→ 14/04/2010 @17:59

O ateu que quer prender o Papa

Campanha em Londres

Provavelmente ainda se recordam – fotos iguais a esta circularam muito na Web – de uma campanha publicitária em autocarros de Londres, nos quais um cartaz, afixado no exterior, mostrava a mensagem: «There’s problably no God.  Now stop worrying and enjoy your life», em português, «Provavelmente Deus não existe. Então, deixe de preocupar-se e desfrute a vida

O principal responsável pela campanha foi a British Humanist Association (Associação Humanista Britânica), apoiada por um vice-presidente honorário da associação,  o célebre e polémico biólogo darwinista Richard Dawkins.

Dawkins é um ateu militante. Um activista. Há quem o acuse de negar a existência de Deus com um fervor fundamentalista.

A última acção de Dawkins faz juz à sua fama de querer provocar um «militantismo cristão adverso», como escreveu, em artigo no DN, o teólogo, filósofo e docente da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Anselmo Borges.

Juntamente com o jornalista e escritor anglo-americano Christopher Hitchens, outro ateu militante e autor de um livro onde arrasa Deus e as religiões, Dawkins manifestou a intenção de recorrer à Justiça britânica e ao Tribunal Penal Internacional com o objectivo de prender o Papa Bento XVI por «crimes contra a Humanidade», quando este visitar o Reino Unido, entre 16 e 19 de Setembro deste ano.

Dawkins e Hitchens defendem que o Papa terá encoberto padres pedófilos. Assumindo como manobra de marketing pedir a prisão do Papa, supõe-se que a verdadeira intenção dos dois activistas seja a de, pelo menos, forçá-lo a explicar por que razão «optou pela reputação da Igreja católica em detrimento do bem-estar das crianças».

 

O idiota e o justo

Cartoon

Ilustração de Dario Castillejos

A pressão exercida sobre a Igreja e o Papa por causa dos abusos sexuais às crianças tem ajudado a revelar o que realmente pensam alguns padres e sacerdotes sobre o assunto. O secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Tarcisio Bertone, o número 2 do Estado, é uma das razões que me levam a pensar que qualquer pessoa mentalmente saudável se deve afastar desta Igreja e, no caso de ser crente, dispensar qualquer intermediário na comunicação entre Céu e Terra, Deus e consciência.

Acossado pelos escândalos de pedofilia, Bertone concluiu que afinal o pecado é ser-se maricas, estabelecendo uma relação entre pedofilia e homossexualidade. Disse anteontem, aos jornalistas, o seguinte: «Demonstraram muitos sociólogos, muitos psiquiatras, que não há uma relação entre celibato e pedofilia, mas muitos outros demonstraram, e disseram-mo recentemente, que há uma relação entre homossexualidade e pedofilia».

Os primeiros a reagir contra esta interpretação foram os próprios psicólogos. Eis um exemplo português: Marta Crawford, licenciada em Psicologia Clínica e especializada em Sexologia Clínica, respondeu da seguinte forma: «Não vejo qualquer relação entre pedofilia e homossexualidade. A pedofilia não é só relacionada com comportamentos com pessoas do mesmo sexo. Logo aí a relação nem sequer se coloca», afirmou. «Ser pedófilo não significa ter relações com pessoas do mesmo sexo, significa ter relações forçadas com pessoas de outra idade. A pedofilia é uma situação clínica diagnosticada, enquanto a homossexualidade não é uma doença e nada tem a ver com situações de abuso sexual sobre outros».

O que Bertone fez foi sacudir a água do capote – no seu caso, da sotaina. Quando  os jornalistas lhe perguntaram se a suspensão do celibato ajudaria a acabar com os casos de abusos sexuais a menores cometidos por sacerdotes, o cardeal já não quis estabelecer relações e reafirmou: «Isto [a relação entre pedofilia e homossexualidade] é verdade, este é o problema».

Esta amostra é suficiente para nos dar uma ideia da mentalidade cretina que manda no Vaticano e de como algumas características positivas da Igreja – as acções sociais em bairros carenciados, por exemplo – podem ser eclipsadas por idiotas deste calibre.

