→ 02/03/2009 @18:01

Os fãs de concursos vão adorar

Vi finalmente o Slumdog Millionaire.

Era para ser o Milk, mas este já não estava em exibição e acabámos por escolher o grande vencedor dos óscares. Duas horas depois, abandonava a sala sem perceber que raio de critérios tem a academia de Hollywood: no ano passado deu a estatueta a uma obra-prima como Este País não é para Velhos; este ano resolve premiar uma fantochada.

Uma possível explicação para Slumdog Millionaire ter recebido tantos prémios deverá ter a ver com o facto de o filme usar o concurso Quem Quer Ser Milionário como forma de denunciar a pobreza em que vivem milhões de indianos em gigantescos bairros de lata.

Slumdog Millionaire parte também de uma ideia original, a de atribuir ao «rafeiro» Jamal o conhecimento das respostas do concurso não por sorte, cultura geral ou aldrabice, mas por estarem associadas a acontecimentos importantes e traumáticos da sua vida.

Claro que as histórias desencantadas para justificar as perguntas – excepto a primeira, a do autógrafo, muito engraçada e bem conseguida – parecem tão plausíveis de acontecer a um único indivíduo como eu jantar num restaurante indiano. Tão plausível como eu pensar «Que delícia é esta cheia de caril e picante?» Tão plausível como eu dizer «Quero repetir!» -  pronto, deixo a questão da plausibilidade aos que acham que Slumdog Millionaire denuncia realmente as condições de vida de milhões de indianos.

Slumdog Millionaire

O filme alimenta-se da alienação, tal como o concurso – é isto que me irrita e faz com que a sua suposta qualidade se transforme em merda de camelo. Filme e concurso comem do mesmo prato. Escapar à miséria e à injustiça não é um desígnio colectivo, mas estritamente individual; não é uma questão social, é uma questão de sorte; e assim se vê no final do concurso (e do filme) uma multidão de pobrezinhos eufóricos e alienados aplaudindo a sorte que permitiu a um dos seus tornar-se milionário e libertar-se virando as costas à miséria na companhia da mulher da sua vida. Foi o destino que o fez ganhar, conclui o filme alegremente, como se a consciência social pudesse ser alimentada com donuts e páginas da Corin Tellado.

Portanto para mim este cenário de miséria e injustiça em que vive e cresce o protagonista Jamal é tão decorativo como o cenário de estúdio no qual ele vai respondendo às perguntas e desvendando a sua vida porque, à medida que a narrativa se desenvolve, percebemos logo que o que mais interessa é dirigir o nosso olhar para os elementos alienatórios da história, ou seja, começamos o filme a olhar para a miséria em que vive Jamal mas acabamos de olhos postos na televisão, como convém.

Também desconfio das múltiplas sequências de perseguição que ocorrem nesses cenários de miséria. Talvez a intenção do realizador Danny Boyle tenha sido estabelecer um contraste com os filmes americanos em que são gastos milhões de dólares numa única cena de perseguição; mas para mim é porque não lhe interessa fixar o nosso olhar ali durante muito tempo; as ilusões de riqueza que promete a televisão são muito mais entusiasmantes.

As cenas com os polícias… São demasiado palermas. Jamal começa por ser torturado para revelar por que razão um «rafeiro» dos bairros de lata conhece as perguntas do concurso; acaba por contar a história da sua vida ao torturador, o que nos permite perceber que foram as suas vivências que lhe transmitiram as respostas certas; por fim, o mesmo polícia que lhe desferiu choques eléctricos no corpo é o mesmo que o liberta, convencido da sua inocência e até comovido com a história do rapaz. Um volte-face digno de um concurso, isto é, ao sabor do acaso, das conveniências do argumento e sem qualquer densidade psicológica.

E há uma cena do filme que reforça a minha ideia de chico-espertismo. Jamal, na pureza e doce ingenuidade que comoveu o seu carrasco, não vai ao concurso para ganhar dinheiro, como seria de esperar, mas para reencontrar o amor da sua vida – «Eu sabia que estarias a ver», diz a dada altura à rapariga dos seus sonhos, Latika. Em crianças, Jamal e o irmão, encantadores pequenos patifes, cúmplices na pobreza, viam-se a si próprios como «mosqueteiros». Quando conhecem Latika, o miúdo Jamal não tem qualquer dúvida de que é ela o terceiro mosqueteiro que ambos procuravam.

Quando na última (e tão conveniente!) pergunta do concurso se pergunta a Jamal pelo nome do terceiro mosqueteiro, ainda pensei que o rapaz, fiel aos seus propósitos, respondesse «Latika»: afinal ele acerta nas perguntas porque estas reflectem as grandes verdades da sua vida, é o próprio a dizê-lo no interrogatório.

Se Jamal tivesse respondido «Latika» – mesmo sabendo que a resposta estava errada e perderia o dinheiro – talvez até visse o filme com outros olhos e não o achasse tão artificial. Mas claro que a coerência poética de Jamal é sacrificada porque o público precisa de um vencedor para a explosão emocional do grande final: o rapaz responde ao calhas porque nem ele nem Latika conhecem a resposta, e vence o prémio. Fantástico concurso, trampa de filme!

