→ 16/05/2010 @17:41

Síndrome Mães de Bragança

Mike Luckovich, The Atlanta Journal-Constitution

Cartoon de Mike Luckovich, The Atlanta Journal-Constitution

A sério que não queria abordar este assunto da «professora» que posou para a Playboy e por isso foi afastada das suas funções, mas vou fazê-lo porque também quero saber o que pensam sobre o assunto.

Em primeiro lugar, Bruna Real não é uma professora contratada através do concurso nacional de professores; foi contratada para as chamadas AEC, ou seja, actividades de enriquecimento curricular. Quem faz a gestão destes contratos são as autarquias. É um trabalho em part-time, e bem gostava de ter tempo de saber que tipo de contrato é feito e quais são as remunerações. Talvez alguém me possa elucidar, mas aposto que não se ganha muito dinheiro.

Bruna Real posou para a Playboy, que lhe pagou mais do que a autarquia, seguramente, o assunto tornou-se público, os alunos divertiram-se a passar as fotos da professora uns para os outros, os pais escandalizaram-se e o director do Agrupamento de Escolas de Torre Dona Chama, onde Bruna Real trabalhava, protestou: «Aparecer numa revista sem roupa não é compatível com a função de professora e de educadora». Que declaração tão pomposa, não é, tendo em conta o provável baixo ordenado da «educadora».

Finalmente, a vereadora da Educação da Câmara Municipal de Mirandela colocou a professora noutro serviço, sem contacto com os alunos ou os pais dos alunos, anunciando que não seria contratada no próximo ano.

Este é o essencial do caso, parece-me. Já agora, Bruna Real era vista em Mirandela como uma mulher bonita e vistosa, que gosta de dar nas vistas, como escreveu o Jornal de Notícias. Os vizinhos, prossegue o jornal, dizem que Bruna quer ser conhecida, já participou no concurso televisivo «Pedro, o milionário», em busca da fama. Não sei se isto é verdade ou se é apenas conversa de alcoviteiras. Como escreveu Pierre Marivaux, «todas as beatas se desforram dos pecados que não cometeram pelo prazer de saberem os pecados das outras: sempre é alguma coisa». (Obrigado, Citador, por dares valor intelectual a estes posts).

Com todos estes elementos, como formular a nossa opinião? Condenando a autarquia por ter tomado a decisão de não renovar o contrato com uma mulher tendo por base não uma ilegalidade, mas apenas moralismos da treta e o preconceito contra a nudez?

E Bruna Real, é mesmo uma desmiolada à procura de fama ou uma vítima desses preconceitos? Se a sua intenção fosse a de seguir carreira como professora, não deveria ter pensado nas consequências sociais, nos gozos e mexericos dos alunos, nas reacções dos pais? Se não pensou ou não as teve em consideração, é por ser simplesmente burra, libertária, independente ou porque, no seu entender, o futuro não passa pelo Ensino e a sessão na Playboy terá sido mais uma forma de alcançar a fama?

Por último, o que é a fama nos dias de hoje? Será Bruna Real mais uma daquelas pessoas que apenas procuram a fama pela fama, não buscando nem arte nem conhecimento? Se é esse tipo de tontinha, valerá a pena criar grupos de apoio no Facebook quando o seu único interesse é ser famosa?

A minha opinião é que sim, Bruna Real deve ser apoiada mesmo que seja uma dessas tontinhas – por uma questão de princípio, o princípio que nos coloca ao lado da Liberdade contra o preconceito e as mentalidades tacanhas. Qual é a vossa opinião sobre este caso?

42 comentários

  • 1
    The end of times
    com Firefox 3.6.3 Firefox 3.6.3 em Windows Vista Windows Vista
    16 de Maio de 2010 - 18:11 | Link permamente

    1º – Se todas as professoras fossem como a Bruna defendia um aumento de 1000 % para toda a classe parasita dos professores e respondia a todas as reinvidicações mesmo aquelas mais absurdas que ouvimos constantemente. A gaja é podre da boa. É tirada dum clichet de filme americano em que o aluno está na sala de aula e olha para o decote da prof. epa, e isto é só uma ideia, podiamos estar aqui todo o dia a tirar fantasias com esta deusa.

    2º – Censurar e desaprovar isto ? Mas qual o espanto ? Ainda por cima na bimbolandia Mirandela ? Lembram-se do movimento das mães de Bragança ? O que quero dizer é que lá o marido da vereadora da Câmara deve estar a pensar para si proprio: “se ao menos esta vaca seca fosse uma Bruna já náo precisava de navegar horas e horas na net em busca de pornografia”

    Meus conterrâneos internautas, num país fustigado pela imbecilidade e por uma crise sem precedentes, que venham 1000 Brunas, que venham 1000 playboys, epa e o resto que se foda…

  • 2
    com Firefox 3.6.3 Firefox 3.6.3 em Windows Vista Windows Vista
    16 de Maio de 2010 - 20:06 | Link permamente

    1. Decência é um conceito geral e indeterminado, que abarca também o absurdo e o preconceito.

    2. O que cada um faz fora do seu local de trabalho, desde que não seja nenhum ilícito penal, ninguém, e muito menos o Estado, seja por intermédio da Administração Central ou Local, tem a ver com isso.
    Ela nem sequer se fez valer da profissão para obter qualquer destaque no ensaio, tendo sido fotografada como uma simples modelo.

    3. Relativamente a este caso só há uma explicação plausível:
    Os puritanos que criticaram e suspenderam a prof foram na verdade os que contribuíram para o esgotamento da revista em Mirandela, pois andaram a servir-se das fotos da referida prof para contar azulejos. E por inveja, já que as suas mulheres têm muito pêlo e banha, armaram-se em porta-estandartes da moral e dos bons costumes profissionais…
    É a escola trauliteira das mães de Bragança no seu melhor…

    5. Devido ao vencimento que aufere, resultante do vínculo laboral precário que possui, é natural que a prof em questão procure ganhar mais uns trocos numa actividade que lhe dê mais compensação (moral e material). É o que toda a gente jovem neste país faz…
    Segundo consta, estava a (falsos) recibos verdes e auferia 400€.

    6. Além disso, as mulheres que se despem artística ou profissionalmente não devem ser censuradas socialmente, pois isso em nada as desmerece perante as demais congéneres. Desde quando é que a nudez desqualifica as pessoas?
    Se ela tivesse sido fotografada numa praia naturista haveria escândalo na mesma, pois provavelmente tal prática (privada) seria considerada incompatível com a carreira docente, na mentalidade da gente tacanha de Mirandela…

    7. O fantasma do Tony de Santa Comba Dão ainda assombra muitas autarquias do nosso Portugal profundo…

  • 3
    com Google Chrome 4.1.249.1064 Google Chrome 4.1.249.1064 em Windows Vista Windows Vista
    16 de Maio de 2010 - 20:23 | Link permamente

    Na verdade, a senhora “posou” para a Playboy, não “pousou”… mas talvez seja isso que as mães de Bragança temam, que os seus maridos “pousem” os olhos na professora de música.

