

Nada como uma feliz coincidência para resumir uma noite de Óscar: o tantíssimo Avatar, de James Cameron, perdeu para Estado de Guerra, filme independente de baixo orçamento realizado pela ex-mulher, Kathryn Bigelow.
A foto da esquerda alastrou à velocidade da luz, por razões óbvias: Cameron, à maneira de um Exterminador Implacável, parece querer apertar o pescoço à ex-mulher que o derrotou no Óscar – contudo, em nenhum lado se disse que o fotógrafo Mark J. Terrill captou este momento em Los Angeles antes da cerimónia e não depois. Uma pequena omissão que ajuda a dar mais força dramática à foto e, já agora, a tirar mais sentido de uma longa e previsível cerimónia. A foto à direita, de Gabriel Bouys, já nos mostra Cameron abraçando Bigelow.
A Academia já deu o Óscar de Melhor Filme a Rocky (preferindo-o a Taxi Driver, de Martin Scorcese). Stanley Kubrick nunca ganhou um Óscar de Melhor Realizador ou Melhor Filme, embora tenha ganho o dos Efeitos Especiais com 2001: Odisseia no Espaço (obrigado, Mestre Slip!). Perante estes dois exemplos, fazia sentido esperar que Avatar tivesse o destino de Titanic: afundar a cerimónia em mediocridade.
Avatar perdeu, Estado de Guerra ganhou. Dos filmes nomeados, só vi Inglourious Basterds, o melhor filme de Tarantino desde Pulp Fiction, e Up – Altamente. Sobre o Inglourious Basterds ainda quero escrever um post, mal tenha disposição; sobre o filme de animação da Pixar – também feito em 3D e com muitos computadores – só me apetece dizer o seguinte: dois minutos de Up são mais autênticos, imaginativos, emocionantes e humanos do que duas horas de Avatar.































19 comentários
Ora toma e embrulha. Marco, obrigado por esse importante esclarecimento pois eu julguei que teria sido tirada no final da cerimónia, sendo um gesto ou brincadeira fácil de compreender pela distribuição que foi feita dos Óscares.
Eu não quero estar a bater na mesma tecla, mas aquilo que dizes sobre dois minutos do Up, também eu aplicaria ao “Estado de Guerra”. E quem achar que eu possa estar a ser injusto com este filme, eu faço o convite a verem o “A Batalha de Haditha”, esse sim, um grande retrato da guerra no Iraque.
epá, eu o taxi driver só vi um bocadinho do inicio. Já o Rocky é o meu filme preferido. mas isso sou eu. Pá, acho que o filme mereceria um oscar, em que altura fosse. Acrescentando que o Stalllone é o meu actor de culto tambem. Já disse tudo.
PS: Já há uns anos que acompanho o blog, mas nunca comentei, pá, Bom Trabalho!
ui Marco, o que foste dizer, a legião pró-Avatar vai fazer as malas do outro post para cair agora em cima deste.
Por acaso diz, e foi lá que primeiramente tomei conhecimento da foto/momento: http://bit.ly/c8gYa0 mais pró meio!
O Avatar foi exterminado
nem Hitchcock…
Marco, desculpa já a habitual pintelhice, mas Kubrick ganhou sim, um Óscar. E foi com o 2001: Odisseia no Espaço. Acho que foi pelos efeitos especiais. Não tenho a certeza. Mas ganhou x)
Tal e qual como tu, também vi apenas esses dois filmes. Adorei a obra do Tarantino. Mesmo. Quanto ao UP, epá, deixou um vazio, e o filme cansou-me. Algo mau, a meu ver, num filme de animação. Apenas o cão falante me divertiu. Fora isso, um grande bocejo!
O Avatar, bem, ainda não vi. Mas pelo que já vi por aí, é mais um caso de revelação, “não dos gostos, mas da cultura do povo”, tal como dizia Valete.