Nem tudo é mau, contudo. Enquanto Bertone vociferava disparates, o bispo das Forças Armadas, Januário Torgal Ferreira, revelava no DN uma opinião contrária:  «Relativamente ao celibato, está provado que a maioria destes ataques a menores vêm de heterossexuais», disse o bispo. «E lamentavelmente houve muita gente na Europa e além Europa que quis ligar isto a surtos de homossexualidade. Os heterossexuais é que são, do ponto de vista maioritário, os responsáveis destes crimes. Isto acontece no âmbito das próprias famílias!»

Mas, senhor bispo, interpelou o jornalista do DN, reconhece que a pedofilia não tem nada a ver com a homossexualidade, é isso que está a dizer? «Nada, nada!», respondeu o bispo.

«Pode haver homossexuais», prosseguiu Januário Torgal Ferreira. «Agora, o que houve foi a tentativa lamentável – até do ponto de vista científico – de ligar a homossexualidade a esta criminologia. Ou seja, é homossexual, gosta do mesmo sexo, o homem gosta da criança…»

 

Dawkins e a cruzada contra a religião

Richard Dawkins

Regresso a Richard Dawkins, o ateu intransigente, o darwinista fervoroso, para citar um livro muito interessante sobre Darwin, a Evolução e a Criação, dividido ao meio entre a escrita de um padre (Carreira das Neves) e uma bióloga não-crente (Teresa Avelar). Já agora, por curiosidade, Carreira das Neves é o padre que aceitou debater com José Saramago na SIC Notícias o polémico Caim e que, a meio do debate, foi surpreendido pelo toque do seu telemóvel.

O livro, editado pela Bertrand no ano passado a propósito das comemorações do bicentenário do nascimento de Darwin, chama-se Evolução a Duas Vozes e está dividido ao meio, literalmente, ou seja, a capa para a parte do padre funciona como contracapa da parte do livro escrita pela bióloga – e vice-versa. Estou a explicar o design do livro de forma confusa, talvez, mas se o comprarem vão ver que faz todo o sentido e é uma boa solução.

O excerto que se segue do livro é uma citação de Richard Dawkins invocada pelo padre Carreira das Neves e que nos ajuda a perceber o que vai na cabeça do homem que agora deseja prender o Papa.

«Parece subsistir o conflito armado entre ciência e fé nalguns autores recentes. Entre eles sobressai a pessoa de Richard Dawkins (…)», escreve o padre.

«Na sua obra A Desilusão de Deus (Casa das Letras, Lisboa 2007), que ocupou o top de vendas na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, tenta provar que Deus não existe e que as religiões são as causadoras de todos os males da Humanidade. É um darwinista convicto e unilateral, polémico e militante, que obriga os cientistas e não crentes a debaterem as suas teses, vistas por muitos como superficiais e eivadas de preconceitos.

No prefácio defende a tese de que só é religioso quem permanece numa atitude infantil de crença, defendendo as velhas teses psicológicas de Freud para quem a religião é uma invenção humana como meio de fuga à realidade, com os seus medos, anseios e terrores.

Segundo Dawkins, um verdadeiro cientista não pode ser pessoa de fé em Deus. Escreve com ironia: “Se este livro tiver o resultado que pretendo, os leitores religiosos que o abrirem serão ateus na altura em que o pousarem. Que optimismo presumido! É claro que os crentes empedernidos são imunes aos argumentos, tal é a resistência acumulada ao longo de anos de doutrinação durante a infância, com métodos que levaram séculos a amadurecer (seja por via da evolução ou de desígnio). Entre os dispositivos imunológicos mais eficazes conta-se o aviso instante no sentido de que se evite abrir um livro como este, certamente uma obra de Satanás. Mas acredito que há por aí muitas pessoas para quem a doutrinação da infância ou não foi demasiado insidiosa, ou por qualquer outra razão não pegou, ou cuja inteligência inata é suficientemente forte para a conseguir ultrapassar. Tais espíritos livres não precisam senão de um pouco de incentivo para se libertarem completamente do vício da religião. No mínimo, espero que ninguém que leia este livro possa dizer: Eu não sabia que podia.”