    • 4
      com Namoroka 3.6.5pre Namoroka 3.6.5pre em Windows XP Windows XP
      16 de Maio de 2010 - 20:30 | Link permamente

      Pois, eu também pousei os olhos na professora.
      Vou corrigir a gralha, obrigado.

  • 5
    José Silva
    com Internet Explorer 8.0 Internet Explorer 8.0 em Windows Vista Windows Vista
    16 de Maio de 2010 - 21:50 | Link permamente

    Subscrevo uma opinião de alguém que escreveu num jornal diário: desde que ela não tenha feito as fotos em horário de trabalho, é livre de fazer o que bem entender…e, depois, com os apertos de cinto que se anunciam para breve (subidas de impostos, cortes nos salários, etc.), e numa época em que se fala tanto de empreendedorismo…quem a pode condenar de ter dado o “corpo ao manifesto” para, por meia dúzia de fotos, angariar certamente mais do que aufere na sua profissão? Eu considero-me uma pessoa de valores e relativamente conservadora…mas, sinceramente, acho que nada está acima da liberdade…onde estão agora os apregoadores da constituição e de não se poder discriminar as pessoas? Que crime cometeu Bruna Real? Quem nunca pecou, que atire a primeira pedra.

  • 6
    Nuno Azoia
    com Google Chrome 5.0.375.38 Google Chrome 5.0.375.38 em GNU/Linux GNU/Linux
    16 de Maio de 2010 - 22:26 | Link permamente

    Bruna Real deve ser apoiada mesmo que seja uma dessas tontinhas – por uma questão de princípio, o princípio que nos coloca ao lado da Liberdade contra o preconceito e as mentalidades tacanhas.

    Básicamente esta é a minha opinião.

    Mas também concordo com o Marco quando diz

    não deveria ter pensado nas consequências sociais, nos gozos e mexericos dos alunos, nas reacções dos pais?

    mas acho que se não pensou nisso, já é “castigo” suficiente os tais gozos e mexericos.

    Este é mais um exemplo da mentalidade tacanha que ainda vamos tendo, que tem o seu expoente máximo nos meios pequenos e de interior.

  • 7
    Amarino França.
    com Firefox 3.6.3 Firefox 3.6.3 em Windows 7 Windows 7
    16 de Maio de 2010 - 22:30 | Link permamente

    A professora é jeitosa, logo merece um lugar especial no ensino, eh eh. :mrgreen:

    Não, mais a sério, simples e objectivo – acho que o despedimento desta menina é um bom exemplo de um caso de hipocrisia aguda. É esta a minha opinião.

  • 8
    Neves
    com Google Chrome 4.1.249.1064 Google Chrome 4.1.249.1064 em Windows Vista Windows Vista
    16 de Maio de 2010 - 22:40 | Link permamente

    Enriquecimento curricular… hum… hum.
    Estão a ver o Beavis & Butthead? Hum… Hummm! Hem… Hemm! Yeah! Cool!
    Shut’up Beavis! Hum! Hum! Naked chicks! Hum ! Yeah! Cool!

    E mai nada!

    P.S. Lá o ser professora! Hics! Chatice.

  • 9
    com Google Chrome 6.0.399.0 Google Chrome 6.0.399.0 em GNU/Linux x64 GNU/Linux x64
    16 de Maio de 2010 - 23:44 | Link permamente

    Pois, pousar.
    Não beijo onde está o erro. 8)

    @braço.

  • 10
    Tijó
    com Opera 10.10 Opera 10.10 em GNU/Linux GNU/Linux
    16 de Maio de 2010 - 23:59 | Link permamente

    E que tal propor às “mães de Mirandela”que em assembleia municipal tb exijam lei que todas as “pitas” novas devam usar uma espécie de burka,para proteger seus maridos ou namorados dos malefícios da masturbação e do ansiado(?) sexo anual por altura do dia do pai ou em alternativa lá para o natal.

    Ei pá…não tenho pachorra….fodam mais,deixem de ser tão tacanhas e serão de certeza mais felizes

    Que venham mais Brunas para romper de vez com esta m3rda

  • 11
    com Google Chrome 4.1.249.1064 Google Chrome 4.1.249.1064 em Windows 7 Windows 7
    17 de Maio de 2010 - 01:31 | Link permamente

    Um tema interessante e, na minha opinião, um tema importante, Marco. Merece mais do que os dois cêntimos da praxe mas, para já, fico-me por uns apontamentos ligeiros:

    Independentemente das motivações da Bruna Real, que, na minha opinião, não devem ser um factor a ponderar na tomada de decisão da autarquia, nem devem ser consideradas no julgamento que cada um de nós, individualmente, possa fazer sobre este caso, independentemente dessas motivações, parece-me ilegítimo afastar uma pessoa por causa de umas fotografias numa revista erótica . É uma opinião, apenas — a minha;
    No entanto, vestindo a toga do advogado do Diabo, pergunto-vos: Onde é que traçamos a linha? Pelo que pude ler até aqui, as opiniões vão no sentido de desvalorizar as questões relacionadas directamente com a postura moral. Com a postura moral, entenda-se, de uma sociedade que, na opinião geral dos comentadores do blog, não está na avant-garde da cultura ocidental. Em matéria de sexualidade, pelo menos. Mas… será razoável deixarmos a linha sem um traço bem definido? E onde é que a traçamos? No hard-core de 3.º escalão? Ou… as questões de carácter sexual podem (ou devem) ser sempre desvalorizadas? E… se for uma manifestação política com um travo fundamentalista, em vez de umas fotografias para uma revista erótica?

    Sinceramente, mesmo-mesmo sinceramente (!) não tenho uma opinião bem definida que possa ajudar nas respostas. No entanto, aquilo que me parece mais importante, nesta questão como em todas as que se relacionam com a postura de um profissional na sua vida pessoal, é definir as balizas no momento da aceitação do papel. Ou seja, por outras palavras, parece-me que as regras do jogo, e a postura que é adequada e esperada de um profissional, independentemente da sua actividade, devem ser muito claras à partida. E nem todas as profissões terão requisitos iguais. Claramente, a profissão de professor, enquanto role model para os seus alunos, deve exigir a cada profissional uma verticalidade compatível com o modelo de sociedade que preconizarmos, enquanto povo.

    O mais difícil, provavelmente, é estarmos todos de acordo quanto a esse modelo, não é?… Ficam as perguntas.

