No filme Minority Report, baseado num conto de Philip K. Dick, um departamento policial muito especializado chamado PreCrime consegue atuar e prender os cidadãos antes de estes cometerem a ação criminosa, graças aos poderes psíquicos de três precogs.
O Partido Socialista também tem um departamento especializado de PreCrime, pois considera que todos aqueles que comprarem discos rígidos, impressoras, pens USB, dispositivos multimédia do tipo iPod, câmaras fotográficas ou telemóveis com memória interna pretendem usá-los para guardar conteúdo protegido por direitos de autor.
Por isso, apresentaram no Parlamento um projeto de lei, o 118, que defende que todos teremos de pagar taxas sobre esses dispositivos – chamam-lhes «compensações» – as quais, em alguns casos, implicarão aumentos de 40 por cento para o consumidor.
Por exemplo, se comprares um disco rígido de 1 terabyte para guardares fotos ou filmes das tuas férias, o departamento Precrime do Partido Socialista parte do princípio de que vais usar o espaço para a pirataria. Se fores músico e quiseres guardar material original, tens de pagar a mesma taxa e pelas mesmas razões. Por causa do teu Precrime, um disco que custe uns 50 euros passará a custar quase 70. Para onde vai o dinheirinho extra?
O departamento do Partido Socialista socorreu-se de um grupo de precogs para ajudar na elaboração do projeto de lei que contempla esta presciência moral. Os precogs são formados por gente que considera que a pirataria, a livre partilha de ficheiros e os novos modelos de negócio online lhes está a dar cabo da lucrativa exploração de artistas e consumidores.
Estas pessoas consideram que o progresso tecnológico e os meios de que dispomos para trocar livremente informação são uma gigantesca conspiração para as colocar na pobreza e, como tal, todos os que têm acesso à Internet são culpados.
Os precogs são formados pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), o Instituto Nacional da Propriedade Industrial, a GDA/Cooperativa de Gestão dos Direitos dos Artistas, Intérpretes e Executantes, a Federação de Editores de Videogramas, a Associação para a Gestão da Cópia Privada, a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros e a Associação para a Gestão e Distribuição de Direitos.
O dinheiro proveniente destas taxas passará para os bolsos deste bando de carraças económicas e culturais, com algumas migalhas distribuídas pelos artistas.
Estaremos portanto a pagar pelo direito a copiar o que é nosso, mesmo nos casos em que proteções digitais baseadas em DRM – quase todos os jogos, filmes e CD’s do mercado – nos impedem de copiar o que já comprámos. Mesmo assim, pagaremos.
Graças ao projeto de lei do PS e à conivência dos políticos das restantes bancadas, todos iremos contribuir para que os precogs possam comprar um jacuzzi mais confortável para fazer predições morais. Graças ao projeto de lei socialista muitos de nós tentarão, por todos os meios, comprar esses produtos fora de Portugal, desvitalizando uma economia já imensamente empobrecida. E todos terão uma excelente justificação ética para encher o disco rígido de material pirateado.
Os socialistas e demais comparsas no Parlamento irão permitir a criação de uma sociedade de fricção científica onde todos os seres humanos são potencialmente ladrões, bandidos e parasitas – portanto, de acordo com o espírito precrime da nova lei em discussão, é justo tratar os ladrões, bandidos e parasitas da SPA como se já o fossem. É o meu direito – e ofereço-o de graça.

































41 comentários
We´ll always have Amazon.co.uk.
Isso ou começar a piratear unidades móveis de armazenamento de dados!
E serem criadas taxas até ao infinito…
Já propus no twitter uma taxa sobre as obras culturais, para “compensar” os consumidores que nunca fazem cópias privadas, mas pagam a respectiva taxa. Desde 1998 pelo menos. Consumidores esses que são em muitos casos autores também, das suas fotos, dos seus textos, dos seus vídeos. Ou profissionais que compram CD e DVD graváveis (e agora discos) para as suas actividades.
Se os “autores”, aqueles mesmo “à séria” (leia-se os da SPA), se podem sentir lesados e merecedores de “compensação”, pq não também os consumidores?
Eu voluntario-me para formar e gerir esta nova sociedade de gestão de direitos e ficar, naturalmente, com uma (boa) parte das receitas.
apoiado!!!!
não se esqueçam da taxa para os portadores de pilinha que não usam a pilinha para violações (esta bazinga vem no seguimento do meu comentário lá mais abaixo
não hajam cá mal entendidos
)
Big Brother… By George Orwell…… Desculpem by Portugal…. Desculpem…. By Europe…..
