
Um casal entre centenas de corpos na morgue de Port-au-Prince. Foto: AP/Gregory Bull

Virginia Cary, uma americana de 81 anos, confortada por elementos das equipas de socorro enquanto espera pela oportunidade de regressar aos Estados Unidos. Foto:AP/Lynne Sladky

Centenas procuraram refúgio no parque de estacionamento do hotel Villa Creole. Foto: EPA/Orlando Barria

O tecto da Catedral de Port-au-Prince. Foto: AP/Gregory Bull

Rapariga haitiana entre os destroços de uma casa em Port-au-Prince. Foto: EPA/Orlando Barria
«(…) Hoje, dia 13 de janeiro, o povo haitiano está se perguntando mais do que nunca: onde está a Minustah [Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti] quando precisamos dela?
Posso responder a esta pergunta: a Minustah está removendo os escombros dos hotéis de luxo onde se hospedavam ricos hóspedes estrangeiros. Longe de mim ser contra qualquer medida nesse sentido, mesmo porque, por sermos estrangeiros e brancos, também poderÃamos necessitar de qualquer apoio que pudesse vir da Minustah.
A realidade, no entanto, já nos mostra o desfecho dessa tragédia – o povo haitiano será o último a ser atendido, e se possÃvel. O que vimos pela cidade hoje e o que ouvimos dos haitianos é: estamos abandonados. A polÃcia haitiana, frágil e pequena, já está cumprindo muito bem seu papel – resguardar supermercados destruÃdos de uma população pobre e faminta. Como de praxe, colocando a propriedade na frente da humanidade. (…)»
- Otávio Calegari Jorge, Haiti: Estamos abandonados































10 comentários
Marco, o abandono do haiti não é de agora. Foi sempre uma nação esquecida. Não têm petróleo, não têm nada absolutamente, em termos económicos, de interesse. E agora as grandes nações só dizem ajudar e auxiliar, porque o terramoto está no mainstream… quando toda a gente se esquecer, a miséria vai continuar.
Marco,
ouvi à pouco que a ONU confirmou a morte de 100 dos seus funcionários, e que outros 50 estariam desaparecidos. A sede da ONU ficou arrasada e os 50 em falta, segundo percebi, estariam num desses hóteis de ‘luxo’ que são mencionados nesse relato.
Quando eu escrevi este texto Há sorrisos que não se podem perder, foi lá comentar um soldado brasileiro que, segundo percebi, terá estado em missão no Haiti. Ele dizia isto «Sabe eu realmente acredito naquilo que faço, se não acreditasse nada adiantaria. E como você disse quando uma senhora do interior do amazonas nos diz obrigado porque levamos o remédio até ela ou uma criança sorri para nós quando entregamos parte de nossa ração operacional para ela no Haiti, realmente não existe sensação melhor.». Nesta tragédia morreram pelo menos 11 soldados brasileiros em missão no Haiti pela ONU, da Minustah.
Não sei por isso se a Minustah estará apenas a tentar salvar os «ricos hóspedes estrangeiros». Talvez esteja a tentar salvar os seus. Devem ser criticados por isso?
The Big Picture
In this photo taken Tuesday, Jan. 12, 2010, and released by the Philippine Mission to the United Nations, members of the 10th Philippine Peacekeeping Contingent serving with the United Nations Stabilization Mission in Haiti (MINUSTAH) help in search and rescue efforts at the collapsed U.N. headquarters in Port-au-Prince, where a number of staff members and peacekeepers, including three from the Philippines, remain trapped more than a day after a powerful earthquake struck the capital city. (AP Photo/United Nations, Marco Dormino)
Que horror, só ao ver as fotos já surge uma sensação de desespero…Se eu pudesse eu ajudaria o pessoal de lá. Os paÃses deveriam arrecadar dinheiro para reconstruir o local…Pena que muito desse dinheiro ficaria pelo caminho.
Bluewater, quer parecer-me que o testemunho que eu cito tem toda a razão de ser, infelizmente, independentemente de todos os idealistas e bem intencionados soldados da UN que existam (e que cumprem ordens). Link
Marco,
mas eu não coloquei em causa o testemunho que aqui referes. Eu quis foi salientar que a missão da ONU também sofreu pesadas baixas (relativamente ao número de elementos ali destacados). Neste momento, os soldados, em vez de estarem a tentar garantir a segurança, devem estar envolvidos em missões de resgate dos seus próprios. Aquilo que a ONu já deveria ter feito, era duplicar ou triplicar o número de elementos destacados para fazer face a todas as situações, resgate e segurança
Olá, leio seu blog silenciosamente todos os dias. Nunca me atrevi a comentar, porque parto do princÃpio de que se eu não tenho nada pra dizer é melhor ficar calada.
Hoje resolvi escrever porque esse texto que você citou comete um pequeno equÃvoco, porque conheço pessoas que fazem parte da missão de paz da ONU e eles sempre estiveram na numa das maiores e mais violentas favelas do mundo, que ironicamente tem um charmoso nome em fracês e que resguardavam os edifÃcios públicos.
Inté.
Olá, Fabiana. Desculpe mas o seu comentário foi parar à moderação, não sei porquê. Por isso demorou a sair.
Bem, é claro que o texto tem esse equÃvoco. A visão de uma pessoa naquelas circunstâncias não pode abranger tudo o que acontece, mas não deixa de ser um testemunho dissonante do que se vê nos media.
Cabe à s pessoas juntar as várias versões e tirarem as suas conclusões. Foi esta a primeira razão para ter colocado o texto aqui. A segunda foi esta frase: «A polÃcia haitiana, frágil e pequena, já está cumprindo muito bem seu papel – resguardar supermercados destruÃdos de uma população pobre e faminta. Como de praxe, colocando a propriedade na frente da humanidade.»
Aqui, na cidade onde vivo – Curitiba -, a comoção é muito grande: uma das vÃtimas deste terremoto foi Zilda Arns, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança. Uma mulher de muita bondade e ação, que estava no Haiti para levar o trabalho da Pastoral à quelas terras.
Há quase 300 anos, um terremoto destruiu Lisboa. Estima-se que 200 mil pessoas morreram nesta que é uma das maiores tragédias naturais. Era Dia de Todos os Santos. O sentimento de “Deus nos abandonou” deu força ao Iluminismo e, indiretamente, corroborou à explosão da Revolução Francesa.
Ah, mas quem sou eu, um brasileiro falando de sua história? A comparação que quero fazer é: se aquela tragédia ajudou a abrir os olhos para novos pensamentos, que esta no Haiti sirva para o mundo abrir os olhos à miséria que toma conta do planeta. Há muito os haitianos precisavam de ajuda humanitária. Também Serra Leoa, Somália… Por que não um “plano Marshall” para eles?
Onde estao os politicos haitianos , que nao determinam o confisco dos alimentos destes comercios destruidos para atender a populaçao. Como em todo lugar no mundo devem estar escondidos cuidando de intereces propios .