
A Chip7 deu inÃcio a uma campanha de marketing: um portátil gratuito!
O portátil à borla que tão generosamente oferece aos seus clientes é um chassis básico com uma configuração banal – mas é de graça, por isso ninguém se deve queixar! Poderão conhecer melhor algumas das caracterÃsticas da máquina consultando as letras mais pequeninas do folheto PDF disponibilizado.
Estes modelos costumam ser assemblados de propósito para este tipo de campanhas. Nem na Acer – a fabricante deste – poderÃamos ver à venda um modelo com estas caracterÃsticas, mas ainda assim é possÃvel fazer algumas contas de cabeça.
Um portátil destes dificilmente custará mais de 500 euros aos preços actuais, mas é impossÃvel não ficarmos impressionados: gostam tanto de nós que cobram zero euros pela máquina. Uau.
Infelizmente, para podermos levar o portátil de borla temos de pagar 1436 Euros nos próximos três anos. É verdade: primeiro temos de concordar em aderir à Internet Banda Larga 3G (pormenores aqui) para pagar uma mensalidade de 39,90 Euros por um perÃodo de fidelização de 36 meses.
Traduzindo por miúdos: para ganhar à borla um portátil vulgar (um utilizador do Windows Vista achá-lo-ia medÃocre), temos de assinar um contrato onde nos comprometemos a ficar ‘presos’ a uma operadora durante os próximos três anos. Se não gostarmos da qualidade de acesso à Banda Larga dessa operadora (a propósito: qual é? Podemos escolher?) e nos quisermos ver livres dela, temos de pagar até ao fim as ‘prestações’ todas.
Já agora: aquilo funciona como um vulgar financiamento a crédito e se, no final, pagarmos tudo até ao fim… Recebemos um vale de compras no valor de 150 Euros oferecido pela Chip7. Mal posso disfarçar a comoção que esta oferta me faz sentir.
Moral da história? Ora deixa ver… É um excelente negócio para as operadoras (fidelizam clientes a médio prazo e por um valor fixo), para a Chip7 (deve ganhar uma percentagem com as vendas, chama mais clientes e associa-se a uma campanha de marketing decalcada do Programa e-Escola), para a empresa que vende o dinheiro e, sobretudo, um magnÃfico negócio para os infoexcluÃdos da sociedade: finalmente podemos comprar um portátil em condições muito vantajosas para todos os intervenientes…
… excepto nós. Parabéns!































26 comentários
Sempre a dizer, deves ser mas é comunista:P Hj n é quarta? Não devias estar a pedalar?
Porquê o interesse? Queres fazer exercÃcio fÃsico, gordo?
Gostei da censura
Será isto menos “vigarice” que o projecto e-escola
Com a agravante que no projecto e-escola quem incentiva ao “negócio” é o Estado paizinho dos desfavorecidos e protector dos oprimidos…
Nas letras mesmo, mesmo pequeninas está também o facto de ter que se adquirir a placa usb, no valor de 69,90€. Diz que é de graça, mas afinal não é bem
A operadora é Optimus, a prestadora de crédito é a Cetelem e Credibom. A propria Chip7 vende modelos até da mesma marca a preços inferiores, que permitem comprar um laptop e uma placa 3G e sair a ganhar uns valentes trocos.
Esta operação de marketing, deve ter sido elaborada por um marqueteiro formado na Fernando Pessoa.
Um abraço do Velho
É. É mais um dos abortos do capitalismo (que funcionaria bem melhor não fossem os filhos de Satanás que engendram este tipo de esquemas).
Não querendo fazer de advogado do diabo, a campanha da chip7 é tão enganadora como este post. Dito da maneira que disseste “Um portátil de borla por 1436 Euros” parece que estamos a pagar o portátil e que a ligação à internet é oferta. Eu vejo mais como uma fidelização a uma rede móvel (pelos vistos a optimus) durante 36 meses e em troca levas um portátil.
