
Amanda e a sua prima Amy, Valdese, Carolina do Norte, EUA, 1990
Eis Amanda, nove anos de idade em 1990, lançando baforadas de fumo rebelde em direcção à câmara fotográfica de Mary Ellen Mark.
Mary Ellen Mark fora convidada pelo editor da Life Magazine, Peter Howe, para fotografar crianças problemáticas num colégio especial da Carolina do Norte. Neste colégio havia de tudo: de crianças com problemas de comportamento e socialização a casos de esquizofrenia.
Amanda, recorda Mary Ellen, era a mais interessante, a sua favorita, porque era uma criança tão esperta como impertinente. A história desta foto começa quando a fotógrafa decidiu segui-la. Ao vê-la, Amanda fugiu e Mary Ellen acabou por dar com ele escondida numa zona de mata, sentada numa velha cadeira com um cigarro entre os dedos. A miúda esperava que Mary Ellen a repreendesse por estar a fumar, mas esta não disse uma palavra sobre o assunto.
Dias depois, num domingo, visitou a criança em casa. Aà descobriu que Amanda, aos nove anos, exercia um domÃnio psicológico quase total sobre a própria mãe. Fazia o que queria. Fumava em casa como uma adulta. Mary Ellen recorda que nesse dia Amanda esperava a visita de Amy, a prima de oito anos. Quando ela chegou, saltou de contentamento e brincou como qualquer outra criança da sua idade. «Mas de 45 em 45 minutos, Amanda fazia uma pausa na brincadeira para fumar um cigarro».
Quando se preparava para partir, Mary Ellen encontrou a criança numa pequena piscina com a prima Amy. Fotografou-a num desses momentos em que parara de brincar.
Amanda deverá ter agora 27 anos, mas ninguém sabe o que lhe aconteceu. Por duas vezes Mary Ellen Mark se reencontrou muitos anos depois com pessoas que fotografara, mas não foi o caso de Amanda. Dela resta o retrato da pobreza, da solidão e de uma rebeldia de adolescente num corpo de criança.































4 comentários
Postas como esta são pérolas que me fazem sonhar.
Bravo Marco ,obrigado por me enriqueceres a alma.
No minimo impressionante tal foto…
Só espero que a miuda (mulher hoje) não tenha acabado mal
Nossa que incrivel, triste mas incrivel. Um corpo tão pequeno com uma cabeça “madura” e parcialmente inresponsável.
Por maior que possa ser a consciencia desta criança…criança ainda é criança =S