A minha intenção inicial era analisar e verificar, tanto quanto possível, os factos de «Zeitgeist». Nesse processo gastei tanto tempo e recolhi tanta informação que, às tantas, decidi que teria de escrever um post por cada parte do documentário – foi o que fiz.
Este aborda exclusivamente a primeira, The Greatest Story Ever Told. Concentrei-me sobretudo no material mitológico do Egipto, já que outros aspectos focados – o Zodíaco, a Astrologia, a Astronomia – são bem refutados noutras páginas Web e a minha intenção nunca foi a de traduzir links, embora tenha feito algumas citações e aproveitado algumas pistas. Podem consultar esses sítios na secção final do post.
Não sou nenhum especialista do Antigo Egipto nem da sua mitologia, como é óbvio – o que eu fiz foi recolher informação, interpretá-la, organizá-la e escrevê-la. Simples trabalho jornalístico escrito com a liberdade do blogger. Por outras palavras: um prazer. Cabe a vocês decidir se fui capaz de desmentir ou pelo menos clarificar as principais «revelações» de «Zeitgeist». E sigam os links para aprofundar o tema.
A escolha do título do post poderá não fazer muito sentido – aceito-o perfeitamente, mas a verdade é que reflecte o que senti ao ver esta primeira parte: especulação baseada em especulações anteriores apresentada como novidade, e muita agitação e propaganda
A 11 de Setembro, tentarei publicar o post que diz respeito à segunda parte, intitulada All The World’s a Stage. Seguir-se-á a última poucos dias depois (espero).
A quem acompanha pelo feed: este texto é enorme, um verdadeiro suicídio blogosférico – cerca de 26 mil caracteres – e está dividido em várias páginas. Se não leram o texto anterior, façam-no antes de passar para este.
Ao pesquisar-se informação sobre os factos descritos na primeira parte de «Zeitgeist» – The Greatest Story Ever Told – verifica-se quão estupendo foi o trabalho de redacção, edição gráfica, montagem e locução. Uma maravilha, sobretudo tendo em conta que se trata de uma produção amadora.
O documentário está tão bem feito que se não estivermos dispostos a conhecer mais sobre o vasto panteão de deuses do Antigo Egipto, as suas origens, histórias e desenvolvimentos, a simplicidade e clareza do discurso ressoará nos nossos cérebros como um acorde de Debussy ouvido às duas da manhã com as luzes da sala todas apagadas e um cigarro na mão.
O grafismo do documentário reforça a leveza do discurso. Como uma sessão de hipnotismo, as palavras-chave repetem-se no ecrã para que o transe nunca se perca: mãe-virgem, concepção, 25 de Dezembro, 12 discípulos, crucificação, três dias, ressurreição, por aí fora. Vistas as coisas, tudo se encaixa em associações tão perfeitas que é impossível não nos deixarmos embalar.
O problema é que à medida que vamos reunindo informação sobre os factos que sustentam as teorias e associações de «Zeitgeist», percebemos que esses factos e histórias e mitos só encaixam na perfeição porque os que não encaixam são deliberadamente ignorados.
Este tipo de expediente – deixar de fora o que não interessa para não estragar a teoria, mesmo que seja um facto comprovado – é típico daqueles que defendem teorias da conspiração.
Não me interpretem mal: é fundamental fazer perguntas, investigar, escrutinar as acções de qualquer tipo de autoridade, terrena ou celeste, não ter medo de as pôr em causa, exercer o direito de estarmos atentos e não sermos enganados – sem estas atitudes, continuaríamos a pensar que o Iraque foi invadido pelos EUA por possuir instalações secretas onde armas de destruição massiva eram produzidas.
Quando a defesa de uma teoria da conspiração se torna irracional a ponto de falsear factos, manipulá-los ou retirá-los do contexto, temos um tipo de atitude que na sua essência não é muito diferente da de um fanático religioso que acha que o planeta Terra foi criado há 12 mil anos e que os fósseis dos dinossauros foram implantados por Deus para testar a nossa fé. É este tipo de logro intelectual que detecto em «Zeitgeist».