E a cerimónia, há muito que não lhes ligo como ligava. Gosto mais de ver os vencedores. Dá sempre, ou num caso, ou noutro, para rir a bandeiras despregadas.
@Mestre Slip, é verdade. Esta ‘Bíblia’ do Cinema não engana
Sim, mas no contexto do post referia-me ao óscar de melhor realizador e melhor filme. Vou emendar o post para ficar mais clarinho.
Vais-me bater, eu sei. E peço já desculpa! Mas o Óscar era na categoria de Efeitos EspEciais!
Isso é sono meu caro.
Ok, agora prometo que fico de biquinho bem fechado.
Um abraço Marco
LOL. Efeitos espaciais até fica bem para o 2001!
Corrigido!
Por acaso diz, Marco.
Na legenda da foto
Abraço
Eu referia-me aos sites portugueses.
Já tinha visto o “Avatar” no cinema e o “Inglorious Bastards” também, bem como o “Up” e outros.
Vi o “Estado de Guerra” na segunda-feira.
Pessoalmente adorei os 4 filmes que refiro. “Avatar” é, na minha opinião, muito bom. O Up é um excelente filme de animação com uma mensagem bonita. O “Inglorious Bastards” é, na minha opinião, o melhor dos filmes que referi.
Não digo que o “Estado de Guerra” não seja bom, muito pelo contrário. O filme é excelente, tem pormenores espectaculares mas… Não é o melhor… Falta ali algo para ser O filme de 2009.
A minha frase no final do filme foi “Não foi feito nada melhor que este filme em 2009?”.
De qualquer forma, o prémio para melhor realizador penso que foi muito bem atribuído, pelos tais pormenores que refiro. O melhor filme, na minha opinião, era o “Inglorious Bastards”.
Cumps,
Pedro Silva
Bom quanto à cerimónia em si foi bastante medíocre, já não é o mesmo de há vários anos atrás onde surpresa atrás de surpresa nos ia prendendo ao pequeno ecrâ. No inicio pensei até que seria o divertidíssimo Neil Patrick Harris a fazer as hostes, mas enganei-me com grande tristeza minha.
Quanto aos vencedores da noite, penso que Avatar levou as estatuetas merecidas, ainda não vi o “UP” nem “The Hurt Locker” mas de qualquer forma a minha opinião é que a estatueta de melhor realizador deveria ter ido para o Quentin Tarantino. O gajo além de ter uma pinta fenomenal, sabe-o demonstrar através das suas histórias(Pulp Fiction, Jackie Brown), das câmaras e principalmente dos actores.
Clap, Clap, Clap!
Este último parágrafo diz tudo.
Concordo em absoluto com o que dizes. Muito bom.
Nuno Vale:
Pinta fenomenal, o Tarentino?? Desculpa, mas não acho nada. O fulano até dava para fazer um filme do Frankenstein e nem precisava de caracterização. Agora como realizador, cinco estrelas, muito louco e muito à frente.
Maria:
Pelo menos eu gosto dele
são gostos, e não se discutem. É maluco à sua maneira e traz muita vivacidade ao cinema de hoje em dia, tal como o Tim Burton e mesmo o Cameron. Através de efeitos especiais, pontos de vista pessoais, excentricidade, cada realizador partilha o seu forte, a sua paixão com a audiência. Dúvido que o cinema tivesse tantos adeptos e amantes se apenas um realizador andasse por aí
Vestrum, Nuno Vale.
Avatar não perdeu mas ganhou ainda mais projeção com os resultados da nomeação dos Óscares.
Se Avatar ainda não é mito é já mitologia. Proeza devida, quer às técnicas 3D quer e ,sobretudo, quer por saber se assumir como um palimpseste da história do cinema.
Avatar é um filme que encerra , em si próprio , as contradicções do mundo ocidental . Desde a referência à concepção do amor burguês e indo até à revendicação do direito à existência das minorias …
Talvez não seja um acaso se os manifestantes Palestinianos já manifestam disfraçados em navi. O que é cada vez mais questionante é pensar se Cameron ainda é dono da sua obra
Nuno