39 comentários

  • 1
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    2 de Março de 2009 - 19:58 | Link permamente

    Já tinha impressão de que o filme não era grande coisa depois de ter visto a apresentação no 35 mm, os trailers e por fim as reviews no Público, e mais esta tua “modesta opinião” chegam para me fazer perder a vontade de sequer me lembrar de ver o filme…

    Já agora o Milk é sobre o quê? (Não estou com vontade de pesquisar :mrgreen: ) Tenho ouvido dizer boas coisas sobre esse.

  • 2
    Rui
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    2 de Março de 2009 - 21:13 | Link permamente

    Ó Marco, um spoiler alert no início do Post!!!!

    Estava a brincar, apesar de me ‘teres estragado o filme’ – ainda não o vi – gostei muito do post :mrgreen:

  • 3
    Dark Raider
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    2 de Março de 2009 - 21:51 | Link permamente

    Já tinha lido as críticas de Salman Rushdie a este filme. Fiquei de pé atrás, mas acabei por ir ao cinema ver o filme. Coisa rara, diga-se de passagem. Mas fiquei agradavelmente surpreendido, diria mais, para teu escândalo, eu gostei do filme. Não haverá por aí aquela “vontadezinha” de criticar Hollywood, só porque sim?
    Se Jamal respondesse «Latika» seria poético :P
    E sim, claro que não dá para comparar com Este País não é para Velhos.

  • 4
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    2 de Março de 2009 - 22:04 | Link permamente

    O Slumdog Millionaire é um feel good movie; acaba bem para agradar a todos. Não é um mau filme. No final ficamos contentes pelo rapaz ter ganho o concurso e os maus da fita acabarem menos bem.
    Na minha modesta opinião, o Milk deveria ter ganho o Óscar de melhor filme. É fantástico, com interpretações excelentes por parte de todos os actores. E, claro, sobre um homem igualmente fantástico. :D

  • 5
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    2 de Março de 2009 - 22:15 | Link permamente

    Epá, que mau feitio. Só posso comentar verdadeiramente este post depois de ver o filme. Está na minha lista. Mas vou-te dizer uma coisa: as vicissitudes de se viver numa vila alantejana fizeram com que na semana passada fosse ver o Austrália. Mas se o Slumdog Millionaire for pior que aquele monte de bosta, juro que rapo o escroto com uma lâmina Bic das amarelas (depois de reforçar a vacina do tétano, claro).

    Abraço.

  • 6
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    2 de Março de 2009 - 23:27 | Link permamente

    @ 8O
    como é que se diz em português “feel good movie”?
    Será “vai-ao-cinema-largar-o-teu-precioso-slumdog-money-e-divertir-te-,-não-penses-em-nada-porque-a-vida-são-dois-dias-e-o-carnaval-são-três-e-nós-não-andamos-cá-para-nos-preocuparmos-porque-para-tristezas-já-basta-a-vida”? :(
    Não gosto de “feel good movies”, aliás, eles make me puke porque me distraem da vida tal como ela é, e eu amo a vida de tal maneira que não suporto que me tentem fazer crer que ela é manipulável e vendível como uma barra de chocolate.
    Para mais, gosto que a vida seja difícil e haja obstáculos para superar. Não gosto que me digam que tudo está bem e acaba bem. Não é verdade. Não é assim. E para além do mais, só nas dificuldades é que se sente que a vida vale a pena ser vivida.

  • 7
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    2 de Março de 2009 - 23:50 | Link permamente

    Dark Raider, parabéns!
    Foste o primeiro a dizer que eu tinha uma “vontadezinha” de criticar Hollywood, só porque sim…

    Não serás o último a pensar assim, esse argumento tem alguns seguidores. Eu não penso pela minha própria cabeça nem justifico as minhas opiniões nos posts, não gosto porque não gosto, pronto :mrgreen:

  • 8
    Dark Raider
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    3 de Março de 2009 - 00:24 | Link permamente

    Marco,
    Eu acho que não me expliquei muito bem. Em momento algum eu quis dizer que não pensas pela própria cabeça, muito menos que não justificas as tuas opiniões. Muito longe disso, como bem sabes. O que eu gostava era de ver alguém dizer «não gosto porque sim» ou «não porque não». E tu és gajo para isso :wink:
    Eh pá, há dias em que me sinto mesmo assim, sem vontade de explicar o porquê, mas apenas dizer o que sinto…

  • 9
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    3 de Março de 2009 - 00:36 | Link permamente

    Dark Raider, talvez faça um «Não gosto porque não» quando escrever um post sobre a Dave Matthews Band… :twisted:

    Aí vou ser trucidado, vais ver :mrgreen:

  • 10
    Dark Raider
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    3 de Março de 2009 - 00:43 | Link permamente

    Eh eh! Promessas, só promessas…
    Estamos todos à espera para atirar a primeira pedra :-)

  • 11
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    3 de Março de 2009 - 10:08 | Link permamente

    Oh Marco, acho que estás a exagerar, pá!

