
Quando queremos descrever a importância, beleza ou qualidade de uma fotografia e nos faltam as palavras, costumamos usar a expressão «as imagens falam por si».
No caso das fotografias de Chema Madoz, é-nos pedido que sejamos nós, observadores, a falar pelas imagens e a dar-lhes significado. Se ele fosse um fotógrafo publicitário (ainda não li a biografia dele), seria muito estimulante para a imaginação dos copy-writers.
Quando andei na Internet à procura de mais informações sobre Madoz, vi que muitas dezenas de blogues já o tinham referenciado. E alguns, sem surpresa, aceitaram o desafio implÃcito do fotógrafo e usaram as suas fotos para ilustrar contos ou poesias.
Um tal de C. Beauvalet escreveu, em 1966, um livro chamado L’Homme et L’Image, onde afirmava que a imagem não tem, em si mesma, qualquer significado: é a forma como interpretamos essa imagem que lhe dá significado.
Não consegui descobrir através do Google mais nenhuma referência ao livro e ao autor, excepto esta citação: «Quanto mais interpretações uma imagem provocar (conotação) levando o receptor a ultrapassar o que materialmente representa (denotação), mais forte será o seu poder evocativo e maior simbolismo possuirá.»
Nem tudo tem de ser explicado ou racionalizado, não é? Eu gosto de Chema Madoz. Faz combinações extraordinárias. A imagem da tesoura e dos cabelos cortados em caracteres chineses é a minha preferida. Também adorei aquela lua de mar e de chuva.






























