→ 30/01/2011 @18:56

Carlos Oliveira, o emigrante cósmico

O as­tró­nomo e um re­pre­sen­tante in­su­flá­vel do «ge­o­cen­trismo psi­co­ló­gico» (Foto: Pedro Ferrari/DN)

Faz sen­tido que para o lan­ça­mento desta ru­brica de en­tre­vis­tas te­nha es­co­lhido um astrónomo.

«Lançamento» é uma pa­la­vra cara a to­dos aque­les que se in­te­res­sam pe­los mis­té­rios do Cosmos: das mis­sões Apollo ao Hubble, das son­das Viking aos robôs que ex­plo­ram a su­per­fí­cie mar­ci­ana, as suas his­tó­rias me­diá­ti­cas co­me­ça­ram sem­pre com a no­tí­cia de um lan­ça­mento bem su­ce­dido em di­rec­ção ao Espaço.

Também o as­tró­nomo e edu­ca­dor ci­en­tí­fico Carlos Oliveira, 37 anos, teve o seu cru­cial mo­mento de lan­ça­mento, quando em 2001 (ou­tra data mar­cante do ci­nema de fic­ção ci­en­tí­fica) voou so­bre o Oceano Atlântico para ir tra­ba­lhar nos Estados Unidos, no Maryland Science Center, em Baltimore, du­rante 5 me­ses. Em 2003, já es­tava na Universidade do Texas, em Austin.

Diz ter saído de Portugal por que­rer ir para um país onde fosse dada a «opor­tu­ni­dade de mu­dar as coi­sas e fa­zer­mos o que que­re­mos, evo­luir­mos, tra­zer­mos ori­gi­na­li­dade à área que gos­ta­mos.»

Não es­conde o or­gu­lho em re­la­ção aos seus fei­tos aca­dé­mi­cos. Na pá­gina de per­fil dos co­la­bo­ra­do­res do blo­gue de Astronomia Astro.PT, o por­tu­guês Carlos Oliveira re­vela ser o cri­a­dor e pro­fes­sor de um «ino­va­dor» curso de Astrobiologia na Universidade ame­ri­cana. A pá­gina pode ser con­sul­tada aqui. É o pri­meiro da lista.

Quis ir para «um sí­tio onde se ava­li­as­sem ob­jec­ti­va­mente as pes­soas, pelo seu mé­rito — em vez da me­di­o­cri­dade do fac­tor cu­nha.» Saiu, en­fim, por uma ques­tão de men­ta­li­dade: «Não me re­via na men­ta­li­dade fe­chada, ne­ga­tiva, de cons­tan­tes quei­xas, que existe em Portugal».

A ex­pe­ri­ên­cia está a cor­rer muito bem. Carlos Oliveira não se tor­nou «um es­tra­nho numa terra es­tra­nha», como o mar­ci­ano da no­vela de fic­ção ci­en­tí­fica de Robert H. Heinlein. Os acor­des do fado-saudade tam­bém não lhe cau­sam es­pe­cial res­so­nân­cia no cé­re­bro: é um emi­grante por­tu­guês, mas a sua casa é o Cosmos — não pensa se­quer vol­tar para Portugal.

Tenciona sair dos EUA no pró­ximo ano, «ter uma ex­pe­ri­ên­cia di­fe­rente nou­tro país». Quando che­gar o mo­mento de re­gres­sar, o des­tino será no­va­mente os Estados Unidos. Porque a vida pes­soal «não tem sido tra­di­ci­o­nal», con­ti­nua sol­teiro. «Talvez da­qui a cinco anos as coi­sas se­jam to­tal­mente di­fe­ren­tes».

Nesta en­tre­vista, Carlos Oliveira dis­cute as fron­tei­ras do Universo, a te­o­ria dos Multiversos, Matéria Negra, Energia Negra, os li­mi­tes da ve­lo­ci­dade da luz, os gra­vi­tões, o Big Bang, as des­co­ber­tas da Física Quântica, a busca por vida ex­tra­ter­res­tre, a Ficção Científica, os OVNI, a Astrologia e Deus.

Oliveira é um ho­mem di­recto e as­ser­tivo – nas suas res­pos­tas não há es­paço para flo­re­a­dos di­plo­má­ti­cos. As opi­niões in­co­mo­dam, isto é, de­sa­fiam.


[Nota: Carlos Oliveira faz al­gu­mas ci­ta­ções em in­glês — re­solvi traduzi-las, pelo que qual­quer erro é da mi­nha res­pon­sa­bi­li­dade, não dele]


«Eu não gosto de di­ver­sas te­o­rias científicas»

Lemaître: pa­dre ca­tó­lico, pro­fes­sor de Física e Astronomia, cri­a­dor da Teoria do Big Bang

O Telescópio Espacial Hubble des­co­briu o ob­jecto mais dis­tante ja­mais visto, uma ga­lá­xia for­mada quando o Universo era um jo­vem com ape­nas 480 mi­lhões de anos. Em 2014, o Telescópio Espacial James Webb, su­ces­sor do Hubble, con­se­guirá cap­tar a ima­gem das pri­mei­ras ga­lá­xias que se for­ma­ram. Até quando po­de­re­mos re­cuar no tempo? Qual o li­mite ab­so­luto a par­tir do qual já não po­de­re­mos ob­ser­var mais nada?

Carlos Oliveira — Supostamente se­ria o Tempo de Planck: 10^-43 se­gun­dos após o Big Bang.

No en­tanto, o Universo foi «opaco» du­rante muito tempo, cheio de plasma io­ni­zado. Só de­pois disso fi­cou «trans­pa­rente», ou seja, pas­sí­vel de ser visto. Podemos pen­sar num li­mite tal­vez de cerca de 380 mil anos após o Big Bang. No en­tanto, o Universo nesta al­tura se­ria «ne­gro»… Ainda lhe falta a luz que é dada pe­las estrelas.

As ga­lá­xias tal­vez se te­nham for­mado 200 mi­lhões de anos após o Big Bang. O Telescópio Espacial James Webb, se con­se­guir che­gar a es­tas, já será excelente.


A Teoria do Big Bang foi in­ven­tada por um pa­dre que que­ria en­con­trar o mo­mento em que Deus criou o Universo: não gosto dela


A te­o­ria do Multiverso se­gundo a qual o Espaço-Tempo abarca não ape­nas o nosso Universo, mas uma sé­rie de­les, era vista como um con­ceito de Ficção Científica. As des­co­ber­tas quân­ti­cas e a Teoria da Relatividade pa­re­cem de­mons­trar que, afi­nal, é mesmo pos­sí­vel que exis­tam múl­ti­plos uni­ver­sos. Qual é a sua opi­nião so­bre o assunto?

C. O. — Eu não gosto de di­ver­sas te­o­rias ci­en­tí­fi­cas. Sigo o Princípio da Mediocridade, se­gundo o qual so­mos in­sig­ni­fi­can­tes no Universo. Não so­mos o cen­tro, nem se­quer so­mos especiais.

Devido a isso, há vá­rias ideias e te­o­rias de que não gosto.

Exemplos:

- SETI: ape­sar de re­co­nhe­cer o pa­pel que o SETI teve no de­sen­vol­vi­mento de com­pu­ta­do­res e rádio-telescópios, não gosto da sua fi­lo­so­fia. Tanto o SETI como ou­tras áreas da as­tro­bi­o­lo­gia so­frem da falta de ima­gi­na­ção de es­ta­rem à pro­cura de hu­ma­nos no es­paço! Não pro­cu­ram ex­tra­ter­res­tres, mas sim hu­ma­nos, com o mesmo tipo de ra­ci­o­cí­nio, a mesma ma­te­má­tica, o mesmo de­sen­vol­vi­mento, a mesma tec­no­lo­gia, etc.

- Quântica: te­nho a ideia de Einstein, de que existe algo «mais abaixo» (mais pro­fundo) que ex­pli­cará as apa­ren­tes pro­ba­bi­li­da­des da Quântica. Por ou­tro lado, não gosto da forma como as ob­ser­va­ções de­pen­dem do ob­ser­va­dor (de nós), por­que, no­va­mente, é pôr-nos no cen­tro do Universo, ser­mos mui­tos especiais.

- Big Bang: re­co­nheço as evi­dên­cias ci­en­tí­fi­cas para esta te­o­ria, mas não gosto dela, so­bre­tudo por­que foi pen­sada por um pa­dre que que­ria en­con­trar o mo­mento em que Deus criou o Universo. Como não gosto de mo­ti­vos re­li­gi­o­sos (por­que nos põem no cen­tro da aten­ção de «al­guém», as­su­mindo que so­mos es­pe­ci­ais e muito im­por­tan­tes no Universo), en­tão toda a te­o­ria, para mim, so­fre dessa falha.