  • 12
    Luís
    com Google Chrome 5.0.342.9 Google Chrome 5.0.342.9 em GNU/Linux x64 GNU/Linux x64
    17 de Maio de 2010 - 03:06 | Link permamente

    O mais estranho é este post não ter nem uma das famosas fotos… assim tive mesmo de ler o paleio todo.

    A minha opinião é que sim, Bruna Real deve ser apoiada mesmo que seja uma dessas tontinhas – por uma questão de princípio, o princípio que nos coloca ao lado da Liberdade contra o preconceito e as mentalidades tacanhas.

    Concordo 100%. Abraço

    p.s. tenho alguns amigos que fazem (ou faziam) estes serviços de AEC, não sei quanto ganham ou ganhavam, mas tinham sempre um ou mais trabalhos por fora… não ficavam ricos só com aquilo

  • 13
    ovotas
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    17 de Maio de 2010 - 09:39 | Link permamente

    Um contrato com remuneração inferior a 500 euros, “a recibos verdes”.

  • 14
    com Firefox 3.6.3 Firefox 3.6.3 em Windows Vista Windows Vista
    17 de Maio de 2010 - 09:52 | Link permamente

    Segundo o Daniel Oliveira (http://arrastao.org/sem-categoria/a-bruuuuuuunaaa/), ela é tão má professora, mas mesmo tão má que rejeitou fazer outra sessão para a Playboy porque envolveria faltar às aulas e não queria prejudicar os alunos. Maldita!
    Sobre o seu salário li por aí valores que rondavam entre os 400€ e 500€, isto a (falsos) recibos verdes, porque já se sabe como é, uma Câmara contratar ilegalmente trabalhadores?! Na boa, não há stress! Um dos trabalhadores aparecer despido numa revista?! Ai a puta! Que pouca vergonha!
    E ainda dizem que Portugal é um país evoluído… coisas destas aconteceram nos EUA nos anos 70 e no Brasil nos anos 80! Recentemente só me lembro de cenas destas na Indonésia! (lá a Playboy acabou por sair do mercado)

  • 15
    TheGoodSon
    com Google Chrome 5.0.366.2 Google Chrome 5.0.366.2 em Windows XP Windows XP
    17 de Maio de 2010 - 11:02 | Link permamente

    Eu concordo que a professora, como qualquer profissional, é livre de fazer o que bem entender fora do seu horário de trabalho. No entanto, a partir do momento em que essas outras actividades interferem ou são susceptíveis de interferir com esse mesmo trabalho, concordo que a entidade empregadora tenha uma palavra a dizer.
    Avaliar a real interferência que o ter posado para a playboy teve no seu trabalho como professora, só o director da escola é que o poderia fazer .Agora, se foi com base na informação deste que a vereadora de Mirandela transferiu a dita professora, tenho que concordar com ela. Se não foi, acho que foi puritanismo.
    Quanto aos argumentos que coitadinha, ganhava pouco, isso não me parece que seja minimamente relevante.

  • 16
    Cristiano Ronaldo
    com Internet Explorer 7.0 Internet Explorer 7.0 em Windows XP Windows XP
    17 de Maio de 2010 - 11:18 | Link permamente

    só tenho pena de algumas das minha professoras não terem posado para essas revistas…o que eu gostava de as ver em trajes menores…pelo menos a assiduidade era exemplar !

  • 17
    com Google Chrome 5.0.375.38 Google Chrome 5.0.375.38 em GNU/Linux x64 GNU/Linux x64
    17 de Maio de 2010 - 12:08 | Link permamente

    No entanto, a partir do momento em que essas outras actividades interferem ou são susceptíveis de interferir com esse mesmo trabalho, concordo que a entidade empregadora tenha uma palavra a dizer.

    Ora, vamos lá ver:
    1. Uma mulher engravida e dá à luz. Interfere com o trabalho?
    2. Eu ia de moto para o emprego. Um dia fui abalroado por um camião e fiquei cerca de 4 meses sem trabalhar. Interfere com o trabalho?
    3. Quantos casos existem em que infelizmente trabalhadores são apanhados nas malhas da droga com o provável desfecho de “curas” de vários meses. Interfere com o trabalho?
    4. O “stress” é hoje em dia um factor a ter em conta em qualquer emprego e que provoca inúmeras ausências ou perde de actividade. Interfere com o trabalho?
    5. Muita gente se lesiona em actividades extra-curriculares com a inevitável falta com as suas obrigações profissionais. Não interfere com o trabalho?

    Não, pois não?
    Posar nua para a playboy é que interfere com o trabalho e automaticamente permite à entidade empregadora ser advogado, jurado e juiz!
    Ah!, a tal linha moral…
    Para uma professora é imoral posar nua. Já no caso de uma empresária de 50 anos tal se afigura completamente moral e provavelmente louvável. No caso de algumas figuras públicas, cantoras ou actrizes de renome e com larga audiência junto de todo o tipo de público, aparecerem despidas numa revista tal também se afiguraria moral e louvável.
    Provavelmente a mesma moral nunca permitiria que uma professora fosse com os alunos à praia exceptuando no caso de ir completamente vestida.
    Provavelmente a mesma moral a proibiria de usar mini-saia e/ou decotes “atrevidos”.
    Neste e em “milhentos” casos por aí fora a “moral já era” mesmo com as pessoas vestidas. Quando estas valem a pena como é óbvio!
    Por exemplo, quantos acidentes se dão anualmente devido a uma distracção provocada por alguém atraente?
    Em resumo, seguindo esta linha, podemos afirmar que as pessoas bonitas/boas vestidas ou despidas são um real perigo à sociedade em que estamos inseridos!?
    Então qual seria a solução?
    Pegar em todas as pessoas bonitas que nos fazem pecar em pensamento, ou provocam acidentes, e arquivá-los, não?

    Em suma, o “pecado” mora apenas na cabeça de alguns e não nas páginas de uma revista.

    PS: Acho que está na altura de reler “Morte aos feios” de Vernon Sullivan (Boris Vian) para me distrair e rir um pouco.

  • 18
    TheGoodSon
    com Google Chrome 5.0.366.2 Google Chrome 5.0.366.2 em Windows XP Windows XP
    17 de Maio de 2010 - 12:18 | Link permamente

    1. Uma mulher engravida e dá à luz. Interfere com o trabalho?
    2. Eu ia de moto para o emprego. Um dia fui abalroado por um camião e fiquei cerca de 4 meses sem trabalhar. Interfere com o trabalho?

    Epá, por no mesmo saco decidir posar nua para a playboy e ter um acidente de mota parece-me um grande abuso. Aliás, custa-me a perceber qualquer semelhança entre os dois acontecimentos…

    Quantos casos existem em que infelizmente trabalhadores são apanhados nas malhas da droga com o provável desfecho de “curas” de vários meses. Interfere com o trabalho?

