Bob Woodward e Carl Bernstein, os jornalistas do Washington Post que investigaram o escândalo Watergate no princípio da década de 70, tiveram como principal fonte uma pessoa que durante muitos anos foi conhecida apenas pela alcunha Garganta Funda. A fonte do jornal Público para este Watergate à portuguesa passará à História como o É só garganta.
Eis o jornalismo de referência em todo o seu esplendor: qualquer suspeita que se lance sobre Sócrates e o Governo não serve como base de investigação, como aconteceu no caso americano; serve para fazer manchete no dia seguinte, não importando que nesta fase nada exista de concreto ou factual a não ser a suspeita lançada por um funcionário não identificado da Casa Civil da Presidência da República. A notícia caiu na capa do Público com a mesma leviandade com que uma pedra de gelo cai num copo de uísque.
A manchete em detrimento da investigação – eis o nível a que chegou o jornal Público, que está agora para a política como o 24horas está para as celebridades, com a crucial diferença de que o 24horas, não obstante o tom cor de rosa enjoativo e os fellatios às figuras do jetset, faz um trabalho mais transparente. Honesto. Já o Público anda a engolir muita merda.
Não se trata aqui de ser a favor ou contra o Sócrates, mas apenas de bom ou mau jornalismo; no caso do Público, nem se trata de ser mau, mas de ser manhoso.
Com esta manchete, aquele que já foi o meu jornal preferido colocou-se finalmente ao nível dos esquizofrénicos que habitam a zona de comentários do seu sítio online, capazes de aproveitar até uma notícia sobre Astronomia para zurzir os seus ódios medievais a Sócrates e ao Governo. Preparem-se agora para o baixo nível de comentários que esta notícia vai provocar – é precisamente para esta gente que o Público agora escreve.































16 comentários
“é precisamente para esta gente que o Público agora escreve.”
A merda atrai moscas… E moscas não faltam..
Marco Santos,
o Público também já foi uma grande referência para mim. Neste momento, acho que o jornalismo nacional anda pelas ruas da amargura. E ser jornalista por cá, face à quantidade de sapos que é preciso engolir todos os dias, deverá ser um profissão bem tramada. O que interessa é escrever coisas que se vendam e que ‘abafem’ a concorrência, pouco interessando a objectividade ou mesmo a veracidade das notícias.
«que está agora para a política como o 24horas está para as celebridades», e o I para o sensacionalismo. Há dias, um dos título era: “Presidente Federação Futebol acusado de pedófilia”, só que, não era O presidente da Federação Portuguesa de Futebol, mas o presidente que uma federação de futebol, diria, dos distritais. Não são os títulos que vendem? E por falar nisso, então e o CM que se tornou perito em identificar festas de cariz Gay? Que até faz manchetes com isso?
Para os nossos jornais o que realmente interessa é a notícia sensacionalista e não a objectiva, senão não vende…
O Público é, antes de mais, um jornal do sr. Belmiro Mete Medo, por isso não é de estranhar esse género de notícias virulentas contra o governo PS.
Subscrevo em pleno. Jornalismo vergonhoso.
O Jornal Público deixou de ser uma referencia já se sabia; agora ser um veículo de transmissão de recados e ideias encomendadas é muito pior.
Se o “tio”Belmiro” alimenta a cena é porque a coisa está a correr de feição para aqueles lados,amigos e companheiros.
Grande “capela” aquela.
Já não é só destilar mentira , é dar suporte de forma declarada à sem vergonhice, e não é só de agora.
Faz tempo que deixei de gastar dinheiro nessa gente de vendidos.
Desde que JFM, enquanto editor do Jornal, começou a demonstrar toda a sua obsessão sôfrega pelas políticas neo-liberais e a aceitar as peçonhas narrativas anti Sócrates redigidas por quem lá trabalha, que o Público perdeu grande parte da credibilidade e independência construída durante muito tempo.
Cada vez mais é uma verdade que quem decide o rumo do país é a comunicação social. E o pior de tudo, é ver que o faz à custa do “diz que disse”. Será que o verdadeiro jornalismo de investigação morreu de vez?!
Palavra de honra que quando li a notícia pensei – apanharam o José Manuel Fernandes de férias e “zás” – anunciaram alto e bom som que se mudaram para o campo que esperam venha a ganhar as eleições. Só que o José Manuel Fernandes também estava de férias aqui há uns tempos … será que agora também estava ?
De facto já parece a casa da sogra.
Marco Santos,
voltei aqui por causa da tal notícia do I. Isto é mesmo vergonhoso.
Depois de vários protestos dos comentadores (eu fui o primeiro), eles lá mudaram o título da notícia para Presidente da Federação Almeriense de Futebol detido por pornografia infantil. O título original era “Presidente Federação de Futebol detido por pornografia infantil“. Só não me recordo se dizia “Presidente da”. Salienta-se que a zona geográfica em causa, era Almeria, Espanha.