Por exemplo, Jesus Cristo não nasceu a 25 de Dezembro, 25 de Dezembro é a data em que o seu nascimento é celebrado – parecem duas coisas iguais, mas não são. No Novo Testamento, no Evangelho de São Lucas, é referido que Cristo nasceu na Primavera. Ninguém fala em Dezembro. Mais lá para a frente volto ao assunto.
Outro exemplo: Hórus, a divindade «plagiada» pelos cristãos, nunca morreu – quem morreu foi o pai, Osíris, assassinado por um irmão invejoso, Set. A história de Hórus é simplificada até à exaustão e posso garantir-vos que a original é mil vezes mais interessante e pitoresca do que a falsa versão. Uma vez que o deus solar Hórus afinal não morreu, parece-me seguro concluir que também não ressuscitou. Espero que este raciocínio não seja ofensivo.
Na tentativa de suportar a sua história, «Zeitgeist» procurou apenas criar a sua própria lenda. Li dezenas e dezenas de sítios na Net sobre mitologia egípcia, fui à Fnac comprar livros sobre o Antigo Egipto.
Depois de queimar as pestanas em centenas de páginas escritas por egiptólogos e investigadores, não encontrei uma frase que fosse, nem uma nota de rodapé, um texto em corpo 7, enfim, qualquer referência ao facto de Hórus ter sido professor aos 12 anos, baptizado aos 30 e ter caminhado sobre a água. Tão-pouco descobri qualquer referência ao facto de ser chamado A Verdade, A Luz, o Filho Adorado de Deus, Bom Pastor, Cordeiro de Deus ou Salvador, como sustenta o documentário. Hórus – e isto foi o que encontrei – era chamado «O Afastado», reminiscência de um falcão a voar muito alto, acima da Terra, para observar futuras presas. Hórus também nunca teve um único discípulo, quanto mais 12, mas «forneceu» quatro filhos ao panteão egípcio: Imseti, Hapi, Duametef e Kebehsenuef, conhecidos precisamente como os «Filhos de Hórus».
Perante isto, a única conclusão que posso tirar é que «Zeitgeist» faz de egiptólogos e antropólogos um bando de gente completamente ignorante. Para que andaram os homens e as mulheres tantos anos a decifrar hieróglifos e a compilar, estudar e interpretar informação? Se tivessem visto o documentário, teriam poupado imenso tempo.































34 comentários
Creio que o Deus-Sol era Rá e não Ré, ou estou enganado?
Marco, excelente análise. Não esperava por menos.
Com esta tese, que pelos vistos ainda vai no princípio, já te podemos chamar Sr. Mestre Doutor Professor.
A sério. Está excelente e vai totalmente de encontro à impressão que o documentário me provocou, nomeadamente a parte que analisas.
A história do Akhenaton é recorrente nos canais da TV Cabo como o Canal História e o Discovery Civilization e por isso também estou mais ou menos dentro da mesma.
Bem, vamos ficar à espera das próximas análises.
@pedroc:
Rá mas também Ré.
Tinha que comentar este. Já houve uns 3 ou 4 artigos que quis comentar, mas nunca tinha pachorra para o registo, mas este não podia deixar passar:
Bravo! (ler com entoação afectada e sotaque italiano)
Vi o documentário há uns meses e na altura também fiz alguma pesquisa para “peneirar” o que tinha acabado de ver. Desisti, porque achei que estava a perder tempo com algo que não o merecia.
Fizeste um trabalho extraordinário de pesquisa: se eu fosse jornalista em Portugal, pegava em mim e apresentava a minha demissão. Porque é que não há mais portugueses assim?
