O eurodeputado português Rui Tavares vai lançar bolsas de estudo que cobrem várias áreas profissionais. As bolsas vão ser financiadas por ele: Tavares prescindirá de 1500 euros por mês, sensivelmente 1/4 do seu ordenado, para ajudar candidatos a bolsistas.
Quem estiver interessado em candidatar-se, deve pedir informações para este email: bolsas arroba ruitavares ponto net. O regulamento será publicado no blogue do eurodeputado até ao final deste mês.
Nos meses de Julho, Agosto e Setembro será feita a recolha das candidaturas. «Tenciono começar a dar as bolsas a partir de Outubro», revela Rui Tavares em conversa telefónica comigo.
As bolsas não terão limite de idade, critérios de nacionalidade ou restrições temáticas. A verba poderá corresponder a duas bolsas de 750 euros ou a uma de 1500, dependendo do interesse do projecto.
Quem vai avaliar os projectos é o próprio Rui Tavares, embora possa «mostrá-lo a pessoas que trabalham comigo, colegas no Parlamento, solicitar uma opinião no caso em que estiver inserido numa área que não domino».
Para limpar a iniciativa, Tavares ressalva que os candidatos a estas bolsas excluirão gente com quem tenha relações pessoais, funcionários do Parlamento Europeu, Parlamento português e do Bloco de Esquerda (BE), o partido que o elegeu. «Por lapso, as primeiras notícias afirmavam que os militantes do BE estariam excluídos, mas não é verdade, apenas os funcionários o estão», afirma.
1500 euros é muita massa, pelo que das acusações de demagogia barata deve estar safo. Os próximos tempos dir-nos-ão se o jovem eurodeputado (é irrelevante neste caso o partido a que pertence) não será mais uma vítima da forma como o português encara a classe política: por um lado, os políticos são chulos que não fazem nada; por outro, demagogos que só agem para caçar votos.
Eis o que o próprio Rui Tavares tem a dizer sobre o assunto.
«Demagogia? Estou-me nas tintas!»
Está preparado para as acusações de demagogia e o que tem a dizer aos que o acusam de ser uma decisão populista?
Rui Tavares — Não estou preocupado com isso. Já tinha a ideia de o fazer há muito tempo. Era uma promessa a mim próprio, uma espécie de capricho, quando a possibilidade de ser eleito para o Parlamento Europeu era ainda muito remota. Estou-me nas tintas se é vista como uma decisão demagógica ou populista. Tenho uma enorme satisfação pessoal em fazê-lo.
Também há quem o acuse de brincar à caridadezinha, como cantava o José Barata Moura.
R.T. – Não. A minha preocupação não é avaliar a pobreza dos candidatos, mas contribuir para que as pessoas concretizem os seus objectivos baseando-me na avaliação que for feita à qualidade dos seus projectos — alguns dos quais, estou certo disso, até eu gostaria de fazer. O que sei é que ficarei muito contente por os ver concretizados.
Existe outra acusação: o facto de eu ter divulgado esta iniciativa, não a ter mantido para mim. Acontece que a divulgação é necessária para que surjam bons projectos. É desejável que associações, instituições e ONG’s saibam. Gostaria que se tornasse um catalisador, levasse mais pessoas a envolver-se. Existiram outras iniciativas que só a mim me dizem respeito, mas neste caso achei que seria positivo divulgar.
Tenciona tornar a sua iniciativa num projecto mais abrangente, aberto a todos os que queiram aderir?
R.T. – Dou-lhe um exemplo: o jornal Público, onde escrevo uma crónica semanal, disponibilizou-se a receber na sua redacção um desses bolseiros, caso a área de estudo seja compatível. Seria óptimo que associações ou ONG’s seguissem este exemplo.
Durante quanto tempo manterá esta iniciativa?
R.T. – Até ao fim do meu mandato como eurodeputado.
Afirma que a verba poderá corresponder a duas bolsas de 750 euros ou a uma de 1500, dependendo do interesse do projecto. É você quem irá avaliar os projectos?