«Este é um livro que, na sua ironia, não agrada nem a Deus nem ao Diabo porque parte de um preconceito: só é verdade o que nos vem pela Ciência, tudo o mais não tem fundamento epistemológico», conclui Carreira das Neves.

27 comentários

  • 1
    com Minefield 3.7a5pre Minefield 3.7a5pre em Mac OS X 10.6 Mac OS X 10.6
    14 de Abril de 2010 - 20:30 | Link permamente

    Adoro essas desculpas à “vamos lá ser moderados” do Carreira das Neves :roll:

  • 2
    p
    com Firefox 3.6.3 Firefox 3.6.3 em openSUSE openSUSE
    14 de Abril de 2010 - 20:55 | Link permamente

    Cá também se vão fazendo algumas coisas:
    Associação Ateísta Portuguesa – http://www.aateistaportuguesa.org/
    Diário Ateísta – http://www.ateismo.net/

    Abraço!

    Já agora, o título original do livro é “The God Delusion” e foi mal traduzido para português: “delusion” não é “desilusão”, mas antes “ilusão”.

    delusion
    1. an act or instance of deluding.
    2. the state of being deluded.
    3. a false belief or opinion: delusions of grandeur.
    4. Psychiatry. a fixed false belief that is resistant to reason or confrontation with actual fact: a paranoid delusion.

  • 3
    sonas
    com Firefox 3.6.3 Firefox 3.6.3 em Ubuntu 10.04 Ubuntu 10.04
    14 de Abril de 2010 - 21:15 | Link permamente

    Já li a Desilusão de Deus umas 3 vezes e não mudo de ideias o grande Monstro do Esparguete Voador é real. Ou pelo menos tão real como o Unicórnio cor-de-rosa invisível. O Sr. Dawkins tem um mais recente sobre a evolução The greatest show on earth. Quanto a esses senhores da igreja o Monstro do esparguete voador tem um lugar reservado para eles, onde a cerveja não é fresca e as strippers têm doenças. Que a pasta esteja convosco.

  • 4
    com Internet Explorer 7.0 Internet Explorer 7.0 em Windows Vista Windows Vista
    15 de Abril de 2010 - 00:53 | Link permamente

    Bom artigo.

    Para além de Hitchens e Dawkins, acrescentaria à lista de “ateus militantes” Sam Harris que lançou o livro – que aconselho – “O Fim da Fé” (ed. Tinta da China). Tres autores, três abordagens distintas a um mesmo problema: para que raio existe a religião e porque é que se acredita em Deus (não é uma forma muito científica de dizer isto, mas a estas horas não me apetece pensar muito:).

  • 5
    bill
    com Firefox 3.6.3 Firefox 3.6.3 em Windows XP Windows XP
    15 de Abril de 2010 - 01:20 | Link permamente

    Eu aconselho a toda a gente a ver o filme Religulous (2008) de Bill Maher, para que possam ver quanto “ridículas” são as religiões.

    Let’s look at the trailer

    • 6
      com Firefox 3.6.3 Firefox 3.6.3 em Windows 7 Windows 7
      15 de Abril de 2010 - 01:21 | Link permamente

      Peço desculpa, bill, o teu comentário ficou em moderação sem eu querer. (Acontece muitas vezes, não sei porquê)
      Bill Maher é excelente, sou fã.

  • 7
    com Firefox 3.5.9 Firefox 3.5.9 em Fedora 12 Fedora 12
    15 de Abril de 2010 - 02:17 | Link permamente

    Sobre o assunto, sem fundamentalismos, altamente científico e respeitado, sugiro o Religion Explained (The Evolutionary Origins of Religions Thought) do Pascal Boyer que, acredito, coloca toda esta questão da crença religiosa, como o Mircea Eliade já tentara fazer mas sem obter tanto sucesso, de uma forma clara, sem preconceitos. Fabuloso também é uma série sobre os pecados capitais que está a passar no canal de História que sempre apresenta a visão mitológica construída na idade média pela igreja católica e o processo científico que justifica cada uma daquelas manifestações, tanto no ser humano como em outros animais.