O Universo não quer sa­ber do que eu penso e das mi­nhas fi­lo­so­fias. Os re­sul­ta­dos ci­en­tí­fi­cos nem sem­pre são aque­les que eu gosto


- Multiverso: a ideia do Multiverso nas­ceu da falsa no­ção de que se só existe este Universo, en­tão ele está feito para nós: as suas pro­pri­e­da­des fí­si­cas es­tão fei­tas para a nossa exis­tên­cia. Ou seja, so­fre do mesmo pro­blema dos exem­plos acima.

Se o Universo fosse di­fe­rente, po­de­ria ha­ver vida to­tal­mente di­fe­rente da nossa, e se ca­lhar essa vida es­ta­ria a pen­sar que o Universo foi feito para ela, e que o seu mundo es­tava no cen­tro do Universo. No en­tanto, isto é algo que nem se­quer é ima­gi­nado por quem pensa que o Universo está feito para nós. Ora, para con­tra­ba­lan­çar esta ideia ini­cial de que o Universo está feito para nós, en­tão imaginou-se que este se­ria só um de mui­tos uni­ver­sos, e daí que não ha­via nada de es­pe­cial nele. O que eu penso é que a ideia ini­cial está er­rada, logo não é pre­ciso con­tra­ba­lan­çar nada.

Sempre que penso nes­tas coi­sas lembro-me das pa­la­vras de Xenophanes. Este fi­ló­sofo grego, que vi­veu cerca de 100 anos, di­zia há mais de 2500 anos que se as va­cas e os ca­va­los con­se­guis­sem de­se­nhar, ima­gi­na­riam deu­ses à sua ima­gem. Hoje, ele di­ria o mesmo dos ex­tra­ter­res­tres da fic­ção ci­en­tí­fica, por exem­plo. Ou seja, te­mos sem­pre a in­crí­vel ma­nia de ima­gi­nar que os ou­tros são como nós. E porquê? Porque nos acha­mos o que de mais im­por­tante existe, por isso os ou­tros têm que ser como nós. O mesmo se passa nes­tes exem­plos que co­lo­quei em cima, in­cluindo na ideia ini­cial para o Multiverso.

Finalizo di­zendo algo que me pa­rece que é bas­tante im­por­tante para aqui: isto são so­mente opi­niões mi­nhas. É so­mente a mi­nha fi­lo­so­fia para a vida e para o universo.

E uma das coi­sas que já aprendi nes­tes 37 anos, é que o Universo não quer sa­ber do que eu penso e das mi­nhas fi­lo­so­fias. Os re­sul­ta­dos ci­en­tí­fi­cos nem sem­pre são aque­les que eu gosto. E são es­ses re­sul­ta­dos que con­tam, e não o que eu penso.

Admitindo que a to­ta­li­dade do Espaço-Tempo é cons­ti­tuída por múl­ti­plos uni­ver­sos, isso deixa o Homem numa po­si­ção ainda mais in­sig­ni­fi­cante no Cosmos. Até ver, so­mos a única es­pé­cie in­te­li­gente no Universo, a única que de­sen­vol­veu cons­ci­ên­cia, não o per­turba ve­ri­fi­car quão ir­re­le­van­tes so­mos verdadeiramente?

C. O. — Pelo contrário.

Acho ver­da­dei­ra­mente fe­no­me­nal ser­mos in­sig­ni­fi­can­tes, ir­re­le­van­tes, no Universo.

A maior parte das pes­soas no mundo pensa que é tão im­por­tante no Universo que tem al­guém sem­pre muito atento a ela (seja Deus, ou ET’s que pi­lo­tam OVNIs). A crença em OVNI’s não é mais do que uma re­li­gião (como pro­vou George Adamski).

Parece-me um pro­blema de ego que leva à es­tag­na­ção, por­que to­das as res­pos­tas po­dem ser da­das por quem está «acima de nós» (seja Deus ou ET’s avan­ça­dos). Alguém disse: «Give a man a fish, and you’ll feed him for a day; give him a re­li­gion, and he’ll starve to de­ath while praying for a fish.» [Dê um peixe a um ho­mem e você alimentá-lo-á por um dia; dê-lhe uma re­li­gião e ele mor­rerá de fome en­quanto reza por um peixe]

Arthur C. Clarke, no seu li­vro Profiles of the Future, abor­dou o mesmo tema di­zendo que os hu­ma­nos de­ve­riam pro­gre­dir, ar­ris­car, avan­çar: «A bil­lion mil­lion ye­ars ago the more con­ser­va­tive fishes said exac­tly the same to their amphi­bian re­la­ti­ons. Existence on dry land be­ars not the re­mo­test re­sem­blance to fishy like un­der wa­ter. We shall stay where we are. And that is what they did. This is why they are still fishes”. [Há mil mi­lhões de anos, os pei­xes mais con­ser­va­do­res dis­se­ram exac­ta­mente o mesmo aos seus pa­ren­tes an­fí­bios: “A exis­tên­cia nas ter­ras se­cas não terá a mais re­mota se­me­lhança com a da vida aquá­tica. Fiquemos onde es­ta­mos!” E foi o que fi­ze­ram. Por isso ainda hoje são pei­xes]

Ou seja, po­dem ser in­sig­ni­fi­can­tes pei­xes, mas se ar­ris­ca­rem, se avan­ça­rem, po­de­rão evo­luir imenso e che­gar longe. A ou­tra hi­pó­tese será con­ti­nu­a­rem no mesmo sí­tio, es­tag­na­dos, à es­pera que «al­guém faça algo acon­te­cer», sem eles pró­prios fa­ze­rem nada por isso.

Eu sigo a ideia do «so­nho ame­ri­cano»: al­guém in­sig­ni­fi­cante con­se­guir che­gar longe. Como acon­te­ceu com os men­to­res do Google, Microsoft, Facebook ou Twitter.

O mesmo es­pero para o fu­turo da hu­ma­ni­dade: al­guém to­tal­mente in­sig­ni­fi­cante no Universo con­se­guir não só des­co­brir os se­gre­dos desse Universo, mas até se es­pa­lhar por ele.


Há muito, muito tempo, numa ga­lá­xia muito, muito distante

Não su­bes­ti­mes o Lado Negro da Energia, Luke

O fí­sico di­na­marquês Niels Bohr afir­mou o se­guinte: só quem não com­pre­ende as im­pli­ca­ções das des­co­ber­tas quân­ti­cas não fica cho­cado com elas. O que o choca mais na Física Quântica?

C. O. — Ia para di­zer tudo… mas se quer só uma ca­rac­te­rís­tica, en­tão será o «en­tan­gle­ment». Como é que uma par­tí­cula pode «sa­ber» ins­tan­ta­ne­a­mente as ca­rac­te­rís­ti­cas de ou­tra par­tí­cula no ou­tro lado do Universo, é algo que pa­rece uma ideia «pseudo». Mesmo Einstein chamou-lhe: «spo­oky ac­tion at a dis­tance» [ac­ção fan­tas­ma­gó­rica à dis­tân­cia]

É algo que me choca pro­fun­da­mente! E daí que, para mim, seja algo sim­ples­mente fan­tás­tico e genial!

Quando con­se­guir­mos per­ce­ber com­ple­ta­mente essa ca­rac­te­rís­tica, o Universo nunca mais será o mesmo. Tenho a im­pres­são de que muito do que sa­be­mos hoje será dei­tado ao cai­xote do lixo…


Será que você vai ser a pes­soa a con­se­guir fazer-nos en­ten­der a nós, lei­gos, o que raio é a Matéria Negra e por que ra­zão é tão im­por­tante?

C. O. — A ma­té­ria ne­gra é algo nor­mal.
É ma­té­ria nor­mal, mas que não con­se­gui­mos ver (de­tec­tar). Só de­tec­ta­mos os seus efei­tos gra­vi­ta­ci­o­nais na ma­té­ria a que cha­ma­mos de normal.

Parece-me que a des­co­berta das par­tí­cu­las que for­mam a ma­té­ria ne­gra será um anti-clímax, por­que na re­a­li­dade é sim­ples­mente algo que para já não con­se­gui­mos de­tec­tar mas que é “normal”.

Dou-lhe um exem­plo: o Sol, como qual­quer es­trela, emite ra­di­a­ção.
Essa ra­di­a­ção pode, por exem­plo, ser em forma de luz vi­sí­vel, e ve­mos o Sol.
Não ve­mos a ra­di­a­ção in­fra­ver­me­lha, mas sa­be­mos que ela existe por­que ve­mos os seus efei­tos (ca­lor).
Não ve­mos a ra­di­a­ção ul­tra­vi­o­leta, mas sa­be­mos que ela existe por­que ve­mos os seus efei­tos (can­cro da pele).
Ou seja, não ve­mos di­ver­sos ti­pos de ra­di­a­ção, mas sa­be­mos que eles exis­tem por­que ve­mos os seus efei­tos. Mas a ra­di­a­ção, em di­fe­ren­tes com­pri­men­tos de onda, é algo nor­mal e que faz parte do es­pec­tro electromagnético.