    Não sei se interfere… Se interferir, acho que sim, que a entidade empregadora tem o direito de transferir o trabalhador para um sitio onde não interfira.
    Eu não tenho a certeza do que aconteceu no caso da professora. Conforme disse no post anterior, estou do lado da professora que a vereadora decidiu transferi-la apenas com base na informação que terá posado nua. Se decidiu transferi-la com base na informação passada pela director da escola, que desde que saiu na playboy, o decorrer dos trabalhos ficaram afectados, então acho que é legitima a sua decisão. Não sei se alguém me pode esclarecer quanto ao que realmente sucedeu…

  • 19
    com Internet Explorer 6.0 Internet Explorer 6.0 em Windows XP Windows XP
    17 de Maio de 2010 - 12:32 | Link permamente

    Estes casos/ notícias e discussões dão-me vontade de emigrar! Ou isso ou propor à Playboy que faça uma edição especial com professoras contratadas pelas autarquias a recibos verdes a receberem 500€! Só porque sim!

  • 20
    com Google Chrome 5.0.375.38 Google Chrome 5.0.375.38 em GNU/Linux x64 GNU/Linux x64
    17 de Maio de 2010 - 12:49 | Link permamente

    Não não é abuso, nenhum. O conceito era “interferir com o trabalho”, ou não era?

    Agora, o que é abuso é considerar uma atrocidade destas como legítima com base num ridículo “interferir com o trabalho/actividade”!
    Qual a legitimidade?
    Moral?
    E até onde vai este “interferir”?
    Entenda-se que os meus (poucos) exemplos relacionam-se todos com interferências no trabalho/actividade e não tem qualquer pretensão de serem extrapolados para outras situações senão as alinhadas ao conceito do “interferir”.

    Quanto ao que realmente aconteceu, não é preciso qualquer esclarecimento – a mulher posou nua para a Playboy e por esse facto foi “arquivada”, com culpa e agravo, por alguém que se arvorou em juiz e carrasco.

    É que do ponto de vista legal apenas seria (imediatamente) legítimo caso o contrato expressasse inequivocamente a proibição de posar nua. E, mesmo neste caso, ninguém poderia ser juiz em causa própria e executar a seu belo-prazer a sentença que entende.

  • 21
    xXx
    com Opera 10.53 Opera 10.53 em Windows 7 Windows 7
    17 de Maio de 2010 - 14:30 | Link permamente

    Despedir esta professora por atentado ao pudor é como fazer manifestações contra os gays e seus casamentos: uma questão de atraso mental.

    E não sou gay nem nunca irei posar para a playboy, mas acho que todos devem ter liberdade para amarem quem quiserem e para embelezarem com o seu eu natural as salas onde entrarem.

    Vergonha não são as actividades extra-curriculares da professora, mas sim os falsos moralismos de quem a criticou e a falta de dabate público para contestar os baixos salaários daqueles que são os pilares da sociedade: os professores!

    Se discriminar os gays é homofobia, então discriminar esta professora é o quê? Mamofobia?

  • 22
    A. Almeida
    com Firefox 3.6.3 Firefox 3.6.3 em Windows XP Windows XP
    17 de Maio de 2010 - 14:44 | Link permamente

    Curiosos são os artigos quando baseados em perguntas ou em posições assumidas em perguntas, uma espécie de teste à americana onde a resposta está sempre lá.
    Tal como o Marco, também eu não tinha muita vontade de comentar este assunto até porque uma vez mais vejo que sou a voz que brada no deserto; Mas cá vai.
    A questão é que a puta da nossa liberdade, tão querida por aqui (em nome dela perdoem-me os palavrões), acaba sempre onde começa a dos outros e vice-versa. E depois para além dela há outra coisinha, cada vez mais rara que é o bom senso. Por conseguinte, pode-se exercer a liberdade com ou sem bom senso.
    A boa da Bruna, que é mesmo real, usou da sua liberdade, que não podemos contestar, mas provavelmente não usou o bom senso. Ora eu até tenho a liberdade de usar calças largas mas se não usar um cinto ou suspensórios, o mais provável é que elas andem sempre a cair obrigando-me a segurá-las com as mãos ou então passar mesmo a andar sem calças, com ou sem noção do ridículo, afinal não mais que um acto de liberdade. Ora aqui, neste fraco exemplo ou pobre parábola, as calças serão a liberdade e o cinto será o bom senso.
    Sem falsos preconceitos, respeito a opção da Bruna Real e a sua liberdade, mas creio que ignorou por completo o bom senso que a sua função profissional exigiria, para mais num contexto de interiorização. Provavelmente, em Lisboa, Braga ou Porto a coisa passaria despercebida.
    Quanto ao resto é tudo motivo de meras considerações, mais ou menos válidas, mais ou menos moralistas, mais ou menos hipócritas de ambos os lados da barricada, seja de quem a defende, seja de quem a critica para alem das habituais bacoradas e trocadilhos fáceis em torno da situação. Quer se queira quer não, de um modo geral, quem se despe por dinheiro para a Playboy, é gente ligada ao mercado da venda do corpo e da imagem ou/e ao mundo do espectáculo, desde a moda à música, passando pelo cinema e televisão. Logo, surgir uma professora, uma médica, uma arquitecta, uma empregada de balcão ou uma assistente social, sem desprimor de outras funções eventualmente consideradas modestas, obviamente que gera algum impacto nos respectivos meios onde se inserem.
    Quanto ao resto, tanto se me dá como se me deu, mas, retomando o raciocínio inicial, a liberdade da Bruna, professora, colidiu com a liberdade dos outros e aqui não se pode contestar a legitimidade dos pais em não quererem para professora dos seus filhos uma pessoa que teve essa conduta que eles, de forma objectiva ou subjectiva entendem como desaquada à profissão que exerce. Ou não seria legítimo que determinados pais não quisessem para professora de seus filhos alguém que nas horas vagas desse o corpo ao manifesto em filmes hardcore com bom desempenho em cenas de sexo oral ou anal? Passe a ironia, quer se queira quer não, há funções que, pela sua responsabilidade e interligação com terceiros, não são aconselháveis, para não dizer incompatíveis e a tal puta da liberdade não pode ser pau-para-toda-a-colher. Uma coisa seria a Bruna, dona da sua própria lojinha de instrumentos musicais, frutaria ou sex-shop, outra coisa foi a Bruna, professora com alunos a seu cargo, despir-se para uma revista com o impacto da Playboy, mesmo que em nome da liberdade ou da arte.
    Poderá um patrão discriminar um funcionário por este pretender trabalhar em cuecas de renda ou até despido? Onde acaba a liberdade desse funcionário e começa a do patrão? Qual a fronteira? Qual o limite? A limitação da liberdade resultará sempre em discriminação? A verdade é que vivemos em sociedade e interagimos com pessoas e grupos em diferentes situações e contextos, de diferentes culturas e sensibilidades e como tal temos responsabilidades em saber adequar todos os relacionamentos. A pretexto da liberdade não podemos interagir de acordo com a nossa real gana e não não podemos interpretar toda essa adequação ou limitação como actos discriminatórios. Não fosse assim e seria a anarquia completa, a lei da selva e mesmo nesta há hierarquias e estruturas naturais.
    No fundo, batalho sempre nesta questão: Tudo gira em torno da nossa deficiente leitura do conceito de liberdade. Confundímo-la frequentemente com a libertinagem e ignorámos quase sempre que o usufruto dos direitos implica um igual peso no cumprimento e respeito dos deveres.
    Quanto ao resto, penso que a tonta da Bruna não foi inocente na sua livre opção e, mais do que um mal remunerado cargo de professora a dias ou a penitência como ajudante de arquivo, ela, com o seu corpo, está mesmo talhada para a fama e para as luzes dos holofotes e dos flashs dos estúdios. Todo este caso só ajudou a acelerar o processo e mais do que discriminada devia sentir-se recompensada porque, reconheça-se, nos tempos mediáticos que correm, há formas de conseguir-se uma rápida notoriedade e a que usou é uma delas.
    Finalmente, não venham novamente com a história batida do nosso Portugal moralista ou conservador pois este tipo de situações, ou similares, acontecem em todo o mundo e têm feito derrubar cargos, deputados, ministros e governos. Creio que não será preciso elencar exemplos, seja nos Estados Unidos, Inglaterra, França ou Alemanha.

