As celebrações do dia 4 de Julho nos Estados Unidos fazem-me sempre lembrar o Iraque e a forma como George Bush (com uma ajudinha nossa, lembram-se da cimeira dos Açores?) tentou convencer o mundo de que Saddam estava prestes a rebentar o planeta com armas de destruição massiva.
Essa história toda foi só para encobrir. O verdadeiro perigo iraquiano consistiu sempre na proliferação das suas sandálias. A CIA descobriu que ali as sandálias não são o que parecem: são ultra-sofisticadas, fabricadas por temÃveis tecnologias vendidas por franceses e alemães.
Existem muitos tipos de sandálias no Iraque: sandálias-FM, que também funcionam como relógio-despertador; sandálias-candeeiro, equipadas com uma lâmpada direccional (quem quiser ler na cama só tem de se calçar); sandálias-karaoke, supostamente encomendadas à Sony para divertir os netinhos de Saddam – enfim, estes são alguns dos exemplos mais inofensivos.
Piores são as sandálias-papagaio que os alemães da Grunding terão fornecido ao Iraque: são capazes de cumprimentar os transeuntes na rua e transmitir alguns recados; modelos mais avançados podem protestar se forem pisados ou pedir desculpa se pisarem alguém.

Mas o que alarmou a CIA foi a descoberta de outro tipo de sandálias no Iraque – produtos engenhosos só ao alcance de uma super-potência: sandálias que servem de telemóveis; sandálias capazes de passar a roupa a ferro, fazer as lides da casa e ir às compras ao supermercado (algumas, segundo a CIA, já levam as crianças à escola, outras são capazes de dar explicações de matemática).
A situação tornou-se tão preocupante, a evolução ciberbiológica das sandálias foi tão significativa, que os agentes secretos temeram que a realização de uniões de facto entre homens e sandálias estivesse já a ocorrer por alturas da segunda invasão do Iraque.
Por isso é que os EUA entraram de rompante no paÃs. Não foi por causa das armas de destruição massiva, muito menos para controlar o petróleo ou libertar o povo de um ditador sanguinário. Nada disso. Isso são cover stories. O que os americanos não podiam permitir era que a influência sandaliana no sistema polÃtico, económico e financeiro iraquiano alastrasse ao resto do planeta. Sei até que um relatório ultra-secreto do FBI menciona a fundação, nos EUA, de uma seita chamada Igreja das Sandálias de Cristo, formada por sandálias que se julgam descendentes das sandálias que o Salvador calçou durante as suas peregrinações pela Galileia. Mais: até as sandálias dos alemães da Grunding, ao princÃpio inofensivas, planeavam formar o seu próprio canal de televisão – a Sandeutch TV.
Sabe-se que existem na Europa modelos especiais, bastante temÃveis, os chamados Quando vejo o George Bush tenho vontade de dar um pontapé no cu de alguém, responsável por uma série de tumultos e zaragatas que ameaçaram a estabilidade social de vários paÃses, principalmente a Grã-Bretanha. Entre o arsenal quÃmico descoberto no Iraque conta-se o modelo Encosta-lhe a sandália ao nariz, do qual se conhecem efeitos devastadores.
Mas a pior descoberta da CIA foi a constatação de que Saddam Hussein, supremo ex-ditador do Iraque e de qualquer outra coisa terrena, era, ele próprio, uma sandália. Daà ter sido condenado a passar as suas últimas horas num cabide que é, como se sabe, o pior sÃtio para se pendurar uma sandália.
Ainda bem que estivemos na linha da frente no combate às perigosas sandálias iraquianas. Mantivemo-nos ao lado dos nossos aliados neste importante combate! Pequeninos, mas orgulhosos e cheios de gana. Por isso, sempre que penso nos americanos e no Iraque, até me apetece cantar: contra as sandálias, marchar, marchar.
Repescada para o Factor 3+1































3 comentários
Não há dessas sandálias para aulas de substituição?
:lol_wp:
Consta – não sei se isto é lá verdade, que estas sandálias têm um estupendo dispositivo anti-chulé…e que se usadas em lugar de chuteiras fazem até os grandes artilheiros do Benfica acertarem em gol, digamos 25% dos chutes…