    O mito religioso católico/cristão está a se desmanchar e este também é uma das consequências do acesso à Informação proporcionado pela tal revolução da qual falávamos no outro postal.

  • 8
    com Firefox 3.6.3 Firefox 3.6.3 em Windows Vista Windows Vista
    15 de Abril de 2010 - 09:54 | Link permamente

    Marco, já tardava um texto teu sobre este assunto. Valeu a pena esperar e ler. Muito bom

  • 9
    Marcos Correia
    com Firefox 3.6.3 Firefox 3.6.3 em Windows 7 Windows 7
    15 de Abril de 2010 - 10:12 | Link permamente

    Bom texto. Gostei da parte de a fé em Deus ser apenas uma fuga à realidade. Prefiro o mundo de J.K. Rowling, Harry Potter! Ou isso ou um bom paiva :P

  • 10
    Diogo
    com Google Chrome 4.1.249.1045 Google Chrome 4.1.249.1045 em Windows XP Windows XP
    15 de Abril de 2010 - 14:21 | Link permamente

    Eu sou um ateu convicto, faço do ateísmo uma religião, e não nego o carácter transcendente da vida. O problema não é se deus existe ou não, uma força qualquer que ordena ou está na base do universo. O problema é a «personalidade» dada pelo sentimento religioso a esse «Deus», e aí é que está a grande carraça que é a religião. É o ópio do povo, a poesia dos pobres.

    Depois acho sempre um piadão enorme a esses ignóbeis que ainda nem passaram a fase do mito religioso virem «contra-atacar» o ateísmo dizendo que é fundamentalista bélico, muito mau. Até chamam de «satanás», outra personagem do livro poético. É preciso entender que ninguém é ateu do nada, pode parecer irónico mas não é. Eu só quero o direito à realidade. A religião tem de uma vez por todas de ir parar às prateleiras da biblioteca e não fazer parte constituinte da vida, porque o mundo já está farto de ver os resultados de um pensamento mágico que faz AFIRMAções basilares sobre moral, uma força «possivelmente presente» na natureza mas que ninguém conhece e o universo. E é tudo muito ridículo e atrasado quando se está na parvoíce poética. É como ler um livro de amor escrito por uma cona molhada. :oops:

    Explicar crenças religiosas na luz [epistemológica, empírica, racional] evolucionista irá sempre comportar um ataque próprio ao fundamento do pensamento religioso. Ser ateu é ser activo não se importando com um caralho, à Epicuro. É a coisa mais perto que se pode ter de um paraíso.

    • 11
      com Namoroka 3.6.5pre Namoroka 3.6.5pre em Windows XP Windows XP
      15 de Abril de 2010 - 14:38 | Link permamente

      É a coisa mais perto que se pode ter de um paraíso.

      Isso e a cona molhada que referiste. E subscrevo o que escreves.

  • 12
    Miguel
    com Google Chrome 4.1.249.1045 Google Chrome 4.1.249.1045 em Windows 7 Windows 7
    15 de Abril de 2010 - 16:46 | Link permamente

    Antes de mais parabéns por ambos os textos. Como sempre excepcionais.
    Ao ler, principalmente o primeiro texto, surgiu-me rapidamente uma daquelas lembranças do tempo de escola, nas aulas de historia, em que a atenção ás aulas não era muita, mas de vez em quando lá havia uma curiosidade que captava a atenção… Lembro-me, e perdoem-me se este é um caso de falsas memórias desenvolvidas, que ao longo da historia, não só padres, como bispos e papas (!) tiveram casos registados de homossexualidade… Nomes não me perguntem, a atenção também nunca foi assim tanta, e a memória não está daquelas coisas (o gosto pela historia só surgiu mais tarde).
    O que me põe, sem duvida, a pensar…
    Ainda por cima, porque sou um dos casos daqueles referidos no texto em que a educação foi profundamente católica, passei por uma fase em que dizia mesmo (e achei curioso o teres usado exactamente as mesmas palavras) “não preciso de intermediários”, e agora numa fase cada vez menos crente devido, lá está, a um aumento de conhecimentos (lá está a epistemologia) que permitem explicar quase tudo o que se vê, viu, sentiu e se sente… Não há magia!
    Abraço!