Fico em pulgas para ver o que vai sair sobre o FED e tutti…
Obrigado por tudo
pronto, Zeitgeist = BullShot.
e é facto que estes tipos existiram? historias tao..esquesitas. casamentos entre irmaos, (Osíris, Ísis, Seth, Néftis), masturbaçoes entre irmaos…cada personagem tem milhentas personificaçoes, kas, bas, enfim…
isto+civilization phaze III, um começo de dia um pouco esquisito.
Marco,
vou-te deixar só um pequeno extracto retirado do dicionário do antigo Egipto (direcção de Luís Manuel de Araújo) sobre Hórus:
«(…) distinguem-se, pelo menos, quinze deuses Hórus importantes, conforme o parentesco que lhe é atribuído nos mitos.
grosso modo, estas formas podem ser divididas em: 1.º) Solares, em que é considerado como filho de Atum, Ré ou Geb e Nut, ou seja, por consequência, neste ciclo é visto como irmão de Osíris e Set e integra a pequena Enéade de Heliópolis, 2.º) Osíricas, em que é visto como filho de Osíris e Íris e sobrinho de Set, com quem travará uma árdua disputa pela posso do trono do Egipto como herdeiro de Osíris. Esta disputa assume o dualismo característico da luta entre a luz e as trevas, o céu e a terra, o bem e o mal.»
o Hórus osírico foi concebido magicamente pela mãe depois da morte de Osíris» (o pai…).
só mais um naco de prosa sobre Hórus: «como facilmente se comprova, na figura de Hórus confluem e concentram-se misturadas diferentes correntes mitológicas: o deus celeste e da luz, solar, conquista o mundo em proveito do astro-rei, triunfando sobre os seus inimigos, encabeçados por Set, sob a forma de filho de Osíris e Íris. (…) neste deus, um dos mais importantes do Egipto, de certa forma até um ex-libris do panteão e do Egipto, o sincretismo religioso assume o seu expoente e manifestação máximas.»
Hórus não é um deus simples, é um deus com imensas personificações, é provável que além das que são referidas no comentário ainda existam mais umas quantas…
Por isso é que a dada altura escrevi
«Outro aspecto que me faz impressão é «Zeitgeist» assumir que a história mitológica do Egipto é um conjunto inerte de eventos e personagens, tão inerte como os blocos de pedra calcária com que foi construída a pirâmide de Gizé: a vida e as características dos deuses são estas, começam aqui, acabam ali, entre o princípio e o fim foi sempre tudo igual, significam isto e mais nada, e pronto, feito e explicado.»
Mas, compreendes, só este post foram para aí uns 26 mil caracteres. Para uma visão mais completa, tem de se seguir os links e, sobretudo, ler os livros.
Não para os egípcios, segundo o que eu li. A «diabolização» de Set foi feita pelos Romanos, não pelos Egípcios…
Já várias vezes quis comentar, mas aborrecia-me fazer o registo. Contudo, a qualidade deste blogue é tal, que vale a pena perder um minuto a registar-me.
Marco, escreves de uma forma tão especial que não tenho adjectivos para a qualificar. Excelente, fantástico são insuficientes.
Vou ser sincero, se eu fosse a qualquer blogue e desse de caras com um post deste tamanho (26 mil caracteres!!), não o lia. Mas no Bitaites, sei que quanto maior o post, mais qualidade terá, pelo que li este de uma ponta à outra e nem dei pelo seu tamanho.
Só tenho uma pergunta a fazer: Para quando um livro?
Marco,
não penso que uma luta entre o “céu e a terra” implique a diabolização de algum dos participantes…
Excelente é pouco. Também passo a fazer parte dos que querem ler mais e mais.
Pedro, diz-me lá na história de Hórus contra Set onde é que vês o dualismo característico da luta entre a luz e as trevas, o céu e a terra, o bem e o mal…
P.S. – Ainda estou a tempo de fazer emendas.
