
Depois da guerra civil, em Moçambique, milhares de armas – incluindo as famosas AK-47 – foram aproveitadas para fazer objectos de arte e de uso comum, um projecto do Conselho Cristão que ainda hoje se mantém. A ideia surgiu na provÃncia de Nampula, ainda a guerra não tinha acabado, e reuniu até agora cerca de 800 mil artefactos de guerra. A guerra civil durou de 1977 a 1992.
Quando as armas começaram a ser recolhidas, D. Dinis Sengulane, bispo da Igreja Anglicana de Moçambique, elaborou um plano em quatro fases: receber a arma, inutilizá-la, entregar em troca um instrumento de produção (uma charrua, uma bicicleta ou uma máquina de costura) e usar o metal da arma para fazer enxadas.
«A nossa indústria não tem capacidade para derreter o metal de que a arma é feita, por isso falámos com os artistas: vocês que têm sido tão bons em glorificar a guerra, é só ver os monumentos que temos, os heróis, vamos lá glorificar a paz, fazer alguma coisa que não inspire violência nem guerra».
Diz o bispo que os artistas «ficaram encantados» com o projecto. Pegaram nas armas e «foram fazendo mesas, candeeiros, charruas, pessoas a dançar, cruzes, cadeiras, até uma árvore». [A partir de um texto do jornalista Fernando Peixeiro, da Agência Lusa. Fotos: António Silva]































4 comentários
Uau, é muito à frente isto!
PS: Hoje faz anos o sr. Kalashnikov, o inventor da AK-47, a melhor arma do mundo.
Boa dica, Maldonado. Não sabia.
Não sabia que o mestre Kalashnikov partilhava o aniversário com a Rua Sésamo. x)
Compatibilidade absoluta, portanto.