Desculpem mais uma vez… By USA…
De não esquecer que o projecto de lei SOPA, também está perto de se tornar realidade….
Bravo, Marco.
Aqui fica demonstrado que aquelas cabecinhas do PS não são muito diferentes das cabecinhas do PSD e do CDS que agora estão no governo – anda tudo a trabalhar para uns quantos. E revelando uma ignorância monumental sobre os usos tecnológicos e as práticas culturais / criativas da actualidade. É como eu costumo dizer: além de vigaristas, estes tipos são uns burgessos. Pior ainda: uns burgessos que parecem orgulhar-se da sua abissal estupidez. Não sei se é a desonestidade que os torna broncos, ou se é a bronquice que os faz desonestos, mas vai dar tudo no mesmo. Quem se lixa é o mexilhão e o que me espanta é que o povinho continua a votar ora nuns, ora noutros, parecendo rogar-lhes mais vergastadas no lombo. Realmente, anda tudo parvo…
Marco, os meus sinceros parabéns! Que texto fenomenal e analogia perfeita.
só chulos a querer jacuzzis!
Subscrevo ao comentário do @Alexandre, ainda por cima agora existem cada vez mais vendedores que fazem entrega de borla para Portugal xD.
O PS não está a ser nada original nesta proposta, como já referido, apenas pede o alargamento da lei já comia há alguns anos os consumidores de CD-R e DVD-R até o tutano.
Os maiores consumidores desses artigos são profissionais, que como no meu caso, gastam tais itens à razão de milhares/ano e têm de gramar com o rótulo e taxas de Piratas de sarjeta quando pretendem arquivar/distribuir seus próprios trabalhos, quando são ficalizados, quando já pagam as devidas (mesmo que injustamente) taxas de direitos de autor a SPA, etc…
Bem-vindos, consumidores em geral, ao mundo lobbie da SPA.
Marco, e não te admires do dia em que a PSA ameaçar sites/blogs como o teu, com visibilidade e com acesso a conteúdos protegidos por copyright de multas e taxas que lhes são devidas. Há espaços de cariz mais profissional, ou que entendem ter exploração/PUB mesmo que simbólica que não lhes largam a perna.
Por exemplo, as plataformas do Sapo não pagam nada para a SPA? Duvido-dó…
Chegara o dia em que eles olharão para um espaço online como o teu como um usurpador dos ‘direitos deles’ em potencia.
Digo eu, que volta e meia tenho dos aturar…
Já exite há muito tempo a taxa de direitos de autor aplicada aos CDs e DVDs. Que fez aumentar o preços dos ditos em muitos casos para mais do dobro.
E levou até algumas empresas distribuidoras desse material à falência.
Isto é claramente um roubo. Mas já estamos habituados a ser roubados por esta cambada de políticos da treta.
Independentemente dos nomes oficiais destes “precogs”, sugeria um nome mais adequado para os designar: PIDE. Esperaria uma proposta deste tipo por parte do PSD ou do CDS, mas nunca do PS, ainda que no meio dos seus membros haja indivíduos que seriam bem recebidos na antiga União Nacional.
Ponha-se a pau, Marcos, está a tornar-se cada vez mais difícil denunciar bandalheiras por parte daqueles que (infelizmente) nos estão a controlar. Não duvido já que mais dia menos dia seja criada uma polícia especial (secreta, por enquanto) que nos vem bater à parte por falarmos ou escrevermos sobre coisas que põem em causa estes bandalhos.
Os meus parabéns pelo seu texto.
A questão não passa só pelo aumento do preço, pelo visível da questão, mas pela consequências que acarreta.
Caminhamos novamente, para um fosso cultural, quem tem dinheiro tem acesso à cultura quem não o tem vive na incultura, pois mais uma vez querem acabar com a democracia criada para voltarmos à ditadura dos anos 80.
No inicio dos anos 90, uma grupo de pessoas onde me incluo, mudaram a forma a como a cultura chegava às massas, sim através da pirataria na pessoa do P2P.
A industria deixou de dominar o mercado, cada vez era mais complicado para eles impingir artistas à laia do “50 cêntimos”, porque a pirataria permitiu ouvir os álbuns antes de os compramos, permitiu partilhar opiniões antes de avançar para a compra de um CD ou DVD. As editoras sentiram-se impotentes para travar esta vontade popular, eles tentavam fazer de um broco um artista e depois aparecia uma cara bonita no youtube que até cantava umas coisa a ter mais destaque que os seus artistas, super produzidos e super divulgados.
