia. Em cada re­vo­lu­ci­o­ná­rio, um ho­mo­cons­pi­ra­dor de­se­joso de en­fiar a pa­lhi­nha no rabo da revolução.

Nem quero ima­gi­nar o que a po­bre mu­lher deve ter sen­tido quando al­guém se lem­brou de me­ter um cravo no cano de uma me­tra­lha­dora – por mais que me es­force, não con­sigo ima­gi­nar nada mais gay do que isso. Ainda por cima usa­ram uma cri­ança como sím­bolo, os por­ca­lhões, o que só prova que em cada ma­ri­cas há sem­pre um pe­dó­filo a es­prei­tar por baixo das saias da Anita.

Somos to­dos fi­lhos de uma re­vo­lu­ção de ra­be­tas – isto é mesmo pior do que pen­sá­va­mos. E até Zeca Afonso, revelar-nos-á a Alves um dia, gos­tava de se dis­far­çar de loira dos Abba en­quanto can­tava o Grândola Vila Morena di­ante do espelho.

Um dia a Teixeira Alves che­gará à con­clu­são de que os di­nos­sau­ros não se ex­tin­gui­ram por causa da queda de um as­te­roide; os bi­chos co­me­ça­ram a enrabar-se uns aos ou­tros no pe­ríodo Cretáceo e, pronto, aca­ba­ram por de­sa­pa­re­cer. Qualquer bió­logo vos dirá que uma ex­tin­ção em massa co­meça sem­pre com uma apal­pa­dela no cu e só Deus sabe o que vai ser de nós, po­bres hu­ma­nos, se per­sis­tir­mos neste com­por­ta­mento. A Natureza está atenta e não per­doa os in­di­gen­tes mo­rais, diga lá o que dis­ser o pa­ni­las do Darwin.

É pre­ciso ver que os ca­sais he­te­ros­se­xu­ais tam­bém têm muita culpa no car­tó­rio: afi­nal, quem os man­dou ge­rar fi­lhos gays? Não há uma lei que proíba isso? Se não há, de­via ha­ver. Existirá al­gum ví­rus da pa­ne­lei­rice aguda que os pa­dres ainda não con­se­gui­ram iden­ti­fi­car nos la­bo­ra­tó­rios que mon­ta­ram nas sa­cris­tias? Que ter­rí­vel cons­pi­ra­ção é esta e por que ra­zão mais pes­soas nor­mais não se afli­gem como a Teixeira Alves?

Está de­ci­dido. Como me­dida pro­fi­lá­tica, pro­po­nho que do­ra­vante to­dos os pais se­jam obri­ga­dos a pro­var que não são ma­ri­cas an­tes de se­rem au­to­ri­za­dos a procriar.

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