
E de vez em quando o jornal A Bola supera-se e inventa uma manchete irresistÃvel.
Viram o jogo de Portugal com a Hungria?
Bem, com a derrota da Suécia na Dinamarca bastava-nos ganhar à Hungria para subirmos ao segundo lugar e, ganhando a Malta, uma equipa fraca, disputar o play-off de acesso ao Mundial.
Simão Sabrosa marcou o primeiro aos húngaros e que fez o nosso jogador ao marcar um golo tão decisivo?
Não festejou.
Deixou-se ficar, gelado e apático, como se o próprio Simão e as suas questiúnculas com Cristiano Ronaldo fossem mais importantes que o golo marcado pela selecção.
As questiúnculas a que me refiro são antigas e bem conhecidas: Ronaldo é a estrela da equipa, mas também é o capitão; Simão não pode ser a estrela da equipa, mas considera que deveria ser ele o capitão. Estes problemas já Simão os tivera no Benfica, com o então defesa Hélder.
Na selecção, é um novo confronto de egos tÃpico de uma equipa que já não tem um Figo ou um Pauleta para meter os meninos na ordem, e pode explicar a atitude do jogador português, que ainda por cima marcou aquele golo a passe do gajo-que-não-devia-ser-capitão Ronaldo.
Graças ao jornalismo de investigação de A Bola, sabemos afinal que não se trata de amuo de vedeta: o que Simão quis foi celebrar o golo à Cantona, mas saiu-se mal, coitado. Eis o que escreve o jornal: «Para quem não sabe o que é uma celebração à Cantona, a expressão ganhou força quando, após um grande golo apontado com a camisola do Manchester United ao Middlesbrough, o fantástico número 7 francês parou numa pose austera, de gladiador, e, com o rosto fechado e colarinhos levantados, iniciou uma rotação lenta, contemplando todo o estádio que o aplaudia efusivamente.»
Segue-se a tradução do gesto deste nosso Fernando Pereira do futebol: «Ora Simão, na sua tentativa de imitar o gesto, esqueceu-se de dois pormenores: primeiro, a camisola da Selecção não tem colarinhos; segundo, não chegou a fazer a tal rotação de contemplação das bancadas. Ou seja, não se percebeu que queria imitar Cantona, provocando assim alguma especulação em redor do acto. Fica, portanto, o esclarecimento».
Eu tenho uma teoria mais arrojada: acho que ninguém percebeu a intenção de Simão porque Simão nunca pretendeu imitar ninguém: Cantona mirou o estádio numa pose desafiante, arrogante, erguendo os braços com um sorriso de satisfação como quem diz Eu sou o maior; Simão nem sequer desafiou os adeptos como Cantona, apenas escolheu o momento apropriado do jogo para dizer Estão a ver, eu é que devia ser o capitão; eis a diferença entre um guerreiro e um menino chorão que usufrui dos prestáveis serviços de um jornal desportivo para lhe justificar os arrufos. Mal ficou com a braçadeira (Ronaldo lesionou-se), Simão festejou o seu segundo golo no jogo da mesma forma de sempre – enfim, isto sou eu, que não percebo nada de futebol, muito menos de colarinhos e sou incapaz de reconhecer uma birra quando a vejo.
Ainda bem que A Bola nos esclareceu e trocou a habitual especulação pela demência. O autor do artigo chama-se João Pimpim, o que também ajuda.































8 comentários
Muito bem observado. Concordo completamente. O Simão foi, é e será um amuadito.
As vezes a ignorancia e estupidez de certos jornalistas surpreende-me! Tentam arranjar sempre as razões mais absurdas e as desculpas mais descabidas para criarem alguma polémica apenas para venderem jornais…
Sou portista mas sempre admirei o Simão como jogador apesar de alguns percalços pela carreira, mas considero que ele faria um papel muito melhor de capitão que essa vedeta que lá anda…
Guilherme, de um benfiquista para um portista: não estás a pensar na sua passagem pelo Glorioso, certo?
Não, apenas me referia a saida prematura e falhada para o estrangeiro…
por acaso acho que ele tentou mesmo imitar o festejo do Cantona, mas falhou em alguns promenores que foram referidos. quanto a festejar o segundo golo da forma habitual, é normal porque os jogadores , fora algumas excepçoes variam nos festejos e este em especial tinha logica ser feito apenas uma vez.
deixo aqui uns exemplos: o robbie fowler aqui ha uns anos foi acusado de ser drogado, aconteceu que na primeira hipotese que teve ele festejou como se estivesse a snifar coca, fez uma vez e nao repetiu, o gascoigne tambem simulou uma bebedeira( e so o fez uma vez).
os festejos mais “especiais” normalmente só sao feitos uma vez
Esta deva ser uma das capas mais surrealistas d’A Bola, o que não é fácil tendo em conta o historial. Imitar Cantona? Já agora, falta ao artigo uma outra pequena diferença: Simão, não obstante a qualidade que tem, é Simão Sabrosa; o tipo que ele supostamente queria imitar é Eric Cantona. Os golos até foram parecidos e tudo.
Acho que a nomeação de Cristiano Ronaldo como capitão foi o maior erro de Queiroz. Ronaldo não tem maturidade nem autoridade junto dos colegas para ser capitão. Mas também não acho que Simão tenha essa mesma autoridade, sobretudo porque passa o tempo a queixar-se de não ser capitão. Portugal neste momento só tem 3 jogadores que, pela importância que têm (em termos de qualidade de jogo e história), poderiam ser o capitão: Ricardo Carvalho, Deco e Nuno Gomes (não por esta ordem).
O mais interessante é ver A Bola a inventar a justificação quando o Simão não se lembrou de a inventar. Podiam ter dito quando o JV Pinto agrediu o árbitro no Mundial que estava a tentar imitar o Cantona, mas enganou-se no movimento e no alvo.
Acho que está tudo a exagerar.. Claro que a explicação que ele deu, não se percebeu nada..
No fundo, no fundo, ele não queria era abraçar o Ronaldo. Se festejasse, o Ronaldo foi quem criou a jogada e era quem estava mais perto. Teria do abraçar!
Claro que aqui o Marco tem razão, e ele não o queria abraçar por causa da história do capitão. Mas se o Ronaldo não estivesse na jogada e estivesse longe dali, creio que tinha festejado.
Por muito demencial que a Bola seja, e é-o tipicamente, no Domingo foi superada pelo Record.