Os concertos de quem era bom esgotavam, porque não obstante de serem uns desconhecidos em Portugal, agora podíamos, ouvi-los e conhece-los antes de actuarem.
Tentaram por todos os meio travar-nos ( estes malditos piratas ), apertando com as operadoras para fecharem a torneira a tráfego gerado por bitorrent, mas arranjamos sempre uma maneira de os enganar de estarmos mais à frente que eles.
Fracassados, frustrados, vendo o fim de o monopólio à vista, vendo o poder ser colocado nas mãos dos artistas, resolveram carregar no botão vermelho e tentar lançar a bomba atómica.
Ou seja, untar as mãos a uns políticos, para legislar sobre algo a que não se pode fugir, a criminalização da pirataria tinha falhado ( chegaram á conclusão, que teriam de prender meio Portugal e alguns filhos de proeminentes politicos também ), lançaram-se agora ao preço dos dispositivos de armazenamento.
Basicamente, querem voltar ao tempo em que a cultura era para alguns os outros… Nada pois não podiam comprar o que pediam pelo que queriam ouvir e se a industria quisesse distribuir esses artistas, casos ouve em que os artistas nem os filmes chegavam a Portugal por não serem suficientemente-te lucrativos….
Um abraço
Portanto, se eu sou considerado um potencial criminoso, também posso ser considerado um potencial artista…
Acho que vou ver o que é preciso para começar a receber eventuais direitos de autor!
Abraço
Ridículo…
Como já disse há uns dias atrás, esta notícia é sensacionalista. Quem vos ouvir falar pensa que vocês compram discos rígidos de 1TB de mês a mês. é muito fácil de fazer downloads ilegais. Mas vocês pagam alguma taxa por cada música, jogo, album, ou livro, cada vez que fazem um download ilegal?!! E não me venham dizer que não fazem downloads ilegais.
De acordo com o teu raciocínio, não há problema em ser roubado ou sustentar os cretinos da SPA, desde que seja de forma espaçada. Ou seja, se eu por exemplo comprar um disco de 1 terabyte anualmente já posso ser chulado à vontade.
Parece-me que estás a sobrevalorizar uma questão secundária e a desvalorizar a questão principal, que é a questão de princípio.
Quanto à tua ideia de que todos os que aqui comentam fazem ou já fizeram downloads ilegais, é mais um raciocínio do tipo precog.
@Ricardo Silva
PS. Daqui a 6 ou 7 anos quero ver-te a a pagar sem reclamar quase €300 de imposto para poderes comprar um disco de 8TB.
Não digo que os artistas não devam receber pelo seu trabalho, mas não desta forma. E já agora quem define o que são artistas e quais devem ser apoiados.
E para onde tem ido o dinheiro das taxas que são cobradas nas vendas de cd e dvd. Está por aí algum artista que tenha recebido algum vindo dessa parte?
Não, caro Ricardo Silva, eu não faço downloads ilegais. E tu, violas pessoas?… (parto do principio que, como tens pilinha, o deves fazer, já q a pilinha é a ferramenta utilizada para o efeito). E não me venhas dizer que não fazes.
(se é q percebes onde quero chegar)
Mas nem que fosse 1 cêntimo. É mais uma questão de princípios do que dinheiro.
Se querem acabar com a pirataria com certeza não é este o caminho. Ok mas é compreensível quando são os grupos económicos que ditam as regras aos governos e não o contrário não podemos esperar grande coisa.
Até o PCP e o BE suportam a medida, isso sim é que é o insólito.
Bah, já não os acho insólitos. Acho-os uns tristes. enfim.
Mais umas questões.
Eu só faço download de pornografia. Confesso.
E apesar da pesquisa exaustiva que fiz à PL 118, não vi lá nada que defenda aquelas e aqueles que a tanto custo fazem os ditos filmes, sobretudo aquelas.
Apesar da palavra sexo já não ser das mais pesquisadas nos motores de busca, e sem ter lido nenhum estudo sobre o tema, sou capaz de apostar que os filmes caseiros devem ser dos mais pirateados.
Resumindo, que tipo de “artistas” é que pode receber o que os doutos deputados impõem ao consumidor.