Marco,
ponto um: eu não conheço a mitologia egípcia;
ponto dois: não conheço nenhuma das versões da luta Hórus versus Set;
ponto três: vou-me basear novamente no dicionário do antigo Egipto (direcção de Luís Manuel de Araújo): Set. divindade que é conhecida sobretudo por estar relacionada com a maldade, a desordem e a confusão, exactamente o contrário das basilares normas da maet (…) a tradicional atitude egípcia na busca do equilíbrio e da harmonia levava a que na iconografia régia o deus Set e o deus Hórus aparecessem muitas vezes lado a lado, (…)», é referido neste dicionário que Set “caiu em desgraça” no antigo Egipto a partir da Época Baixa, coincidindo com o crescimento do culto a Osíris.
qualquer mito sobre uma luta entre figuras que representam 2 lados antagónicos, poderá sempre estar incluída na frase: «Esta disputa assume o dualismo característico da luta entre a luz e as trevas, o céu e a terra, o bem e o mal.». apesar de aos nossos olhos não ser perceptível onde está a terra e onde está o céu…
Ok.
Só existe uma versão dessa luta que eu saiba, mas posso estar enganado – aquilo é um mundo muito grande…
Os teus comentários vão sempre parar ao anti-spam, estás a usar alguma proxy marada? Já é a segunda vez que isso acontece contigo.
Epa, gostei de ler tudo, estás muito bem documentado, mas já agora, para quando a versão da queda das torres gémeas??!
Se tudo correr bem, a 11 de Setembro.
Excelente, desta vez superaste tudo o que estava a espera
isto está de tirar o chapeu.
Nem acredito que o merdas do documentário fez-me engolir que o Hórus tinha morrido. Já pesquei mais de Mitologia egípcia do que hoje mas o Osíris e a Isis não são um dos poucos deuses que não têm cabeça de animal? O Anúbis não é o deus dos Mortos?
Já agora eu até conhecia essa da morte do Osiris, não te esqueceste de mencionar que foram as lagrimas da Isis ao chorar o marido assassinado que criou o Rio Nilo? Não necessário, mas é interessante
Algum dos dois Horús chegou a ser o rei do Sol? Se sim o que raio aconteceu ao Rá?
Ainda tenho dúvida em se o tal faraó herege foi mesmo o fundador do monoteismo, se me puderes dizer em que ano (mais ou menos) o bicho reinou dava jeito.
Não é possível que cristo tenha nascido no dia 1 de Janeiro? Tipo, assim dá para dizer que o Nascimento de Cristo foi no primeiro dia do ano 0, mas isto é só uma suposição.
Leitura recomendada com algumas coisas igualmente interessantes sobre este tema e outros: A coleção de 20 livros intitulada “História da Magia do Ocultismo e das Sociedades Secretas”
Hórus vs Set – demais!
Hoje à noite vou deixar de ver 24 para ver novamente o documentário…
Grande post, e não tou só a falar do tamanho dele
, mas também da qualidade! Muitos Parabéns !
Óh marco esse autor que referes nas fontes Simon Cox é o mesmo que têm livros sobre as teorias do Dan Brown e que é descrito desta maneira na wikipedia??
“Cox is an alternative historian who research the occult, conspiracy theory, secret societies, etc.”:| Não me inspira muita confiança essa do historiador alternativo!xD Cumps!
Shrimps, o Simon Cox pode escrever sobre os temas que quiser – o que interessa é a forma como o faz. Achei o livro dele muito bom para iniciados e um trabalho sério. Também li essa referência e fiquei desconfiado, mas depois comparei textos dele com o de outros livros e vi que ele é rigoroso na divulgação que faz. Pelo menos neste não tenho razões de queixa. Os outros, não sei, não os li…
Essas cenas do «historiador alternativo» é marketing para vender livros.
Granda posta!
Parabéns pelo trabalho de pormenor e as histórias inacreditáveis dos deuses.