    Concordo contigo quando pões em causa os critérios da academia, cuja coerência e consistência assemelham-se – num bom dia – à de um pudim desfeito à martelada. Neste momento já só me faltam ver o The Reader e aquela xaropada-de-três-horas-do-homem-que-fica-cada-vez-mais-novo para fazer o pleno dos filmes candidatos, e também não votaria no Slumdog para melhor – o Milk e o The Wrestler estão vários degraus acima. No entanto, discordo que o Slumdog seja a bosta de camelo a que te referes e pelas razões que mencionas. Se houve coisa que me surpreendeu ao ver o filme foi exactamente o facto de não ser tão feel-good-movie como pensei que fosse. Se alguém acha que as condições de vida miseráveis que nos são apresentadas, mais * SPOILER* a morte da mãe de Salim e Jamal à paulada por questões religiosas + cegar rapazinhos para se tornarem melhores mendigos + a violação (não explícita) de Latika por Salim + a morte deste enquanto o irmão ganha o concurso *FIM DE SPOILER* são elementos meramente decorativos, é porque a verdadeira alienação vem da consciência do espectador, que é como quem diz: só não vê quem não quer. O facto de ser uma história de amor mais ou menos taralhoca não invalida tudo o resto. Além disso, essa conversa da fuga à pobreza como desígnio social tem muito que se lhe diga. Não estou a ver aquela massa de gente favelada revestida de tal poder que lhe permitisse escapar à pobreza sem ser através de percursos individuais fora do normal, e quer queiras ou não, o filme mostra Salim e Jamal com a experiência de rua e de vida que os vai tirando aos poucos da miséria através de percursos que pouco devem à santidade ou ingenuidade – de outra forma duvido que o conseguissem.

    Concordo que o final não é propriamente imaginativo, mas está longe de definir o filme ou de atirar areia para os olhos do espectador – este não é meramente um sujeito passivo que se limita a absorver as imagens bombardeadas e o teu post, aliás, demonstra isso mesmo. Em minha opinião, Slumdog é um bom filme, só não é um filme excepcional.

    Se queres ficar com os pêlos eriçados e com aquela sensação de porque-é-que-esta-merda-não-ganhou-o-Oscar, vê os dois que mencionei, se é que não os viste já. E, já agora, acrescento também o Wall-e, obra-prima que tem sido subvalorizada por se tratar de um filme de animação. Tomara tantos filmes ditos sérios terem tanto para dizer sobre a economia e a ecologia como este – e sim, estou a falar a sério.

    De resto, desculpa-me o longuíssimo comentário e parabéns pelo teu blog, cuja qualidade – e independentemente das divergências, não confundir as coisas – é sempre de se louvar!

    PS: Dave Matthews Band nem para banda de casamento. :D

  • 12
    jamais
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    3 de Março de 2009 - 16:28 | Link permamente

    Jamal entrega-se ao esterco como nos entregamos a este filme. Ao contrário do que dizem, este filme denuncia a pobreza.

  • 13
    com Firefox 3.0.6 Firefox 3.0.6 em Mac OS X 10.5 Mac OS X 10.5
    3 de Março de 2009 - 17:26 | Link permamente

    Antes de mais nada, caguei para esse filme e ainda mais para os Oscars que não passam de um monte de esterco que põem as meninas todas com o pipi aos saltos para ver quem sairá vencedor.

    É uma cerimónia imbecil, desprovida de significado para mim e acho hilariante como a portuguesada toda fica acordada de noite para ver aquela trampa e depois gozam com o festival da canção.

    É a mesma coisa. Oscars e Festival da Canção. Bem espremido, é igual.

    Talvez os Oscars sejam piores ainda, porque são menos honestos e muito mais apalhaçados.

    Acredito firmemente e ninguém me demove, que se o Heath Ledger não tivesse morrido, nem nomeado seria. Estando morto, ganha um Oscar.

    Palhaçada.

    Finalmente, confesso-me perplexo com a história da comida indiana… Não percebi a analogia. É que agora ia mesmo bem um paneer naan e um par de chamuças, seguidos de um shaslik ou um jalfrezzi, bem regados com lassi… abriste-me o apetite!

  • 14
    kurtcobain
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    3 de Março de 2009 - 17:55 | Link permamente

    O Salman Rushdie diz que o filme está cheio de impossibilidades, mas ideia com que fiquei do filme, é de que ele vive constantemente entre a realidade e a fantasia, e é esse o objectivo do realizador. As ilusões de riqueza fazem parte dessa mesma fantasia, e realmente como disse o bernardo, chamar a este filme um feel good movie é ignorar o proprio filme. Morre a mãe, morre o irmão, aos putos com boa voz tiram-lhes a visão de uma forma bastante violenta, o Jamal é torturado, e no fim sobra apenas a ilusão de que o filme é um fell good movie.
    Ao jeito de um qualquer comentador de futebol, vou dizer que achei a primeira parte excelente e a segunda um pouco mais fraca. O final poderia ser outro, agora dizer que este filme é uma bosta é absurdo. E o policia fica convencido da sua inocência porque as historias que ele conta e que lhe permitem saber as respostas do concurso, falam de uma realidade que o policia conhece. Ele quando fala sobre um mafioso com muito poder e dinheiro na cidade onde vive, está a falar de alguém cuja policia tem necessariamente de conhecer.
    Começo a perceber pelos posts que ja vi aqui que o Marco é mesmo do contra.
    Se calhar devias ter visto o filme antes dele ganhar o Óscar, e nem sequer estou a dizer que o Óscar é merecido ou não, mas apesar de tudo é um bom filme.
    O outro filme que vi e que ganhou Óscar foi o the reader ,e acho um filme bastante bom e tambem considero mais que merecido o oscar para a Kate winslet.