O mais engraçado é acharem isto fantástico quando o mesmo acontece com a educação, a saúde ou a justiça em quase todo o ocidente. O que difere é que eles xulam muito mais. É o neo-liberalismo(?)
Voces indignam-se com isto ?
Nada que um empresario do ramo da hotelaria já nao esteja habituado , posso dar-vos o exemplo das duas licenças que tive que ir tirar hoje para ter cá na tasca, SPA , musica ambiente + ccpt Tv Cabo (por ter televisão que ja pago ) 584 euros , depois temos a PassMusica (outros chulos ao genero da spa) são mais 571 euros.
Ou seja cerca de 1200 euros , menos uns trocos ,por duas licenças anuais para simplesmente poder ter um cd a tocar ou a televisão ligada.
Chulo 1 SPA – protege os direitos dos autores
Chulo 2 PassMusica – protege os direitos dos produtores
O melhor de tudo é que por exemplo a SPA , é isenta de IVA , ou seja o estado nao ganha um centimo com eles.
Orgulhosamente a não comprar um cd desde o ano longínquo de 2002… orgulhosamente a ver filmes sem ter que pagar um tostão por isso…quanto mais eu roubo, mais eu me sinto bem…
se eu percebi bem, para não pagar duas vezes a mesma coisa:
opção 1: não compro o material de armazenamento em portugal e continuo a pagar só uma vez os meus filmes, álbuns e programas.
opção 2: compro o material de armazenamento em portugal e posso fazer downloads ilegais, como se tivesse um livre trânsito.
hum… wtf? porque não tachar também as balas e os cigarros com x euros/unidade, por causa dos gastos em saúde? já que estamos a pensar tão à frente…
e uma outra dúvida: como é que o dinheiro das taxas vai chegar aos artistas estrangeiros? será natural que os coldplay recebam por se venderem uns milhares de álbuns em portugal, no entanto imagino a cara de parvo do chris martin quando vir um depósito que teve origem na venda de discos que nem música tinham. –’
e o BE… fail. muito fail.
Bem, já se paga uma taxa por algumas coisas. Taxa por pirataria, isso mesmo.
Eu proponho que todos os homens paguem taxa por violação. Afinal, têm o equipamento para isso….
Já agora, eu não faço esse tipo de downloads nem sou adepta da chamada pirataria. A questão aqui nem sequer é a legitimidade da pirataria! É sim, de o justo pagar pelo pecador, de todos à partida serem culpados mesmo que haja provas em contrário e de recebermos rótulos por coisas q não somos, só pq há quem seja.
Ou seja, os homens têm pilinha. A pilinha é usada para violar alguém. Portanto, todos os homens usam a pilinha para violar alguém. ——-> é isto que está em causa. Ó faxavor, é uma taxa de violação sobre quem nasce com pilinha!!!
Marco, já não me lembrava desta tua tendência político-social contra os abusos contra a pirataria. Desculpa, mas ás vezes ainda fico surpreendido por ver pessoas com alguma relevância/notoriedade (nem que seja na blogosfera) a defender publicamente coisas tão lógicas, certas e razoáveis, deixando os tabus de lado.
Mas queria chamar-te a atenção para um pequeno ponto. É que as leis contra a pirataria não estão a ser feitas no parlamento. Os moços do PS, e quem diz PS tanto acrescenta um D como diz CDS, são meras marionetas. Os direitos de autor, apesar de estarem a perder apoio na sociedade civil, são impulsionados a toda a força pelos EUA. E os EUA conseguem legislar onde querem. Foi o que aconteceu em Espanha, e certamente acontecerá cá neste momento.
Lê isto pfv:
http://torrentfreak.com/us-threatened-to-blacklist-spain-for-not-implementing-site-blocking-law-120105/
Duvido que qualquer alteração ou nova legislação a favor dos direitos de autor tenha a mínima legitimidade democrática, hoje em dia.
Há que dizer q o objectivo da lei não é compensar a pirataria, ainda q esse possa ser a vontade secreta da SPA, AFP, APEL, FEVIP, etc. Até pq o governo PSD/CDS tb tinha prometido algo deste género, *e* uma lei “anti-pirataria”. Ela há-de chegar nos próximos meses. E cá estaremos nessa altura.
O objectivo afirmado desta proposta do PS é compensar a Cópia Privada. O direito que temos de fazer uma cópia de um CD para ouvir no carro, ou converter para MP3. Ou ainda gravar da TV e rádio.