Não afecta a qualidade do filme, contudo…
Afecta, afecta! Espera pela parte do 11 de Setembro…
Saquei-o em DVD com as legendinhas em português já feitas e tudo. E obrigado!
Pedro, temos é que rever o filme os dois e ter uma grande discussão a ver se te abro os olhos (melhor, fecho)
@BG: Obrigado! O livro é este blogue – chega-me, por enquanto.
Marco, não disponibilizas uma cópia do dvd?…
estou com pouca vontade de ver o filme no monitor do putátil…
depois de ler o que tens escrito por aqui e conversado com o Pedro sobre o filme… fiquei com bastante curiosidade sobre este zeitgeist.
Na boa, faço-te uma cópia. Manda-me um email com contactos para a gente combinar isso.
Bem eu não vi o documentário, mas depois de ler os posts que escreveste sobre o tema, vou ter mesmo de ver isso…
Parabéns Marco pela forma como escreves… é um privilégio poder ler aquilo que escreves.
Caro Marco Santos,
Apesar de nao concordar com tudo o que vi no Zeitgeist e concordar com alguns pontos seus apontados acerca do zeitgeist neste blog, tambem vi que cometeu o mesmo erro que muitos outros “zeitgeist debunkers” e pseudo-intelectuais que pensam passar a saber tudo sobre um assunto so porque o ‘estudaram’ durante uns dias, e afirmando saberem mais do que outras pessoas que passaram uma vida inteira a estudar esses mesmos assuntos.
Pois bem, deixe os googles, sites, wikipedias e livros da fnac de lado, e arregace as mangas como deve ser e arranje livros dos seguintes autores sobre a cultura egipcia/origens do cristianismo ( muitos estao out-of-print mas poderá encontra-los á venda em http://www.kessinger.net):
GERALD MASSEY
ALVIN BOYD KUHN
JAMES MORGAN PRYSE
ARTHUR DYOTT THOMPSON
GODFREY HIGGINS
FRANK HIGGINS
ALFRED CHURCHWARD
ROBERT INGERSOLL
JOHN REMSBERG
ALEXANDER DEL MAR
L. A. WADDELL
G. R. S. MEADE
Irá reparar que a maioria deles cobriram em pormenor e mostraram provas de todas as semelhanças que existem entre biblia/jesus/origens do cristianismo vs Egipto/Horus.
Vai ver que no final o que aqui escreveu a fazer paródia sobre o zeitgeist p1 para supostamente impressionar e massajar o ego dos mais incautos, afinal nao passou disso mesmo, uma simples paródia…
Caro csw, obrigado pelo registo.
Quanto à lista de autores, não vejo como uma simples lista possa dar azo a qualquer conversa ou discussão. Se aconselha esses autores, é porque os leu; se os leu, não sei por que razão não partilhou os ensinamentos que colheu nesses livros. Isso seria magnífico!
Na ausência de qualquer outro argumento excepto uma lista de autores, só posso convidá-lo a escrever novo comentário ou, se o desejar, a escrever aqui um post como blogger convidado.
Quanto ao paralelismo entre a mitologia egípcia e o Cristianismo, está mais que estabelecida – e há muito tempo, desde o Renascimento. Não coloquei em causa esse paralelismo no post. O último grande livro foi co-escrito por Claude-Brigitte Carcenac e Llogari Pujol, no livro Jesus, 3000 anos antes de Cristo, do qual infelizmente ainda só consegui apanhar excertos. Há quem defenda, por isso, uma de duas coisas: o Cristo histórico não existiu e os seus ensinamentos foram copiados dos papiros egípcios; o Cristo histórico existiu, formou-se no Egipto e aplicou os seus conhecimentos quando regressou à Palestina. Zeitgeist, que é um documentário, apresenta-nos apenas um ponto de vista, ignorando todos os outros porque obviamente não são convenientes. A minha intenção foi acrescentar os dados que o documentário omitiu. Se acha que estão errados, demonstre-me e eu agradeço. Lançar-me uma lista de autores não é suficiente.