  • 15
    com GranParadiso 3.0.8pre GranParadiso 3.0.8pre em Windows XP Windows XP
    3 de Março de 2009 - 18:04 | Link permamente

    KurtCobain, uma vez que fizeste o mesmo que eu em relação ao filme – argumentaste – isso faz de ti o quê, um gajo do «a favor»?

    Por que será que as pessoas têm tendência a desprezar as opiniões de quem não concordam com clichés do tipo «é do contra?»

  • 16
    com GranParadiso 3.0.8pre GranParadiso 3.0.8pre em Windows XP Windows XP
    3 de Março de 2009 - 18:22 | Link permamente

    @Bernardo Jardim, é sempre um prazer discordarmos e só é pena que não comentes mais. Gosto bastante da tua escrita.

    Quanto ao que disseste, eu tenho a certeza do que vi – eu não ponho em causa aquilo que o filme mostra, o que eu ponho em causa é o que o filme valoriza. Poderia perceber que o Danny Boyle tivesse intenção de mostrar a pobreza sem tornar o filme demasiado «pesado» – será por isso que filmou toda aquela miséria como se fosse um videoclip? Seja como for fazia-lhe bem ter visto com atenção o Cidade de Deus do Meirelles.
    O que eu não compreendo é que toda a narrativa do filme se desenvolva para glorificar um concurso de televisão. O filme parasita-se a si mesmo e acaba por explorar os mesmos sentimentos que esses concursos exploram. Tal como ficamos coma sensação de que os episódios da vida de Jamal foram fabricados em função das perguntas e eu preferia ver o filme e ter ficado com a sensação de que a autenticidade estava na vida de Jamal. Acredito que o filme falha redondamente e depois nos atira clichés à cara e que a própria miséria se transforma em mais um cliché. Que seria do «Quem Quer ser Milionário» se não fossem os pobrezinhos não é?

    Como disse no post, detesto a forma como a integridade de Jamal é sacrificada em nome dessa alienação a que o filme conduz. Ele deveria ter respondido Latika na última pergunta – e isso para mim seria dar um pouco da magia que tanta gente fala em relação ao filme. Assim seria coerente com as suas motivações, que são puras. Até as expressões do actor ajudam a transmitir essa imagem de pureza na forma como participa. Por que razão sacrificar isso? Porque se Jamal não ganhasse o mito da televisão como salvadora ficava a coxear.
    Portanto acaba por ganhar por acaso, ou seja, o realizador substitui a sua integridade enquanto personagem pelo factor sorte de um mero participante de concurso. Não pega, sinceramente não pega.

    Outra coisa, agora não para ti directamente: eu não embirro com o filme por causa de ter ganho os óscares. Só diz isto quem se recusa a analisar as minhas razões. Boas ou más, eu tenho-as e são essas que submeto à discussão.

    Um abraço!

  • 17
    com GranParadiso 3.0.8pre GranParadiso 3.0.8pre em Windows XP Windows XP
    3 de Março de 2009 - 18:35 | Link permamente

    E o policia fica convencido da sua inocência porque as historias que ele conta e que lhe permitem saber as respostas do concurso, falam de uma realidade que o policia conhece. Ele quando fala sobre um mafioso com muito poder e dinheiro na cidade onde vive, está a falar de alguém cuja policia tem necessariamente de conhecer.

    KurtCobain, desculpa lá. O polícia começa a dar-lhe choques eléctricos para que ele confesse que fez batota porque esse polícia acha que não é possível que um rafeiro, um slumdog, dos bairros de lata possa ter conhecimento das respostas.

    E tu achas coerente que um filho da puta desses se comova depois de ouvir a história? Mas isso faz algum sentido? Então se ele já conhecia as condições de vida dessas pessoas porque razão é tão filho da puta a ponto de as torturar? Não achas que há aqui qq coisa que não bate certo? Já pensaste sobre isso?

    Sabes o que é que esse tipo de personagens são e para que servem? São âncoras do espectador. Não são personagens, são projecções. Começam descrentes e acabam «convertidos» à causa de Jamal porque é esse o percurso emocional que o filme pede que o espectador também faça. Isso não é arte, é TRUQUE. E é nojento que façam isso com um gajo que tortura e que fica lixado cpom eventuais abusos do seu cão-de-fila porque depois o vão chatear com essas merdas dos direitos humanos. E queres que eu acredite que esse gajo depois se comove? FANTOCHADA!

  • 18
    com Firefox 3.0.6 Firefox 3.0.6 em Windows XP Windows XP
    3 de Março de 2009 - 19:34 | Link permamente

    Oh Marco, não me digas que não gostaste daquele final fantástico à la Bollywood? :mrgreen:

    Pões o dedo na ferida, destróis um romance tão bem engendrado e deixas à toa o pessoal que acreditou que o mundo real é assim, como no filme. Ou que bastam algumas cenas de violência para deixar de ser um feel good movie.

    Com isto tudo, já concordo com o pedrocs…

    É que agora ia mesmo bem um paneer naan e um par de chamuças, seguidos de um shaslik ou um jalfrezzi, bem regados com lassi… abriste-me o apetite!