  • 13
    M
    com Firefox 3.6.3 Firefox 3.6.3 em Windows 7 Windows 7
    15 de Abril de 2010 - 19:11 | Link permamente

    A maioria dos ateus ainda não se deu conta que acredita noutra espécie de deus: o Estado. 8)

  • 14
    com Internet Explorer 8.0 (Compatibility Mode) Internet Explorer 8.0 (Compatibility Mode) em Windows XP Windows XP
    15 de Abril de 2010 - 19:47 | Link permamente

    Excelente artigo e também comentários .

    Se conclusão houbesse ( nossa após tantos anos ainda troco o B pelo V ) seria : “O Mito é o nada que é tudo ” ( F. Pessoa ) .

    Independentemente , desta brincadeira de troca dos V pelos B ou vice versa : Creio que com estas referências se levanta a seguinte problemática :

    Onde está o estado de direito público e onde está o estado de direito privado ?

    A religiosidade , o ateismo , etc … fazem parte da crença de cada um . Não é um problema estatal ou republicano. É um questionamento individual .

    Que os padres que cometeram actos de pedofilia sejam julgados : Não por serem padres mas por seram cidadões ( antes de serem padres ) .

    Nuno

  • 15
    com Firefox 3.6.3 Firefox 3.6.3 em Windows 7 Windows 7
    16 de Abril de 2010 - 01:33 | Link permamente

    Marco, é uma pena que mistures aqui duas vertentes bastantes pertinentes, cada qual a merecer o seu debate próprio: 1-O problema da pedofilia na igreja católica, 2 – o Ateísmo (de certa forma, também ele uma religião, mas anárquica) e relação do criacionismo vs evolucionismo/darwinismo.

    Só agora me actualizo, e leio a preceito teus mais recente posts, e precisamente hoje, sobre a primeira das questões, e por hora, mais na ordem do dia, acrescentaria isto que por “outras galaxias do comos” dizia, relativamente às noticias que em parte ou identicas, também citas (de Bertone):

    Vamos lá desmaquilhar mais este tema repleto de cosméticas… Porque o cerne da questão nesta disputa de argumentos, é outro, e portanto, o que faltou dizer, ou demonstrar – com o devido respeito: mais pedófilia, menos pedófilia – é que “O que há, é uma razão lógica entre a homossexualidade e o celibato. No meio disto, existem as vítimas, os mais fracos e inocentes” e nenhum daqueles dois lados, o do Vaticano, ou defesa gay, quis ir por aí… diria eu, pois a menos disso, então ambos agem de má fé, com assuntos melindrosos, porque parto do principio (de certo modo assumido) que os dois lados da barricada sabem (o Vaticano sabe-o, de certeza) mas omitem:
    Durante muito, muito tempo, a homossexualidade, que ainda hoje é olhada pela sociedade de qualquer país como contra-natura, e quanto a mim, tem tudo para assim ser olhada, apesar de respeitada, acabou por ser para muitos rapazes que se sentiam oprimidos por tais factos, a descoberta ou o refúgio, empurrão, para a entrada e progressão nos seminários católicos, sendo que à tais pessoas / rapazes, pouco ou nada lhe diria, e custaria inclusive, a regra imposta do celibato. Até daria jeito – justificava-se o porque de não ter, nem nunca se lhe conhecer, mulher ou companheira(s).

    Este raciocínio, foi-me apresentado por um… Padre. Eu nada praticamente de qualquer religião desde a idade adulta, e com o à vontade e forma aberta que existe para se falar com tal Pároco Local, foi assim que tal me justificou, quando lhe perguntei, e antes de este escândalo ser mediatizado (à alguns meses já), o porqu de tantas ( e são mesmo muitas as religiões com o mesmo problema, e que igualmente o abafam para evitar escândalos) o porquê então de na maioria do seio das outra religiões, pois praticamente os demais casos de pedofilia nessas outras são heterossexuais, o porquê de no caso da Igreja Católica, ser forte e praticamente os casos de pedofilia, homossexuais.