Estes paralelismos não são novidade para si nem para mim, mas parecem ser para os autores do documentário que a apresentam como uma revelação e uma prova de que nos mentiram (quem?) e que depois associam tudo isso a uma obscura cabala judaico-cristã para dominar o mundo. Essa manipulação das coisas não lhe parece revoltante? A mim revolta-me. E olhe que sou ateu.
Por último: prova parece-me uma palavra demasiado forte neste contexto. Existem associações, mas provas? Diga-me uma.
António Piñero, um catedrático de filologia em Madrid, afirmou o seguinte: «O máximo que um historiador pode admitir é que esses paralelismos existem, mas verificam-se porque pertencem ao acervo comum da mitologia ou, melhor ainda, da mitopoese * ou fabricação… Contudo, não me parece científico dizer que os evangelhos tenham sido estritamente copiados de textos que datam de dois mil anos antes deles.»
É uma posição discutível, mas também é um bom ponto de partida.
* Incluí o link porque não sabia o que significava essa palavra até ler esse texto.
Marcos,
Os textos sobre o 11 de setembro e sobre os bancos ainda sairão do forno?
Sim, mas tenho de arranjar tempo para os escrever
Saudações
E agora em relação ao pentágono. Primeiro não sei o que queria mostrar naquela foto já que não se vê destroços de um avião e depois se realmente ouve um avião que embateu contra ao pentagono e se existem câmeras a gravar tudo o que se passa cá fora porque não foram disponibilizadas as imagens do avião a embater contra o edifício para desfazer quaisquer duvidas?
) acho engraçado a sua primeira atitude depois de ver o filme, pois ainda não tinha começado a sua pesquisa e ja estava convencidissimo que tudo o que esta lá apresentado era mentira.
Tenho vindo cada vez mais a reparar que a maior parte das pessoas que tentam desmentir o Zeitgeist acabam sempre ou por partir de uma ideia errada em relação à mensagem do filme, e muitas vezes pelo meio das suas argumentações acabam por admitir que concordam com a sua mensagem, algo que eu penso que acontece sem sequer darem por ela, o que eu acho que foi o seu caso.
“António Piñero, um catedrático de filologia em Madrid, afirmou o seguinte: «O máximo que um historiador pode admitir é que esses paralelismos existem, mas verificam-se porque pertencem ao acervo comum da mitologia ou, melhor ainda, da mitopoese * ou fabricação… Contudo, não me parece científico dizer que os evangelhos tenham sido estritamente copiados de textos que datam de dois mil anos antes deles.»”
Esta é a ideia base da primeira parte do documentário. Eles não dizem que foram copiados letra por letra, mas sim que existem vários paralelismos entre as religiões, que mostra que a sua génese é comum, e que partem das adorações aos céus e ao sol por parte das primeiras comunidades humanas, o que demonstra que as religiões existem apenas para tentar explicar algo que não podia ser explicado pela ciência na altura, e que foi utilizado como sistema de controlo durante muito anos e ainda hoje em dia. Isto acho que é algo que não pode ser contornado e o estudo da história mostra isso mesmo. Durante anos a religião controlou governos e só nos dias de hoje é que começou a haver uma separação entre o poder do governo e o poder da religião (sendo que em muitos países isso ainda não acontece) mantendo-se ainda alguma influência, por mais subconsciente que seja, já que todos nós somos criados numa sociedade predominantemente cristã.
Outra ideia errada é achar que o autor do filme quer mostrar algo de novo ao falar sobre estes paralelismos e sobre o 11 de Setembro como é referido por si. Mais uma vez isto é uma ideia errada. No meu entender ele apenas tenta mostrar essas ideias a mais pessoas e mostrar como estão ligadas entre si de maneira a desmontar o “sistema de controlo” que existe. E em relação a este sistema ele não tenta entrar em grandes teorias de conspiração em que estas elites se reúnem a noite ao jantar e planear que atrocidade vão cometer no dia seguinte, mas sim como uma maneira de agir inerente aos que lutam pelo poder. Esta ideia é melhor desenvolvida no Zeitgeist Addendum.
