
Queen on the Loo, 2003
Alison Jackson podia ser responsabilizada pela criação de grandes petas da Internet. Considerem esta imagem da Rainha de Inglaterra: um paparazzi ludibriou a segurança do Palácio de Buckingham, esgueirou-se pelos corredores e fotografou Isabel II na casa de banho real?
Terão sido fotografias como esta as responsáveis pelo facto de os advogados de Sua Majestade terem enviado cartas aos directores dos jornais britânicos, pedindo-lhes que não publiquem fotos da famÃlia real tiradas por paparazzi?
A resposta é não, embora o aviso aos jornais tenha sido realmente feito.
Nem o maior mercenário entre os paparazzi se atreveria a fotografar a rainha nestes preparos; mesmo que o conseguisse, nenhum director de jornal seria suficientemente insano para publicar as fotos. Mais depressa se afundariam as ilhas Britânicas do que um paparazzi conseguir lucrar com uma foto destas. Mostrar a nobreza em cuecas de gola alta é muito mais escandaloso e improvável do que mostrar a pilinha republicana do Berlusconi.
No entanto, já vi aquela imagem da rainha sendo apresentada como autêntica, sobretudo no Facebook.

Bush Leads Blair, 2005

De Niro and the girls, 2005
Quem ocupa a real sanita não é Isabel II, mas uma dupla, uma look-alike contratada pela fotógrafa Alison Jackson para as suas recriações irónicas, sarcásticas, gozonas, da vida das celebridades.
Jackson subverte por completo a velha expressão «Ver para crer».
Não se trata apenas de brincar aos duplos: as fotos são criadas como se tivessem sido tiradas à socapa. A ambiguidade entre o realismo que procura atingir, à mistura com a paródia, tem causado controvérsia, fama e reconhecimento: prémios e exposições sempre muito concorridas.

J Lo Bum Buff, 2005
Para a fotógrafa, «as imagens reflectem a imaginação do público, realçam a diferença entre o que aquele pode ver e o que consegue imaginar» e parte da paródia consiste também em expor-nos como voyeurs. Tira partido do mundo em que vivemos, um mundo dominado pelo poder das imagens: «Nas imagens de celebridades que alcançaram o estatuto de Ãcones, torna-se difÃcil estabelecer a diferença entre realidade e fantasia, o que é importante e o que não é.»
Alison considera que a iconografia religiosa do passado foi sendo gradualmente substituÃda por estes novos Ãcones, representantes de uma «religião folk contemporânea».
«Damos por nós a acreditar que aquilo que as fotos retratam é a verdade do indivÃduo. Por exemplo, Marilyn Monroe é uma deusa do sexo; Britney Spears é ‘white trash’, por aà fora».
Ao subverter este jogo, Alison não cria fotografias falsas, mas simulações, substitutos temporários da realidade: «Não interessa que sejam realmente eles ou não, basta que sejam parecidos para criar confusão nas pessoas». Mais exemplos do trabalho aqui. No mesmo sÃtio podem ler a declaração da fotógrafa, de onde tirei estas citações.































2 comentários
what they see
Excelente! Fica, no entanto, um pedido de correcção: “paparazzi” é plural, logo, deverá escrever-se “um paparazzo”. Estes puristas…