    Lógico que o que o Padre me disse, seja ou não sabido por muitos e muitos mais responsáveis com ordem de abafar os casos, desde os corredores do Vaticano, às sacristias das igrejas nas paróquias, não é para ser assumido por Bertone… o N.º 2 do Vaticano.
    Daí, manobras de diversão.

  • 16
    jds
    com Firefox 3.6.3 Firefox 3.6.3 em Windows 7 Windows 7
    16 de Abril de 2010 - 11:52 | Link permamente

    Is God willing to prevent evil, but not able? Then he is not omnipotent.
    Is he able, but not willing? Then he is malevolent.
    Is he both able and willing? Then whence cometh evil?
    Is he neither able nor willing? Then why call him God?

    – Epicurus

  • 17
    com Internet Explorer 8.0 (Compatibility Mode) Internet Explorer 8.0 (Compatibility Mode) em Windows XP Windows XP
    16 de Abril de 2010 - 22:44 | Link permamente

    @ Marco : Tenho lido , relido , dado a comentar o teu texto . Muito bom mesmo. Agradeço teres traduzido a frase inicial em Português.

    Quando li o teu texto , pensei de imediato no debate que começa a existir aqui entre criacionistas e Darwinistas.

    O Nouvel Observateur tem uma excelente revista , edição ( hors série ) de Janeiro 2006 sobre o assunto : ” La Bible contre Darwin “.

    Um colega de filosofia contou-me , aterrado , que alguns estudantes não aceitavam a ideia que o homem tivesse chegado à Lua . Isto numa aula de filosofia !

    @ Mrcosmos

    Tudo é movimento . E o que era ontem já não é hoje . Somos seres culturais E o Amor não é só reprodução. Sem tabus nem obsessões !

    @ jds

    O que escolhes para traduzir he is ? O verbo ser ou estar ? E porquê ? Não é ofensa é unicamente curiosidade.

    Houve lá um poeta da excepção cutural que escreveu que o verbo estar aproximava dos homens e o verbo ser de Deus ( o Francês só tem um verbo Ser ) .

    Já agora : Que tal a aposta de Pascal ?

    Nuno

  • 18
    s
    com Firefox 3.6.3 Firefox 3.6.3 em Windows 7 Windows 7
    18 de Abril de 2010 - 10:39 | Link permamente

    Gostaria que alguém me apontasse o caminho….

    Não acredito em religiões , mas também não acredito no ateísmo.

    Na ciência, acredito na teoria do caos.

    qual é o meu rotulo?

  • 19
    bill
    com Firefox 3.6.3 Firefox 3.6.3 em Windows XP Windows XP
    18 de Abril de 2010 - 22:50 | Link permamente

    @s pode ser que este artigo da Wikipédia dê uma ajuda.

  • 20
    com Internet Explorer 8.0 (Compatibility Mode) Internet Explorer 8.0 (Compatibility Mode) em Windows XP Windows XP
    19 de Abril de 2010 - 23:35 | Link permamente

    Bom : aqui vai a aposta de Pascal .

    Atenção porque é um texto já com séculos e que , por outro lado, traduzir não é fácil. É que a aposta de Pascal é também um axioma matemático donde a importância do enunciado.

    Assim :

    Se Deus existe e acreditas : Ganhas tudo .

    Se Deus não existe e acreditas : Não perdes nada.

    Se Deus existe e não acreditas : Perdes tudo.

    É óbvio que esta aposta de Pascal deve ser pensada e conceptualizada no âmbito cultural da época deste grande filósofo-matemático.

    Nuno

  • 21
    s
    com Firefox 3.5.9 Firefox 3.5.9 em Windows Vista Windows Vista
    20 de Abril de 2010 - 09:12 | Link permamente

    @obrigado BILL

    Então sou Agnóstico Teísta no grupo do Ignosticismo.

    Na aposta de Pascal só não concordo com isto:

    “Se Deus existe e não acreditas : Perdes tudo.”

    Perco o quê concretamente?