É im­por­tante para con­se­guir­mos com­pre­en­der o todo.
Existe mais ma­té­ria ne­gra que ma­té­ria «vi­sí­vel», por isso é im­por­tante com­pre­en­der­mos a maior parte da ma­té­ria do Universo.
Da mesma forma que se só com­pre­en­de­mos a luz vi­sí­vel, es­ta­ría­mos li­mi­ta­dos a um pe­queno es­paço do es­pec­tro elec­tro­mag­né­tico sem con­se­guir­mos com­pre­en­der o resto, e o todo.

Se a per­gunta fosse so­bre Energia Negra, aí já se­ria mais com­pli­cado…


Considere esta per­gunta uma forma de lhe com­pli­car a vida! Pode falar-nos um pouco so­bre essa mis­te­ri­osa Energia Negra?

C. O. — Supostamente, a ener­gia ne­gra é uma ener­gia que fun­ci­ona de modo con­trá­rio à gra­vi­dade: é re­pul­siva, e está a ex­pan­dir o Universo.

Como está a ex­pan­dir o Universo no seu todo, en­tão não tem que se­guir as re­gras «den­tro do Universo». Exemplo: den­tro do Universo te­mos o li­mite de ve­lo­ci­dade que é a ve­lo­ci­dade da luz no vá­cuo (ac­tu­al­mente pensa-se em C como uma bar­reira e não como um li­mite, mas essa é ou­tra his­tó­ria). Ora, para o todo do Universo esse li­mite não existe, por isso o Universo pode per­fei­ta­mente expandir-se a ve­lo­ci­da­des su­pe­ri­o­res à da luz, como pe­los vis­tos faz.

O pro­blema da Energia Negra é que não sa­be­mos o que é.

Na ver­dade, não sa­be­mos nada!

Ideias e te­o­rias não fal­tam. Possíveis so­lu­ções abun­dam.

Respostas é que nem vê-las.

Não se sabe o que é, nem se­quer se sabe se é uma força (cu­ri­o­sa­mente, eu tam­bém digo que a gra­vi­dade não é uma força, mas essa é ou­tra his­tó­ria), nem se­quer se é ne­gra, nem se­quer se é ener­gia! Este é um as­sunto em que a nossa ig­no­rân­cia é muito su­pe­rior ao nosso conhecimento.

Para a Energia Negra assume-se que o Universo se está a ex­pan­dir… mas há quem ache que não está! Por exem­plo, há ci­en­tis­tas que pen­sam que é o Tempo que está a abran­dar. O pró­prio Hubble, que des­co­briu que os gru­pos de ga­lá­xias «fu­giam» de nós, não en­ve­re­dou por di­zer que isso era fruto de que o Universo se es­tava a expandir.

Claramente es­ta­mos num ter­reno em que não sa­be­mos o que pensar…

Até por­que es­ta­mos a fa­lar do Universo Observável… e não re­al­mente no Universo no seu todo, e nin­guém sabe o que ha­verá para lá do Universo Observável…

E a pró­pria di­vul­ga­ção desta ideia, in­cluindo com os di­a­gra­mas da NASA, não ajuda nada, por­que re­flec­tem con­cep­ções er­ra­das. É caso desta fa­mosa ima­gem feita pela NASA, como ex­pli­quei aqui.

Olhando para uma pers­pec­tiva his­tó­rica so­bre «coi­sas que não sa­bía­mos», ve­mos isto (al­guns exemplos):

- percebeu-se dis­cre­pân­cias na ór­bita de Úrano. Em 1 ano, descobriu-se Neptuno, ou seja, algo (pla­neta) que já co­nhe­cía­mos em sí­tios que sa­be­mos exis­tir. Ou seja, em 1 ano descobriu-se mais da­quilo que já sa­bía­mos (pla­ne­tas) — «more stuff».

- percebeu-se dis­cre­pân­cias na es­trela Sirius. Em 20 anos descobriu-se a sua com­pa­nheira anã. Não se sa­bia o que eram anãs bran­cas, mas é algo que vem de algo que já co­nhe­ce­mos (es­tre­las). Ou seja, demorou-se 20 anos para se des­co­brir no­vas coi­sas, algo di­fe­rente, mas ba­se­ado em algo que já co­nhe­cía­mos — «dif­fe­rent stuff».

- percebeu-se dis­cre­pân­cias na ór­bita de Mercúrio. Pensou-se, como em cima, que se­ria um pla­neta mais perto do Sol a pro­vo­car isso, e chamou-se Vulcan a esse pla­neta. No en­tanto, essa ex­pli­ca­ção es­tava er­rada por­que nunca se en­con­trou esse pla­neta. Mas em 70 anos, Einstein ex­pli­cou o porquê des­sas dis­cre­pân­cias na ór­bita de Mercúrio, com uma nova te­o­ria da gra­vi­dade. Ou seja, de­mo­rou 70 anos para se ex­pli­car es­sas dis­cre­pân­cias e teve que se criar uma nova fí­sica (Relatividade) para isso — «new physics».

Ora, a ideia de que o Universo está a ex­pan­dir e que existe uma força re­pul­siva res­pon­sá­vel por essa ex­pan­são já tem mui­tas dé­ca­das. Olhando para essa li­ção his­tó­rica, en­tão penso que a res­posta para o que é a Energia Negra está numa Nova Física, algo com­ple­ta­mente di­fe­rente da­quilo que pen­sa­mos actualmente.

No en­tanto, tendo em conta que se ca­lhar te­re­mos que sa­ber o que se passa na parte do Universo que nem sa­be­mos o que é, por­que não é Universo Observável, en­tão a res­posta para este mis­té­rio torna-se pra­ti­ca­mente «im­pos­sí­vel». A ver­dade é que há imenso Universo para lá da­quilo que con­se­gui­mos observar/detectar.

Concluindo, eu sou da opi­nião do cos­mó­logo Karl Gebhardt: não sa­be­mos.


«Actualmente pensa-se na ve­lo­ci­dade da Luz como uma bar­reira e não como um li­mite, mas essa é ou­tra his­tó­ria». «A gra­vi­dade não é uma força, mas essa é ou­tra his­tó­ria». Pelas mi­nhas con­tas, já são duas his­tó­rias por contar.

C. O. — Taquiões. Pensa-se que po­de­rão exis­tir par­tí­cu­las que vi­a­jam mais rá­pido que a luz. Ou seja, é pos­sí­vel vi­a­jar abaixo de C, mas não ul­tra­pas­sar essa bar­reira. E po­derá ser pos­sí­vel vi­a­jar acima de C, mas não abran­dar ao ponto de pas­sar «para baixo» dessa bar­reira. C não será um li­mite, mas sim uma barreira.

Einstein disse que a Gravidade é uma pro­pri­e­dade do espaço-tempo… ou seja, será sim­ples­mente uma pro­pri­e­dade no te­cido do espaço-tempo. Não me pa­rece que será uma força no sen­tido con­ven­ci­o­nal do termo. Logo, para mim, não exis­ti­rão os fa­mo­sos gra­vi­tões que tanta gente anda à procura…

Kevin Spacey no filme de culto K-Pax

Se pu­desse em­bar­car na «nave da ima­gi­na­ção» de Carl Sagan, qual o lo­cal do Universo que gos­ta­ria de vi­si­tar em pri­meiro lu­gar, e porquê?

C. O. — Todo o pla­neta Terra.

Acho es­tra­nho quando as pes­soas vão ver mu­seus ou ou­tros lo­cais im­por­tan­tes nou­tras ci­da­des, mas nunca os vi­ram na sua pró­pria ci­dade. Daí que acho que an­tes de ver ou­tras coi­sas nou­tros la­dos, gos­ta­ria de ver o nosso pró­prio planeta.

Depois disso, gos­ta­ria de vi­a­jar com o prot, de K-Pax, com os cons­tru­to­res dos bu­ra­cos de verme, de Contacto, ou com os Q, de Star Trek. Eles, me­lhor que eu, sa­be­riam quais os me­lho­res sí­tios a vi­si­tar se­gui­da­mente. Eu con­fi­a­ria nes­ses «guias turísticos».