Tendo em conta os tarifários da Optimus, 39,90 Euros é o preço a pagar por velocidades de ligação até 3,6Mbps. É certo que eles apenas “dão” velocidades de ligação até 1.8Mpbs pelos mesmos 39.90 Euros mas diz-me a experiência que estes valores costumam ser teóricos (como aqueles 20Mbps que a clix anunciava…).
Se alguém for cliente da kanguru durante 3 anos, com 3.6Mbps, paga precisamente 1436 Euros… e não leva portátil nenhum.
Ainda me lembro do tempo em que um portátil custava 300 contos e o máximo que tinha era internet através da linha do telefone. Ver uma loja que “vende” um portátil que valha, vá, 500 euros, com uma ligação à internet que valha, vá, 30 euros, cobrando apenas o valor da ligação internet não me parece um mau negócio. Há melhores portáteis, há melhores ligações à internet e há melhores negócios, mas este não é dos piores, e aquele portátil é capaz de fazer mais de metade das coisas que grande parte dos utilizadores de portáteis faz diariamente.
É óbvio que isto é uma campanha de marketing que serve para isto mesmo, falarmos da chip7, e não para “dar” portáteis, mas gosto de ver estas primeiras tentativas de banalização da tecnologia (que não é só telemóveis!).
Ah, e para não haja confusões não curto a chip7 nem por nada e acho q nunca comprei por lá nada! On the other hand, you rock Marco!
Acreditem ou não, alguns minutos depois de esta campanha ter ido para o ar já o meu telefone no trabalho tocava e do outro lado me diziam “Épa, uma campanha espectacular pá. Um portátil de graça. Como é? Achas que devo comprar?”.
Pois, apesar de ser uma vigarice do pior, há para ai muito boa gente que vai cair na esparrela. Boa Marco. Uma vez mais a prestar um serviço cÃvico…
A relação preço qualidade não é boa é óbvio, mas essa análise que fazem é estar a passar um atestado de invalidez aos compradores deste produto. Não tomem as pessoas por ignorantes à partida, o capitalismo é mesmo isto e caso não se tenham apercebido vivemos neste sistema. Estão apenas a dizer mais do mesmo, ninguém dá nada a ninguém, mas digam-me quem não sabe disso?
Publicidade não é crime pelo contrário, se com isto conseguirem vender uma boa quantidade de portáteis têm todo o direito, tal como as pessoas têm o direito de fazer contas e ver que vão sair prejudicadas.
Se fosse uma promoção na vizinha Espanha vinham dizer que lá se dão portáteis e que em Portugal o governo cobra 150 euros, e ninguém ia ler as condições do serviço que em Espanha se estavam a oferecer pois se dizem de borla é assumido por nós como uma verdade absoluta, assim como uma empresa portuguesa privada faz esta promoção é logo censurada. O que queriam era de borla literalmente?
Acordem para o mundo em que vivem.
É precisamente essa a minha intenção com este post, Rogério, manter as pessoas acordadas.
Nem pensar. Se fosse em Espanha estava-me nas tintas.
Adenda: um bom negócio não pode comprometer nunca a nossa liberdade de escolha. Não me lixem! Não podes ficar refém de uma empresa só porque não és um gajo rico. As pessoas habituam-se a aceitar as coisas mais incrÃveis só porque são prática corrente e depois chamam ingénuos ou comunas e mandam acordar quem denuncia estas merdas. Mas não sou eu que estou a dormir.
Pois é!
O Sócrates anda há meses a dizer que dá portáteis a professores (esses privilegiados – segundo a ministra) e alunos, e a tentar ficar bem nas fotografias, mas só quando este tipo de vigarices nos tocam na pele é que o meu bom povo nota.
Quando uma empresa decide implementar este tipo de campanhas só temos que estar de olhos bem abertos e ver se interessa ou não. A função das empresas é vender e o marketing um meio para o conseguirem.
Já não me parece tão bem é que o governo promova situações idênticas, mas bem mais lesivas que esta campanha, e o que pretenda é tirar dividendos polÃticos com uma campanha de marketing.