Acontece q esse argumento não cola, visto ser um direito ferido de morte desde que apareceu o DRM (tecnologias anti-cópia) e a proibição legal de o neutralizar. Todos os Blu-Ray, a grande maioria dos DVD, quase todos os ebooks, e até alguns CD têm DRM. As “boxes” do MEO e ZON tb não deixam de lá tirar nada.
Não esquecer q o conceito cópia privada e respectiva “compensação equitativa” foram criados nos anos 80 (ainda q as taxas só tenham sido regulamentadas em Portugal em 98) para legalizar a utilização de cassetes. E veja-se o que se podia fazer com elas. Grava-se da rádio, da TV, dos LP, das cassetes dos amigos, etc, etc. Muitos direitos e uma taxa q acabou fixada nos 3%.
Agora querem que paguemos 25-50% num disco rígido, e o q podemos legalmente para lá copiar é pouquíssimo. Mais, uma cassete comprada nos anos 80-90, só servindo para audio, video, e jogos do ZX Spectrum, tinha uma grande probabilidade de ser usada para copiar algo. Já os discos duros podem e são usados para muitos tipos de dados para além disso (e muito boa empresa depende deles para coisas “sérias”). Simultaneamente hoje em dia todos temos meios importantes de produção própria de fotografia e video com que os encher.
Não faz sentido. Não há aqui nada de razoável ou equitativo. Que legalizem o quebrar dos DRM, ou então legalizem a partilha de ficheiros (como na Espanha ou na Suíça). Ou então que limitem as taxas a 3% (5% no máximo!) do PVP. Assim o pessoal poderá na mesma amaldiçoar a SPA ao comprar, mas irá comprando cá em Portugal. Caso contrário vai tudo para a Amazon UK e afins, e não há taxa nem IVA para ninguém!
Bom dia,
Estive a falar com uns amigos meus, do tempos em que estava envolvido até à raiz dos cabelos no P2P, e continua a verificar-se que o nosso amigo Toni Carreira continua a ser o artista português mais pirateado.
O senhor desde que começou a ser pirateado, enche ano após ano as maiores casas de espectáculo do país, a quem deve a divulgação do seu trabalho? Estranha relação entre a pirataria e o sucesso que os artistas tem nos concertos que dão, quanto mais pirateados mais gente enche esses mesmos espectáculos.
Ainda não percebi bem quem é prejudicado nesta relação de simbiose, os artistas não são certamente….
[...]
Começemos pelas impressoras. Uma vez que quem compra uma impressora pode, eventualmente, utilizá-la para imprimir material sujeito a direitos de autor, pelo sim, pelo não, paga logo a taxa, digo, o imposto, corrijo, a “compensação”. Quer use, quer não use. E não é uma taxa pequena. Uma impressora simples de jacto de tinta paga 7,95€+IVA, mais 13€+IVA se apenas fizer 9 páginas por minuto. A impressora mais barata à venda no mercado incluirá um imposto/taxa/compensação de 20,95€ + IVA para pagar aos autores. Mesmo que seja usada apenas para imprimir facturas numa micro-empresa. Mesmo que seja usada apenas para imprimir fotografias do próprio consumidor.
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Se a impressora fizer 10 páginas por minuto de velocidade de cópia, o roubo atinge o absurdo valor de 135,65 € (7,95+127,70) + IVA. A única classificação possível para uma coisa destas é extorsão.
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O Projecto Lei continua com um conjunto impressionante de taxas/impostos/compensações sobre tudo aquilo que se lembraram nos “brainstormings”. Por exemplo, querem cobrar 4€ por cada aparelho que permita gravar CD/DVD, 5 cêntimos por cada CD-R (5 euros numa caixa de 100). Também não se esqueceram dos cartões de memória, dos iPods e dos telemóveis – 50 cêntimos por GB de armazenamento. Por cada iPod 160 Gb, os autores querem receber a módica quantia de 80 euros – um imposto de mais de 40% sobre o preço de venda.
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Falta a mina de ouro. O tesouro que vai resolver o problema financeiro da SPA: os discos rígidos. Diz o Projecto Lei que os consumidores que adquirirem Discos Rígidos, terão que pagar 2 cêntimos por Gigabyte para o primeiro Terabyte e 2,5 cêntimos por Gigabyte daí em diante. Um disco de 1 TB que custe hoje cerca de 80€, passaria a custar mais 25,2€ – um aumento de 30%. Um disco de 2TB que se venda por 119€, passará a custar mais 57,98€ – um aumento de 49%. Contando com a velocidade a que a capacidade dos discos rígidos avançam todos os anos, a lei está aí para reclamar mais 25,6€ + IVA por cada terabyte adicional. Daqui a 5 anos, será expectável que um disco de 5 TB não custe mais de 100 euros – e por esse disco a ‘compensação’ seria de 152 euros. Espertos.