Pode-se es­pe­rar que por todo o Universo, e nas con­di­ções mais ad­ver­sas, possa exis­tir vida sim­ples. No en­tanto, vida com­plexa será rara, e vida in­te­li­gente ainda mais difícil


Interessa-se tam­bém pela nossa busca por si­nais de vida ex­tra­ter­res­tre, in­te­li­gente ou não. No en­tanto, é vi­sí­vel em mui­tos dos ar­ti­gos que es­creve uma enorme ir­ri­ta­ção em re­la­ção ao fe­nó­meno OVNI. A Ovnilogia é uma área le­gí­tima de in­ves­ti­ga­ção ou con­si­dera que é com­posta ape­nas por charlatães?

C. O. — Há mui­tos in­ves­ti­ga­do­res do fe­nó­meno OVNI que não são charlatães.

Dou-lhe, por exem­plo, o caso da PUFOI, uma so­ci­e­dade por­tu­guesa que in­ves­tiga es­ses fe­nó­me­nos. O lema de­les é que passa tudo pelo cé­re­bro hu­mano. Esses são sérios.

O que me «ir­rita» é o ge­o­cen­trismo psi­co­ló­gico evi­den­ci­ado pe­los outros.

Como ex­pli­quei, sigo o Princípio da Mediocridade.

Irrita-me que as pes­soas se­jam tão pouco ima­gi­na­ti­vas, que pre­fe­rem se­guir a vi­são re­li­gi­osa se­gundo a qual as na­ves ETs são como as nos­sas no sé­culo XX, os ETs es­tão a «vi­giar», nós so­mos tão es­pe­ci­ais que so­mos o cen­tro da aten­ção de ETs, os ETs são como nós, os ETs pen­sam da mesma forma que nós, os ETs têm tec­no­lo­gia se­me­lhante à nossa, etc.

É tudo so­bre nós.

É uma forma de nos sen­tir­mos es­pe­ci­ais, de nos sen­tir­mos interessantes.

É o ego hu­mano a fun­ci­o­nar, ali­ado a uma tre­menda falta de ima­gi­na­ção para pen­sar em vida to­tal­mente di­fe­rente da nossa.

Vida «hu­ma­na­mente in­te­li­gente» parece-me ex­tre­ma­mente im­pro­vá­vel, se­não im­pos­sí­vel. Da mesma forma que não há ou­tro Carlos Oliveira com as mes­mas ca­rac­te­rís­ti­cas das mi­nhas no mundo


Esquecendo a parte dos OVNI, quais são as suas ex­pec­ta­ti­vas em re­la­ção à pos­si­bi­li­dade de vida ex­tra­ter­res­tre inteligente?

C. O. — O que é vida in­te­li­gente? Como se de­fine inteligência?

Serão os hu­ma­nos inteligentes?

Quando me fa­lam em in­te­li­gên­cia, penso sem­pre no Hitchhiker’s Guide to the Galaxy, do Douglas Adams, e no Solaris do Stanislaw Lem. Parece-me, no­va­mente, um con­ceito hu­mano e antropocêntrico.

No en­tanto… va­mos as­su­mir, «for the sake of the ar­gu­ment», que até so­mos in­te­li­gen­tes, e so­mos a única es­pé­cie ter­res­tre inteligente.

Então, é isto que penso: a vida que para já co­nhe­ce­mos existe na Terra.

A evo­lu­ção da vida na Terra diz-nos que pra­ti­ca­mente sem­pre exis­tiu vida (desde que existe Terra), que du­rante 4 mil mi­lhões de anos essa vida foi sim­ples, que a vida com­plexa é re­cente, e que a vida in­te­li­gente é ainda mais re­cente. O ca­len­dá­rio cós­mico de Sagan de­mons­trou isto na perfeição.

É pre­ciso per­ce­ber tam­bém que a vida sim­ples con­ti­nua a exis­tir em todo o lado. Mesmo ha­vendo vida in­te­li­gente (nós), essa vida in­te­li­gente é feita de mi­lhões de bac­té­rias. Nós não con­se­gui­ría­mos so­bre­vi­ver sem bac­té­rias. Já as bac­té­rias so­bre­vi­vem bem sem nós.

Assim, pode-se es­pe­rar que a vida es­teja es­pa­lhada por todo o Universo (já que foi fá­cil ela apa­re­cer na Terra), e que a grande mai­o­ria dessa vida seja sim­ples. Vida com­plexa pode ha­ver, mas é rara. Vida in­te­li­gente pode ser sim­ples­mente uma «sorte».

Vida «hu­ma­na­mente in­te­li­gente» parece-me ex­tre­ma­mente im­pro­vá­vel, se­não im­pos­sí­vel. Da mesma forma que não há ou­tro Carlos Oliveira com as mes­mas ca­rac­te­rís­ti­cas das mi­nhas no mundo. Será que se for­mos ao tempo de Cristo, con­si­de­ra­re­mos os hu­ma­nos in­te­li­gen­tes? Duvido. Será que se for­mos ao tempo dos Neandertais, os con­si­de­ra­re­mos in­te­li­gen­tes? Duvido. No en­tanto, es­ta­mos a pen­sar em pe­río­dos de tempo muito cur­tos: 2000 anos e 100.000 anos, res­pec­ti­va­mente. Da mesma forma que hu­ma­nos no ano 100.000 nos con­si­de­ra­rão ex­tre­ma­mente atra­sa­dos. E 100.000 anos não é nada, em 13 mil mi­lhões de anos. Daí que es­pe­rar que ex­tra­ter­res­tres es­te­jam no nosso ní­vel de de­sen­vol­vi­mento in­te­lec­tual e tec­no­ló­gico, é não ter qual­quer no­ção de tempo.

Em ter­mos de dis­tri­bui­ção de vida na Terra, ve­mos que a vida sim­ples se en­con­tra em todo o lado, mesmo em sí­tios «im­pos­sí­veis». Extremófilos encontram-se em pra­ti­ca­mente to­dos os can­tos da Terra, desde os sí­tios mais quen­tes até aos mais ge­la­dos, desde o cimo das nu­vens até três qui­ló­me­tros den­tro de pe­dras. Vida com­plexa pre­cisa de con­di­ções muito mais mo­de­ra­das para so­bre­vi­ver. Vida in­te­li­gente pre­cisa de con­di­ções ainda mais mo­de­ra­das, além de con­di­ções que se man­te­nham as mes­mas du­rante mi­lhões de anos.

Como disse Darwin, tudo de­pende da adap­ta­ção ao am­bi­ente da al­tura. A vida sim­ples é ex­ce­lente nisso. A vida com­plexa morre ra­pi­da­mente com mu­dan­ças brus­cas no seu am­bi­ente. Podemos ver isso não só em ter­mos de am­bi­ente numa certa al­tura, mas até ao longo dos anos. Por exem­plo, as ci­a­no­bac­té­rias mu­da­ram a at­mos­fera com­ple­ta­mente: de 0% de oxi­gé­nio para 21% de oxi­gé­nio, sendo que já houve pe­río­dos com 31% de oxi­gé­nio. Os Humanos não so­bre­vi­ve­riam sem o oxi­gé­nio es­sen­cial na at­mos­fera. A vida sim­ples so­bre­vive, mesmo sem isso.

Assim, pode-se es­pe­rar que por todo o Universo, e nas con­di­ções mais ad­ver­sas, possa exis­tir vida sim­ples. No en­tanto, vida com­plexa será rara, e vida in­te­li­gente ainda mais difícil.

Repare-se num por­me­nor: duas for­mas in­de­pen­den­tes de ver a vida na Terra dão exac­ta­mente o mesmo re­sul­tado do que se pode es­pe­rar no exterior.

A ha­ver vida com­plexa nou­tros pla­ne­tas, eu apos­ta­ria em algo se­me­lhante a in­sec­tos (já que na Terra são uma forma de vida ex­tre­ma­mente bem su­ce­dida) que voe à-vontade (a me­lhor forma de lo­co­mo­ção), ou en­tão algo se­me­lhante a pol­vos (ani­mal bas­tante in­te­li­gente) em am­bi­en­tes aquá­ti­cos nou­tros pla­ne­tas. Ou en­tão, a jun­ção dos dois: «pol­vos vo­a­do­res», pa­re­ci­dos com os Eosapien do fan­tás­tico do­cu­men­tá­rio Alien Planet.

No en­tanto, se ti­vesse que apos­tar em algo mesmo, apos­ta­ria em algo que não con­sigo se­quer ima­gi­nar!

Fotomontagem evo­cando a cé­le­bre frase de Einstein: «Deus não joga aos dados»

É cé­le­bre o co­men­tá­rio de Einstein às con­clu­sões da Física Quântica: «Deus não joga aos da­dos». Mesmo para um fí­sico como Einstein, Deus era visto como o Criador. E você, acre­dita em Deus? Perguntando de ou­tra forma: sente a imen­si­dade do Cosmos ape­nas numa di­men­são ci­en­tí­fica ou sente-a tam­bém como uma es­pé­cie de ex­pe­ri­ên­cia religiosa?