  • 23
    Sérgio
    com Firefox 3.6.3 Firefox 3.6.3 em Ubuntu 10.04 Ubuntu 10.04
    17 de Maio de 2010 - 14:47 | Link permamente

    Sou professor contratado por concurso nacional há mais de dez anos. Estas colegas ganham normalmente 5 a 6 euros por cada hora leccionda (a recibos verdes) !!

  • 24
    FilipeMP
    com Firefox 3.6.3 Firefox 3.6.3 em Windows 7 Windows 7
    17 de Maio de 2010 - 16:35 | Link permamente

    Não me importava de ver algumas das minhas professoras posadas na capa da playboy.

    Just my 2 Cents.

  • 25
    com Google Chrome 5.0.375.38 Google Chrome 5.0.375.38 em GNU/Linux x64 GNU/Linux x64
    17 de Maio de 2010 - 16:50 | Link permamente

    Em resumo:
    - o tal de “bom-senso” e liberdade agora é regional?
    Alguém em Mirandela está castrada da liberdade que é oferecida aos outros em Lisboa, Porto ou Braga!?
    Estranho conceito esse da liberdade ser diferente conforme o local onde se viva. Assim como o bom-senso!
    Ah!, quase me esquecia da libertinagem a qual, também depende da zona onde se vive. Para Lisboa, Porto ou Braga é liberdade enquanto para todos os outros é libertinagem!
    Pensando um pouco, porque será que em Lisboa, Porto ou Braga é diferente de Mirandela?
    Talvez porque houveram pessoas que, despojadas do bom-senso e imbuídas do seu espírito de pura libertinagem, lembraram-se de mijar fora do penico?
    Sim, aí tudo é permitido mas em Mirandela não. Deixe-se ficar a tacanhez bem quieta e que ninguém tente adulterar as mentes facilmente ofendidas dos seus habitantes .
    Triste seria o mundo onde eu para exercer o meu direito à liberdade tivesse que ponderar tudo e mais alguma coisa que os outros não querem que eu faça porque simplesmente chocaria com a sua mentalidade tacanha. E todos os outros também numa espiral sem saída. Provavelmente ainda viveríamos em cavernas, não?

    e aqui não se pode contestar a legitimidade dos pais em não quererem para professora dos seus filhos uma pessoa que teve essa conduta que eles, de forma objectiva ou subjectiva entendem como desaquada à profissão que exerce.

    Legitimidade!?
    Se a tem recorram à Lei. Só aí se pode apurar se é legítimo ou não!
    Ah!, mas isso é que é liberdade. Na cabeça deles pode-se fazer tudo e mais alguma coisa mesmo que essa coisa seja simplesmente posar nua para a Playboy. Passa pela cabeça de alguns pais isso é desadequado à profissão de professora e vai daí faz-se justiça à moda de Mirandela. Sim, Mirandela já que essa mesma justiça no Porto, Braga ou Lisboa é diferente.

    Para terminar que isto já vai longo e também fui um dos que não iria comentar muito este episódio:
    - “Portugal moralista ou conservador”?
    Hum, parece-me bem que não. Talvez apenas fora de Lisboa, Porto ou Braga, não?

    PS: Vou deixar de ser do Benfica. Tenho que obedecer cegamente ao livre arbítrio de duas ou três pessoas que acham que isso esbarra com a sua liberdade de tomarem como certo todos os portuenses, ou de lá perto, serem obrigados a serem portistas?
    Not. Sou um grande libertino!

  • 26
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    17 de Maio de 2010 - 17:01 | Link permamente

    Na cabeça deles pode-se fazer tudo e mais alguma coisa mesmo que essa coisa seja simplesmente posar nua para a Playboy.

    Leia-se:
    Na cabeça deles pode-se fazer tudo e mais alguma coisa mesmo que essa coisa seja expulsar imediatamente quem simplesmente ousou posar nua para a Playboy.

  • 27
    Pedro
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    17 de Maio de 2010 - 17:13 | Link permamente

    Da mesma forma que não gosto de moralismos exacerbados, tb não gosto de libertismos igualmente exacerbados, como “é só hipocrisia, são todos tacanhos” etc. Disseram aqui que o que ela fizer na sua vida privada não deveria ter influência na sua profissão (professora); mas aí que que está, o que ela fez, de privado não tem nada: expôs-se publicamente, e pior ainda, sem pensar nas consequências (ou se calhar até já estava a contar com elas para se ‘afamar’ ainda mais).

    Não tenho nada contra quem posa para a Playboy, embora me pareça cada vez mais que para se ficar oficialmente reconhecida como uma das “boazonas de Portugal” tem-se que se posar para a dita revista, como se fosse uma das metas obrigatórias a atingir; mas é preciso ver uma coisa: há profissões (umas mais do que outras) que não se compatibilizam nada com este tipo de exposições, e o ensino é uma delas.