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E o que se propõe para as empresas, que compram estes aparelhos por razões exclusivamente profissionais e que são os principais consumidores de terabytes? Pagam na mesma. Uma média empresa que um ano compre 20TB para os seus servers de contabilidade, e-mail, dados de negócio, paga 500€, mais o que paga pelas impressoras, CDs, Pens USB, telemóveis, tudo. Uma empresa de vídeo-vigilância que registe imagens de milhares de câmaras, pagará milhares de euros. Se a PT comprasse em Portugal os 30 Petabytes que anuncia para a Covilhã, pagaria aos ‘autores’ de uma só vez quase 800.000 euros. Só há isenção para empresas de produção audiovisual – os próprios – ou empresas que ajudem deficientes – querem parecer bonzinhos.
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Para os que vendem os equipamentos ou suportes, a lei reserva um inferno burocrático. A lei estabelece a “responsabilidade solidária pelo pagamento da remuneração de distribuidores, grossistas e retalhistas, adquirentes sucessivos para venda ao público dos equipamentos, aparelhos e suportes, salvo se provarem que procederam ao respectivo pagamento”. Explique-se o que eles querem: se o Zé da Loja não pagar, paga quem forneceu o Zé da Loja – mesmo que esse fornecedor não tenha recebido a compensação do consumidor final… Mas como é que isto pode ser legal? Esta gente droga-se? (provavelmente, alguns são artistas.)
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Mas não fica por aqui. Para controlar tudo, cria-se um dantesco labirinto declarativo, em que toda a gente, distribuidores, grossistas e retalhistas – são milhares – tem que confessar à IGAC (Inspecção-Geral das Actividades Culturais) tudo o que vende, a quem vende, por quanto vendeu, quantos terabytes, quantos CDs, quantos telemóveis e de que modelo, quantas máquinas fotográficas, quantas impressoras e quanto pesa cada uma – sim, têm que declarar o peso – tudo para que o IGAC, de repente convertido em pidesco colaborador de impostos, controle toda a coisa e ninguém escape impune – e se uns não pagaram, pagam os outros.
[...]
Fonte: http://blasfemias.net/2012/01/08/pena-antecipada-sobre-crime-potencial/
http://ktreta.blogspot.com/2012/01/projecto-de-lei-118xii-do-partido.html
Sempre obrigatório, ler esse senhor.
Já tinha lido, portanto
E este, já leste? http://www.esquerda.net/opiniao/c%C3%B3pia-privada
Sim
bah, nunca mandar links a um jornalista inteligente
Possivelmente já conhecem, mas para os que desconhecem, aqui fica um link curioso. Quando li isto deixei de ser ateia.
http://publico.pt/Tecnologia/ha-uma-nova-religiao-na-suecia-e-os-direitos-de-autor-nao-vao-gostar-1527736
Subscrevo
“Orgulhosamente a não comprar um cd desde o ano longínquo de 2002… orgulhosamente a ver filmes sem ter que pagar um tostão por isso…quanto mais eu roubo, mais eu me sinto bem…” Estou a “roubar” quem? Indústrias poderosas? Que pena que eu tenho!
Mas isso em que pé é que está?
Esta Lei virá legitimar a pirataria. Irá legitimar as compras no estrangeiro. Irá legitimar o roubo. É uma Lei que irá continuar a ignorar os autores. É uma Lei injusta porque parte de um princípio estúpido: tudo o que anda nos suportes de armazenamento é protegido por direitos de autor e qualquer um de nós os está a violar.
Não tenho palavras que não sejam ofensivas para os autores desta Lei.
E, afinal de contas, realisticamente falando, quem é que pirateia autores portugueses? Filmes portugueses? Músicas? Este é outro ponto. Vamos pagar e os eventualmente prejudicados nem sequer vão receber nada porque são autores estrangeiros.
Vamos passar a por tudo na cloud e continuar a comprar lá forma melhor e mais barato? É que depois vem a ladaínha das quebras de vendas, etc etc
Resumindo o que nos últimos tempos tem sido o mote: é mais um sacanço à descarada e à portuguesa. Mas, como 90% do pessoal anda adormecido…. enfim.
É cada vez mais difícil ser português e viver em Portugal. É é!