    • 19
      com GranParadiso 3.0.8pre GranParadiso 3.0.8pre em Windows XP Windows XP
      3 de Março de 2009 - 19:56 | Link permamente

      Q, mais uma referência aos gostos culinários do pedrocs e vomito aqui mesmo na caixa de comentários. Depois não se queixem! :mrgreen:

  • 20
    kurtcobain
    com Firefox 3.0.6 Firefox 3.0.6 em Windows XP Windows XP
    3 de Março de 2009 - 20:24 | Link permamente

    Marco, o policia nunca fica comovido pela historia de vida do Jamal. Ele conhece-a mesmo antes de o conhecer, e ignora-a da mesma forma que não quer saber dele para nada, é apenas mais um cão rafeiro. No entanto ele sabe que ele não está a inventar aquilo, pelo menos tudo aquilo que diz.
    E tu estás a criticar o filme por causa do seu final? Eu também acho que o final nao foi o melhor, mas nao é por causa do final, que ele passa ser um daqueles filmes para adolescentes.
    E o concurso é apenas uma forma de contar a historia, talvez se ele tivesse perdido, nada do que dizes faria sentido, mas o facto de ele ganhar não vem de forma alguma atirar clichés para a cara, e essa do “Que seria do «Quem Quer ser Milionário» se não fossem os pobrezinhos não é? “acho tão absurda que nem vou comentar, nunca o filme teve esse objectivo.
    Eu disse que és do contra, pelo facto de te colocares sempre do lado da minoria nos últimos posts em que te referes a algum assunto badalado nos jornais.

    E já agora para o Q ou a Q: não me venhas dar lições de moral, nem dizer o que é que é bom cinema. Como disse antes, o filme vive entre a fantasia e a realidade, e não há duvida que há muito de realidade na infância das personagens , muito por culpa de terem colocado a representar essas personagens, crianças dos bairros que o filme retrata, assim como fizeram no cidade de deus.

    “Pões o dedo na ferida, destróis um romance tão bem engendrado e deixas à toa o pessoal que acreditou que o mundo real é assim, como no filme”

    Pois, é o teu herói. E isto não é nada contra o Marco, mas simplesmente acho piada quando as pessoas se põem atrás dos outros a dizer: muito bem, tu é que tens razão. Parece que estamos no parlamento.
    Q não sei se sabes mas nem todos os filmes tentam mostrar o mundo real, e há alguns que o mostram mas de outra perspectiva, e se calhar até conheces pouco deste realizador.
    Mas se quiseres ser tu própio(a) falar de cinema. Fico à espera

  • 21
    com Firefox 3.0.6 Firefox 3.0.6 em Mac OS X 10.4 Mac OS X 10.4
    3 de Março de 2009 - 22:19 | Link permamente

    @ kurtcobain

    mas afinal o polícia conhece a história do vira-lata ou não? fiquei sem perceber…
    o que se vê é que 1º: eles espancam o miúdo porque não acreditam que ele possa saber as respostas. Por que é que o espancam é coisa que nunca chegamos a perceber (violência gratuita apenas para fazer um bom corte com flashes para a acção narrativa), tal como, 2º: nunca percebemos por que é que ele deixa de ser espancado. Talvez se tenham comovido? Não sei. O que me pareceu é que a mudança de atitude se deve a uma simples necessidade: fazer avançar a narrativa da história. Quando deixaram de precisar das chapadas interessaram-se pela história.
    E é aqui que o filme perde densidade e se transforma num exercício. Para os argumentistas é mais importante contar a história através da ideia das respostas ao concurso e conseguir chegar ao fim com possibilidade de dizer “it is written” do que criar um filme que queira dizer alguma coisa do princípio ao fim.
    Se calhar o “it is written” queira dizer “it is written” no argumento 8O , o que, nesse caso, só confirma a minha opinião de que a boa ideia para contar a história só se baseia num punhado de perguntas e respostas pouco credíveis.
    Depois, o modo como as outras personagens evoluem é chico-esperto e sofre do mesmo problema. Seja o irmão, seja a latika, seja o gangster (que pede uma sandes apenas para depois poder despedir o Jamal de casa porque ele não sabe fazer sandes, que parvoíce essa cena!), mudam de atitudes só para se conformarem às necessidades da história. Quando vi o filme nunca senti que as personagens tivessem vida própria e me pudessem fazer acreditar nos seus problemas. E entre estas incongruências e saltos psicológicos de papelão o que fica no ar é uma superficialidade que deixa entrever apenas as razões que terão levado o realizador a entrecortar os episódios com inúmeras perseguições hollywoodescas (que, caso não saibas, são uma das técnicas usadas para conferir movimento e acção a um filme).
    Já para não falar na cena final em que ela corre para o telemóvel e o atende in extremis apenas para dizer que não sabe a resposta, mas que raio? então para que é que atende? porque raio é que ela sai do carro e se põe a ver o programa no meio da rua? por que é que…? não sei, são muitas perguntas que têm quanto a mim apenas uma razão: fazer com que o filme se mantenha agarrado à história das perguntas e respostas do concurso. Apenas isso. E repito: é uma boa ideia, só que muito estupidamente trabalhada – ou seja, trabalhada à la Hollywood da pior espécie.
    No fim de tudo, quando o filme acabou eu fiquei a pensar: para que é que se faz um filme destes? e vieram-me algumas respostas à cabeça:
    a) Hollywood anda à procura dos milhões de Bollywood (há alguns anos que lhes piscam o olho), em Inglaterra o Andrew Lloyd Weber musicou Bombay Dreams há uns anos em que a história era a realização de um filme no meio dos bairros de lata da Índia.
    b) O realizador quis mostrar a indigência em que vivem milhões de pessoas na Índia.
    c) O Danny Boyle gosta de comida indiana e foi uma maneira de homenagear a gastronomia do país.
    d) Os produtores deslumbraram-se com uma boa ideia para fazer um filme em Hollywood e o realizador não teve unhas nem arte para o fazer bem.
    e) Mostrar que até os vira-latas podem ser milionários se forem órfãos e estiverem apaixonados.
    f) O Danny Boyle queria passar uns tempos na Índia a fazer um filme.
    g) Denunciar a corrupção e maldade especiais dos gangsters indianos.
    h) Contar uma história não dizendo nada.
    i) Mostrar que a ignorância é felicidade (aforismo muito apreciado na Inglaterra).
    j) Nenhuma das acima mencionadas respostas.
    k) Todas as respostas.
    l) It is written.