  • 22
    com Internet Explorer 8.0 (Compatibility Mode) Internet Explorer 8.0 (Compatibility Mode) em Windows XP Windows XP
    20 de Abril de 2010 - 17:12 | Link permamente

    @ s

    Estatiscamente Blaise Pascal mostra que se ganha mais em acreditar em Deus que o contrário.

    Os fragmentos ( Les pensées ) de Pascal foram escritos no século XVII e penso que é necessário ter em conta o contexto da época.

    É o Deus de Pascal o mesmo que o de Fernando Pessoa : ” Deus quer , o homem pensa , a obra nasce ” ?

    Existem similitudes entre Les Pensées ( fragmentos ) e o Livro do Desassossego ( fragmentos ) de Fernando Pessoa ?

    É a arte algo de concreto ?

    Nuno

  • 23
    com Internet Explorer 8.0 Internet Explorer 8.0 em Windows XP Windows XP
    20 de Abril de 2010 - 19:44 | Link permamente

    Acho Dawkins um cara hilário!!!

    O melhor dele é esta estório de querer ser um Dom Quixote e brigar com moinhos de vento, que não existem.

    Tenho um artigo sobre o cara: está aqui: http://reverendomaia.blogspot.com

  • 24
    Paulo Alexandre Oliveira Lopes Sousa
    com Firefox 3.5.9 Firefox 3.5.9 em Windows Vista Windows Vista
    21 de Abril de 2010 - 13:47 | Link permamente

    Na escola frequentei religião e moral e lá aprendi muitos bons valores, mas a determinada altura começo a questionar qual a definição de Deus.Porque se Deus existe e eu acredito que sim, penso que temos primeiro que definir o que é Deus e isso gera várias discussões.Cada um tem ou não a sua Fé e as suas Crenças, mas penso que a questão da existência ou não de um poder superior (Deus) não foi nem nunca será resolvida.

    Nesta linha de pensamento assumo-me como Deísta.

    “O deísmo pretende enfrentar a questão da existência de Deus, através da razão, em lugar dos elementos comuns das religiões teístas tais como a “revelação divina”, os dogmas e a tradição. Os deístas, geralmente, questionam as religiões denominacionais e seu(s) deus(es) dito(s) “revelado(s)”, argumentando que Deus é o criador do mundo, mas que não intervém, directamente, nos afazeres do mesmo, embora esta posição não seja estritamente parte da filosofia deísta. Para os deístas, Deus se revela através da ciência e as leis da natureza.

    É interessante dizer, que o conceito deísta de divindade não corresponde, necessariamente, ao que comumente a sociedade entende ser “deus”. Ou seja, existem várias formas de se compreender aquilo que é, supostamente, transcendente ou sobrenatural. Então, Deus pode ser compreendido como o princípio vital, a energia criadora ou a força motriz do Universo. Todavia, não propriamente como um ser antropomórfico. Tal representação é específica das religiões fundamentalistas, os quais o deísta não considera como sendo a verdade.

    O deísta não necessariamente nega que alguém possa receber uma revelação divina, mas essa revelação será válida apenas para a pessoa que a recebeu (se realmente a recebeu). Isto implica a possibilidade de estar aberto às diferentes religiões como manifestações diversas de uma mesma realidade divina, embora não crendo que nenhuma delas seja a “verdade” absoluta.

    Muitos deístas podem ser definidos como agnósticos teístas, pois consideram que no dia-a-dia as acções humanas devem ser orientadas pelo pensamento racional.” Fonte-wikipédia

    Cumprimentos a todos

  • 25
    Paulo Alexandre Oliveira Lopes Sousa
    com Firefox 3.5.9 Firefox 3.5.9 em Windows Vista Windows Vista
    21 de Abril de 2010 - 14:32 | Link permamente