    Vamos exagerar mais só para se perceber melhor, e suponhamos que uma professora tb faz filmes porno, tornando-se muito conhecida com isso; a sua autoridade será irremediavelmente minada, bem que pode mandar os alunos fazerem os deveres, que eles pedem-lhe que ela lhes faça um broche, ou mostram-lhe fotos dela e dizem-lhe como ela é boa, mostram-lhe a língua em movimentos de minete, etc, etc. Um professor também é suposto ensinar valores morais e cívicos, e não apenas debitar matéria, ora que autoridade é que cada uma das professoras tem para isso, quando já ninguém a levará a sério? aliás nem mesmo ela(s) se leva(m) -ou à profissão- a sério, portanto, de novo, que autoridade têm agora?

    É preciso ter em atenção estes pontos todos, e não fazer as coisas levianamente sem responsabilidades como se não houvesse um amanhã, e depois culpar apenas os outros. É CLARO que uma sessão de fotos para a Playboy interfere e muito na vida profissional de uma professora, e mesmo assim ela fê-lo. Agora arque com as consequências.
    Apoio pelo Facebook? já agora uma petição! não me façam rir…

    @ The end of time
    Classe parasita dos professores?? ainda há gente que continua a engolir o que a ‘Milú’ lhes deu a comer? a minha mãe é professora e ficou literalmente sem anos de vida dando aulas e aturando os filhos dos outros (provavelmente como tu) que nem os sabem educar! Mas ainda bem que és muito melhor!.. O que é que *tu* fazes para ganhar a vida ? qual é a tua classe?

    P.S.: A. Almeida, agora reparo que certas partes do meu post têm semelhanças com o teu, o qual está muito bom, mas que eu ainda não tinha lido quando escrevi o meu.

  • 28
    A. Almeida
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    17 de Maio de 2010 - 17:23 | Link permamente

    @ jocaferro
    permite-me a liberdade de te mandar dar uma volta para não dizer algo mais mal-cheiroso. Quanto ao resto, esquece pois até tendo jeito, não vou fazer um desenho.
    Burros e ignorantes há-os em todo o lado, tanto em Mirandela, como em Lisboa, Braga ou Porto. Sem falsa moralidade, digo que quem não percebeu o contexto e o sentido do Lisboa, Braga ou Porto ou é burro ou faz-de burro.
    É nestas ocasiões que gosto de usar a liberdade.

  • 29
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    17 de Maio de 2010 - 17:48 | Link permamente

    Claro que permito a sua liberdade.
    Contudo, deixe-me também usar da minha liberdade para lhe ripostar que à falta de argumentação responder com insultos diz bem do valor das suas palavras e da noção que tem da liberdade e libertinagem.
    Provavelmente, à laia dos seus altos valores, neste momento exigiria que me mandassem para os “arquivos”, não?
    Ah!, é nestes momentos que gosto de usufruir da liberdade. É que por educação para com todos eu não uso a liberdade. Apenas usufruo dela.

  • 30
    com Google Chrome 5.0.375.38 Google Chrome 5.0.375.38 em GNU/Linux x64 GNU/Linux x64
    17 de Maio de 2010 - 17:50 | Link permamente

    Contudo, deixe-me também usar da minha liberdade

    Leia-se:
    Contudo, deixe-me também “usar” da minha liberdade(…)

  • 31
    A. Almeida
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    17 de Maio de 2010 - 18:03 | Link permamente

    @Pedro,

    Um professor também é suposto ensinar valores morais e cívicos, e não apenas debitar matéria, ora que autoridade é que cada uma das professoras tem para isso,

    Dizes bem, seria suposto. Mas fazes bem em só supor, porque a moral e o civismo já foi chão que deu uvas e hoje são termos considerados desfazados do nosso tempo. Hoje em dia exigir-se a um professor uma conduta exemplar, adequada à dignidade da função que exerce, é sinal de limitação da sua liberdade e um abuso dos direitos fundamentais da sua real-gana e um exercício castrador e discriminatório. Não admira, pois, que se entenda como normal que uma professora de crianças seja simultaneamente actriz pornográfica ou ande a mostrar o corpo em revistas para homens. Não tarda que isso até venha a transformar-se em credenciais abonatórias para o seu currículum vitae; Sempre lhe garante maior polivalência. Em suma, não se lhes exige que sejam bons exemplos da tal moral e civismo.
    Como eu também gosto de ir buscar frases ao Citador, “Somos totalmente responsáveis pela qualidade da nossa vida e pelo efeito exercido sobre os outros, construtivo ou destrutivo, quer pelo exemplo quer pela influência directa (dizia Alfred Montapert).

    Volto a resumir o meu pensamento (atenção defensores da liberdade pura e dura, é apenas a minha humilde opinião e análise, pelo que não a discriminem): respeito a liberdade da Bruna Real, certamente, mas considero que a sua atitude padeceu de algum bom senso e sentido racional das consequências, sobretudo decorrentes da particularidade da sua função. Qualquer outro cargo teria certamente menos impacto mediátio, local ou global.

  • 32
    A. Almeida
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    17 de Maio de 2010 - 18:11 | Link permamente

    @jocaferro,
    …claro que lhe peço desculpa pelo tom, mas foi apenas para acentuar que a nossa liberdade termina precisamente quando colide com a dos outros. Está a ver como a minha liberdade bateu de frente na sua? E depois? Em que é que ficamos? Quem ou o quê determina essa ténue barreira ou limites? Porventura o bom senso? Quem o determina? A moral? A ética? Não serão elas castradores e discriminatórias? Em que é que ficamos?
    De todo o modo, penso que descontextualizou, usou e abusou do exemplo geográfico, deturpando totalmente o sentido que lhe dei, uma vez mais chocando a sua liberdade com a minha.
    Não há volta a dar.

  • 33
    com Google Chrome 5.0.375.38 Google Chrome 5.0.375.38 em GNU/Linux x64 GNU/Linux x64
    17 de Maio de 2010 - 19:37 | Link permamente

    Não não bateu na minha.
    Felizmente, usufruo da liberdade de, sempre que entendo, usar uma couraça protectora que me protege do insulto fácil. Não me mata, fere ou tira algum bocado pelo que, adiante.

    Desculpe lá mas eu não descontextualizei coisa nenhuma!
    De facto, pelas suas próprias palavras, a ténue fronteira que dita a diferença entre liberdade e libertinagem, através de um suposto bom-senso, tem unicamente a ver com o contexto de interiorização.