    Escolhe a resposta mais apropriada. 8)

    • 22
      com GranParadiso 3.0.8pre GranParadiso 3.0.8pre em Windows XP Windows XP
      3 de Março de 2009 - 23:52 | Link permamente

      @Pedro Eu escolho a última, de caras! :mrgreen:

  • 23
    com Firefox 3.0.6 Firefox 3.0.6 em Windows XP Windows XP
    3 de Março de 2009 - 22:20 | Link permamente

    As pessoas (no geral?), são fanáticas de unanimidade.

    Que bom que é ser unânime. Funciona assim: o Sócrates é mentiroso, a TVI é rafeira, sushi é o que se deve comer, os filmes dos Oscars são bons, o Twitter é o que está a dar e os U2 são a maior banda do mundo.

    Pronto. Desde que concordemos com isto, estamos bem, não é? E se vem um gajo que não concorda? Se o sacana desestabiliza isto tudo?

    É do contra.

    ps: Marco, um chicken chili bem temperadinho, hummmmm. :-)

  • 24
    joaot
    com Firefox 3.0.6 Firefox 3.0.6 em Windows XP Windows XP
    3 de Março de 2009 - 23:10 | Link permamente

    a partir do momento em que se começam a questionar nos filmes esse tipo de aspectos de credibilidade e afins então algo vai muito mal…se formos por esse caminho nenhum filme alguma vez feito tem sentido ou fará alguma vez sentido, exemplos: condenados shawshank, pura fantochada, o protagonista nunca conseguiria ter feito o túnel sem ser descoberto; senhor dos anéis, outra porcaria, não existem orcs, nem mágicos nem coisa que o valha…; enfim, e a lista podia continuar e continuar…acho que não vale a pena vermos um filme com essa mentalidade, assim nunca conseguiremos aproveitar o melhor dele, à que ter mente aberta, e para mim “slumdog” é um grande filme pois cumpre o principal objectivo de um filme (entreter) e de uma forma que toca no intimo das pessoas…

    se querem filmes que retratem a realidade, filmes credíveis a 100 %, pois eu acho que assim não se safam, mas existe uma coisa chamada DOCUMENTÁRIOS, aconselho a essas pessoas.

    e só para que conste, não sou cinéfilo nem critico de cinema, simplesmente gosto de ver bons filmes que para mim o são, é claro.

  • 25
    kurtcobain
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    4 de Março de 2009 - 00:46 | Link permamente

    Pedro eu compreendo o que tu dizes, mas tu estás a falar no modo como as cenas se passam de forma a poder continuar com o argumento, e isso é usado em todos os filmes, e não sei o porquê disso não pode ser utilizado para contar uma boa historia.
    O concurso parece-me uma boa ideia para contar essa historia, porque acaba por haver uma ligação entre ambos. e já tou farto da falta de originalidade de grande parte do cinema, e sinceramente este filme pareceu-me original. Embora sinta que o final foi um pouco fraco , sem originalidade nenhuma, e que o filme a dada altura se perde.
    No entanto penso que não deixa de ser um bom filme, mas são opiniões.

    pedrocs eu acho engraçado o teu comentário, sobretudo pelo facto de tu concordares com tudo o que o Marco diz.
    mas eu vou acreditar que tens espírito critico, e que também crias as tuas próprias opiniões.
    Infelizmente em todos os teus comentários feitos aqui e que eu tenha visto, isso nunca aconteceu. Fico à espera de para a próxima não saber a tua opinião, ao ver um post do Marco

  • 26
    com Firefox 3.0.6 Firefox 3.0.6 em Windows XP Windows XP
    4 de Março de 2009 - 01:02 | Link permamente

    KurtCobain, é um bocado chato acusares as pessoas que concordam comigo de falta de personalidade. Fizeste isso com a Q, agora é com o pedrocs. Tem calma… As pessoas têm de ter a liberdade de concordar e discordar, não é?

    A Q não comenta muito, mas em relação ao pedrocs podia dizer-te dois ou três posts onde discordámos bastante… Assim de memória, sem pesquisar, estou a lembrar-me do post sobre o assalto no BES. Isso até um bocado picardia da tua parte porque o pedrocs é um gajo sem papas na língua… Aliás, agora que penso nisso muita gente não concordou nada comigo, n foi só o pedro.