C. O. — Qual é a de­fi­ni­ção de Deus?

Um ho­mem de bar­bas sen­tado num trono acima das nu­vens, que não tem mais nada o que fa­zer se­não con­ta­bi­li­zar as ve­zes que digo as­nei­ras, para se vin­gar de mim, como juíz, quando eu morrer?

Nesse Deus não acre­dito. Acho, no­va­mente, uma forma de pen­sar de­ma­si­ado an­tro­po­cên­trica. É um Deus cri­ado pe­los hu­ma­nos que so­frem de ge­o­cen­trismo psicológico.

O que é uma «ex­pe­ri­ên­cia re­li­gi­osa»? Existem ci­en­tis­tas que di­zem que têm algo se­me­lhante a ex­pe­ri­ên­cias re­li­gi­o­sas quando têm os mo­men­tos «eu­reka» nas ex­pe­ri­ên­cias que fa­zem em laboratórios.

Eu pre­firo acre­di­tar nes­ses hu­ma­nos. Prefiro sa­ber que foi um mé­dico que sal­vou a vida de uma cri­ança, por exem­plo, após um ter­ra­moto (pre­firo di­zer que foi Graças ao Médico), do que me pôr a gri­tar Graças a Deus que foi salva essa cri­ança (o que leva à con­sequên­cia que esse mesmo Deus dei­xou que to­das as ou­tras cri­an­ças morressem).

Quem grita «Graças a Deus» não me pa­rece que está a ter uma ex­pe­ri­ên­cia re­li­gi­osa. Está, sim, a acu­sar Deus de ter morto to­das as ou­tras cri­an­ças, o que ni­ti­da­mente é um pe­cado ca­pi­tal. Mas so­bre­tudo está a ser muito mal-agradecido ao mé­dico que sal­vou a cri­ança, ou seja, é tí­pico de al­guém que não sabe dar mé­rito a quem re­al­mente o tem.

Eu pre­firo dar va­lor aos hu­ma­nos, e não a ami­gos ima­gi­ná­rios que tive em criança.

Infelizmente, vi­ve­mos numa de­mo­cra­cia em que a maior parte das pes­soas so­fre de ili­te­ra­cia fun­ci­o­nal. Se vi­ves­se­mos num sis­tema de me­ri­to­cra­cia, es­tas ques­tões de «agra­de­cer ao Pai Natal» nem se punham.

Por ou­tro lado, mesmo al­guns as­tró­no­mos di­zem que têm o que pa­rece ser uma «ex­pe­ri­ên­cia re­li­gi­osa» ao ve­rem ne­bu­lo­sas pla­ne­tá­rias, ao es­tu­da­rem o iní­cio do Universo, etc. Neil de­Grasse Tyson farta-se de di­zer isso.

Einstein di­zia que o seu «Deus» eram as leis da na­tu­reza. Tal como Spinoza di­zia. Einstein che­gou mesmo a di­zer: «The further the spi­ri­tual evo­lu­tion of man­kind ad­van­ces, the more cer­tain it se­ems to me that the path to ge­nuine re­li­gi­o­sity does not lie th­rough the fear of life, the fear of de­ath and blind faith but th­rough stri­ving af­ter ra­ti­o­nal kno­wledge». [Quanto mais avança a evo­lu­ção es­pi­ri­tual da Humanidade, mais cor­recto me pa­rece que o ca­mi­nho para uma ge­nuína re­li­gi­o­si­dade não re­side no medo da vida, da morte ou na fé cega, mas no es­forço de al­can­çar­mos o co­nhe­ci­mento ra­ci­o­nal]

No li­vro Contacto, de Carl Sagan, a per­so­na­gem Eda, fí­sico, diz que teve mui­tas ex­pe­ri­ên­cias re­li­gi­o­sas, como por exem­plo quando com­pre­en­deu as leis da Gravidade de Newton, quando com­pre­en­deu a Relatividade de Einstein, etc. Tinha tido imen­sas ex­pe­ri­ên­cias re­li­gi­o­sas, sem­pre den­tro da ci­ên­cia, e nunca fora da ci­ên­cia. Como me pa­rece claro, sigo a es­pi­ri­tu­a­li­dade de Carl Sagan.


A re­a­li­dade não se com­pa­dece com his­tó­rias in­fan­tis com o ob­jec­tivo de ame­dron­tar as pes­soas, fazendo-as crer que no fu­turo irão ser jul­ga­das por al­guém que está ob­ce­cado por es­sas mes­mas pessoas


Entre a es­pec­ta­cu­la­ri­dade que existe no mundo na­tu­ral, ou o con­forto de uma fa­lá­cia in­ven­tada para con­tro­lar cri­an­ças (assume-se as pes­soas como cri­an­ças sem res­pon­sa­bi­li­dade in­di­vi­dual), como o Pai Natal, ou Deus, pre­firo ob­vi­a­mente a be­leza da ver­dade que existe no mundo natural.

Daí que pre­firo sa­ber (que é o con­trá­rio de acre­di­tar) que os áto­mos no meu corpo são ba­si­ca­mente iguais aos áto­mos que exis­tem na mesa onde está o com­pu­ta­dor em que es­tou a es­cre­ver. Prefiro sa­ber que to­dos es­ses áto­mos, in­cluindo to­dos os do meu corpo, já fo­ram parte de es­tre­las, já fi­ze­ram parte da cons­ti­tui­ção do pla­neta, já fi­ze­ram parte de as­te­rói­des, já exis­ti­ram em nebulosas…

E quando eu mor­rer, es­tes meus áto­mos, cons­ti­tuin­tes do meu corpo, irão vol­tar às es­tre­las, irão espalhar-se pela Lua, por ne­bu­lo­sas pla­ne­tá­rias, por ga­lá­xias distantes.

Dizendo por ou­tras pa­la­vras, pre­firo sa­ber (ter co­nhe­ci­mento, que é con­trá­rio de «acre­di­tar») que já fui parte de vá­rias es­tre­las, que os áto­mos que me cons­ti­tuem já fi­ze­ram parte de es­tre­las e pla­ne­tas, e que, quando mor­rer, esse meu ser irá no­va­mente fa­zer parte de es­tre­las, pla­ne­tas, ne­bu­lo­sas, e do Universo no seu todo.

Ou seja, tudo o que existe em mim já es­teve es­pa­lhado pelo Universo, e para o Universo irá vol­tar as­sim que eu mor­rer (como re­fere o Vincent no fi­nal do filme Gattaca: «For so­me­one who was ne­ver me­ant for this world, I must con­fess I’m sud­denly ha­ving a hard time le­a­ving it. Of course, they say every atom in our bo­dies was once part of a star. Maybe I’m not le­a­ving… maybe I’m going home») [Para al­guém que nunca foi feito para este mundo, devo con­fes­sar que es­tou a ter sé­rias di­fi­cul­da­des em deixá-lo. Claro, eles di­zem que cada átomo dos nos­sos cor­pos fez, ou­trora, parte de uma es­trela. Talvez não es­teja a par­tir… tal­vez es­teja a vol­tar para casa]

Eu faço parte do Universo, e o Universo faz parte de mim. Sempre foi as­sim, con­ti­nua a ser as­sim, e as­sim con­ti­nu­ará para toda a eternidade.

Isto não são cren­ças; isto é a re­a­li­dade do Universo.

E a re­a­li­dade é muito mais fan­tás­tica do que uma his­tó­ria para crianças.

A re­a­li­dade não mete medo: é de­ma­si­ado ma­ra­vi­lhosa para me­ter medo. A re­a­li­dade não se com­pa­dece com his­tó­rias in­fan­tis com o ob­jec­tivo de ame­dron­tar as pes­soas, fazendo-as crer que no fu­turo irão ser jul­ga­das por al­guém que está ob­ce­cado por es­sas mes­mas pessoas.

Pode-se clas­si­fi­car isto como uma es­pi­ri­tu­a­li­dade num con­texto universal/cósmico.

A re­a­li­dade dos co­nhe­ci­men­tos as­tro­nó­mi­cos (fa­ze­mos parte do Universo, e o Universo faz parte de nós) traz uma es­pi­ri­tu­a­li­dade muito mais abran­gente, pa­cí­fica, sem me­dos, e ima­gi­na­tiva, que qual­quer re­li­gião hu­mana (ne­nhuma re­li­gião, nem ne­nhuma crença pseudo, al­guma vez lhe che­gou aos calcanhares).