Só para terminar, eu não estive a ler todo o seu texto, até porque como você próprio disse existem várias versões do Horus, facto que é referido no Zeitgeist caso não tenha prestado atenção, mas reparei em alguns pormenores que falou. E em relação à queca que Osiris terá dado com sucesso, essa queca (pelo menos nas versões que eu li) foi dada por ele depois de morto, após a sua mulher Isis ter trazido o seu espirito do mundo dos mortos por alguns momentos… Algo que é exactamente igual ao que se passou com Jesus, mudando apenas as personagens sendo o autor da “queca” bem sucedida o Espírito Santo.
Ah e já agora em relação ao 11 de Setembro só três coisas. Em relação aos voos terem ou não existido, isso nunca é posto em causa, pelo menos não os que embatem nas torres gémeas, se isso é falado em Loose Parts não sei porque nunca vi o filme. Em relação às fotos que mostra, como se fossem descredibilizar as teorias demonstradas em Zeitgeist, achei muita piada à primeira em que mostra um plano de uma torre a cair, quando no documentário mostra várias gravações do movimento de queda das torres, que correspondem exactamente ao movimento de uma demolição controlada, isto juntando aos depoimentos dos funcionários do World Trade Center que se encontravam na cave e que ouviram e sentiram as explosões subterrâneas momentos antes do primeiro avião embater na torre. Mas na foto que mostra está a prova que tudo isto é mentira
Ah e só para terminar (e desta vez e mesmo para terminar
P.S. – Peço desculpa de estar a comentar aspectos referidos noutros posts mas simplesmente não tou com paciência de ir à procura dos outros e como o autor é o mesmo fica já aqui tudo
MEU CARO MANDOU MUITO BEM…VOCÊ PESQUISOU E PELO QUE JÁ TINHA PESQUISADO PERCEBI O MESMO…COMO A FILOSOFIA GREGA NOS PASSA, SÓ A CRENÇA VERDADEIRA JUSTIFICADA É TOMADA COMO CONHECIMENTO.ESSE DOCUMENTÁRIO ILUDE MAIS DO QUE NOS ENSINA.
Saudações!
Caro Marco, há pouco tempo, tive acesso ao filme Zeitgeist: Addendum, e foi uma grande reviravolta para mim, pois, apesar de soar como teoria de conspiração, os fatos político-econômicos apresentados são extremamente convincentes e me pareceram muito plausíveis, diferente do que o que eu já pude ver, quando muitos punkroqueiros ou anarquistas se reúnem e pretendem lutar contra o sistema, sem muita explicação quanto a tal sistema, como pretendem fazê-lo e para quê o querem. Só por ter me mudado tanto, tenho na última semana, procurado saber diversas opiniões de adultos experientes, pessoas de outras áreas, depoimentos na internet, que possam me ajudar com a opinião. Ainda não assisti ao primeiro filme, mas julgo que depois de sua tese, é um erro grande meu, e vou ver ainda essa semana, para tirar melhores conclusões.
Você foi bastante consistente em sua análise e comparação, e elogio seu desejo de pesquisa, para não ser manipulado. É o que estou buscando fazer.
Portanto, dentro do possível, como li os comentários aqui realizados, gostaria de saber se você tem uma resposta ao comentário feito por Pauloprospero, que é bastante consistente e propõe uma má-interpretação sua de alguns aspectos.
Desculpe-me por vir pedindo informações sem nem ao menos ter visto o primeiro filme, mas estou muito interessado nas suas opiniões, e quando você me as der, já terei com certeza assistido ao filme em questão.