R. T. – Sim, a avaliação é pessoal. Posso mostrar os projectos a pessoas que trabalham comigo, colegas no Parlamento, solicitar uma opinião no caso em que estiver inserido numa área que não domino, mas a avaliação é feita por mim.
Já algum colega deputado o abordou dizendo «Agora é que me lixaste, abriste uma caixa de Pandora»?
R. T. – Não, ainda ninguém falou comigo. Os colegas do Bloco de Esquerda que sempre souberam desta iniciativa – Miguel Portas e Marisa Matias – apoiaram-me, acharam uma boa ideia. Por isso, a resposta é não.
De 1 a 10, numa escala de insanidade, que valor atribui à sua decisão?
R.T. (risos) – Bem, é uma insanidade bem intencionada, qualitativa. Prefiro não responder com números!











Apesar de não ser do partido dele, julgo que a iniciativa é de louvar.
Certamente é um gajo com “eles” no sitio, já que teve coragem em virar o rumo parasitário que a classe politica nos habituou do ” venha a mim”.
PS: Então Marco? não ias de férias?
Pois reparei agora que já passaram 4 dias… Bem vindo de volta.
Que se lixem as férias!
Agora a sério: Marco, obrigado pelo post, só é pena que mais pessoas não lhe sigam o exemplo.
Grande Rui Tavares. Apesar de ser da minha cor politica é de louvar esta atitude.
É uma boa iniciativa. Curioso o valor ser exactamente o mesmo do aumento salarial que vão receber os eurodeputados. Provavelmente não será coincidência, dado o BE se ter mostrado contra esse aumento (tanto quanto sei). http://www.youtube.com/watch?v=m2B7RWJY–A
Acho um valor um bocado elevado para que outros o possam seguir, mas a ideia é excelente!!
Espero bem que que os “CEOs” da EDP, GALP , PT e… não sigam o exemplo deste radical porque distribuir dinheiro desta forma é apelar à preguiça e ao desleixo.

Boa iniciativa, o pessoal ideias até tem bastantes, tempo e dinheiro para investir nelas é que é escasso infelizmente. Obrigado pela notícia.
Pois. Uma bolsa do Ensino Superior (ou da Fundação para a Ciência e Tecnologia) e a do Rui Tavares até dá para chegar aos 40 anos sem necessidade de trabalhar. Até aos 40 anos a viver de bolsas, isso é possível ? É.
Marco, obrigado pela informação. Ainda não tive tempo de ir consultar o blog de Rui Tavares.
1500 euros vezes doze dá ( espero não me enganar ) dá 18 000 euros por ano. Quantia que pode efectivamente financiar um ou dois projectos. E é importante apoiar projectos.
Estou bem colocado para saber que se cortam cada vez mais bolsas, apesar dos nossos esforços, esquecendo-se que a melhor aposta no futuro é o saber.
O Acto de Rui Tavares é simbólico. E talvez este simbolismo seja mais importante que tudo o resto. No mundo onde tudo é feito para destruir a simbólica ou melhor dizendo a memória.
Talvez me engane, mas acho que já não podemos comparar os tempos em que Barata Moura cantava e os tempos actuais.
É um acto que apela para a cidadania e a noção de estado de direito público.
Noção que o ultraliberalismo combate. Veja-se o combate que o governo Francês está a levar a cabo contra a idade da reforma . E quando sabemos que esta, em França, começou a ser pensada por Napoleão III que não era propriamente dito um revolucionário é dizer tudo.
Nuno
Bem, 1500€ é de facto muito dinheiro. E a iniciativa parece-me ter intenções nobres, apesar de que, por vezes, não passam mesmo disso… intenções.
Já agora… onde arranjas estas informações?! Damn, tenho que fazer amizades num jornal…
Cumprimentos e boas “férias”.
Que santinho, vai “dar” o dinheiro roubado.
Este gajo rula.
É o maior!
PS: Marco tas bom?
Rui
Jaquinzinhos e petinga para o Presidente…NÃO É ILEGAL??? ELE NÃO É O GARANTE SUPREMO DA LEGALIDADE???
http://tv2.rtp.pt/noticias/?t=Presidente-da-Repub…