    Eu até concordo com todas as teorias que ela sabia bem em que se estava a meter e era precisamente esse o motivo que não me queria alongar muito sobre este assunto.
    Porém, já não fico insensível a tanto legitimar. Se alguém acha que é legítimo recorra às instâncias apropriadas. De outra forma, tal como aqui foi feito, não passa de uma mera caça às bruxas:
    Os paus levantam-se (sim, também no sentido literal) e as mulheres ao verem aqueles paus levantados por uma razão que não lhes competia, entram em fúria. Levanta-se a populaça em geral e aqui del-rei que a gaja vai nua e não serve para aquela função. Mande-se para longe, bem longe. Desterre-se!
    Logo o diácono se levanta e credo! que a gaja vai nua e não serve para a função. Logo mande-se para longe, bem longe que este aqui não é um antro de perdição.
    Eis que entra a rainha a qual usando do seu habitual instinto de sobrevivência perante um provável levantamento geral da populaça:
    - “Ui, estou metida numa alheira. Tenho que proteger o meu cú – ai que a gaja vai nua e não serve para a funçao. Mande-se para as masmorras” – decide a super-monarca instituída de todos os poderes e mais algum. “Imediatamente!”
    Eis a forma como a justiça corre célere no reino da espécie de chouriça que segundo alguns mais ingénuos ainda leva carne de perdiz.
    Porém, quando tudo parecia estar sanado e as visões da boazona nua apenas andarem remetidas na clandestinidade eis que todo o reino soube do acontecido.
    Indagada a rainha sobre o abuso do poder:
    - Não sei de nada. Limitei-me a cumprir com as ordens do director.
    Indagado o director:
    - Não sei de nada. Limitei-me a seguir as instruções da grei.
    Indagada a grei:
    - Quem eu? Não, até acho que a pequena ficou muito bem nas fotografias. Algumas foram um pouco mais longe e até confessaram, sem qualquer pressão, que dentro delas ardia o firme ensejo de um dia irem decorar uma qualquer oficina deste reino.
    Pode parecer a brincar mas veremos o que fazem/dizem as pessoas daqui a uns tempos.

    Continuo a salientar apenas uma coisa – ninguém tem o poder de legitimar aquilo que não pode ser legitimado. Se querem justiça, em vez de se armarem em justiceiros, recorram às devidas instâncias.

  • 34
    com Google Chrome 5.0.375.38 Google Chrome 5.0.375.38 em GNU/Linux x64 GNU/Linux x64
    17 de Maio de 2010 - 19:49 | Link permamente

    Este episódio faz-me recuar um pouco no tempo exactamente para o tempo do reino de Bragança. Só que neste caso não era apenas uma gaja nua numa páginas de uma revista mas sim algumas gajas nuas ao vivo, a mexer e que ao invés de posarem – pousavam.
    Logo, as mulheres em vez de porem os maridos na linha partem em perseguição daquelas que andavam a “tirar o juízo aos homens”.
    Após uns tempos de conturbada agitação das massas eis que hoje em dia regressaram as gajas da má/boa vida e vivem todos (sim todos!) em franca e gloriosa harmonia. Segundo me dizem, até tem muitas mais por lá a pousar.
    É o que poderá acontecer em Mirandela. Após esta primeira, se vier outra a seguir lá se vai a moral para as urtigas. Quase arriscaria a dizer que o reino das alheiras ficaria ao nível de Braga, Lisboa ou Porto mas isso já é arriscar um pouco demais.

    Chamo a atenção para umas pequenas ressalvas:
    1. A grande maioria destas “brasileiras” (eram dos mais variados países mas…) não se encontravam numa situação legal e por esse motivo a lei pôde intervir num curto espaço de tempo;
    2. prostituição é crime;
    3. posar na Playboy não é crime, inventem o que quiserem;
    4. na minha opinião pessoal, ninguém pode ir parar ao desemprego pelo simples facto de nas suas horas livres ter mostrado as suas formas a todos quantos tenham acesso à famosa revista.

  • 35
    a. almeida
    com Firefox 3.6.3 Firefox 3.6.3 em Windows XP Windows XP
    18 de Maio de 2010 - 09:21 | Link permamente

    @jocaferro
    Para fechar a questão, continuo a achar que descontextualizaste o tal sentido da coisa. Mas adiante; vale o que vale e se algo nada vale é o chover no molhado.
    De todo o modo, mais atrás dizes que “…Legitimidade!? Se a tem recorram à Lei. Só aí se pode apurar se é legítimo ou não”. Mais adiante voltas à carga: “…Continuo a salientar apenas uma coisa – ninguém tem o poder de legitimar aquilo que não pode ser legitimado. Se querem justiça, em vez de se armarem em justiceiros, recorram às devidas instâncias.”
    Afinal, o que é que é legítimo ou não? O que é que é legitimidade e liberdade? Onde acaba uma e começa a outra? Uma precisa da outra ou esta pode cagar naquela? Coabitam na mesma tripa sintética como a rara perdiz com o vulgar frango nessa tua alheira? São irmãs siamesas e partilham o mesmo coração e o mesmo cérebro e podem arbitrariamente pensar ora com a cabeça, ora com o coração? Onde está o manual das nossas legitimidades e liberdades, dos conceitos e preconceitos? O Código Civil? A Constituição? O Diário da República e o Diário do Governo, com decretos, portarias e regulamentos actualizados dia-a-dia, ao sabor dos iluminados legisladores? Jocaferro, dá-me o link para eu fazer o download. Se estiver num ficheiro PDF melhor, sempre o posso ler sem acrobacias pelo Acrobate Reader.
    Ora creio que então está esclarecido o sentido do teu conceito de liberdade e de legitimidade. Afinal andamos a reclamar a liberdade no tempo da ditadura e agora descobre-se que afinal, por lei, então era legítimo que a não tivéssemos.
    Pobres liberdades que andam ao sabor das leis, acrescentadas aqui, corrigidas ali, reduzidas acolá, remendadas mais além.
    Por tudo isto, julgo que um dos preconceitos mais fortes da nossa sociedade em geral, é o preconceito contra o preconceito, uma espécie de “pescadinha-de-rabo-na-boca”, em que uma parte se arroga como o baluarte das liberdades, dos direitos e das garantias. A outra, na perspectiva desta, são os preconceituosos, os discriminatórios, os moralistas, os tacanhos.
    Vá lá saber-se porquê, os jocaferros, num vislumbre de iluminados consideram estar no lado certo, no lado A da verdade suprema, enquanto que os outros, por mais que reclamem a liberdade das suas opiniões e direito às suas legítimas legitimidades, têm que vaguear errantes na penumbra do lado B, do lado dos que não têm razão, dos que têm que recorrer à lei para cimentar e ver provados os seus princípios e aspirações. Pobres dos inocentes que vagueiam por essas prisões do mundo porque alguns juízes ou advogados, mesmo que corruptos, não foram capazes de lhes conceder a justeza e a justiça da liberdade que reclamavam. Pobres portugueses, que diariamente vilipendiados, assaltados e agredidos, não se lhes vê reconhecer as suas liberdades, garantias e direitos de estarem livres e seguros, porque a divina justiça legislativa não lhes acode, não lhes vale e assim permanecem com as suas legitimidades penduradas à espera de que sejam reconhecidas. Mas vá lá, têm direito de reclamar e até lhes fizeram um livro para isso. Pobre do meu vizinho de 75 anos, um santo e inofensivo homem, há uns meses foi roubado e agredido brutalmente e a sua legitimidade de justiça tem estado pendente, ainda por cumprir, mas, ao menos, tem a liberdade de esperar, sentado, porque já não se aguenta da pernas e as agressões fizeram o resto. Quanto ao resto, os outros, dizem que eram dois, que usaram da liberdade e sua legitimidade para lhe fazerem o que fizeram, também usufruem agora de algo de belo, a liberdade pura e dura e certamente ninguém melhor do que esses sabe dar o valor à liberdade.
    Bem, termino, humildemente resignado à minha condição de morador do lado B, porque não podemos competir com a luminosidade dos jocaferros que passeiam no lado B da verdade absoluta das coisas e das considerações; por isso a liberdade deles é mais doce e mais resistente porque pode bater de frente com a nossa que o problema será sempre nosso e valer-nos-á a oficina reparadora da lei para tentar desamolgar as mossas provocadas pelos pára-choques contra os preconceituosos e tacanhos.
    Por mim, podes ficar com a vitória; Jocaferro 1, A.Almeida, 0, ou até mesmo 2-0. Pelo menos não perdi por falta de comparência e aí já seria uma derrota por 3-0, devidamente legitimada pela lei regulamentar de uma qualquer Comissão Disciplinar da Liga ou um Conselho de Disciplina.
    Desculpa-me novamente as considerações de ontem, mas não volto ao assunto, pelo que por mim termina aqui. Se quiseres tempo de desconto, mesmo que o Domingos Paciência reclame os segundinhos, ficas a jogar sozinho. Tens essa liberdade.