Pra falar a verdade, sou um brasileiro de 19 anos, ainda estudando para a universidade, por isso talvez estranhe um pouco meu português. Achei seu blog procurando opiniões diferentes sobre Zeitgeist. Se puder ajudar com isso, dentro do possível, agradeço muito.
Por fim, parabéns pelo blog, tens muito boas idéias!
A tese apresentada pelo documentário Zeitgeist não é original. Existem outras fontes sobre o assunto, algumas delas focam mais um deus que outro, como o Mithra. Um site especializado nisso é esse: http://www.pocm.info/getting_started_pocm.html
Mesmo que os paralelismos sejam forçados, existe ainda o casos da similaridade entre Moisés e Sargão II, e dos episódios astrológicos que combinam com a mitologia cristã. Algumas fontes que asseguram que até mesmo as falas de Cristo não são originais, mas montagens com frases de textos antigos e textos gregos, como Esopo.
Frank Zindler, em seu artigo “Como Surgiu Jesus” numa tradução de Leo Vinnes, afirma que:
“Este movimento do eixo da Terra é chamado precessão, e ele é, acredito, um dos principais componentes das causas que há muito tempo conduziram à criação do Cristianismo. O personagem agora conhecido como Cristo, ou Jesus, não nasceu de uma virgem; ao invés disso, foi produto de uma Terra giratória e instável. Se o eixo da Terra não fizesse precessão, o personagem Cristo nunca teria sido inventado. O Cristianismo como conhecemos não existiria.”
Ademais, se for checar o site acima, notará que a maioria dos estudiosos escolásticos acreditam na herança pagã do cristianismo. O documentário Zeitgeist recebeu ainda uma análise mais pormenorizada no site:
http://www.stellarhousepublishing.com/zeitgeist.html
Um abraço
Quando assisti ao primeiro filme, gostei da idéia, porém fiquei meio com o pé atrás como você, pela maneira como as informações “esotéricas” foram apresentadas meio rresponsavelmente nesta primeira parte do filme (e o tom manipulador da narrativa).
Acredito que a maioria das pessoas sejam leigas para este tipo de assunto e acaba soando como “uma grande história inventada por alguém” (como inclusive foi nomeado o trecho). Não acredito que seja bem assim. Mas de fato a história do Cristianismo é muito parecida com qualquer outra história religiosa, tem uma ligação muito forte com o que pregam os que não são religiosos também. Ser filho do Sol, é ter a divindade em si, o Sol é símbolo da consciência, do Ego, que precisa “transcender” , morrer, rescuscitar purificado, explorando todas as suas capacidades e integrado `as demais partes de sua psiquê.
Infelizmente a história , a religião, usou uma fábula (não entro no mérito de discutir se houve um Jesus histórico ou não, não acho impossível, no mundo apareceram muitos Messias) para manipular massas e concentrar poder, mas se as religiões forem analisadas como realmente são, então sempre haverá espaço para a fé. Felizmente no Addendum, eles fazem uma espécie de “correção” a este respeito… O mito, ao contrário do que pensam, não são histórinhas fantasiosas inventada por alguém, são antes retratos das dinâmicas do inconsciente de toda uma Era. É preciso tomar cuidado com o pensamento iluminista, racionalista, pois não somos feitos apenas de mente e acreditar que tudo pode ser compreendido pela razão consciente é tão limitador.
É incrível como a narração deu uma volta e acabou no mesmo ponto: as estrelas, o espaço. Começou com a Astrologia e terminou com a citação poética de Carl Sagan. Lindo. Se as pessoas entendessem um pouco mais sobre símbolos então assistir estes 2 documentários seria realmente revelador.
Nada de teoria da conspiração… Não temos a capacidade de distinguir realidade de ficção? É preciso investigar as indagações que eles suscitam, mas com a mente aberta e humilde, pois podemos estar muito errados sobre o que consideramos real ou verdade.