É neste co­nhe­ci­mento que me ba­seio. Não é uma ques­tão de acre­di­tar, mas sim de sa­ber. E é neste «Deus» que acre­dito: no ser hu­mano que atra­vés da sua in­te­li­gên­cia, ra­ci­o­na­li­dade, e pen­sa­mento crí­tico, irá evo­luir para com­pre­en­der cada vez me­lhor o Universo que o rodeia.

Há quem chame a isto hu­ma­nismo se­cu­lar. Mas eu não gosto do facto de o Humanismo co­lo­car os hu­ma­nos como o que de mais im­por­tante existe no Universo. Como disse an­te­ri­or­mente, sigo o Principio da Mediocridade. Essa é a única ga­veta com que me iden­ti­fico. De resto, a com­ple­xi­dade e a di­ver­si­dade são a or­dem do dia… e ainda bem!

Daí que lhe pre­firo cha­mar: «a fi­lo­so­fia do Carlos», uma fi­lo­so­fia ba­se­ada nos co­nhe­ci­men­tos de Carl Sagan, que vê a imen­si­dão do Universo por aquilo que é, e que per­cebe que os hu­ma­nos são ac­to­res in­sig­ni­fi­can­tes e tem­po­rá­rios no grande es­quema das coi­sas ape­sar tam­bém de com­pre­en­der que, ao evo­lui­rem, os hu­ma­nos irão com­pre­en­der cada vez mais esse palco cósmico.


Ficção Científica e Universos sexy

No seu per­fil do AstroPT está es­crito que você se li­cen­ciou em Ficção Científica. Explique aos lei­to­res do Bitaites o que é ser li­cen­ci­ado em Ficção Científica. Parece-me uma li­cen­ci­a­tura fascinante.

C. O. — A mi­nha li­cen­ci­a­tura é em Astronomia, Ficção Científica, e Comunicação Científica. Ou seja, a Ficção Científica foi parte dela, mas é uma parte me­nor, sendo que a Astronomia foi o «bolo» prin­ci­pal das dis­ci­pli­nas, com a com­po­nente de comunicação.

Sempre ado­rei Ficção Científica, e penso que é um com­ple­mento pre­ci­oso para não só en­ten­der a hu­ma­ni­dade, mas tam­bém para es­ti­car os li­mi­tes da ima­gi­na­ção científica.

Star Trek, por exem­plo, era uma sé­rie so­bre­tudo so­bre os pro­ble­mas hu­ma­nos da al­tura: ra­cismo, se­xismo, guerra fria, gays ou di­rei­tos hu­ma­nos. No en­tanto, tam­bém foi a sé­rie Star Trek que ins­pi­rou jo­vens para anos mais tarde in­ven­ta­rem por­tas que se abrem au­to­ma­ti­ca­mente, com­pu­ta­do­res pes­so­ais, te­le­mó­veis, mo­to­res a iões, etc. Gosto bas­tante do Contacto, de Carl Sagan, Black Cloud, de Fred Hoyle, Hitchhiker’s Guide to the Galaxy, de Douglas Adams, e de vá­rios li­vros do Stanislaw Lem.



A Astrobiologia é tão sexy como se diz?

C. O. — Sim, claro. A vida é sexy. Por isso, a vida no Universo é sexy por todo o lado!


Uma vez que o Homem nunca foi à Lua e a Lua pro­va­vel­mente ainda é feita de queijo, acha que os Observatórios de­vem des­pe­dir os Astrónomos e substitui-los por cozinheiros?

C. O. — Não. Porque se­não os ex­tra­ter­res­tres na Lua, morriam.

Passo a ex­pli­car: o Observatório da mi­nha Universidade é um dos pou­cos no mundo que en­via fei­xes de la­ser para a Lua de modo a cons­tan­te­mente se sa­ber a que dis­tân­cia está a Lua. Pode-se fa­zer isso, por­que as seis mis­sões à Lua dei­xa­ram lá ins­tru­men­tos, como por exem­plo, re­flec­to­res. Se o Homem não foi à Lua, en­tão não exis­tem re­flec­to­res, e o que fa­ze­mos no nosso Observatório será en­tão ali­men­tar os ETs por­que toda a gente sabe que os ETs na Lua se ali­men­tam de fei­xes de luz. Os co­zi­nhei­ros criam a co­mida, fei­xes de luz, e os as­tró­no­mos enviam-os para a Lua.


Qual é o seu signo? Identifica-se com as ca­rac­te­rís­ti­cas de per­so­na­li­dade que lhe são atribuídas?

C.O. — Leão. Sim, identifico-me com­ple­ta­mente com as ca­rac­te­rís­ti­cas de Leão, so­bre­tudo com as ca­rac­te­rís­ti­cas ne­ga­ti­vas. Curiosamente, como a Astrologia não quer sa­ber da Precessão, quando eu nasci na ver­dade a cons­te­la­ção era Caranguejo. Ou seja, na re­a­li­dade, eu nasci sob o signo Caranguejo. E por in­crí­vel que pa­reça, tam­bém te­nho ca­rac­te­rís­ti­cas desse signo. E ainda mais es­tra­nho, tam­bém te­nho ca­rac­te­rís­ti­cas de Touro e de ou­tros sig­nos que es­ta­vam bas­tante dis­tan­tes da po­si­ção do Sol na al­tura do meu nascimento.

Claro que isto não tem nada de es­tra­nho. Todos te­mos ca­rac­te­rís­ti­cas de to­dos os sig­nos, por­que na re­a­li­dade os sig­nos não nos di­zem nada so­bre nós.

A as­tro­lo­gia con­ti­nua pa­rada no tempo, no (des)conhecimento de há 2000 anos atrás. Continua a pen­sar que é o cen­tro do Universo. Como ex­pli­quei an­te­ri­or­mente para ou­tros ca­sos, a as­tro­lo­gia so­fre tam­bém de ge­o­cen­trismo psicológico.


Trocar um dia de guerra por um mês em Marte

Água em Marte, oce­a­nos sub­ter­râ­neos em Europa e Enceladus, la­gos de me­tano em Titã, vida ba­se­ada em ar­sé­nio – dir-se-ia que es­ta­mos quase, quase, a fa­zer a grande des­co­berta da Astrobiologia. É op­ti­mista quanto a esta possibilidade?

C. O. — Uma das mi­nhas ca­rac­te­rís­ti­cas pes­so­ais é ser bas­tante op­ti­mista… para tudo. Por isso, sou op­ti­mista tam­bém em re­la­ção à as­tro­bi­o­lo­gia. No en­tanto, sou re­a­lista em re­la­ção à po­lí­tica e à eco­no­mia. Nós ainda não des­co­bri­mos muito mais so­bre es­ses lu­ga­res de que fa­lou por mo­ti­vos eco­nó­mi­cos (não há maior in­ves­ti­mento nesse sen­tido) e por mo­ti­vos po­lí­ti­cos (não há von­tade po­lí­tica para apos­tar nesse sector).

E, con­tudo, os gas­tos eco­nó­mi­cos de um só dia de guerra no Iraque, por exem­plo, da­riam per­fei­ta­mente para uma mis­são a Marte…

Existem mui­tos mo­ti­vos para se apos­tar na ex­plo­ra­ção es­pa­cial, mas cer­ta­mente que os mai­o­res se­rão para a so­bre­vi­vên­cia da hu­ma­ni­dade, e para um maior con­forto, um me­lhor ní­vel de vida. Entre um maior co­nhe­ci­mento do Universo, um me­lhor ní­vel de vida e a so­bre­vi­vên­cia da hu­ma­ni­dade, ou an­dar às guer­ri­nhas por uma pe­que­nís­sima parte num mi­nús­culo es­paço de pó no Universo, o po­der po­lí­tico pre­fere an­dar a ma­tar ou­tros humanos…

 

33 comentários

  1. Antes de mais quero agra­de­cer pela pu­bli­ca­ção desta en­tre­vista. Está muito boa, ser­viu para, pelo me­nos no meu caso, apren­der coi­sas no­vas que não sa­bia, pois a mi­nha área de for­ma­ção não é, nem pouco mais ou me­nos, esta. É de no­tar que é uma ru­brica que vem com força e deixa água na boca.

    Parabéns ao au­tor da en­tre­vista! :D

    Quanto ao en­tre­vis­tado, gos­tei igual­mente de o ler. Fala de um tema que do­mina per­fei­ta­mente, usando a lin­gua­gem téc­nica ne­ces­sá­ria mas para que qual­quer leigo a per­ceba. Concordo es­pe­ci­al­mente com a sua abor­da­gem de pen­sa­mento em re­la­ção “àquele” Deus an­tro­po­cên­trico, de bar­bas, sen­tado no trono à es­pera de nós para nos dar com uma es­pé­cie de chi­cote pe­las in­jú­rias que proferimos.