    É verdade, curiosamente nesse post tb fui acusado de «ser do contra porque sim»… Enfim…

  • 27
    kurtcobain
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    4 de Março de 2009 - 01:38 | Link permamente

    Marco, fui criticado indirectamente duas vezes e respondi.
    Eu acho que toda as pessoas têm liberdade de concordar ou discordar. Simplesmente eu disse que tu pareces ser do contra, tendo em conta os teus posts irem normalmente na direcção de uma minoria. Espero que não tenhas ficado ofendido por isso, isso sim seria ridículo, e eu até já fui muitas vezes acusado do mesmo (não aqui).
    Quanto ao que a Q e o Pedrocs disse, sinceramente não gostei, e se acontecesse o mesmo contigo penso que também não irias gostar. Eles foram os únicos a não aceitar o facto de eu discordar contigo, e ainda para mais com lições de moral.
    Eu apesar de discordar da tua opinião neste post, consigo por-me no teu lado e ver as coisas pela tua perspectiva e em certos aspectos até te dou alguma razão, acho estranho é quando as pessoas se põe completamente de um dos lados, e olham para o outro com a superioridade, de quem tem a toda razão e toda a sabedoria.
    A Q ainda está para me dizer, o que é o mundo real, que ao que parece ela conhece muito tempo.
    Eu compreendo que sobretudo para ti é um pouco chato eu ter dito o que disse sobre o pedrocs e a Q, mas ao menos espero que tu compreendas o porquê de eu o ter feito

  • 28
    Dark Raider
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    4 de Março de 2009 - 01:45 | Link permamente

    @Marco,
    neste post quem falou do «sim, porque sim» e do «não, porque não» fui eu. Não no sentido que podemos ser o dono da verdade absoluta e inquestionável. O sentido que eu pretendi passar (e que não vou conseguir…) foi unicamente que por vezes há momentos que sabe bem dizê-lo :twisted:
    @KurtCobain,
    que mau feitio pá! :wink: Por acaso se procurares um bocadinho aqui na tasca encontras rapidamente comentários do pedrocs a discordar de muita gente.

  • 29
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    4 de Março de 2009 - 08:53 | Link permamente

    Mas porque é que a malta fica tão eriçada quando há quem discorde da sua opinião? O mundo seria bem mais interessante se todos concordássemos e estivéssemos para aqui a coçar a micose, numa alegre tertúlia, a dizer ámen eu também concordo consigo, que bonito estarmos todos de acordo? Haja paciência.

    O Marco ser meu herói? Eh pa, por acaso até nem é… mas e se fosse, qual era o problema? Ou estava a ser do contra, simplesmente porque não é o teu herói? Se gostasses muito do Marco, será que ele já podia ser o meu herói também? Ou havias de o querer só para ti? Isto começa a tornar-se um bocado infantil. Ainda nem o Marco tinha visto o filme e já eu tinha expressado a minha opinião no meu blog.

    Lições de moral? Eu achei graça ao filme: é um filme para acompanhar com pipocas e, de vez em quando, também os vejo. Não há mal nenhum nisso. Mas daí até considerar uma obra-prima vai uma longa distância.

    É um filme comercial, que sem a história de amor não seria tão aclamado. Tem um pouco de tudo para agradar às massas: perseguições, miséria nos bairros de lata, violência policial e religiosa (que a nós talvez nos passe despercebido, porque são todos indianos, mas na prática os hindus são os maus porque mataram da mãe de Jamal), e só nos faltou a violência sexual infantil, com um dos mafiosos a abusar dos rapazinhos. Andou lá perto, com a tentativa de venda de Latika virgem. Mas nesse caso, o prisma é diferente: o objectivo é fazer dinheiro.

    O povo gosta de acreditar que, apesar de todas as adversidades da vida, existem seres que são capazes de serem mais fortes e continuar a acreditar nalguns valores máximos como o amor e a honestidade. Jamal é assim. O seu irmão é a antítese. Por isso morre, minutos depois de se mostrar arrependido ao ajudar Latika, o amor da vida de Jamal, a fugir das garras do mafioso que controla a região. E o amor vence.

    Estará escrito? Conseguirá um ser humano não ser afectado pelas injustiças que o rodeiam? Ou ainda melhor, as injustiças é que o tornam bilionário? E ainda por cima ainda fica com a miúda? Isto é vida real? Tenham dó.

    @kurtcobain
    Só um esclarecimento: eu sei que a foto é pequena e não se percebe bem, mas podes dirigir-te a mim no feminino. É que continuar indefinido(a) e dizeres que me ponho atrás do Marco, poderá ser mal interpretado… :mrgreen:

  • 30
    com Firefox 3.0.6 Firefox 3.0.6 em Windows XP Windows XP
    4 de Março de 2009 - 10:59 | Link permamente

    @Q
    Se o KurtCobain fosse uma gaja ia sentir-me bem aconchegadinho, agora…

    Estou só na brincadeira… :wink:

  • 31
    kurtcobain
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    4 de Março de 2009 - 12:21 | Link permamente

    Q, só te faço uma pergunta.
    Gostaste da realidade do filme blindness baseado no livro ensaio sobre a cegueira? ou preferiste a realidade do livro?

    Felizmente há sempre intelectuais prontos a elucidar o povo.
    Obrigado Q. Amo-te.

    E já agora gostava de perguntar se também achas cidade de deus um filme comercial? com as perseguições, miséria nos bairros de lata, violência policial e religiosa.