    Afirmações deístas

    * 1- Acredito em um Deus, mas não pratico nenhuma religião em particular;
    * 2- Acredito que a palavra de Deus são as leis da natureza e do Universo, não os livros ditos “sagrados” escritos por homens em condições duvidosas;
    * 3- Gosto de usar a razão para pensar na possibilidade de existência de outras dimensões, não aceitando doutrinas elaboradas por homens;
    * 4- Acredito que os ideais religiosos devem tentar reconciliar e não contradizer a ciência.
    * 5- Creio que se pode encontrar Deus mais facilmente fora do que dentro de alguma religião;
    * 6- Desfruto da liberdade de procurar uma espiritualidade que me satisfaça;
    * 7- Prefiro elaborar meus princípios e meus valores pessoais pelo raciocínio lógico, do que aceitar as imposições escritas em livros ditos “sagrados” ou autoridades religiosas;
    * 8- Sou um livre pensador individual, cujas convicções não se formaram por força de uma tradição ou a “autoridade” de outros;
    * 9- Acredito que religião e Estado devem ser separados;
    * 10- Prefiro me considerar como um ser racional, ao invés de religioso

  • 26
    com Internet Explorer 8.0 (Compatibility Mode) Internet Explorer 8.0 (Compatibility Mode) em Windows XP Windows XP
    21 de Abril de 2010 - 23:54 | Link permamente

    Acabo de saber que a sede da Gulbenkian , em Paris, organiza um seminário ( entrada livre ) sobre F Pessoa et son mythe pour le Portugal. No dia 1 de Junho às 18 horas

    Salvo erro meu , uma palestra , será dada sobre a visão do mundo, por assim escrever, de Blaise Pascal e Fernando Pessoa. Este último conhecia Pascal ( e não só ) .

    Em vista dos meus comentários anteriores, o mundo é pequeno ( e tem piada esta coincidência ).

    A leitura de “Mensagem” reveste aspectos esotéricos que o Fascismo abafou.

    Totalmente de acordo : A religião e o Estado devem ser separados . Sou militante em favor da laicidade . A pequena-grande república Portuguesa fará seu o texto francês de 1905 sobre a separação entre estado e igreja. Um exemplo que é cada vez mais posto em causa.

    Todavia , não posso deixar de ser insensível a vários aspectos da humanidade que nada tem de racionais .

    Citando de novo Pascal : O coração tem razões que a razão desconhece ” ; Ou até Camões : ” Amor é um fogo que arde sem se ver “….

    Fugindo ao anedótico :

    Penso que existe nas tábuas um mandamento enigmático . A proibição do Incesto. Sem este talvez a espécie humana nunca tivesse evoluido. É claro que houve transgressões . Mas a lei ficou . E mais curioso ainda : Os Chimpazés praticam o incesto em liberdade , mas não nas reservas ( em contacto com os humanos ). Porquê ?

    Somos seres naturais ou seres culturais ?

    Porque é que somos a única espécie animal a utilizar enfeitos corporais desde a noite dos tempos? Porquê ?

    Poderia acrescentar outros aspectos como o culto dos mortos ( a não confundir com o rito funerário que também existe nas baleias e elefantes ) .

    Não somos seres individuais. Somos a herança dum passado, a vivência dum presente e um porvir a construir. Somos seres colectivos. Quem não conhece a experiência, feita com bébés , do rei da Prússia que quis conhecer a primeira língua da humanidade ?

    Se somos seres culturais , compete-nos encontrar a dialéctica adequada , longe dos ismos e istos, para melhor nos entendermos.

    Se somos seres racionais , talvez seja um prenúncio de guerra ( o que não espero ) .

    Nuno

  • 27
    Willians Bernardo
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    24 de Abril de 2010 - 15:52 | Link permamente

    “Deixo eu contar uma História não perfeita” ! Moro com a minha sogra, que não é perfeito, ela é católica bem viciada meu sogro também vivem no interior de Minas Gerais praticamente no Sul de Minas, sua vizinha da frente que minha sogra odeia é evangélica…De terça e quinta tem culto na casa dessa mulher, e pra minha sogra não deixar barato ela coloca um som com uma caixa amplificada com alto-falante de 12; da pra imaginar o barulho….Bom ninguém é perfeito né! e as duas dizem que acredita em Deus mas agora quantos existem? Agora porque Judeus e Palestinos se “AMA”? Não precisa ir lá pra saber meus, próprios vizinhos já sabem disso.
    A Religião pode se tornar uma “arma” dependendo da forma que ela é expressada.

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