Eu só sei que paguei uma ligação Zapp durante 2 anos e nunca recebi nada, nem um cartão de feliz natal. Se eu tivesse recebido uma calculadora tinha ficado feliz. Se fosse um portátil de 500€ mais feliz ficava. A questão é como diz alguém aà em cima: se já vamos pagar a Internet, o resto é (mesmo) oferta. E sim, 3 anos é demais.
Ora bem, nesta altura do campeonato 39,90 por mês uma ligação manhosa de 1,8Mbps POR TRÊS ANOS até me arrepia.
Sinceramente, isto é daquelas cenas de que eu me afasto como o diabo da cruz. As pessoas têm que se sujeitar a três anos de fidelização, quando 1 dia é muito, para levar um portátil que até nem é nada de extraordinário?! No meio disto tudo, são os compradores que perdem, porque acabam por gastar muito mais do que se comprassem um portátil e aderissem a um ISP qualquer.
Infelizmente o Marco tem razão quando diz que as pessoas andam a dormir. Acham que há muita gente a fazer contas a esta campanha? Vão é todos babados quando vêm que vão “receber” um portátil à borlixxx, que afinal lhes sai mais caro do que se fosse comprado “normalmente”. As pessoas estão a sujeitar-se, mais nada. Não têm liberdade e quase que aposto que nem sabem que a podem ter.
É por estas e por outras que eu admiro o Richard Stallman; enquanto andava tudo a dormir, ele andava a lutar pelos direitos de todos no mundo da tecnologia.
A internet é optimus..
Ver: http://jn.sapo.pt/2007/11/14/economia_e_trabalho/campanha_lanca_portateis_a_zero_euro.html
Fujam, fujam, que aquilo vem com o Millenium 2.0 home premium!
Se eu já achava a coisa má, agora ainda acho mais!
Não era fujam, era fujem. O erro era propositado.
”
Olhe amigo para mim são dois !!!
Assinar, onde ?! … eu nem tenho caneta …
Identificação !? Nº de contribuinte !? Há-de ter muito a ver com isso …
”
(Em jeito de paródia
)
Sempre que vejo Chip 7 lembro-me sempre de spam. Nunca soube como é que de repente comecei a receber um e-mail desta gente. Apesar dos pedidos para “desligarem” o meu nome continuaram a enviar-me pelo que agora vai directamente para o Spam, sem passar pela casa de partida.
Esta campanha é um golpe do baú e o Marco fez muito bem em a denunciar.
@braço.
Rogério Coelho escreve:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1308323&idCanal=10
“(…)em Janeiro de 2004 o crédito mal parado representava 2,2 por cento do crédito total e em Agosto de 2007 valia 1,8 por cento. Desse malparado, cerca de 55 por cento é relativo à habitação e 18 por cento é de crédito ao consumo.”
Como diz que disse?!
Em Inglaterra, o novo telemóvel foi comercializado nas 300 lojas da O2 (da espanhola Telefónica), nas mil da retalhista Carphone Warehouse (ainda disponÃvel para aquisição no site) e nas 12 da Apple. Custa 269 libras e obriga a fidelização de 18 meses com um custo mÃnimo de, pelo menos, 35 libras mensais.
Na Alemanha, o contrato exclusivo caiu nas mãos da T-Mobile (da Deut- sche Telekom) que o vendeu em mais de 700 lojas. A 399 euros cada, o aparelho obriga a fidelização por dois anos e assinatura mensal mÃnima de 49 euros.
Estes malandros da Apple… a querer enganar o pessoal com uma fidelização! Livre-nos Deus de tal engodo! Já agora façam as mesmas contas que fizeram antes e digam lá quanto fica o iphone para os ingleses e para os alemães. E não, não quero comparar o iphone com o portátil em causa, apenas quero dizer que fidelizações há muitas, e só se fideliza quem quer.
Já agora a fonte dos dados que usei é o DN em http://dn.sapo.pt/2007/11/18/economia/portugueses_ficam_i_phone_sapatinho_.html esqueci-me de colocar…
E em quantos desses anúncios está escrito que o iphone é grátis? Penso ser isso o que estava aqui em discussão.