De um lado, o exército ao serviço do Governo que depôs um primeiro-ministro em 2006 mas que foi eleito democraticamente em eleições posteriores; do outro, manifestantes anti-governamentais barricados num bairro de Banguecoque e apoiantes do primeiro-ministro deposto.



Fotos: Sakchai Lalit/AP (foto de cima) e Wally Santana/AP (meio) e Vincent Yu/AP (baixo)
Os manifestantes recusam-se a abandonar as ruas; o Governo ameaça tirá-los de lá pela força. Os manifestantes estão armados; o Governo anunciou a intenção de cercá-los com 52 blindados.
Num único dia, a 10 de Abril, os confrontos provocaram 25 mortos e 800 feridos. Foi a primeira tentativa de desalojar os manifestantes.  Nos últimos dois dias, mais nove pessoas mortas e 112 feridas.
Os confrontos de hoje (sete mortos, 101 feridos) começaram logo ao inÃcio da manhã, quando o exército tentou avançar numa avenida ocupada pelos manifestantes. Dois jornalistas foram atingidos por balas quando tentavam fazer a cobertura dos acontecimentos: um fotógrafo do jornal tailandês Matichon e um operador de câmara da cadeia de televisão France 24.
Apesar dos mortos e feridos, este ainda não foi o inÃcio da operação para retirar à força os manifestantes barricados em Banguecoque há cerca de dois meses, foi apenas uma missão exploratória ou, segundo a versão oficial, «uma operação destinada a pressionar os manifestantes a regressar à mesa de negociações».


Fotos: Rungroj Yongrit/EPA (cima) e Wason Waintchakorn/AP (baixo)
A carnificina poderia ter sido de facto evitada na mesa de negociações, mas o plano para a saÃda da crise proposto pelo actual primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva, encontra-se em estado de coma polÃtico e dificilmente poderá recuperar.
Vejjajiva tinha proposto eleições antecipadas como contrapartida ao fim das manifestações. Os manifestantes exigiram, como condição para desocupar as ruas, a detenção e acusação formal do número dois do Governo, Suthep Thaugsuban, pois consideram-no pessoalmente responsável pela violência ocorrida a 10 de Abril (25 mortos, 800 feridos).
Em resposta às exigências dos manifestantes, o Governo anulou a antecipação das eleições.
Há dois dias, um general carismático que se juntara aos manifestantes antigovernamentais também foi atingido a tiro.
O militar, Khattiya Sawasdipol, 58 anos, muito popular entre os manifestantes e assumido lÃder das operações de segurança do movimento, levou um tiro na cabeça ao princÃpio da noite, quando dava uma entrevista a um grupo de jornalistas estrangeiros.
Uma enfermeira do hospital Hua Chiew disse então que o estado de Sawasdipol, ligado a um ventilador, era «muito grave». Ontem, o director do hospital afirmou que as hipóteses de sobrevivência eram «fracas».
Aquele que o Governo considera ser um dos principais adversários da reconciliação está, assim, fora de combate: Sawasdipol sempre se assumiu como um aliado indefectÃvel do ex-primeiro ministro Thaksin Shinawatra e sempre recusou uma saÃda pacÃfica para a crise.
A crise na Tailândia, iniciada em meados de Março mas com origem nos acontecimentos de há quatro anos, já provocou 31 mortos e 1000 feridos.
A indefinição polÃtica existe desde o golpe de Estado de 2006, que pôs fim à democracia parlamentar e proibiu quaisquer actividades polÃticas no paÃs.
Os manifestantes antigovernamentais barricados num bairro em Banguecoque, perto do centro financeiro e comercial da capital, conhecidos como os «camisas vermelhas», são os apoiantes do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra.
Shinawatra foi deposto nesse golpe militar e exilou-se no Dubai, escapando assim à condenação na Tailândia a dois anos de prisão por fraudes financeiras. Ontem exortou o Governo a retirar o exército e a retomar negociações.






























