→ 15/02/2006 @19:04

King Seca

Quero só avisar-vos de uma coisa: se ainda não foram ver King Kong, não percam tempo: o filme é uma boa merda.
Eis uma cena reveladora do que estou a dizer: o gorila gigante é exibido pelo produtor de cinema Carl Denham num teatro chique de Nova Iorque: Carl Denham é Peter Jackson – e os espectadores do teatro, na visão de Hollywood, somos nós. E quem somos, afinal? Resposta fácil e óbvia: consumidores domesticados e sem qualquer sentido crítico, prontos a largar aplausos e dinheiro para ver o espectáculo circense de um gorila King Size a fazer macaquices.
Eu não devia ficar surpreendido porque a terceira parte de O Senhor dos Anéis já me tinha dado pistas suficientes sobre as opções do realizador: Jackson transformou o elfo Legolas num surfista prateado e o anão Gimli num bobo da corte. Foi bom para arrancar aplausos aos putos que deliraram com as acrobacias de Matrix, mas insultuoso para quem leu o livro do Tolkien.
Com King Kong fez pior: conseguiu pegar numa história chata e banal e esticá-la num filme de mais de três horas. Mas que grande seca que eu apanhei.
Eu gosto de efeitos especiais, mas tudo o que é demais enjoa. Tanto dinheiro gasto naquilo e mesmo assim há defeitos: na cena em que os membros da expedição são perseguidos por uma manada de dinossaurios é visível o recorte artificial dos bicharocos, a falta de fluidez e naturalidade dos movimentos.
Não me consigo lembrar de nenhum aspecto relevante do filme que exclua o uso de efeitos especiais e animação por computador: até os actores representam como se fossem cópias digitais de si próprios, provavelmente para não destoar da realidade virtual que os rodeia. Não admira que o gorila King Kong pareça tão bem feito e expressivo. Sim, as cenas da destruição de Nova Iorque são espectaculares, o climax no topo do edifício Empire State Building é visualmente porreiro. Mas é apenas uma questão de técnica, poder de processamento e dinheiro suficiente para o comprar. Agora já percebo porque é que se usa a expressão Filme em Exibição.
É tudo uma questão de exibicionismo.

Dizer NÃO à taxa