Colaboração entre Belém e Ferreira Leite assumida em site do PSD
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=145621
Semanário – Ferreira Leite faz o programa com Catroga e assessores de Belém
http://www.politicadeverdade.com/?idc=1102&idi=4447
WOW
Este texto é brilhante.
Fiquei com a mesma impressão quando o li.
A fonte parece muito frágil e a própria notícia desmente o título.
Uma merda.
O Público morreu. Mas podia ter uma morte digna.
O importante é que hoje venderam mais uns quantos exemplares à custa desta brincadeira. Com sorte já deu para pagar à redacção os novos salários reduzidos e negociados há cerca de um mês.
O resto é lixo, o que importa são as folhas *.xls mostrarem saldos no vermelho, sim senhor, mas mais controlados.
Vocês também, hein! … Os jornalistas bons estão de férias e os estagiários estão só a tentar fazer um brilharete nas vendas em papel. Isto é só pra verificar se conseguem superar a crise. Estratégia de marketing,.. nada mais. A técnica de dar de borla o Público nos supermercados não deve ter funcionado.
Acredito que isto também seja uma fortíssima indicação de que a Internet, e o acesso direto do público ao que lhe convém, supera a realidade anteriormente estabelecida de que era necessário um intermediário para selecionar, filtrar, interpretar, e até mesmo pensar, pelas pessoas. Hoje encontramos na Internet aquilo que queremos ler, ouvir e ver sem que tenhamos que nos sujeitar as “escolhas” de seja lá quem for.
É a efetiva democratização (ou popularização, caso o termo esteja muito desgastado) da média que está a transformar os meios de comunicação inexoravelmente. Já não há mais retorno no investimento em qualidade pois já não se compram jornais, nem mesmo os de referência, como antigamente.
Desde os meus 14/15 anos que sou um ávido leitor de jornais. Neste momento leio regularmente uns 10, por dia. Todos pela Internet.
O investimento em publicidade, principal fonte de recurso dos média, hoje já é maior na Internet do que na maior parte da média tradicional, salvo a TV. No resto, a rádio e grande parte dos jornais, já foram superados pela Internet, e a tendência é de continuar neste sentido.
Tive acesso a tese do Dr. João Paulo Meneses (TSF) que trata deste assunto no que diz respeito a rádio. Parece que se está a espalhar.
desde que o exmo. sr. primeiro ministro josé de sousa não autorizou que a opa da sonaecom sobra a pt chegasse à bolsa… o jornal público tem-se entretido a dar eco a todas as notícias que possam causar algum embaraço ao senhor josé de sousa.
Toda a história começou com um artigo do Semanário de 7/08/2009 “Ferreira Leite faz o programa com Catroga e assessores de Belém”. Está no 2.º link do post do José Dias – via site de campanha do PSD
Depois os porta-vozes do PS disseram “tá mal”, alguém da Presidência disse “mas como é que eles sabem tal coisa ? será que nos andam a escutar ?” e o Público escreveu – “o Governo anda a espionar a Presidência da República”
Escreve o Diário de Notícias (DN) hoje:
“Ao DN, Eduardo Catroga, ex-ministro das Finanças do último governo de Cavaco Silva, disse que a peça do Semanário, que originou toda a história, é” uma inventona total”. ” Não colaborei no programa, não fiz parte de qualquer grupo de trabalho, não sou assessor ou consultor de Belém e estive de férias em África com a família, desde um de Agosto”, afirmou Catroga.
A ‘notícia’ do Semanário era quase só um título, sem fontes. Mas foi suficiente para ser levada a sério e originar um “facto político” e mais uma “guerra’” entre S. Bento e Belém”. (fim de citação)
Parabéns ao Semanário. parabéns ao Público. Já não servem para informar mas ainda servem “para picar os gajos”.
Apesar de ser uma publicação mensal sobre o Alentejo, deixo aqui a sugestão: Revista Pormenores.
Com o principal objectivo de “conhecer e compreender melhor o Alentejo”, a Pormenores procura fazer um jornalismo de proximidade, tentando fugir ou, pelo menos, não estar refém de uma agenda mediática que conduz a este tipo de situações – mais ainda em pleno mês de Agosto.
Com distribuição nacional e uma abordagem aos assuntos tratados de uma forma transversal e de forma a contribuir para a formação de uma massa crítica mais atenta e esclarecida, optamos por grandes reportagens e um jornalismo narrativo que trate os assuntos de uma forma mais aprofundada.
Para mais informações, visitar – http://www.pormenores.pt
@sergiocurrais espero que já conheças a Pormenores – temos muitos colaboradores que conheces pessoalmente. Diz-nos qualquer coisa. Abraço
Concordo totalmente
aquele que tambem já foi o meu jornal passou definitivamente à historia depois do zé manel ter precisado de tres editoriais para justificar a invasão do Iraque