    Para con­ti­nuar!

  2. Fábio Domingu — 30/01/2011 @19:54 (23 comentários)

    Obrigado por este mo­mento de lei­tura, con­ti­nua ;)

  3. Pois : As bactérias !

    Uma forma sim­ples ? Duvido !

    Toda a arte não é mais que um ger­mi­nar de for­mas sim­ples : O que per­mi­tiu a no­ção nem sem­pre sim­ples ( eu vejo-me à rasca para fa­zer a di­fe­rença en­tre tempo e du­ra­ção ) da di­fe­rença en­tre tempo e duração.

    Concordo com o au­tor en­tre­vis­tado : O Homem só se pensa em fun­ção de si mesmo. E, por essa ra­zão, é in­ca­paz de se pen­sar diferentemente.

    Todavia, parece-me que há as­pec­tos que le­van­tam ques­tões e al­guns di­zem re­peito a as­pec­tos linguisticos.

    Se o Português tem um in­fi­ni­tivo que se con­juga e ou­tras lín­guas la­ti­nas não, é por­que existe uma fi­li­a­ção his­tó­rica, in­de­pen­dente de qual­quer iden­ti­dade supra-natural.

    Marco, quando pro­cu­ras tra­du­zir, es­cla­re­cendo os teus lei­to­res, que ten­tas não trair a tra­du­ção é por­que já es­ta­mos no campo antropológico.

    O que era um corpo sim­ples tornou-se um corpo complexo…

    Como as Bactérias ?

    Talvez seja pro­pí­cio pro­cu­rar o que está em baixo em vez de olhar para o céu.

    Não sei !

    Nuno

    • Nuno, confesso-te que neste caso es­tou a ter al­guma di­fi­cul­dade em per­ce­ber o que que­res dizer.

    • Em pri­meiro lu­gar : Tens razão !

      Estou con­fuso ou ques­ti­o­nante. E a mi­nha con­fu­são ou ques­ti­o­na­mento traduz-se na escrita.

      Pergunto : O que é a inteligência ?

      Quem é mais in­te­li­gente um bom jo­ga­dor de an­de­bol ou um mau médico ?

      Daí a per­gunta so­bre as bactérias !

      Formas sim­ples que se sa­bem adaptar ?

      Não é a adap­ta­ção ao meio am­bi­ente uma forma de inteligência. ?

      Quem sabe co­mu­ni­car com as bactérias ?

      Quem co­nhece e sabe lu­tar con­tra as bactérias ?

      E se as bac­té­rias fos­sem extra-terrestres ?

      Adoro es­tas provocaçõeszitas !

      Física des­con­fia da metafísica !

      Talvez te­nha sido Pessoa quem me­lhor ques­ti­nou a pro­ble­má­tica do tempo e da du­ra­ção, in­co­mu­dando as­tró­no­mos e ou­tras ma­te­má­ti­cas. É que o equa­ci­o­na­mento de­pende da lín­gua em que es­cre­ves. E não é igual pen­sar em Português ou em Inglês ou em Francês…

      Para ir à Lua, eis um ex­tracto fa­moso de F. Pessoa :

      “Penso que se um ho­mem que me­dita de­va­gar den­tro de um carro que se­gue de­pressa está indo de­pressa ou devagar ”

      ( fonte : Livro do Desassosego, p.150, ed.Europa América )

      O tempo não é um relógio .

      Daí o pro­blema ainda não equa­ci­o­nado en­tre a no­ção de tempo e a no­ção de duração !

      Nuno

  4. André — 30/01/2011 @23:23 (124 comentários)

    Excelente lei­tura. Espectacular!

    Torço só um bo­cado o na­riz a esta afir­ma­ção «E, con­tudo, os gas­tos eco­nó­mi­cos de um só dia de guerra no Iraque, por exem­plo, da­riam per­fei­ta­mente para uma mis­são a Marte…».

    Será mesmo as­sim? Who knew…

    • Xi André, foste logo es­co­lher uma das mi­nhas afir­ma­ções pre­fe­ri­das do entrevistado!

      Mesmo que es­teja fac­tu­al­mente er­rado e só pa­guem, vá lá, 70% dos cus­tos, é no plano dos prin­cí­pios que essa frase me pa­rece importante.

      Ou se ca­lhar fui eu que não per­cebi bem a tua crí­tica. :?

    • Olá,

      Infelizmente, é assim…

      E até mais longe, é re­la­ti­va­mente “barato”.

      Vê o que eu es­crevi, por exem­plo, so­bre uma mis­são ao oce­ano exis­tente na lua de Júpiter, Europa:

      “A ci­ên­cia e tec­no­lo­gia para es­tas mis­sões, em ge­ral já existe. Até o cryo­bot já existe!

      Os gran­des pro­ble­mas são po­lí­ti­cos, e so­bre­tudo eco­nó­mi­cos. Cada mis­são cus­tará cerca de 3 bi­liões (3 mil mi­lhões) de dó­la­res. Ele disse que era muito; mas eu nem acho. A ajuda fi­nan­ceira do go­verno aos ban­cos ame­ri­ca­nos foi de 700 bi­liões de dó­la­res! Cerca de 200 ve­zes mais, e com re­sul­ta­dos muito piores!”

      Infelizmente, as pes­soas pen­sam que a ci­ên­cia custa muito… mas é ba­ra­ti­nha :wink:

      E os re­tor­nos são ENORMES :D

    • André — 30/01/2011 @23:58 (124 comentários)

      Amigos,

      sim, eu per­gun­tei mesmo «a sé­rio» pois li a afir­ma­ção e tomei-a como «sé­ria» tam­bém. Tens ra­zão, Marco, na tua lei­tura do plano dos “prin­cí­pios” e aí, es­ta­mos 200% de acordo, claro. Mas não en­trei por aí pois vindo de um ci­en­tista eu es­tava a to­mar tudo do es­tilo 1+1=2. :P Enfim… :-)

      Carlos, sou um apai­xo­nado de fic­ção ci­en­tí­fica, as­tro­no­mia, astro-everything, acre­dita (mesmo sendo um leigo). E per­cebo tam­bém a tua pai­xão e de­di­ca­ção (ab­so­lu­ta­mente in­crí­vel e pa­ra­béns por te­res saído da ter­ri­nha cal­led Portugal e dedicares-te com se­ri­e­dade àquilo que mais pra­zer te dá), no en­tanto, se há coisa que não po­de­mos di­zer é que in­ves­tir nesta área seja ba­rato, ainda que te­nhas dito «ba­ra­ti­nha» tal­vez em jeito de brin­ca­deira :-)

      Claro que ca­na­li­zar re­cur­sos para guer­ras e con­fli­tos é sim­ples­mente idi­ota. Mas que al­gu­mas pri­o­ri­da­des no Homem es­tão in­ver­ti­das não é no­vi­dade, is it?

      E ao fim e ao cabo, o ho­mem acaba por ir à Lua (ou pelo me­nos ao es­paço) à bo­leia de um con­flito de in­te­res­ses en­tre USA e URSS, não é as­sim? Nem nesse mo­mento houve “milagres”.

      Talvez no dia em que o Homem es­ti­ver um pouco acima deste tipo de tri­vi­a­li­da­des ou in­fan­ti­li­da­des possa a ci­ên­cia evo­luir. Penso que até lá — se é que esse dia al­guma vez che­gará — já cá não es­ta­re­mos para as­sis­tir a essa evo­lu­ção intelectual.

      Abraços, e obri­gado a am­bos pela achega!

    • Baratinha, en­tre as­pas… claro.

      Tomara eu ter esse di­nheiro para mim… :P

    • André — 31/01/2011 @0:05 (124 comentários)

      Hehe… :lol:

    • Gil — 31/01/2011 @18:30 (147 comentários)

      Choca-me ainda mais que esse di­nheiro da­ria para ex­plo­rar muito mais aquilo que te­mos na Terra. Afinal, ci­tando o entrevistado:

      “Acho es­tra­nho quando as pes­soas vão ver mu­seus ou ou­tros lo­cais im­por­tan­tes nou­tras ci­da­des, mas nunca os vi­ram na sua pró­pria ci­dade. Daí que acho que an­tes de ver ou­tras coi­sas nou­tros la­dos, gos­ta­ria de ver o nosso pró­prio planeta.”

      Marco: es­treia em grande, desta nova rú­brica :)

    • Gil,

      O di­nheiro para a ex­plo­ra­ção do es­paço, é apli­cado todo ele aqui na Terra (e com muito lu­cro), para dar um maior con­forto e ní­vel de vida às pessoas.

