
Vivian Leigh e Marlon Brando:Â pungente e devastadora humanidade
É bom certos filmes obrigatórios passarem-nos ao lado. Porque acabamos inevitavelmente por vê-los e sentimos um prazer de descoberta quase adolescente. Foi o que aconteceu comigo quando vi, ontem à noite, na RTP2, Um Eléctrico Chamado Desejo – um filme de 1951, realizado por Elia Kazan, com Vivian Leigh, Marlon Brando, Karl Malden (que morreu a 3 de Julho deste ano) e Kim Hunter, baseado na peça de Tennessee Williams e com argumento do próprio dramaturgo.
Que posso dizer sobre o filme que centenas de crÃticos já não tenham escrito? Nada. Podia despejar no post um saco cheio de adjectivos elogiosos e mesmo assim não seriam suficientes para qualificar esta obra-prima.
Se o cinema para vocês não serve apenas para dar mais sabor às pipocas, arranjem o DVD, comprem, peçam emprestado, saquem-no das torrents, façam como quiserem, mas vejam-no.
Um Eléctrico Chamado Desejo concentra tudo o que mais me emociona num filme: grandes desempenhos e um grande director de actores, diálogos (e monólogos) soberbos e uma pungente e devastadora humanidade em cada personagem. Também me deu a conhecer uma das mais espantosas interpretações que alguma vez vi em cinema: a de Vivian Leigh como Blanche DuBois. Que maravilhosa actriz e maravilhosa personagem!
Estão a ver? Tenho de acabar o post, já não faço mais nada a não ser despejar adjectivos.































8 comentários
Não fosse Kazan um oportunista que lixou a vida a muita gente, poderia ser considerado um artista fantástico. O problema é que a arte pretende representar a vida e não a vida servir de pretexto para elaborar arte.
@Marco
Com o mesmo olhar, sugiro que veja então o Cat on a Hot Tin Roof, que verás a mesma fórmula aplicada a outro produto embalado da mesma forma e com os mesmos excelentes resultados. Os atores principais, no caso são Paul Newman e Elizabeth Taylor, a base dramatúrgica é igual, do mesmo Tennesse Williams, que depois do William Shakespeare foi o dramaturgo mais adaptado para o cinema, e tem uma produção para o teatro impressionante, o diretor Richards Brooks, e a humanidade a mesma.
E se quiseres ir mais fundo no universo de Williams sugiro que leias a peça Talk to me like the rain and let me listen. Reconhecerá os teus vizinhos lá.
Este aqui é realmente um filme fenomenal, mas do estilo prefiro o Giant (O Gigante, aqui, e Assim caminha a humanidade, no Brasil).
Nunca gostei muito das adaptações do teatro para o cinema pois perdem tanto a força dramática do Teatro, com a mobilidade cénica do Cinema. Prefiro as adaptações feitas diretamente da literatura, embora os livros sejam sempre melhores. Em minha opinião, o cinema é mesmo uma arte menor, deliciosa, pela fácil digestão, mas menor. E só quero dizer com isto que vale mais a pena ler as peças do Williams, terá muito mais prazer.
De certa forma, dentro de sua arte e dentro de seu tempo, Elia Kasan foi um MJ. Confundiu a vida privada com a pública. Segundo Orson Welles, Kasan teria trocado a alma por uma piscina. Acontece…
A peça que sugeri que leias encontra-se neste livro: http://www.amazon.co.uk/27-Wagons-Full-Cotton-Williams/dp/0811202259/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1246792707&sr=1-1
É sem dúvida um filme maravilhoso, quase perfeito em quase todas as frentes. Brando é insuperável.
Edgard: registado!
Maravilhas do mundo moderno. A “Like the rain” está toda aqui. É pequena, mas acredito que te alimentará.
Quase toda … arrancaram uma página.