    Marco se o kurt cobain fosse uma gaja, quem olharia nos olhos o homem que vendeu o mundo? o Bowie? não me parece

  • 32
    com Firefox 3.0.6 Firefox 3.0.6 em Windows XP Windows XP
    4 de Março de 2009 - 13:37 | Link permamente

    Kurt, depois de tamanha declaração de amor, permites-me que te trate assim? Eu também já te amei em tempos, quando tinha uns 13 ou 14 anos, mas entretanto já me passou. Agora oiço música para intelectuais.

    Como sou comprometida – e fiel – não posso embarcar noutro tipo de relacionamentos.

    Mas foi bom conversar contigo. 8)

    PS: Prefiro o ensaio sobre a lucidez, pode ser? Ou também não?

  • 33
    com Firefox 3.0.6 Firefox 3.0.6 em Mac OS X 10.5 Mac OS X 10.5
    4 de Março de 2009 - 13:54 | Link permamente

    @kurtcobain, agora sim, dirijo-me a ti. Não serás um pouco paranóico? Os meus comentários não te foram dirigidos.

    Eu fiz comentários genéricos que representam a minha opinião sobre a validade de discutir filmes e também sobre a classificação de uma pessoa como sendo “do contra”. Não tem necessariamente a ver contigo, nem sei se foste tu que chamaste o Marco de “do contra”, o que sei é que leio o Bitaites e já vi chamarem isso ao Marco inúmeras vezes.

    Quase sempre, quando ele diverge, em opinião, daquilo que as pessoas parecem querer tomar como unânime.

    Por outro lado, a tua indicação de que eu sou algum lambe-botas do Marco, ou um yesman – que vai ao ponto de já ter tido comentários no MEU blog a acusar-me de tal (de um anónimo cobardolas qualquer), deixa-me explicar-te:

    a) Não é verdade que concorde sempre com o Marco. Tal como ele próprio disse, no caso do BES discordámos e chegou a acontecer ele dizer aqui coisas sobre a Madre Teresa que me levaram a escrever um post, de tal maneira discordei com ele.

    b) Eu leio o Bitaites porque GOSTO. Se não gostasse do Bitaites, do Marco ou do que ele escreve… não perdia o meu tempo.

    c) Eu não sei quem tu és, não te conheço, não penso em ti. Acredita, não me lembro de ti e se já trocámos comentários e se achas que eu venho aqui comentar contra ti, esquece – não é verdade. Tenho pouca memória para nomes e pessoas e nicknames então, nem imaginas!

    O que escrevi é a minha opinião sobre discussões sobre cinema, hollywood, os oscars e as pessoas que são criticadas por pensarem de forma diferente ao vigente. Tout court.

  • 34
    kurtcobain
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    4 de Março de 2009 - 15:22 | Link permamente

    Ok pedrocs, na boa. foi só um mal entendido e nem sequer me leves a serio porque eu não o mereço.

    Q nao vejas no meu nick a minha personalidade porque não a vais encontrar, e embora goste de nirvana, já há muito tempo que não ouço(mas ainda não sou intelectual). quanto ao facto de ouvires musica para intelectuais acho um pouco estranho. Ouves porque é musica para intelectuais? ou é musica para intelectuais porque tu a ouves? essa da musica para intelectuais é um pouco como aquela do humor inteligente, não faço a mínima ideia do que é que isso significa, deve ser um novo estilo artístico.
    Por acaso é pena já te encontrares comprometida mas sabes que os intelectuais têm normalmente dificuldade em manter uma relação estável. Fico na esperança que essa do intelectual não seja só mesmo o que parece, arrogância.
    Xau e bjs princesa.
    E não me trates por kurt, trata-me por K. É que eu também quero ser intelectual.

  • 35
    ZeGuimaraes
    com Firefox 3.0.6 Firefox 3.0.6 em Windows XP Windows XP
    4 de Março de 2009 - 16:41 | Link permamente

    O pá, obrigaste me a registar só para dizer isto:

    Um SPOILER ALERT!!! no inicio do post não custava nada :evil:

  • 36
    com Firefox 3.0.6 Firefox 3.0.6 em Windows XP Windows XP
    5 de Março de 2009 - 15:46 | Link permamente

    esta conversa que decorreu por aqui é muy mais interessante que a porcaria do filme.

    :lol:

  • 37
    com GranParadiso 3.0.8pre GranParadiso 3.0.8pre em Windows XP Windows XP
    5 de Março de 2009 - 16:02 | Link permamente

    Pá, ó Pedro, para ver fantochadas prefiro filmes com zombies – os do [REC], por exemplo, são uma maravilha – já viste? zombies espanhóis ao poder, digo eu! E eu a pensar que não havia filme de zombies mais fixe que o Planeta Terror… :mrgreen:

    Isto só para dizer que entre zombies a fazer de pessoas e pessoas a fazer de zombies prefiro estas últimas… São muito, muito mais divertidas.

  • 38
    com Firefox 3.0.7 Firefox 3.0.7 em Windows Vista Windows Vista
    8 de Março de 2009 - 18:01 | Link permamente

    Para além das plausibilidades desta história (que é baseada num conto de um autor indiano), ou até da história de um qualquer filme (mesmo que ao estilo neo-realista), o cinema não se faz apenas de argumento. Faz-se de imagens, de banda sonora, interpretações, montagem e muito mais. “Quem quer ser bilionário?” quer passar uma mensagem? Pois bem, que a passe. Mas não se reduz a isso. É improvável? Claro que sim. As fábulas também. E ainda hoje continuam a encantar as crianças. Ou não?

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