      Post com mais de 100 exem­plos de apli­ca­ções que uti­li­za­mos hoje no dia-a-dia.

      Categoria com mui­tís­si­mos mais exem­plos.

      E não po­de­mos es­que­cer os ob­jec­ti­vos de Sobrevivência da Humanidade, en­tre ou­tros. Certamente que a so­bre­vi­vên­cia da es­pé­cie hu­mana de­verá ser um ob­jec­tivo com que to­dos con­cor­da­mos…
      ;-)

    • Só um complemento:

      além do ob­jec­tivo da Sobrevivência, e das tec­no­lo­gias que são “pal­pá­veis”, existe algo que nos é dado pela ex­plo­ra­ção es­pa­cial que é in­cal­cu­lá­vel: conhecimento.

      Normalmente pensa-se que as mis­sões Apollo ti­ve­ram só um efeito po­lí­tico (ga­nhar a cor­rida es­pa­cial). No en­tanto, ti­ve­ram de­ze­nas de tec­no­lo­gias que fo­ram de­sen­vol­vi­das para es­sas mis­sões que hoje são apli­ca­das di­a­ri­a­mente na nossa vida diá­ria. E deram-nos um co­nhe­ci­mento ex­tra­or­di­ná­rio so­bre a Lua. Por exem­plo, te­mos uma quan­ti­dade enorme de ro­chas lu­na­res a se­rem ana­li­sa­das em labs por todo o mundo, te­mos sis­mó­gra­fos na Lua, te­mos re­flec­to­res que nos di­zem a dis­tân­cia da Lua (dan­tes nem sa­bía­mos se a Lua es­tava a vir de en­con­tro a nós ou a fu­gir de nós), etc…

      Outro exem­plo: as son­das à volta do Sol dão-nos um co­nhe­ci­mento ines­ti­má­vel so­bre essa estrela.

      Em 1980 (so­mente há 30 anos atrás) es­ti­ve­mos a se­gun­dos de uma 3ª guerra mun­dial (guerra nu­clear) por­que o Sol fri­tou os pou­cos sa­té­li­tes ame­ri­ca­nos e rus­sos (e uns e ou­tros pen­sa­ram que ti­nha sido o ou­tro lado). Hoje já sa­be­mos o que são so­lar fla­res, já as con­se­gui­mos pre­ver com al­guns dias de an­te­ce­dên­cia, e já sa­be­mos como po­de­rão afec­tar a nossa es­tru­tura eléc­trica. O co­nhe­ci­mento que te­mos ainda é ru­di­men­tar, mas é muito maior do que era em 1980.

      Outro exem­plo: os sa­té­li­tes que mo­ni­to­ri­zam o clima ter­res­tre, dando não só um alerta de es­tado ge­ral do pla­neta em ter­mos at­mos­fé­ri­cos, mas tam­bém aler­tam para tsu­na­mis, fu­ra­cões, etc.

      Ou seja, a ex­plo­ra­ção es­pa­cial é so­bre nós, e so­bre como o Universo nos afecta, na Terra.

      abraço!

  5. Carlos Afonso — 30/01/2011 @23:49 (43 comentários)

    Gostaria de ver as ideias de Carlos Oliveira so­bre a ra­di­a­ção ne­gra, fi­quei curioso

    • Carlos: tam­bém eu!
      É essa a des­van­ta­gem de uma en­tre­vista à dis­tân­cia. Se fosse ao vivo, tra­tava logo de lhe di­fi­cul­tar a vida ;)

      Talvez o Carlos Oliveira queira es­cre­ver uma adenda aqui na caixa de co­men­tá­rios :)

      ACTUALIZAÇÃO
      Não vai ser ne­ces­sá­rio. A per­gunta adi­ci­o­nal já foi en­vi­ada e em breve in­cluo a res­posta na en­tre­vista :)

    • Sim, já es­tava tudo con­tro­lado pelo Marco…

      Mas a mi­nha res­posta, é ca­paz de es­pe­vi­tar mais per­gun­tas… já que digo por 2 ve­zes: “mas essa é ou­tra his­tó­ria…“
      :P

  6. O post está ac­tu­a­li­zado com a res­posta do Prof. Carlos Oliveira so­bre Energia Negra!

    Na pá­gina 2 :)

    • André — 31/01/2011 @0:35 (124 comentários)

      Bolas, não é lá muito “ani­ma­dor”.. :P

      Mas o «Princípio da Mediocridade» do Prof. Carlos agrada-me!

    • Pelo con­trá­rio :wink:

      A ci­ên­cia faz-se da­quilo que é des­co­nhe­cido :D

      Se já ti­vés­se­mos as res­pos­tas to­das, não es­ta­ría­mos no ma­ra­vi­lhoso mundo da ci­ên­cia :wink:

    • André — 31/01/2011 @1:03 (124 comentários)

      Verdade.. :-)

  7. paols — 31/01/2011 @0:42 (32 comentários)

    Belíssima en­tre­vista!

    Vou ver quanto an­tes os docs recomendados.

  8. Excelente “lan­ça­mento” sem dú­vida… É pra­ti­ca­mente im­pos­sí­vel ouvir/ler-se es­tas coi­sas so­bre o cos­mos e o Universo sem se fi­car sem­pre com aquela sen­sa­ção de… pois… aquela mesma que nos dei­xava co­lada aos te­le­vi­so­res a ver o Cosmos do Carl Sagan. :)

  9. Markus Correia — 31/01/2011 @11:48 (60 comentários)

    Boa en­tre­vista, ex­ce­lente post :-)

    Uma boa forma de co­me­çar o dia

    Abraço

  10. clieton j. silveira — 31/01/2011 @18:01 (1 comentário)

    Cá es­tou eu, no ex­tremo sul deste imenso ter­ri­tó­rio que vo­cês, por­tu­gue­ses, des­co­bri­ram, para o bem e para o mal, quando dou de cara com esta en­tre­vista es­pe­ta­cu­lar, jo­gada as­sim no meio de tan­tas su­per­fi­ci­a­li­da­des , li­gei­re­zas e bo­ba­gens da web…

    Obrigado ao au­tor da en­tre­vista, obri­gado ao Carlos Oliveira!

    São tex­tos as­sim que nos dão aquela de­li­ci­osa sen­sa­ção de que o dia de hoje vai va­ler a pena.

  11. Gonçalo — 31/01/2011 @18:27 (12 comentários)

    Estou à meia hora a ten­tar es­cre­ver algo aqui que ex­prima o quanto gos­tei desta en­tre­vista e do rumo que o es­ta­miné está a to­mar mas não sou poeta.

    Parabéns Marco pelo in­cri­vel tra­ba­lho que tens feito aqui neste teu es­paço, do me­lhor que te­nho visto.

    PS: Já te acom­pa­nho a uns bons 2 anos, ainda me lem­bro do texto que me trouxe ao teu blog e que nunca mais lar­guei vindo pra­ti­ca­mente to­dos os dias ao fi­nal do dia ver se existe ac­tu­a­li­za­ções, se bem me lem­bro era uma 2ª parte (7 ou 8pag. :o ) de um texto so­bre os an­ti­gos egíp­cios e pi­ra­mi­des se por acaso sou­be­res qual eu es­tou a fa­lar co­loca ai o link sff só para reler.

  12. Izzy — 31/01/2011 @23:05 (33 comentários)

    Como sem­pre ex­ce­lente Marco!

    Obrigado Prof. por par­ti­lhar a sua pai­xão :-)

  13. Mário Neves — 01/02/2011 @12:09 (1 comentário)

    Olá caro amigo Carlos Oliveira!

    Ainda bem que con­ti­nuas a ser po­lé­mico! Só a po­lé­mica po­derá con­ti­nuar a com­ba­ter aque­les que se jul­gam do­nos do sa­ber, e não sa­bem nada!

    Obrigado por nos pro­por­ci­o­na­res uma vi­a­gem fan­tás­tica pela Ciência!

    A di­vul­ga­ção ci­en­tí­fica é fun­da­men­tal e tu tam­bém a es­tás a pro­mo­ver, num país (o nosso), onde ela rareia!

    Um grande abraço e con­ti­nua a avan­çar, pois to­dos os que são bons são ne­ces­sá­rios para fa­zer er­guer um pouco de sa­be­do­ria, tão es­cassa nos tem­pos de hoje em Portugal!

  14. adriano — 01/02/2011 @20:38 (10 comentários)

    Adorei. Obrigado

  15. Carlos Afonso — 02/02/2011 @16:14 (43 comentários)

    Não sei se acei­tas bi­tai­tes so­bre quem en­tre­vis­tar mas que tal um gajo da in­te­li­gên­cia ar­ti­fi­cial como o Pedro Domingos?