  • 36
    com Google Chrome 6.0.399.0 Google Chrome 6.0.399.0 em GNU/Linux x64 GNU/Linux x64
    18 de Maio de 2010 - 12:55 | Link permamente

    Se eu estou do lado A, aquele que respeita a Lei e que é esta mesma Lei quem garante a nossa liberdade, sou iluminado?
    Bem, assim seja. É com muita honra que pertenço ao lado A.

    Como já disse anteriormente, a minha liberdade não esbarra na liberdade de ninguém. É livre de fazer o que entender, sabendo de antemão que terá que assumir com as consequências dos seus actos.
    Sim, é livre de matar os dois meliantes que assaltaram o seu vizinho já que tanto lhe apraz a justiça pelas próprias mãos. Ninguém o pode impedir o exercício da sua liberdade do lado B.
    Também, se lhe aprouver, pode queimar a professora que posou nua para a Playboy. Ninguém pode impedir o exercício da sua liberdade do lado B.
    De facto, o exercício da sua liberdade do lado B põe exactamente ao mesmo nível uma simples “despidela” com:
    - alguém que nas horas vagas desse o corpo ao manifesto em filmes hardcore com bom desempenho em cenas de sexo oral ou anal;
    - gente ligada ao mercado de venda do corpo;
    - assaltos;
    - agressões.

    Porém ainda vai mais longe ao inflamar a sua pobre e ridícula argumentação numa comparação com alguém que vai de cuecas de renda ou despido para o local de trabalho quando tal está completamente fora da realidade do presente assunto. Já para não falar do cinto e das calças!
    O que é facto é que esta professora não fez nada disso que tanto tentou apregoar. Simplesmente despiu-se da sua roupa e provavelmente dos seus preconceitos para uma revista. Que se saiba não apareceu nua no local de trabalho, assaltou/vilipendiou/agrediu alguém ou cúmulo dos cúmulos andou com as calças a cair por não ter apertado o cinto do bom-senso à moda do lado B.

    E agora repare bem nas suas próprias palavras:

    mas creio que ignorou por completo o bom senso que a sua função profissional exigiria, para mais num contexto de interiorização

    Reparou bem no “contexto”?
    Quando eu argumento que afinal esse bom-senso, o tal que segundo a sua “parábola” é a fronteira entre liberdade e libertinagem, apenas se cinge a esse local acusa-me de estar a deturpar o contexto?

    Contrariamente ao que a sua imaginação possa inventar, eu não estou aqui para ganhar nada. Ou melhor, provavelmente ganharia alguma coisa no caso de haver uma discussão com troca de argumentos válidos de parte a parte. Porém, quando me vejo confrontado com uma absoluta falta de argumentação com recurso a insultos baratos, ridícula nomeação para paladino “iluminado” do lado A e comparações acima mencionadas que nada tem a ver com o presente caso tenho a nítida sensação que fiquei a perder.
    Como tal encerro aqui a minha defesa do tal lado que respeita a Lei e que apenas concebe que é essa mesma Lei o garante das liberdades individuais de todos os cidadãos.

  • 37
    paulo
    com Internet Explorer 8.0 Internet Explorer 8.0 em Windows XP Windows XP
    18 de Maio de 2010 - 14:34 | Link permamente

    Realmente, a moralidade da nossa sociedade, consiste em despedir esta rapariga e aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo…que grande qualidade de ensino existe hoje em portugal.

  • 38
    Cristiano Ronaldo
    com Internet Explorer 7.0 Internet Explorer 7.0 em Windows XP Windows XP
    18 de Maio de 2010 - 15:21 | Link permamente

    Força Bruna, dá-lhe com força, POSA muito para a Playboy, e se algum dia quiseres POUSAR, liga-me

  • 39
    Erre Dê
    com Safari 3.0.4 Safari 3.0.4 em Mac OS X Mac OS X
    19 de Maio de 2010 - 00:10 | Link permamente

    Bem haja Bruna.. por contribuir com as suas curvas para o encerramento definitivo dos capítulos Benfica; Crise; Casamento gay!!!!

  • 40
    com Internet Explorer 8.0 Internet Explorer 8.0 em Windows Vista Windows Vista
    19 de Maio de 2010 - 14:38 | Link permamente

    A minha opinião, caro Marco, é que concordo plenamente com o teu último parágrafo.
    Abraço
    F

    • 41
      com Namoroka 3.6.5pre Namoroka 3.6.5pre em Windows XP Windows XP
      19 de Maio de 2010 - 16:10 | Link permamente

      Olha… Long time no see! ;)
      Obrigado, Piloto Automático.

  • 42
    Anonimo
    com Firefox 3.5.9 Firefox 3.5.9 em Windows Vista Windows Vista
    28 de Maio de 2010 - 05:20 | Link permamente

    Quem não tem miolos, mostra os genitais.

    Se acham bem ela ter vendido o corpo a uma revista, que merda de país é este que considera isso correcto e que este género de pessoas são as adequadas como educadoras de crianças….

    :/

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