
Não se pode ser mais simples a falar da sua arte quando se diz o seguinte: «Comecei a fotografar para ver como é que as coisas ficavam depois de fotografadas».
Garry Winogrand dedicou-se a fotografar a América urbana. Deambulou pelas ruas, parques, jardins zoológicos, eventos desportivos, manifestações polÃticas, aeroportos, centros comerciais, museus, apanhando as pessoas ‘desprevenidas’ e procurando captar a espontaneidade do momento.
Mas a fotografia de Gary Winogrand é muito mais do que a singela explicação do seu autor: num certo sentido, tem a ousadia de um Zappa (e outros eclécticos) quando procura capturar, na mesma foto, realidades diferentes e por vezes antagónicas, criando um conjunto bizarro mas harmonioso. Zappa justapunha ou colava estilos opostos numa única canção, Winogrand fazia-o através da imagem. Basta ver a fotografia World’s Fair, New York, de 1964, para se perceber a justaposição de diferentes emoções e situações. Observem a foto: Winogrand não capta apenas pessoas, mas linhas narrativas opostas, divergentes.
É precisamente essa qualidade ‘narrativa’ nas suas fotos que fará o seu sucesso no fotojornalismo, trabalhando durante mais de vinte anos para revistas como a Sports Illustrated, Fortune e a ‘mÃtica’ Life Magazine. Publicou livros do seu trabalho: The Animals (1969), Women are Beautiful (1975), Public Relations (1977) e Stock Photographs: The Fort Worth Fat Stock Show and Rodeo (1980).

O livro The Animals revela outra faceta determinante no estilo de Winogrand: a graça do seu olhar. Vejam, por exemplo, a fotografia captada em 1963 no Zoo de Nova Iorque: uma senhora idosa mira a objectiva do fotógrafo, séria e rÃgida; em segundo plano, dois rinocerontes encostam as cabeças. Por um segundo, Winogrand justapõe a forma dos rinocerontes à forma dos óculos escuros da senhora – e dispara.
Num livro que estranhamente não obteve grande sucesso nos Estados Unidos, Woman are Beautiful, Winogrand vagueia incessantemente pelas ruas de Nova Iorque a fotografar mulheres. Não as capta apenas belas e femininas, mas também decididas, enérgicas, independentes.
Winogrand começou a fotografar em 1950 e só parou quando morreu, em 1984. No site Masters of Photography é possÃvel ver-se muitos exemplos do seu legado. MagnÃfico fotógrafo!































5 comentários
Olá, é sempre com grande agrado que vejo no bitaites posts dedicados à fotografia, visto ser um grande admirador desta arte, que muitos dizem que é uma forma de escrita com luz, talvez seja literalmente verdade. Também eu me dedico a esta actividade, se bem que de forma amadora, tendo uma galeria de fotos no conhecido site nacional de fotografia online olhares.com.
Acompanho o bitaites à mais de um ano seguindo assim de perto as várias mudanças que este já sofreu, mas continuo sempre com vontade de vir no dia seguinte ver mais uns posts, isto porque a qualidade geral, os temas e a forma como são abordados são muito do meu agrado. Aprecio o bitaites pela forma sincera de como escolhe os temas dos posts, não mudando de linha apenas porque traria mais “fama” ao blog.
Parabéns por tudo que significa o bitaites, que tal como diz no sub-titulo a informática é apenas um pretexto para mostrar o seu ponto de vista do mundo em geral.
PS: se caso me der a grande honra de visitar o minha galeria de fotos e ainda mais improvável, se por ventura ressaltasse no seu pensamento a ideia de publicar uma da minhas fotos no bitaites, desde já lhe dou autorização para o fazer quantas vezes entender.
Que mal pergunte e seja off topic mas aquele Mac não está ali um bocadito fora do contexto ?
Está sim senhor
Foi só pra tapar aquele canto preto horrÃvel. É provisório. Simplesmente falta-me tempo.
Rogério: muito obrigado.
Assim que puder vou ver as tuas fotos!
os teu posts dedicados à fotografia são do melhor *****
hoje não aprendi nada mas gostei muito de ler.